Capítulo 11 - Cobra ardilosa

- Esta manhã recebi uma visita do cardeal de Bordeaux. - disse Louis sentando-se numa das poltronas da sala de estar. - Veio falar sobre o meu casamento.

- E o que ele te disse? - perguntou Chadd.

- Disse que eu devia consumar o meu casamento e começar a gerar herdeiros senão o papa anula-o.

- E tu vais fazê-lo?

- Óbvio que não! Não tenho interesse nenhum em fazê-lo, além disso se o papa quiser anular o casamento pois que o faça, e se for necessário eu envio-lhe uma carta a pedí-lo. - disse Louis.

- Mas como é que o cardeal sabia disso? - perguntou Anastácia levantando o olhar do livro que tinha em mãos.

- Se queres que seja sincero nem imagino como, mas certamente foi alguém que lho comunicou. - deduziu Louis fitando a cunhada.

- Bom vamos lá ver, eu não fui, tu também não, e por suposto que a Ana também não, além de nós quem mais sabia disso? - disse Chadd fitando o irmão.

- A Kira. Só nós os quatro é que temos conhecimento deste assunto. - disse Anastácia e Chadd sorriu para a esposa.

- Talvez tenha sido ela, mas com que motivo é que ela avisaria o cardeal acerca desta falha? - inquiriu Louis.

Chadd fitou o irmão como quem olha para o ser mais burro à face da terra.

- Das duas uma, ou tu és de compreensão lenta ou então andas a praticar para a lerdice. Ainda perguntas o motivo?!

- Pois pergunto, se ainda não sei a resposta é normal fazê-lo.

- Muito provavelmente a Kira enviou uma carta ao cardeal a reportar que não houve consumação de modo a que ele te viesse confrontar sobre isso. - disse Anastácia juntando as peças.

- E como ele tem bastante influência visto ser cardeal e o teu primeiro ministro ela pensou que ele fosse capaz de te convencer a terminares com o celibato e a dares-lhe o que ela mais quer. - completou Chadd com ar de quem desvendou a maior conspiração do mundo.

- Mas porque quer ela tanto a consumação? Duvido que ela esteja preocupada com as leis da igreja católica. - disse Louis.

- Tu tens que dormir mais pois o sono tira-te a capacidade de raciocinar, fazes muito bem em duvidar que ela esteja preocupada com as leis católicas pois de facto não está, agora o porquê de ela querer tanto a consumação é o facto de que assim ela terá finalmente o que quer, que é a oportunidade de fornicar contigo, entendeste agora? - explicou Chadd pacientemente.

- Além disso um casamento consumado é muito mais difícil de se dissolver, assim se vocês o fizessem e depois disso quisesses anular o casamento já não o poderias fazer pois assim ele era oficialmente vinculativo e ficarias preso ao casamento contra a tua vontade.

Ouvindo tudo isto Louis acabou por concordar, além do mais Kira era bem capaz de fazê-lo e Louis não duvidava nem um bocadinho.

- Porém não temos a certeza de que foi Kira, embora todos os indícios apontem para ela. - advertiu Chadd.

- Muito provavelmente foi. Irei falar com ela e exigir uma explicação. - disse Louis determinado.

- Aconselho-te a não fazê-lo. - interviu Anastácia. Louis fitou-a.

- Porque não?

- Podemos usar estas informações a nosso favor, se foi Kira quem avisou o cardeal de Bordeaux, quando ela souber que tudo foi em vão vai tentar uma nova tática para conseguir o que quer, e como ela pensa que nós não sabemos de nada podemos controlar os passos dela e descobrir se ela tem outras intenções para além de ir para a cama contigo. - explicou Anastácia sabichonamente recebendo olhares incrédulos dos irmãos.

- O que é que eu fiz para merecer uma esposa tão inteligente e astuta como tu minha bomboca. - disse Chadd segurando a cabeça da esposa e depositando um beijo molhado na sua bochecha pálida. - Ana, aninha, amor do meu coração, isso. É. BRRRILHANTE!!

- De facto é uma excelente ideia. - parabenizou Louis. - Pelos vistos Anastácia é mais inteligente do que nós dois juntos.

- Pois é. - disse Chadd olhando para a esposa apaixonadamente, até se aperceber do que o irmão disse. - Espera um momento, como assim mais esperta do que nós dois juntos? Fala por ti está bem? Tu é que estás mais lerdo do que a normalidade não eu!

- Se pensas assim tudo bem. - disse Louis encolhendo os ombros e Anastácia riu.

- Mudando de assunto. - disse Anastácia. - Eu estou a pensar em procurar uma nova dama de companhia.

- Algum problema com a tua dama de companhia?

- Não, apenas estou a pensar dispensá-la, ela já tem muita idade e descobri através do filho, que pediu para falar comigo, que ela tem uma doença que lhe provoca muito cansaço e dores nos ossos. Estou disposta a pagar-lhe uma boa indemnização e, se concordares, a arranjar um emprego para o filho aqui no palácio.

- Bem, por mim não há problema algum, já falaste com ela?

- Com Flora? Já sim, a principio não queria aceitar mas eu insisti pois ela deve ter prioridade na saúde. A principio pensou que eu estivesse insatisfeita com o seu trabalho, mas depois de lhe explicar tudo direitinho ela acabou por concordar. - disse Anastácia.

- Bom, escolhe uma dama de companhia que te seja adequada e trá-la até cá.

- Marylin vou às compras, dás conta disto por meia hora? - perguntou Frida.

- Claro que sim vai lá, não te preocupes. - disse Marylin para a companheira de trabalho.

- Obrigada.

Pegando na cesta Frida saiu pela porta das traseiras do palácio e saiu em direção à vila para fazer as compras. Era cozinheira no palácio há dois anos e trabalhava também na limpeza pois não tinha medo do trabalho nem de sujar as mãos, se havia coisa com que Frida não se identificava nada era com as mulheres empruadas das cortes e dos seus vestidos caros e jóias vistosas e brilhantes. Não precisava de nada disso e sentia-se bem com a forma humilde com que se veste todos os dias, mesmo que muitas dessas mulheres a olhem de lado por causa da sua roupa e posição social. Para elas tudo o que fosse abaixo do seu estatuto nobre era insignificante e digno de desprezo e desinteresse.

Entrou num mercado no centro da vila e cumprimentou o homem ao balcão, via-o muitas vezes pois era com frequência que vinha a este mercado fazer compras, pegou tudo o que precisava, pagou e saiu em direção ao palácio.

Já estava farta de caminhar, cansada e com fome, antes de seguir de volta para a estalagem com a esperança de encontrar um novo emprego deitada por terra, e com alguns francos que tinha consigo, dirigiu-se a um mercado para comprar algo para comer pelo caminho, mas ia tão distraída que acabou por bater numa jovem de cabelos castanhos que aparentava ter a sua idade, derrubando-lhe a cesta que ela tinha em mãos.

- Ai peço imensa desculpa! - disse Fiona baixando-se ao mesmo tempo que a rapariga ajudando-a a apanhar as frutas e os demais itens que caíram. - Ia distraída e acabei por não vê-la.

- Não tem importância, o que importa é que ninguém se magoou não precisa de ficar tão transtornada.

- O motivo do meu transtorno não é esse, é outro. - disse Fiona triste.

- É algo grave? Eu sou a Frida já agora.

- Eu sou a Fiona, é e não é, eu... Não quero maçar-te com os meus problemas.

- É sempre bom falar com alguém. - disse Frida gentilmente. - Podes contar-me se quiseres.

- Está bem. Eu... Trabalho numa estalagem perto daqui, mas o que eu recebo é muito pouco. Passei a manhã toda à procura de um novo emprego mas tudo o que eu recebi foram não's e portas na cara, não sei se é antipatia deles ou se é por eu ser estrangeira. - desabafou Fiona suspirando no final.

- Não sois de cá é isso?

- Não, sou espanhola mas mudei-me para França para recomeçar mas até agora continuo no mesmo sítio. Estou completamente desesperada por um novo emprego para ter mais dinheiro e arranjar uma casa para não ter que viver na estalagem, mas até agora nada funciona como eu esperava.

Frida ouviu atentamente tudo o que a jovem forasteira disse, e vendo seu desespero decidiu ajudá-la.

- Eu posso ajudar-te com a questão do emprego.

- Podes? De verdade?

- Sim, tens algum conhecimento sobre roupas, penteados, maquilhagem e outras funções de uma dama de companhia? - perguntou Frida.

Fiona lembrou-se dos tempos em que trabalhava para as mulheres da nobreza espanhola, fora dama de companhia de muitas e adquirira muitos conhecimentos acerca de tudo o que isso envolvia.

- Tenho sim, já trabalhei como dama de companhia antes. - disse Fiona.

- Perfeito! A duquesa Anastácia de Lyon está à procura de uma dama de companhia, posso falar com ela e recomendar-lhe os teus serviços. - sugeriu Frida.

- Seria ótimo Frida! - disse Fiona alegre.

- Eu falo com ela, amanhã encontro-me contigo na estalagem onde estás hospedada e dou-te uma resposta. - disse Frida com um sorriso amistoso.

- Obrigada Frida. - agradeceu Fiona.

Depois de lhe dizer onde ficava a estalagem onde estava hospedada Frida despediu-se e regressou ao palácio, já Fiona regressou à estalagem com um novo humor e um sorriso no rosto.

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