Prólogo

— Ayla, princesa, onde está seu colar?

— Hoje tirei ele para banhar, tia, não coloquei de volta.

— Mas não pode! — Rebate incrédula.

Nem dou moral para tia Freya e continuo a regar as lindas camélias que começam a desabrochar no pequeno jardim que fiz no fundo de casa. Mas quando menos espero, a mulher de cabelos ruivos e olhos violeta já está ao meu lado prendendo o bendito colar ao meu pescoço. O pingente de lua crescente é bonito, o que me incomoda é a corrente de aço que vive gelada.

— Ayla, já te falei várias vezes que esse colar te protege, então por favor, não o tire. — Me adverte e respiro fundo concordando.

— Desculpa tia, é que acho absurda a ideia de um colar me proteger de lobos furiosos porque mamãe fugiu do papai. E eu nem conheço eles!

Relato descrente minha pequena história de vida. Tia Freya sai murmurando meio cabisbaixa, ela era muito amiga da mulher que me colocou no mundo e que hoje está morta e nem sei porque, tia Freya nunca contou toda a história.

Me repreendo pelo que disse e vou atrás da bruxa ruiva que cuida de mim e de meu irmão desde pequenos. Freya deixou tudo para trás por nós e eu a amo muito. Entro em casa pela porta do fundo e a encontro na sala, parada com os olhos arregalados.

— Ayla, lembra que eu disse que quando eu mandar, era para entrar naquele armário e só sair quando mandar?

Travo no mesmo instante quando me dou conta da gravidade dessa fala. Estou quase completando quinze anos e louca para me transformar em uma loba como meu irmão, eles não podem aparecer agora, né?

— Keiko ainda não voltou. — Digo.

Meu coração começa a disparar loucamente com a ideia de que os lobos estejam por perto. Tia Freya se volta a mim, se agachando me fazendo encara-la com toda atenção que consigo.

— Entre lá e só saia se eu ou seu irmão te pegarmos, entendeu? Eles não vão te achar.

Seus olhos violetas que tanto gosto, nesse momento me deixam com medo.

— Mas e você? — Engulo em seco.

— Vou manda-los para bem longe daqui. — Sorri com os olhos lagrimejando.

— Vem comigo tia. — Peço em um murmuro sentindo um bolo se formar em minha garganta.

— Vai lá querida, me obedece.

Ela me empurra para que eu suba a escada, mas luto contra e a abraço o mais forte que consigo, um soluço escapa de meus lábios e ganho seu carinho em meus cabelos antes dela me soltar bruscamente e me mandar subir de novo. Dessa vez obedeço, entro no quarto dela que é cheio de porções, grimórios e coisas assustadoras, adentro em seu guarda-roupa e fecho a porta.

E espero.

Minha barriga está roncando e minha garganta seca, aqui dentro começa a fazer frio, só que não posso desobedece-la, logo tia Freya vem me buscar. Isso me lembra quando a mesma começou a me contar sobre nossas origens e todos os seres místicos, eu ficava com medo, me escondia no seu armário, mas ela sabia que eu estava aqui.

Quando escuto passos perto do guarda-roupa, meu coração dispara demonstrando meu medo, a porta é aberta e fico aliviada por ser meu irmão Keiko. Ele sorri também aliviado, apesar dos olhos escorrerem lágrimas e me puxa para um abraço.

— Cadê tia Freya? — Me afasto um pouco para encara-lo.

— Ela se foi por nós, mana. Precisamos ir embora.




8 anos depois>>>

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