Prólogo
Escondida atrás de uma moita de flores rosadas, a pequena menina observava atentamente, com os olhos brilhando, o rapaz caminhando pelo jardim acompanhado de ao menos cinco guardas. Embora ele fosse mais baixo do que Fergie, sem dúvidas, era muito mais bonito.
A garotinha, plena em seus dez anos de idade, apaixonada por aqueles cabelos dourados reluzindo ao sol, trêmula, apoiou-se no galho em busca de uma melhor visão do seu amado. Ele estava cada vez mais próximo e, prestes a cruzar o caminho onde ela ainda se encontrava escondida pelas folhagens, um inseto asqueroso voando ao redor da menina foi responsável por roubar a atenção de Flora que, desconcentrada, segurou em falso no galho da planta, acabando de cara no chão.
Henry, vendo a cena da pequena princesa espatifada no piso de pedras, buscou toda a força de sua dignidade para não rir. Elegante como um príncipe deveria ser, estendeu a mão e auxiliou a pequena garotinha, um pouquinho mais roliça do que o esperado para uma dama, a se levantar.
— Não deveria permanecer no meio de tantas plantas assim, princesinha — ele a repreendeu enquanto ela tentava se sentar, um pouco desengonçada.
— Eu estava observando as flores — Flora tentou despistar, muito embora suas faces estivessem coradas, o vermelho alcançando suas orelhas.
— Vamos, deixe-me ajudá-la.
Henry auxiliou a menina que se encontrava com folhas presas nos fios de cabelos completamente desalinhados e cujo vestido estava coberto de poeira. Esforçando-se ao máximo para manter a compostura e não rir, respirou fundo e procurou falar para não se entregar a enorme vontade de se divertir à custa da filha do rei George, principal aliado de seu reino.
— Está ferida?
Flora se esqueceu de respirar por um momento, quando os olhos do jovem percorreram seu corpo em busca de algum ferimento exposto. Ela perdeu a voz e responder gaguejando só não seria pior do que o que de fato aconteceu.
— Alteza, aí está você! — A dama de companhia da princesa, uma senhora gorducha vestida com um avental branco em cima do traje marrom e com um coque de fios grisalhos bem presos na cabeça apareceu bastante aborrecida. — Quantas vezes eu já disse que não era para a senhorita sair sozinha sem minha autorização?
Envergonhada por parecer uma garotinha diante de seu amado e orgulhosa demais para admitir que a senhora falasse com ela naquele tom, empinou o nariz e dando as costas para Henry lançou um olhar fulminante para ela.
— Até onde eu sei, a princesa aqui continua sendo eu. Então, não devo satisfação a meros criados como a senhora. — E balançando a saia sem abaixar a cabeça, voltou-se ao príncipe e fez uma reverência bem ensaiada. — Se me der licença, Alteza, devo me retirar agora.
E assim Flora saiu mantendo sua compostura, escondendo qualquer traço de vergonha e humilhação, ainda que seus cabelos continuassem bagunçados e a barra de sua saia estivesse dobrada de maneira deselegante.
Contudo, naquela noite, como qualquer garotinha, ela chorou, sentindo-se humilhada depois de ter feito um enorme papel de boba diante do dono de seus sonhos.
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