031| E se eu não voltar?

𓇬   ݀ ̫ Point of View ˎˊ˗
.  ˇ𓂃 𖥻 Any Gabrielly ⸼ 𓏲 ꕤ᎐݊

Fiquei mais um tempo ali, mas não demorou muito até alguém vir tirar a minha paz.

— O que você quer agora, Derek? — pergunto após sentir sua aura atrás de mim.

— Ver se estava tudo bem.

— Você não tem trabalho a fazer? — pergunto seca.

— Já vi que está estressada. — alisei minha testa respirando fundo. — Você fez um belo discurso. — disse se sentando ao meu lado.

— Não foi bem um discurso, só soltei o que estava engasgado. — encarei ele. — Não gosto de me sentir sob pressão. O olhar das pessoas sobre mim é agoniante. — voltei a olhar o lago. — É como se elas afirmassem que não vou dar conta, tudo porque sou uma mera adolescente de 17 anos que parece irresponsável.

— Se serve de consolo, Guilherme te defendeu. — mordi o lábio inferior. — Na verdade ele deu uma bronca bem grande em todos. Disse que já foi difícil para você descobrir que dormiu por dois meses e ainda ter que lidar com isso.

— Hm. — resmungo alisando minha nuca.

— Olha, eu sei como é ser julgado pela idade, realmente não é fácil. Guilherme sabe das suas dificuldades e também do seu jeito de lidar com as coisas. — mordi o lábio inferior. — Confiamos em você, sabemos que vai dar conta. 

— Assim espero. — forcei uma risada.

— A grama está molhada? — perguntou olhando próximo ao lago.

— Ah, era eu fazendo arte. — digo dando risada.

— Como assim? — respirei fundo e olhei para o lago.

Comecei a fazer o mesmo de agora pouco, que foi brincar com a água.

— Isso é incrível. — olhei ele que parecia fascinado. — Quando aprendeu?

— Agora. Também consegui tirar toda a água do lago e deixar flutuando. — ele se levantou de uma vez.

— Acha que consegue mexer com a terra? — encarei ele confusa. — Vem, levanta. — me puxou pela mão.

Não entendi onde ele queria chegar, mas fiz o que ele disse. Me concentrei na terra e algumas flores cresceram no local.

— Agora tente o ar. — relaxei meus músculos após sua fala.

Em um movimento rápido com as mãos, fiz as árvores balançarem. Senti meu poder cada vez mais concentrado e o vento cada vez mais forte...

— Any, eu acho que está bom… — abaixei minha mão e o vento parou. — Isso é incrível, você tem controle total sobre os elementos.

— Isso significa que?

— Tem noção do quão difícil é alguém que domina a água, tentar dominar outra coisa? — neguei.

— Eu odiava prestar atenção nas aulas. — me virei andando pelo local e ele riu.

— Isso te torna uma bruxa muito, muito poderosa. — parei de andar.

— Que ótimo, mais responsabilidade. — cruzei os braços.

— E o fogo? — ri desacreditada.

— Sou o pilar do fogo, é sério que perguntou isso? — ele encolheu os ombros me fazendo revirar os olhos. — Mas chega de falar de mim. Me conta, o que rola com a Joalin? — ele ficou sério.

— Me recuso a falar disso com você. — abri a boca incrédula.

— Tudo bem, se você prefere assim. — comecei a andar para longe

— Espera. — parei de andar e sorri.

— Quer me dizer algo? — me fiz de sonsa e me virei novamente para ele.

— Gosto dela, ok? — cruzei os braços esperando ele continuar. — Joalin é uma menina incrível, é forte… me sinto bem ao seu lado. — suspirou. — Ela perdeu seus pais quando era pequena, e mesmo assim seguiu firme. — ele sorriu. — É a primeira vez que gosto de alguém.

De repente, o sorriso que estava em meu rosto sumiu aos poucos.

Josh também foi o primeiro de quem gostei. Ele me fazia bem, me fazia sentir borboletas no estômago…

Caí de joelhos na grama e segurei o choro que queria sair.

— Falei alguma besteira? — neguei de cabeça baixa.

Levei a mão no peito e pressionei querendo que essa dor parasse. O sentimento de saudades bateu, mas dessa vez bateu mais forte. Preciso ir para a terra, preciso ir o mais rápido possível.

— Está tudo bem. — digo respirando fundo. — Ouvir você falando me lembrou de Josh. Estou ocupando tanto a minha cabeça para não pensar nele, que quando aparece algo me atinge em cheio. — me sentei na grama novamente.

— Joalin me falou dele algumas vezes. — olhei ele. — Por que não avisa que acordou? — fechei os olhos negando.

— Não posso. — digo com a voz embargada. — Eu sinto uma coisa, mas não sei o que é. Se eu falar que acordei, ele vai esperar todos os dias esperando eu voltar… — fechei os olhos com força. — E se eu não voltar? — Derek não falou mais nada, apenas me puxou para um abraço e eu não recusei.

Eu quero avisar, quero aparecer o mais rápido possível… Mas enquanto tudo isso não acabar, não conseguirei viver tranquila.

— Ok, chega. — forcei uma risada e me separei limpando o rosto. — Me conta, o que pretende fazer em relação a Joalin?

— Não sei, queria esperar essa onda de loucura passar. — cerrei os olhos encarando ele.

— O que te preocupa? — ele ficou em silêncio. — Estou sentindo sua aura, você está preocupado.

— Isso é invasão de privacidade. — acabei rindo. — Eu não sei o que ela vai fazer quando isso acabar, na verdade, não sei o que você vai fazer. — franzi o cenho confusa. — Você tem aqui, mas também tem a terra, seus amigos são de lá, seu pai, seu namorado…

— É complicado. — digo pensativa. — Os humanos não podem entrar aqui e de verdade? Não quero deixar as pessoas que eu amo para trás. — ele assentiu. — Mas só para você saber, se eu for para a terra, a Joalin também vai.

— Foi o que eu pensei. — desviou o olhar.

— Mas não deixe isso te impedir, Joalin gosta de você, só que esse momento agora não ajuda muito. — ri fraco.

Ficamos mais um tempo ali conversando e devo admitir que somos bem parecidos, já posso considerar ele como meu amigo.

Voltamos para a sala do conselho e Guilherme estava sentado conversando com mais algumas pessoas. Alexa também estava ali e se levantou para me abraçar.

— Como está minha querida? — sorri.

— Bem, só fui dar uma volta. — ela olhou para Derek.

— Hm. — disse desconfiada e eu revirei os olhos.

— O que vocês estão esperando? — pergunto apontando para frente.

— Joalin voltar. — encarei o portal.

— Derek me disse que ela foi quando eu saí da sala, por que ela não voltou ainda? — me aproximei.

— Já abrimos o portal duas vezes. — disse Alexa.

— Já foram atrás dela? — pergunto encarando Guilherme.

— Primeiro foi o Jonas, ele não voltou e agora foi o Carlos. — disse Guilherme.

— Abra o portal. — ordeno e assim eles fazem.

Atravessei o portal e Derek me acompanhou. Caímos em um lugar completamente escuro e que estava com um cheiro forte.

Dei um passo para frente, mas parei no mesmo instante e segurei o braço de Derek após sentir algo.

— Está com medo? — encarei Derek.

— Não, mas senti alguma coisa. — me agachei e toquei o solo.

Um arrepio tomou conta do meu corpo e eu me levantei de uma vez. Tem gente desmaiada aqui.

— Estão aqui? — perguntou ele.

— Sim, mas com toda essa fumaça não vamos achar nunca. — digo me concentrando do mesmo modo que fiz no lago.

Um forte vento tomou conta do local e toda a fumaça sumiu aos poucos. A luz voltou a surgir e o corpo de todos desmaiados apareceu no chão.

— Me Deus! — Derek correu em direção a Jojo.

— Temos que tirar eles daqui. — ajudei a tirar os corpos e levei até o portal.

Diarra foi chamada até a sala do conselho e não demorou para chegar.

Aos poucos eles começaram a acordar e eu me aproximei.

— Vocês estão bem? — pergunto.

— O que aconteceu? — perguntou Joalin olhando em volta.

Guilherme explicou o que aconteceu desde que eles saíram em missão.

Joalin explicou o que havia acontecido lá. Disse que uma névoa tomou conta do local e não se lembra de mais nada.

Também me perguntaram como consegui achar eles e essa foi a brecha para Derek contar a todos que tenho controle sobre os quatro elementos.

Por fim, chegamos a conclusão de que o local era tóxico. Ficaram tanto tempo lá que não sentiram quando começou, por sorte achei eles rápido e nada me aconteceu.

Após Diarra me examinar para ter a certeza de que estava tudo bem comigo, fui liberada e voltei para o meu quarto.

Estou vendo que não será tão fácil voltar a terra...

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