CAP 36
LIA
Hugo aperta minhas mãos, seu olhar me implorando para dizer alguma coisa. Eu ainda não tinha certeza se voltar atrás da minha decisão de dar um ponto final em tudo era o ideal.
-Hugo, tudo bem, eu concordo em deixar tudo isso passar, não vai ser bom para nenhum de nós ficar remoendo isso. Só eu acho que não tem porquê nós irmos além do que já fomos, até aqui já foi bem complicado.
Ele quase entra em desespero quando eu falo isso, mas deve ter percebido o quanto estou confusa porque insiste:
-Lia o começo é difícil para qualquer um, estamos nos conhecendo. É normal enfrentarmos contrariedades. Além disso, todo casal tem impasses e não só no começo. A gente precisa aprender como lidar com isso... e juntos.
Eu deixo escapar um sorriso fraco, arqueando uma sobrancelha:
-Somos um casal, agora?
Ele dá uma risada e vejo sua expressão aliviar um pouco.
-É o que eu quero, com certeza. Não sei o que é esse sentimento que está tomando conta de mim, mas definitivamente não quero deixar pra lá. Nós tivemos muito pouco tempo até agora e tivemos bons momentos também, não pode negar.
A lembrança de estar em êxtase nos seu braços a ponto de esquecer tudo, invade minha cabeça e meu corpo desperta num arrepio involuntário. Eu penso que SIM, quero e preciso sentir isso de novo.
Quando eram desconhecidas essas sensações, não almejava nada disso. Estava tranquila até o Hugo aparecer e me mostrar que pode ser diferente, que tenho um mundo novo na minha frente e não preciso me sentir culpada por isso.
É uma luta lenta, passar por cima de tudo o que me assombra, mas não posso mais ser escrava disso. A indecisão ainda toma conta de mim.
-Hugo, não tem como fazer isso dar certo. Nossos compromissos nos mantém muito longe um do outro.
Ele parece perceber que quase me convenceu porque está bem mais relaxado.
-Nós vamos fazer como você faz com seus irmãos, vamos estar juntos sempre que possível. Talvez não seja o suficiente, mas é isso o que temos por enquanto. E eu sinceramente prefiro ter um pouco de você do que não ter nada.
Ele me dá um ultimato.
-Lia, só me diz que também sente alguma coisa por mim que o resto a gente dá um jeito.
Eu fico um pouco em silêncio e recordo o conselho de Noah de um tempo atrás:
"Deixa rolar". E então eu decido dar uma chance.
Não para o Hugo, mas para mim mesma que tenho o dever de me permitir ao menos uma tentativa de ser feliz. E se não der certo, valeu a experiência, não é o que dizem?
Olho pro rapaz ansioso e esperançoso na minha frente.
-Sim, Hugo, eu sinto.
Pessoal, a opinião de vocês é muito importante pra mim, de verdade.
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