Cinco

   Depois do que fizeram com a minha familia, depois de terem destruído a minha vida pelo miserável fato da gente não ter dinheiro, isso acabou com a pessoa que eu era. Acabou com a minha casa, com a minha familia, até mesmo com meu psicológico.  Eles mataram uma das pessoas que eu mais amava por nada, acabaram com as nossas vidas por nada! Não fizemos nada a eles,  pelo contrário eu era apenas uma criança,  Karla mais nova ainda.
   Desde então estou assim enfurecida com os fatos,  com as pessoas do presente e do passado. Jamais vou perdoa-  Los, pelo contrário,  vou me vingar de todos eles! No final,  todos somos iguais a todos!

     O clima hoje está estranho, sinto a mesma sensação fria e negra de sempre, mas hoje está pior. Estou começando a ficar com medo.
   Depois de ter ido as compras com mamãe e Karla volto para o trabalho com minha mãe. Estou muito feliz por termos conseguido dar um passo tão importante, nossa vida finalmente está se recuperando. Obviamente não vou conseguir esquecer meus traumas, mas só de saber que minha irmã e minha mãe não vão mais passar  frio nem fome, já é um grande alivio.  Minha mãe e eu estamos limpando tudo,  de repente minha mãe me pede pra ir ao mercado comprar uns produtos de limpeza que estamos precisando para continuar a faxina.
      Saio rumo ao mercado, mas não tenho a menor ideia de onde estou indo, e aquela sensação piora tudo. Tenho certeza, posso sentir, algo ruim vai acontecer hoje!
    As horas se passam e eu fico cada vez mais assustada, não sei onde estou não sei se estou longe , não tenho como falar com ninguem.  Estou com medo
   Caminho por toda parte pedindo informação,  mas ninguém para pra me responder, o que me deixa mais assustada ainda.

     A noite caiu e eu ainda estou aqui, imagino como minha mãe deve estar preocupada. Entro em um beco escuro, foi a ideia mais idiota que já tive. Caminho lentamente assustada, ouço gotas de água que caem do teto pingarem no chão o único som neste cenário de terror. Pra piorar a sensação despara em meu peito. Ouço passos,  passos quietos além do meu. Paro onde estou.
Meu coração despara e o que sinto agora não é só uma sensação.  Meus olhos se arregalam sem que eu os possa conter. Minha respiração se ofega o que eu faço?  Não sei. Será meu fim?
     Olho para trás lentamente ao sentir que os passos pararam. Viro- me lentamente num suspense sem fim. Me deparo com um susto gigante, um homem que deve estar na faixa dos quarenta anos, parado bem atrás de mim. Imediatamente corro disparada, corro o mais rápido que posso, corro e meu coração quase sai pela boca quando olho para trás e vejo o covarde me perseguir. Mesmo assim não paro, vou correr e correr, viro por vários becos dentro desse beco. O som dos nossos pés ecoam um barulho audacioso,  também posso ouvir o eco de nossas respirações.
     Minhas lágrimas quase caem quando vejo que não tem saída. Me escondo atrás de um carro inferrujado, torço para ele não me achar, me abaixo e fico aqui sentada morrendo de medo, o pavor e o suspense me dominam .... Quando menos espero, mãos se ilaçam em meus braços
----- ah!---- grito
   

             Acabou , minha vida acabou !

     Depois de destroçar meu coração o covarde vai embora, eu estou aqui aos prantos,  soluçando de dor, as lágrimas parecem rachar meus olhos. Minha vida nunca foi lá essas coisas, mas agora só não tenho mais vida, não consigo ir em frente, só quero morrer!  Só quero que essa dor saia de mim! Eu nunca vou conseguir esquecer o que aconteceu aqui, minha história está marcada com isso! Tudo chegou ao fim pra mim. Por que ele não simplesmente me matou?! Por que fez isso comigo! Eu não merecia isso, não eu não merecia!
     Minhas lágrimas não exitam em cair, minha dor arde dentro de mim. Nunca mais serei eu mesma, nunca mais!
       Chego finalmente na casa da minha patroa, minha mãe vem correndo me abraçar. Minha patroa também estava preocupada.
   Ao sentir os braços da minha mãe, minhas lágrimas rolam de novo, choro feito uma criança
  ---- Raquel,  filha, o que foi? O que houve.  Por favor me diz o que está acontecendo,  filha! --- minha mãe fica inquieta e totalmente preocupada. Mas não posso responder, não consigo, só consigo chorar desesperadamente.  Me jogo no chão me ajoelhando na esperança de que algo passe, mas não passa!
   --- filha por favor! Por favor!---- minha mãe começa chorar comigo. Minha patroa também fica preocupada. Até que meus dedos começam a tremer, tudo fica embaçado, estou zonza. De repente caio deitada no chão, não vejo mais nada, desmaio.

    Minha patroa achou melhor me levar ao médico,  enquanto eu estava deitada na cama do hospital cheia de anestesia, minha mãe espera ansiosamente o médico ( ginicologista) . Ele finalmente chega com o resultado dos meus exames
  --- então doutor? ... O que minha filha tem.--- o médico se vira para minha mãe com uma expressão de lamento. Ele não diz nada
---- por favor, doutor!--- minha mãe insiste desesperada
  --- sei que parecerei indelicado, mas preciso perguntar... Sua filha está tendo relações com alguém?--- o médico pergunta.
  --- não. Claro que não, minha filha é só. ..----  ao perceber o que o médico queria dizer minha mãe perde o ar. O silêncio predomina até que o médico conclui
   ---- eu sinto muito! .... Aplicarei os remédios necessários para evitar doenças e gravidez. --- após dizer num tom acolhedor o médico se retira. Minha mãe se encosta na parede e desliza até o chão com as mãos fixadas nos cabelos
  --- não!  Não! Não- -- minha mãe chora. Minha patroa vai até ela consola- la
  ---- vai ficar tudo bem
   --- não vai,  não vai! Eu sou uma péssima mãe! Não sou capaz de dar uma vida digna pras minhas filhas,  Raquel estava aqui por minha causa!
   --- não. Não pense assim, por favor!---- minha patroa faz o possível,  mas minha mãe está arrasada
--- a culpa é minha!
--- não. A culpa não é sua!
---- é sim! Eu mandei Raquel ir no mercado! Eu sou culpada! Eu sou culpada!--- minha mãe diz socando o chão.
  No dia seguinte ainda cedada, dormindo, pra ser exata. Minha mãe cochichando chorando, de pé perto da cama
---- minha linda, a culpa disso tudo é minha! Eu sou uma péssima mãe! Fui fraca, deixei que fizessem isso com você,  me perdoa meu amor!--- ela diz acariciando minhas mãos ---- eu juro--- força a respiração tentando controlar o choro- -- eu juro que não vai se passar um só dia em que eu não me sinta culpada pelo que aconteceu, e eu nunca mais vou permitir que alguém machuque você!----- chora.
     O ambiente se deu um zoom e a triztreza transparece o lugar. Mas é tudo que consigo sentir,  Não há saída.!

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