CAP 46

HUGO

Não conversamos durante a quase meia hora de viagem no helicóptero por causa do barulho. Estamos sobrevoando algumas montanhas e, quando aterrizamos estou sem reação, a vista é maravilhosa.

 É a primeira vez que faço este tipo de passeio e estou adorando. Caminho de mãos dadas com a Lia e Paul bate muitas fotos, tanto das paisagens como nossas. Está tudo muito divertido. Vamos fazer um piquenique e iremos embora depois do pôr-do-sol. As meninas estão sentadas um pouco a nossa frente, cada uma com uma taça de vinho e beliscando alguns petiscos.

Estou sentado mais atrás com os gêmeos e sou surpreendido pela intimação do Alex:

-Então, Hugo, a Lia nos contou como estão as coisas entre vocês.

 Eu simplesmente não tinha ideia de como responder a isso.

 Paul interfere:

-Você já sabe o quanto a Lia é importante para nós e por tudo o que ela teve que passar. Nós a amamos incondicionalmente. Eu posso dizer que nunca a vi tão feliz assim e ela merece isso. Também sei que relacionamentos podem ser difíceis, então eu só te peço que, mesmo se as coisas não derem certo entre vocês, não a faça sofrer. Pelo menos não de propósito.

Já que estou na "reunião de família" me sinto na obrigação de acalmar esses irmãos preocupados e que só querem o bem da Lia tanto quanto eu. 

-Paul, a Lia é muito importante para mim também. Sei que estamos juntos há pouco tempo, mas posso jurar pra vocês que prefiro morrer do que magoá-la outra vez.

Alex me pressiona um pouco mais:

-Você a ama?

Eu olho para menina sentada a minha frente conversando distraída com um sorriso lindo nos lábios, seus cabelos estão roçando no chão porque está escorada no cotovelo. Penso em tudo o que ela passou para chegar até aqui. A dor que senti quando me contou e como não soube consolá-la como merecia, depois o sentimento de raiva e impotência por ela ter passado esse horror tão sozinha e desamparada.

 Recordo de como sofri quando eu mesmo a fiz sofrer e ela não quis falar mais comigo, lembro também da felicidade de ter ela nos braços se entregando para mim sem restrições. Penso em quanto conversamos e nos aproximamos nessa última semana, da saudade ao estar longe e alegria do reencontro hoje. 

Com o coração disparado, eu engulo em seco e admito mais para mim mesmo do que pro Alex: 

-Sim, Alex, eu a amo.

Ele dá um sorriso enorme:

-Você já disse isso para ela?

Após aceitar e admitir que eu a amo, um calor me invade e eu pareço uma criança numa manhã de Natal :

-Não disse, mas vou dizer agora.

Levanto num pulo, ela percebe meu movimento e me direciona o sorriso mais doce que já recebi. Eu pego em sua mão e a convido para dar uma volta, ela concorda na hora. Temos pouco tempo porque o sol já está se pondo e não podemos nos afastar muito.

Encontro uma pedra gigante perto de um penhasco lindo, onde só se vê o horizonte avermelhado, é um cenário digno de um cartão postal. 

-Espero que meus irmãos não tenham te tirado a paciência.

Ela afirma mas levanta a sobrancelha num tom inquisidor. 

Eu dou de ombros.

-Eles só estão preocupados com você, está tudo bem. Provavelmente, quando eu te apresentar para minha mãe, você vai passar pela mesma coisa.

Ela fica pálida e arregala os olhos, o que me faz rir. 

-Medo de conhecer a sogra?

Ela não responde.

Me escoro na pedra, faço ela se escorar em mim e abraço sua cintura. Ficamos olhando o sol se pôr em silêncio, desejando que esse dia nunca acabe.

Ainda olhando a natureza, Lia declara:

-Eu sei que pode parecer bobo o que vou dizer, mas momentos assim com esse silêncio, essa paisagem, esse sentimento de paz... Esse tipo de coisa que se guarda na memória. Então quando temos que enfrentar alguma contrariedade é só fechar os olhos e estamos aqui de novo... revivendo esse instante e isso é o suficiente para nos acalmar, entende?

Absorvo cada palavra dita com sua voz suave.

-Sei exatamente o que quer dizer.

E sei mesmo. Aperto ela bem forte nos braços, suas costas estão escoradas no meu peito, afundo o rosto no seu pescoço respirando bem fundo para guardar seu cheiro. 

Sussurro baixinho no seu ouvido:

-Eu te amo, Lia.

Ela se vira rápido, como se tivesse tomado um susto, encara meus olhos e encontra a verdade.

 Então relaxa e responde:

-Eu também te amo, Hugo.

Selamos nossa declaração com o mais carinhoso dos beijos enquanto o último raio de sol mergulha no horizonte.


Pessoal, a opinião de vocês é muito importante pra mim, de verdade.

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