Cap. 14 - Fujoshi

Frederico estava sentado na calçada conversando com Chiquinha enquanto eu observava o vai e vem dos carros quando avisto o fusca branco que deseja ser notado onde quer que ele vá. Era branco e uma relíquia praticamente do meu pai, usado nos primeiros anos de trabalho árduo e com todas as peças originais, entretanto o carro tinha personalidade, segundo minha mãe.

E por falar em minha mãe ela já acenava de longe e o carro nem havia parado ainda, o motor do fusca rugiu uma última vez, depois de ser estacionado e finalmente desligado. Meu pai saiu com um largo sorriso no rosto.

- Ele ainda ta no grau querida.

- Ah com certeza, aposto que o policial pensou que estávamos fugindo de alguém quando nos viu passar. – disse ela sorrindo e vindo em minha direção me abraçando – Oi filhote... Oooh que gracinha querido ainda continua do mesmo jeito da ultima vez que viemos aqui.

Ela rapidamente mudou o foco e olhou para a fachada da entrada da vila e do portão velho de madeira.

- Se bem que poderiam passar uma tinta também não é mesmo? – retorqui ela quando se volta para mim enquanto Quico e Chiquinha se levantam. – Oi meninos! – ela acena.

Coço atrás da minha orelha e olho para meu pai.

- Pai...

- Não me olhe assim Chaves, sabe que quando sua mãe bota uma coisa na cabeça nem Deus consegue tirar da cabeça dela.

- Mas tinha que ser no fusca? – olho e aponto para o inofensivo carro que rugia como um leão a poucos instantes.

- Imaginamos que não seria bom chegar em um Amarok preto, para não causar uma má impressão.

- Ah claro – reviro meus olhos – uma má impressão.

- E você querida é...? – minha mãe se aproxima de Chiquinha e já lhe dá um abraço.

- Chiquinha, é como todos me conhecem.

- Ah claro! Lembra querido era a garotinha que te chutou sua canela para não levar o namorado. – disse ela toda animada.

Chiquinha ficou vermelha imediatamente e abaixou os olhos.

- Mas querida, esse bonitão aí gosta da mesma fruta que a gente. Mas tenho certeza que você vai achar um rapaz incrível e solteiro.

- Mãe! – digo exasperado.

- Às vezes acho que você é bem mente fechada querido, nos lidamos muito bem com a modernidade não é mesmo querido? – diz ela segurando a mão do meu pai.

- Claro querida. Estamos por dentro da onda do momento. – diz ele convicto.

- Vamos querido! Vamos logo, estou louca para tomar uma xicara de café. Se bem que essa frase me é familiar não acha querido? – diz ela pensativa.

- Talvez seja daquela serie mexicana que sempre vemos na televisão aos finais da tarde.

Eles caminham animados enquanto entram na vila, Frederico se coloca do meu lado e dá um sorriso enquanto Chiquinha se posta na nossa frente.

- Amei seus pais Chaves. São da hora! – diz ela sorrindo.

- Eles são, só espero que nada dê errado.

- Não vai – diz Quico confiante.

- É o que espero... – digo quase num sussurro.

***

- Então querido onde moram seus pais? – pergunta minha mãe.

- Casa 14, sogrinha.

- Ele me chamou de sogrinha – diz minha mãe com os olhos brilhando – Eu disse, está vendo querido. Nossos netos vão sair... – diz ela animada, enquanto Frederico dá um sorriso e abre a porta da casa dele.

Dona Florinda estava com um vestido azul, o avental branco preso sobre o mesmo. Prof. Girafales estava sentado com um jornal na mão, parecia que lia as notícias enquanto fumava o seu charuto. Ao nos ver ela abre um sorriso e se aproxima.

- Boa tarde, não querem entrar e tomar um xicara de café?

- Eu já vi essa frase em algum lugar, - fala Maria Antonieta pensativa e depois completa – mas claro que eu aceito.

Não demora para que todos se acomodem na pequena sala e sala de jantar. Chiquinha ficou de um lado e eu do outro com o Frederico na pequena mesa de jantar. Nossos pais conversavam sobre assuntos triviais do cotidiano, ate que minha mãe, faz uma pausa e logo em seguida fala:

- Bem a conversa está sendo muito agradável, mas quero falar do casamento dos nossos filhos.

- Querida... – meu pai sorri enquanto dona Florinda tentava voltar a respirar enquanto a sua mão ia ate seu peito na tentativa de não deixar se abalar.

- E lá vamos nós... – sussurro.

Quico parecia se divertir com tudo na verdade e Chiquinha parecia estar na mesma vibe. Parei para olhar novamente para meus pais e os pais do Quico, parecia que tudo estava tranquilo. Na verdade, dona Florinda já esboçava um sorriso no rosto e não parecia abalada. Ela estava animada, cocei meus olhos duas vezes para ter certeza de que estava vendo as duas mulheres vendo decoração para casamento.

- É dessa vez que ela volta para alta sociedade – dizia Chiquinha em meio a risos.

Frederico revira os olhos e ri com a afirmação. Aparentemente estava tudo indo bem, quando sinto meu celular vibrar, pego ele no bolso e sigo para a cozinha, olho para o visor. O número não era conhecido, mas ainda sim atendo.

- Alô.

- Oi Chaves, sou eu. Nicholas.

- Ah... Oi Nhonho. Tudo bem?

- Melhor agora – ele ri brevemente – Que cantada terrível. Mas então quando vamos sair?

- Bem, sobre isso...

Quico aparece na cozinha e me olha, afasto o telefone e digo que é Nicholas no telefone, ele me beija e pega o telefone das minhas mãos, em seguida põe no ouvido.

- Oi Nhonho. Quico aqui...

Breve silencio.

- Ah tudo bem – ele da um sorriso – Estamos na minha casa, os pais dos Chaves vieram conhecer meus pais... Se quiser aparecer...

Novo silencio.

- Esta bem. Mande lembranças ao Sr. Barriga.

Ele desliga o telefone e se aproxima de mim, segura meu rosto e me beija. Sinto seus lábios e sua respiração, seus braços se entrelaçam em volta do meu pescoço. Ele para e me olha com um sorriso.

- Dessa vez você não vai a lugar nenhum sem mim, Chaves. Não vou perder você de novo. Eu te amo.

Nossos lábios se encontram mais uma vez e a ultima coisa antes que ouço antes de me concentrar apenas no Frederico é de ouvir minha mãe fujoshi falar em pegar o celular para registrar esse momento. Sou muito grato pelos pais que ganhei e que apesar da infância sofrida, hoje sou o que sou por conta de tudo o que passei.

- Esse será nosso pequeno infinito... – digo olhando para Frederico e dando um selinho em seguida.

- GRAVEI BRASIL! - grita minha mãe animada.

Se depender dela, essa história vira até filme.


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Este é o fim desta historia, obrigado a todos que chegaram aqui pelo TikTok, não esperava que fosse lida por tantas pessoas. Sou muito grato a todos que divulgaram ela em suas contas: @alanmaispoc @404_lostt meu carinho e eterna gratidão. Mais uma vez obrigado por me acompanharem em mais uma historia, espero vê-los em breve em mais um livro ٩(♡ε♡ )۶




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