sete
Dizem que quanto mais velha você fica, a maturidade vem de bónus. Descordo totalmente, não importa quantos anos você tenha, as pessoas querem destruir você ! E o seu sorriso também, a vida não é justa com ninguém, não foi comigo. As situações acabaram comigo, então... Não importa o quão pequena você for, a maturidade vem de situações difíceis, de como você foi forte para supera- las !
Com tudo que já passei, esqueci que ainda só tenho quinze anos. Pareço uma velha amargurada, e com motivos. O clima aqui está nebuloso, nem quente, nem frio, sombrio. Tudo conforme os meus sentimentos.
Estou do lado de fora de casa, com minha nova expressão , silenciosa, séria, calada. " se não se manter em silêncio, eu vou silenciar você !"
Estou do lado de fora de casa, de frente a um alvo de madeira que eu mesma fiz. Me afasto um pouco dele, começo a atirar facas nele, não quero errar a mira. As pessoas que passam me olham torto, acham que eu sou louca, e não sei como ainda não estou. Finjo que não escuto seus sussurros e continuo atirando minhas facas, que na verdade estão bem longe de acertar o alvo, mas o barulho soa como um vulto bem veloz e bruto, até mesmo assustador. Lá se vão, uma, duas, três facas.
karla vem falar comigo.
--- mana,eu sei que você está mal, mas pode sempre contar comigo!--- ela diz num tom acolhedor
-- como assim, não aconteceu nada comigo---- tento disfarçar
---- Raquel, sou criança , mas não sou idiota! Sinto muito pelo que houve.---- me admira a inteligência da minha irmã, e seu carinho é o melhor de tudo
--- como você soube?--- pergunto num tom baixo
---- eu conheço a irmã que eu tenho.--- responde sorrindo.
Ela me abraça me trazendo um ar doce que tanto me faltou
---- você não pode mudar o que já aconteceu, mas pode mudar o que ainda vai acontecer!--- ela diz. Queria que fosse verdade, mas no momento não vejo solução pra nada. Prefiro não dizer nada, não quero que ela se preocupe.
Entramos, me alegro ao ver minha mãe almoçando. Antes só tínhamos uma refeição ao dia. Apesar de tudo que aconteceu , não passamos tanta necessidade como passávamos antes.
O dia passou, e a noite chegou, eu que não vou dormir , não vou deixar isso voltar pra mim. Talvez Karla tenha razão, talvez não seja como eu pense, talvez eu consiga conviver com isso, ou não. Tomo quase uma jarra inteira de café, não quero dormir, não posso!
Eu não quero passar minha vida como uma simples faxineira, não que isso não seja digno, mas acho que não deixaria de passar necessidades e não é o que eu quero. Eu sempre sonhei alto, mas despenquei do céu com as situações.
Eu estou com alguns livros que vão me ajudar a me educar, livros velhos, mas que têem a mesma serventia que os outros. Viro a noite assim, não sabia que era tão inteligente. Minha mãe acorda me vendo ler, ela vem até mim, ainda sonolenta.
--- Raquel,filha, você ainda não dormiu?--- pergunta com o tom destruído, dá pra notar que ainda está com sono, e cansada
---- acho que tomei muito café, amém por isso---- respondo ainda com os olhos fixados nos livros
---- filha, você vai ficar doente---diz no mesmo tom
--- olha, eu não quero ser o que eles dizem que eu sou, eu quero ser alguém, ser mais que isso!---- digo com emoção
---- eu sei filha, mas você tá isagerando. Assim vai passar mal.--- minha mãe explica- ---- não custa nada dormir---- conclui
----- custa minha inocência, porque toda vez que eu durmo, eu volto lá, mãe! Eu a perco de novo!---- digo, meus olhos lacrimonejam
---- filha, vem. Lembra quando você tinha sonhos ruins e vinha correndo pra mim?---- pergunta comigo elaçada em seus braços.
--- sim.
---a partir de hoje nós vamos dormir de conchinha, tá bom?---- sorri
--- é sério? ---- pergunto animada
--- é, mas não acostuma não. É só até os pesadelos pararem!---- ela brinca
Vamos as duas para a cama da minha mãe, nos deitamos e dormimos de conchinha , como ela prometeu.
Assim me sinto segura, sinto que se eu tiver outro pesadelo, ela vai estar ali me dizendo que o pior já passou, que foi só um sonho, e que agora o meu futuro pode melhorar!
Dormimos feito anjos. O que dizem sobre " o colo de mãe é o melhor remédio " é totalmente verdade, sei disso melhor que ninguém. Depois de muito tempo ,o pesadelo sumiu e eu pude dormir outra vez, como uma criança no colo da mãe.
No dia seguinte, diferente do anterior o sol predominou. Eu vi karla brincar, até brinquei um pouco com ela. Me alegro ao vê- la assim, uma criança tão madura, que não deixa a infância pra traz, quem dera eu fosse assim. Logo o meio dia bate no relógio, tomo uma decisão.
---- vou voltar pra escola. --- digo de uma vez com medo de recuar
--- o quê? Você tinha pavor da escola--- minha mãe se intriga
--- não vou me privar dos meus direitos por causa daqueles preconceituosos!
--- você está certa, mas....
---- mãe, não se preocupe, depois de tudo que eu passei bullying é o que menos importa.
---- fico relaxada!--- suspira
--- no fim somos todos farinha do mesmo saco... Quer dizer, todos somos iguais a todos !
---- você está certa, filha, e até estamos em melhor condição que eles.
---- tá bom, vou me arrumar então.---- digo indo as pressas me arrumar. Meu uniforme está deplorável, mas a escola também, então formam um belo par!
Corro com a mochila, Mas paro de repente. Tudo começa a se embaçar e a girar, a última coisa que ouço é o som do meu corpo no impacto com o chão. Com o meu desmaio minha mãe fica desesperada e vai atrás de Walase, eles tentam me acordar, mas é inútil, então decidem me levar ao médico.
Quando chegamos minha mãe logo começa a chorar,
----- e se for o que eu tô pensando!--- diz chorando
--- não será. Tenha fé---- Walase diz.
Um médico vem me atender, mas seu olhar de desdém e nojo impregna o hospital
---- eu não vou atender essa ... Menina- --- sussurra para o outro médico ao me observar de cima a baixo. Minha mãe muda sua expressão para um expressão revoltada
---- como assim não vai atender minha filha? --- pergunta lentamente
--- desculpe , senhora, mas tenho mil outros pacientes pra atender agora.---- responde o médico
Mas é a vez dela!---- minha mãe grita
---- eu sinto muito , senhora, mas houve um engano.---- responde friamente
---- não houve engano nenhum. Você não quer atender minha filha porque somos pobres!---- minha mãe retruca---- que tipo de hospital é este? Pessoas veem aqui a procura de ajuda e vocês nos recebe com discriminação?! Eu realmente não espero mais nada do mundo, nunca poderia esperar algo assim de pessoas que salvam vidas todos os dias! ---- minha mãe serra os punhos
--- olha só minha senhora...
---- olha só minha senhora coisa nenhuma, você vai atender minha filha agora!---- minha mãe diz com fúria nos olhos e no tom, apontando seu dedo indicador no rosto do médico. O fazendo recuar, ele não teve escolha a não ser me atender.
Na sala de exames, estou deitada na cama do hospital, ainda desmaiada, minha mãe e Walase também estão presentes aqui
--- não foi nada de mais. Ela desmaiou por falta de energia. É óbvio que não se alimentava bem. Na verdade ,não é surpreendente.
--- não se alimentava bem porque um covarde que nem você levou a inocência dela!---- minha mãe retruca com o tom e a expressão arrogantes
--- eu sinto muito.... Eu!--- é óbvio que o médico ficou desconcertado. Ele é preconceituoso, mas não seria capaz de se alegrar com algo assim, se bem que nada me surpreende mais.
---- a menina tem alta!---- é só o que ele consegue dizer. E então sai
Minha mãe suspira e finalmente começa a chorar, Walase vai até ela, abraça- la
--- eu já não sei mais Walase! Já não aguento mais, quando isso vai acabar! ---- minha mãe chora nos braços de Walase
Eu também queria que acabasse, mãe, mas não depende só de nós!
Reparei durante dias que sempre desmaio quando alguma coisa me abala muito, desde a morte do papai.
Reparo também que na escola eles não implicam mais comigo. Pode ser porque, com o trabalho da dona Ysabella conseguimos nos virar melhor que eles, e não voltamos mais às pirâmides de lixo dos arredores. Por isso acham que estamos melhores que eles e, estamos, por enquanto.
Pelo menos assim eu tenho um pingo de paz, que é muito comparado a nada.
Com passar dos dias, começo a conviver, ou melhor, me acostumar com a vigilância de Paulo. Acho que o melhor jeito de esconder a verdade é esquece- la. Por mais que as lembranças do que me aconteceu ainda me machuquem, eu aprendo a ignorar a presença do vigia ,como se ele nunca tivesse existido.
Ultimamente, tenho ido à escola, minha mãe está indo a procura de outro trabalho, mais perto de casa, mas bem sucedido. Ainda temos algum dinheiro guardado,mas não vai durar muito tempo.
Em breve eu vou terminar a quarta série, eu tenho vergonha de está tão atrasada, logo Karla vai me alcançar. Mas eu não vou desistir da escola, além dela me distrair, vai me levar a algum lugar.
Em seu trabalho, no silencio da noite, quando não há mais ninguém presente lá. Paulo segue meus rastros pelos seus satelets, mas só pode me observar quando estou fora de casa, dentro ele não pode futurar. Mas se certificou de contratar um capanga ora fazer isso.
Seu deboche e maldade me irritam, como pode ele caminhar lentamente para um lado e para o outro em movimentos assustadores ebsombrios, e ainda ri de mim. Em seus pensamentos creio que pensa, o quão eu sou submissa a ele, mas não vai durar... Um dia o jogo vai virar. Depois de se cansar de assoar de mim e de minha triztreza, ele retira o zoom das imagens que o satelet capotou de mim e do lixão. Então desliga o computador e sai. Deixando apenas vazio e escuridão, mas mesmo com ele já estava assim. Com suas roupas chiques e tudo que tem, ainda sim não tem nada! Seu terno é azul claro reluzente. E adora expor seus anéis que custam fortuna. Eu odeio tanto ele, que sinto que o mundo é pequeno pra nós, e que algum dia vamos acabar.... Nos matando
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top