Cap. 03 - Sr. e Sra. Rodrigues
As luzes da cidade refletiam no para-brisa do meu Sedan. Minha casa não ficava muito longe, quando adentrei a propriedade da família Rodrigues o portão se abriu sozinho. A voz de Edgar ecoava no velho interfone.
- Seja bem vindo sr. Rodrigues.
Estacionei o carro e desci, caminhei ate a entrada e a porta foi aberta. Edgar fez menção de comentar alguma coisa, mas eu o ignorei. Quando coloquei meus pés nas escadas.
- Claudio Chaves Rodrigues não vai ao menos dar um beijo em sua mãe? - a voz de Dona Maria Antonieta Rodrigues ecoou em meus ouvidos.
Olhei para ela e dei um sorriso, caminhei ate ela e a abracei dando-lhe um beijo no rosto.
- Como foi o passeio filho?
- Foi nostálgico.
Ela me olhou preocupada.
- Você não engana mamãe.
Acabei rindo da situação.
- Seu Madruga esta muito doente.
- Nossa filho. Mas ele esta bem?
- Ele vai ficar. Levei a um de nossos hospitais. Espero que não haja problemas.
Ela riu e me beijou a testa.
- Não ha querido. Mas agora tome um banho. O jantar sera servido e seu pai não demora a chegar.
- Sim senhora! - imitei um soldado e subi as escadas marchando.
Quando finalmente me livrei da roupa daquele dia e adentrei no banheiro para uma ducha é que percebi o quanto a minha vida havia mudado. Mas que a deles não. Eu ficava imaginando como todos estariam hoje. Como ele estaria. Eu sabia que Chiquinha sempre gostou de mim, mas o sentimento não é reciproco e eu precisava dizer isso a ela. Sai do banho e fui para o quarto, eu estava enxugando o cabelo quando Edgar adentra o quarto. Ele não parecia se importar me ver pelado e eu não me sentia incomodado, e com toda a classe ele anuncia:
- O jantar esta servido.
E da mesma forma que ele entrou ele saiu. Procurei uma bermuda e uma camisa, calcei a minha chinela e desci para o jantar. A mesa estava arrumada e meus pais já estavam la.
Como duas figuras fora de um contexto politicamente correto como meus pais estavam na alta sociedade?
Maria Antonieta Rodrigues não fazia a linha dondoca e de nariz empinado, ela sempre pregou a humildade e não gosta de frescuras. Meu pai Rodrigo Rodrigues - seu nome chega a rimar e sempre riu disso - é outra figura, homem serio de negócios, mas sempre brincou comigo na lama, fazia palhaçadas não muito diferente de agora, mas as crianças crescem e sei que ele sente falta da época em que irritávamos as empregadas correndo sujos de lama pela casa.
- Então filho já conheceu um garoto legal? - disse ele em meio a um sorriso.
- Pai. - eu disse vermelho.
- Querido não deixe nosso filho como um pimentão vermelho. - ela ria disfarçadamente.
Tinha me esquecido. Meus figurões sabem que gosto de meninos. E aceitam totalmente isso. Acho que é um lance de ser filho único e ter sido mimado.
O jantar correu normalmente, logo em seguida fomos todos para a sala, assistimos TV e logo depois fomos para os quartos. Deitei na minha cama e olhei para o teto. Havia apenas um garoto que em minha mente e a quem meu coração pertencia. E eu voltei por ele a esta cidade. Voltei porque não suporto a ideia de que ele possa estar com outra pessoa e mais do que nunca eu preciso tê-lo comigo.
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