Cap. 07 - Inesperado
Seus olhos se fixaram nos meus. Eles estavam indecifráveis. Então suas mãos se juntam no meu peito, ele abaixa a cabeça e suspira.
- Você não devia ter feito isso.
- O que? Como você pode dizer uma idiotice dessas?
- Você só tornou as coisas mais difíceis para nos dois.
Ele levantou o rosto e só então eu percebi que seus olhos estavam marejados e aos poucos as lagrimas corriam em seu rosto.
- Porque isso é tão difícil para você?
- Porque a vida é uma droga. Você quer que eu mate minha mãe de desgosto? Eu não posso ser... eu não posso amar você. É errado.
- É errado querer ser feliz ao seu lado e você do meu?
- Por favor me esqueça...
Ele se desvencilha dos meus braços e caminha até a porta. Seguro seu braço e então mima visão fica embasada. Cambaleio e me encosto na parede. Algo quente escorre pelo meu nariz que começa a doer. O cheiro de ferrugem me incomodava um pouco. Levo minha mão até o meu nariz e olho o estrago feito.
- Isso é para aprender a não se intrometer mais comigo.
Disse ele sem me olhar e com pesar na voz, saindo do banheiro me deixando ali sozinho enquanto devagar meu corpo deslizava pela parede e ficava inerte no chão frio do banheiro.
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- Ei está tudo bem com você?
Olhei vagamente para o dono daquela voz, ele tinha cabelos lisos, olhos castanhos. O corpo era malhado e um sorriso perfeito branco e dentes alinhados. Vestia uma bermuda jeans e uma camisa branca com uma das alças de sua mochila nas costas.
- Hmm...
Ele riu.
- Você esta péssimo.
Só então notei uma bolsa pequena de curativos ao seu lado. Ele passava algo no meu nariz.
- Aí. - reclamei.
Ele riu novamente.
- É só mertiolate. Bem... - ele pegou um band-ai e colocou no meu nariz. - Terminei. - disse em meio a um sorriso.
- Você tem um sorriso bonito.
- Foi a primeira coisa inteligente que disse até agora. - ele se sentou do meu lado - O que aconteceu com você?
Suspiro.
- Amar e não ser amado.
- Ah disso eu já sabia. Que idiota fica chorando no chão do banheiro de uma escola pública? - disse ele em meio a um sorriso debochado.
- Você não vai com a minha cara?
- Tá bom, mas não se irrite. - disse ele sorrindo. - Quero saber como acabou sangrando?
- Levei um soco ora pois...
Ele revirou os olhos e sorriu novamente. Ele se agachou e ficou na minha frente. Seus olhos me encararam, sua face se aproximou da minha e tocou os meus lábios que não resistiram. Foi um beijo rápido e suave. Ele se levanta e caminha até a porta. Então ele se vira e olha para mim mais uma vez.
- Que bom que voltou Chaves.
- Você...? Como me conhece?
Ele riu e piscou os olhos.
- Eu não era exatamente como o Quico há alguns anos, mas as pessoas mudam Chavinho.
Olhei para sua face com mais cuidado, para a pele bronzeada.
- Nhonho?
- Faz anos que ninguém me chama assim Chaves. Fico feliz que tenha voltado. Talvez dessa vez eu consiga.
- O que?
- Te fazer feliz. - disse ele por fim saindo do banheiro me deixando ali sozinho.
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