Vinte e nove
Perdão, senhoritas, pelo atraso! Boa leitura!
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A noite mal dormida foi um anúncio explícito do quanto a dor causada pela ferida no braço de nosso herói lhe fora penosa. Aliada às péssimas condições de viagem até ali, tudo o que o seu corpo clamava era por uma confortável cama onde poderia dispor de um descanso justo. Foi por isso que o sol mal tinha apontado no horizonte quando ele despertou. Seu corpo emitiu avisos de dor quando se sentou, contudo, o prazer instantâneo de contemplar Flora dormindo profunda e docemente ao lado sobressaiu-se a qualquer contratempo. Ciente de que havia um guarda o observando, precisou logo desviar seu foco de atenção e levantando-se, pediu permissão para fazer suas necessidades fisiológicas.
Ele estava retornando para a cabana, rigidamente escoltado, quando foi interpelado pelo comandante da tropa. Adrey não parecia estar à procura de criar laços de amizade, mas manteve a espada presa à cintura e as mãos longe dela quando convidou Philip para se sentar próximo do fogo para dar uma palavrinha com o guerreiro.
Phil não manifestou nenhuma resistência, apesar de não estar nem um pouco animado ao ser solicitado tão cedo. Quando ele se sentou em um toco, próximo ao fogo alimentado com novas toras de madeira ali colocada pelos homens de Adrey, massageou o braço ferido, sentindo pontadas doloridas que pareciam subir até o pescoço.
— Flora parecia muito preocupada com sua saúde ontem à noite — Adrey iniciou o diálogo.
— O que não deveria surpreendê-lo, uma vez que faz parte do caráter dela naturalmente se disponibilizar para ajudar os outros — Phil respondeu depois de olhar rapidamente para o homem em pé ao seu lado. Ele conhecia muito bem aquela pose intimidadora, e teria achado graça se não estivesse em uma condição tão humilhante.
— Assim como pensar apenas o bem das pessoas — replicou Adrey, impaciente. — Diga-me, como a encontrou?
— Isso é um interrogatório? — Phil indagou cruzando as mãos no peitoral e esticando as pernas à frente, de maneira relaxada. Observando a ausência de palavras do homem, resolveu colaborar em consideração a princesa. — Eu estava tranquilo em meu caminho quando fui surpreendido por uma mulher em fuga, perseguida por um homem na estrada de Gibol. Ela tinha as mãos atadas e, segundo relatou, passara a noite numa carroça sob poder de seus raptores.
— E onde esses homens estão? — Adrey deu alguns passos à direita para que pudesse entrar no campo de visão de seu prisioneiro.
— Fugiram, infelizmente.
Phil percebeu que o cansaço tendia a aumentar sua impaciência.
— Era de seu conhecimento quem era na realidade essa tal mulher?
— A princípio não, contudo, ela logo revelou o título, quando pediu por proteção.
— Alguém mais soube do caso?
Phil ergueu o rosto e encarou Adrey, pronto para dizer a verdade, mas disposto a morrer sem entregar o nome dos guardiões da Torre.
— Apenas um casal de amigos, contudo, afirmo que são leais e manterão suas bocas fechadas. Não é a intenção de ninguém prejudicar a princesa ou o seu reino.
Adrey passou a andar de um lado para o outro, pensativo. Depois, parou novamente e encarou Philip, mantendo as mãos firmes ao lado do corpo.
— Deve entender, senhor, que a princesa é um valioso bem dessa nação e é meu dever protegê-la.
— E falhou insensatamente em sua função.
Adrey preferiu ignorar a provocação, mantendo o discurso direto, embora levemente alterado quanto ao tom.
— E, além disso, possuo interesses pessoais pelo bem estar da princesa. Por isso, eu me pergunto, por que raios o senhor não a levou diretamente ao castelo quando soube a verdadeira identidade dela? Isso me parece muito suspeito!
A mão do soldado, involuntariamente foi parar no cabo da espada. Sua postura tornou-se mais rígida, estimulando o instinto de defesa de Philip.
— Deixe-me deixar as coisas bem claras — Phil disse soltando os braços e deixando a musculatura mais rígida. — Eu estava viajando, cumprindo diligentemente o meu dever para com meu rei, na companhia do jovem que me presta serviços, quando a sua princesa, que deveria estar muito bem guardada atrás dos muros do castelo ou escoltada por sua guarda, apareceu no nosso caminho. Eu prometi ajudá-la, contudo, não mudaria meus planos iniciais e cumpriria minhas obrigações, para depois cumprir as obrigações que seriam de outros, que lamentavelmente a perderam de vista. Entretanto, mantive a segurança dela e estava pronto a defendê-la com minha vida se necessário, fazendo cumprir minha promessa de proteção.
— Muito bonito seu discurso — Adrey aplaudiu escarnecendo —, mas isso não é o suficiente. Qual é o seu nome?
Nosso herói suspirou. Odiava a resposta imediata que seu nome causava nas pessoas ao descobrirem sua identidade. Sentia-se irritado de que apenas uma palavra pudesse fazer o tratamento para com ele mudar completamente.
— Philip De Baruch.
— De Baruch? — Adrey arqueou as sobrancelhas. — Da família De Baruch de Or?
— Exatamente — Phil ergueu as mãos sabendo que aquilo colocaria um fim na discussão.
— Tem o brasão para comprovar? — Adrey questionou, mas aquilo soou como uma ordem.
Philip retirou cuidadosamente o anel que levava preso ao dedo e entregou nas mãos de Adrey. O soldado não poderia estar mais embaraçado quando constatou a veracidade do objeto. Depois de devolver ao seu prisioneiro, ciente do erro que cometera, ficou sem fala.
Philip entendeu que o assunto se dera por encerrado, por isso, ergueu-se antes que aquele que outrora o amarrara sem piedade lhe oferecesse uma caneca de café ou alguma regalia típica da qual estava acostumado. Assim que se ergueu, ambos distinguiram a chegada de uma carruagem.
— Vieram buscar a princesa. Estamos próximos do palácio e ela demonstra um estado de exaustão. Achei melhor solicitar algo decente para transportá-la.
Philip assentiu concordando. Parte aliviado pelo bem estar proporcionado a ela, parte agitado por estar próximo o momento da despedida. Percebeu, então, pela conduta de Adrey, que estava dispensado e que não mais se acharia em condição de prisioneiro, apesar de compreender que o soldado desejava que ele, humildemente, os acompanhasse para prestar esclarecimentos à família real. Phil chegou a dar alguns passos para se afastar, mas parou e encarou o outro.
— Sabe, o senhor pouparia o constrangimento que nos fez passar e evitaria ter colocado a vida de Flora em risco ao permiti-la montar em seu cavalo se tivesse feito todas essas perguntas antes de nos acusar indevidamente. Meu rei sempre diz: seja pronto para ouvir e tardio para falar. Seria um conselho muito propício para o senhor.
Adrey nada pode responder. Philip virou-se a tempo de ver Flora, despenteada, aflita e levemente irritada, caminhar rapidamente em direção a eles. Os homens se alarmaram, desconfiados de que algo estivesse errado, mas, na medida em que ela se aproximava, seus passos vacilaram e ela diminuiu a caminhada, as bochechas corando levemente ao constatar que fizera um julgamento errôneo da situação.
— Bom dia, alteza — Adrey falou reverenciando a jovem.
— Bom dia, Adrey — respondeu desconcertada voltando seus olhos para o chão. Ela ouviu o murmúrio de Philip cumprimentando-a também e, sem opção, precisou encará-lo. — O senhor está bem? A febre cessou? Não deveria estar de pé.
Philip contemplou, encantado, Flora colocar uma mecha de cabelo para trás da orelha, para só então perceber o estado desengonçado em que se encontrava. Ficou ainda mais vermelha e passou a alisar os cabelos, tentando juntá-los em suas mãos.
— Eu estou bem, obrigado. Sinto-me bem melhor do que ontem, apesar de uma leve dor no braço.
Os olhos de Flora foram atraídos imediatamente para a atadura improvisada. Ela chegou a dar um passo para frente, mas a visão de uma carruagem parada na proximidade despertou sua atenção.
— Uma carruagem do palácio? — indagou ela, voltando-se para Adrey.
— Sim, um dos meus homens partiu na madrugada em busca de auxílio. A senhorita viajará segura e confortável a partir daqui — Adrey explicou com um leve tom de dever cumprido.
Flora alternou o olhar entre os dois homens enquanto uma ideia surgia em sua mente.
— Perfeito, Adrey. O senhor Philip, devido à sua condição debilitada me fará companhia durante o trajeto. — Flora ergueu a mão aberta quando os dois homens abriram a boca, prontos para protestarem. — Não é um pedido ou sugestão, é uma ordem!
Vinte minutos depois o acampamento estava desmontado e Phil encontrava-se dentro de uma luxuosa carruagem, no assento de frente para a princesa que àquela altura tinha os cabelos devidamente ajustados em uma apertada trança lateral.
— Adrey costuma ser imediatista, contudo, ele é um bom homem. Creio que não fez por mal ao tratá-los de maneira tão irresponsável — Flora interrompeu o curto silêncio entre eles desde a partida do grupo.
Philip sorriu, embora não tivesse para com o soldado os melhores elogios.
— Acredito que ele estava decepcionado por não ter sido capaz de zelar por sua segurança. É terrível para um homem saber que não cumpriu com o seu dever — ele respondeu cruzando os braços.
Flora olhou pela janela e avistou Jasper, montado livremente no seu cavalo, bem ao lado. Um pouco mais a frente estava o homem de quem falavam.
— Não foi culpa dele, Amelie o conhece suficiente para saber como enganá-lo — ela disse e vendo a inércia da expressão dele, explicou dando de ombros: — Eles são irmãos.
— Ainda me pergunto quanto há de senso de responsabilidade em sua amiga, para permitir que a princesa saísse assim, desprotegida e...
— Eu não estava completamente desprotegida, como disse — Flora lembrou. — Havia dois soldados fazendo minha proteção, contudo, eu posso ter me afastado deles. — Ela o encarou e mordeu os lábios. — Propositalmente.
— Flora — Phil suspirou, as lembranças dos perigos em que ela se colocara com aquela atitude inconsequente presente em seu tom de reprovação. — De qualquer maneira, irresponsável sim, ao escolher homens incapazes de manter seus olhos em um dos bens mais preciosos do Reino. — Ele balançou a cabeça em reprovação.
Flora inclinou o corpo para frente e uniu as sobrancelhas juntando as mãos sobre os joelhos.
— O senhor mesmo me disse que quando jovem auxiliou o seu príncipe a cometer sua parte de estripulias e aventuras — ela se defendeu, crispando os olhos para o guerreiro.
— Primeiro, nós estávamos em dois — disse enumerando nos dedos suas defesas. — Segundo, éramos homens e como tal, tivemos treinamento de guerra desde nossa infância. Terceiro, nós não éramos doces, frágeis e inocentes. — Percebendo a feição alegre de Flora, ele se sentiu motivado a continuar. — E nem éramos bonitos, preciso admitir. E quarto, tínhamos experiência com o mundo exterior, não optamos por uma fuga, que se tornou uma perigosa aventura, logo na primeira saída da proteção dos muros do castelo.
Flora, que até então se divertia com Phil, surpreendendo-se com o modo brincalhão dele, sempre tão circunspecto, sentiu o efeito de sua última sentença. Imediatamente, reconheceu que havia sido privada de muitas coisas em sua vida, sendo criada excluída do mundo. Temeu, pela primeira vez, que Henry pudesse mantê-la da mesma maneira, trancafiada num castelo e, pior, que algum dia suas filhas, se é que ela teria alguma, tivessem o mesmo fim, sendo privadas de conhecer o mundo e as coisas incríveis que ele oferecia, como as histórias do Reino de Or. Contudo, esforçou-se para não parecer afetada, buscando manter a mesma expressão de quando se divertia com as exposições dele.
— Gostaria de ter a oportunidade de encontrar o príncipe Queves. Sinto que já o conheço, tal foi a forma que ouvi falar sobre ele, seu caráter e feitos — declarou ela já se esquecendo de sua resolução de não transparecer sua aflição.
Philip, como o leitor já deve ter percebido, era um homem de caráter, mas péssimo em lidar com as mulheres. Ele notou a mudança do comportamento de Flora e, por isso, imaginou que ela precisava de espaço, calando-se de súbito e desviando seu olhar para a paisagem de fora. Flora talvez tivesse se mantido calada após tal comportamento, porém, cada vez mais próxima de sua casa — se é que ela conseguiria chamar assim o lugar que agora via como uma prisão — desejava falar sobre coisas que nunca falava.
— Minha mãe morreu quando eu tinha recém completado meu primeiro ano de vida. Não convivemos tempo suficiente para que eu guardasse lembranças em minha mente e pouco saberia sobre ela se não fosse a senhora Darcy. Contudo, o que carrego são apenas informações, nada além. Não há um sentimento nostálgico ao me recordar de alguma interação entre nós. Nada. — Flora encarou Philip, mas não conseguiu sustentar o olhar, desviando-o para suas mãos trêmulas apoiadas na perna. — Sei que isso parece bobagem, mas às vezes eu me pergunto como seria minha vida se ela estivesse aqui. O que ela pensaria, como me aconselharia, se aprovaria o modo que me visto, que penteio meus cabelos. Oh, sou tão tola! Ela nunca estará aqui!
Phil deslizou pelo assento, aproximou-se de Flora e segurou suas mãos com delicadeza.
— Não é bobagem. Acredite, não é.
— Sinto falta de algo que nunca tive realmente.
Philip percebeu a dificuldade de Flora e pensou que, assim como ele, ela não devia falar sobre sua perda com ninguém.
— Conte-me sobre ela — pediu se esforçando para ser o mais gentil possível, ainda segurando a mão dela.
— Minha mãe?
— Sim. Fale-me tudo que sabe sobre ela! — Percebendo a imprudência de manter suas mãos unidas, soltou as dela com ternura e se afastou lentamente. — Temos ainda um bom caminho até nosso destino.
Flora fechou os olhos por um momento e sentiu-se encorajada a falar. Ela confiava em Philip, embora eles tivessem suas diferenças e alguns assuntos não tinham comum acordo entre si, ela sabia da riqueza do caráter dele.
— Minha mãe era filha de um nobre, de um pequeno Reino aliado, na proximidade das fronteiras dos Reinos de Chail. Meu pai, ainda jovem, durante uma visita oficial, conheceu a menina dona de uma beleza que se destacava entre todas as mulheres. Encantado com a visão que tivera, ele negociou o casamento sem ao menos ter trocado uma palavra com ela. A senhora Darcy contou que ela chorou durante uma noite inteira quando soube do enlace acordado. Para meu avô materno aquela seria uma oportunidade de ascensão no Reino. — Flora suspirou. — Ninguém levou em conta a felicidade de minha mãe.
Phil nada disse, sabia que qualquer palavra sua poderia soar como indiferente e ele era excelente em agir como não deveria.
— Uma semana depois, ela foi trazida para terras estrangeiras, para longe de seus familiares, casada com um homem que não conhecia para se tornar a futura rainha. De sua vida, trouxe apenas alguns pertences pessoais e sua dama de companhia, a senhora Darcy.
— E é quem lhe contou toda a história, eu presumo.
Flora sorriu abertamente, um sorriso cheio de ternura.
— Ela amava minha mãe e deixou tudo para trás para não permitir que a nova princesa sucumbisse solitária, sem nenhum apoio. Depois da morte de minha mãe, ela quem assumiu meus cuidados emocionais. Papai apenas se preocupava que eu tivesse uma boa educação, bons modos e uma beleza impecável. — Flora evitou encarar Philip. — Ele não é um homem ruim, apenas não sabe demonstrar afeto.
— Sua mãe... — Philip, curioso para desvendar mais sobre a história daquela bela e frágil mulher a sua frente, estava prestes a perguntar, contudo, interrompeu sua fala, antes que dissesse algo que soaria como indevido.
Flora, inevitavelmente, o encarou quando ele se calou. Então, ela compreendeu o restante da pergunta.
— Ela aprendeu a conviver com isso. Papai era apaixonado, devido à beleza dela, mas não compreendia que uma mulher precisa mais do que presentes caros e festas luxuosas. A senhora Darcy nunca quis me contar a verdade, mas eu já ouvi fofocas pelo palácio que indicavam que mamãe estava sempre deprimida e infeliz.
O coração de Philip parou por alguns segundos. Sentiu um nó se formar em sua garganta e passou a considerar o plano para interferir no destino de Flora. Mesmo ciente que um futuro ao lado dela era impossível, sobretudo porque a própria não parecia demonstrar nenhum interesse por ele, não poderia permitir que ela fosse enganada.
— Ainda bem que eu serei privada de viver a mesma história de minha mãe — Flora falou um tanto constrangida, recordando-se de uma conversa anterior com o guerreiro. Contudo, era uma ótima oportunidade de convencer Phil de que era ele quem estava enganado. — Eu e Henry nos conhecemos ainda na infância, tivemos muito tempo para alimentar nosso amor. Ele sempre me diz que o coração dele está completamente guardado, esperando para ser entregue unicamente para mim, no dia de nosso casamento. E esse dia está cada vez mais próximo.
Flora estranhou quando seu coração não se aqueceu como antigamente, dada à menção de tal acontecimento. Estava tão preocupada com esse fato, que não notou a inquietação de Philip.
— Essa senhora Darcy, ainda vive? — ele perguntou, querendo voltar a assuntos mais agradáveis, ciente de que Flora se recusaria a ouvir suas palavras confrontadoras.
O olhar de Flora, no entanto, tornou-se sombrio e triste.
— Sim — ela respondeu com a voz baixa. — Entretanto, não está mais em plenas condições mentais. — E, forçando um sorriso, ela disse: — Ela é mãe do Adrey e da Amelie. Mora em uma casinha nas terras do castelo.
Phil observou atentamente as feições de Flora e a dor estampada em seu rosto.
— Gostaria de conhecê-la, se fosse possível.
Flora abriu a boca, mas fechou em seguida. Depois, abaixou a cabeça.
— Ela perdeu boa parte da memória atual, parece viver em anos passados, às vezes em alucinações, às vezes relatando lembranças. Ela não se lembra dos filhos — Flora disse com pesar, sabendo o quão difícil era a situação para seus amigos. — Eu a visito toda semana, ela pensa que eu sou minha mãe. — A isso ela acrescentou um tímido sorriso.
— Ao menos, ao que parece, ela está sendo bem cuidada.
— É... — Flora pensou por um momento, e decidiu que não havia motivos para esconder a verdade de Philip. — Na verdade, quando a doença começou a manifestar os primeiros sinais, ela... Difamou o caráter do rei e isso o deixou furioso, porque segundo ele ela estava espalhando fofocas entre os funcionários. Ele queria mandá-la para a prisão, eu supliquei por sua vida e ele deixou-a sobre meus cuidados, escarnecendo de minhas ideias extremamente sentimentais. Conseguimos contratar uma senhora solteira que passou a cuidar dos interesses da senhora Darcy.
— E o marido dela?
— Morreu em batalha, pouco depois de minha mãe. Ele era um soldado, assim como Adrey.
Percebendo que aquele assunto era doloroso demais para ela, Philip resolveu mudar o rumo da conversa. Ao questionar sobre a infância da princesa na companhia de Amelie e de Adrey, dos momentos bons ao lado da senhora Darcy, rapidamente Flora mudou sua postura e, alegre, passou a relatar diversas histórias durante todo o percurso, tendo em Phil um ouvinte calmo, paciente e admirado — para não dizer apaixonado.
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