Seu nome é Miguel?
A noite estava escura, nublada, com grandes nuvens de chuva no céu. Eu podia ver pela janela do meu quarto que eu estava debruçada por horas. Via a cidade, tão grande para mim um ser minúsculo. O vento soprava, levantando a cortina. Olhei para mim mesma, eu havia vestido aquele vestido branco que era da minha avó. O achei escondido em uma caixa de presente que ganhei aos meus 13 anos, da minha mãe. Eu nunca havia aberto a caixa, mas por algum motivo, eu abri e retirei a peça, vestindo-a imediatamente. Debruçada sobre a janela novamente, percebi que meus sonhos aconteceriam de alguma forma, todos eles. Eu sabia que encontraria ele, ou pelo menos esperava que isso acontecesse. Eu queria vê-lo, próximo a mim. Deixei a janela aberta e saí do meu apartamento, caminhando lentamente, pedindo para que ele realmente aparecesse. Eu sabia que era perigoso, mas tinha que arriscar... Dejá Vú
Eu sequer sabia o que estava para fazer, era loucura de qualquer forma.
Subi as escadas calmamente, esperando por algo que me impedisse, não houve nada, nenhum sinal, nenhum "pare!". Então, continuei.
Cheguei no telhado do prédio e me pus na beirada. O frio ali era cortante, o medo me fazia tremer, a incerteza me fazia duvidar das minhas crenças.
- Se você se importa mesmo comigo, vai impedir! - Gritei. Como não houve nenhuma aparição, eu sabia o que faria. - Obrigada por me enganar!
E eu pulei.
Deixei o vento me acalentar, permiti-me desfrutar do meu último momento. Uma lágrima começou a sair e foi levada pela força do vento. É aqui que tudo acaba.
Meus braços abertos ao vento. Eu sentia o ar em minhas costas. Não era tão terrível assim pular de um prédio. Meu cabelo esvoaçava no meu rosto, estava frio, meu corpo estava ficando dormente à medida que eu me aproximava do chão. Meus olhos fechados na escuridão da noite. O tempo parecia ter parado.
Quando senti braços fortes, um cheiro tão bom, um impulso para a frente, ouvi o barulho de uma janela sendo quebrada. Abri os olhos, admirando aquele rosto tão perfeito, tão lindo, os olhos frios, como vidro. Ele me mantinha em seus braços, recusando-se a me soltar. Ele havia me pego em plena queda e quebrado uma janela, me levando para dentro do prédio. Ele se levantou e caminhou, olhando para o caminho até meu quarto.
- O que você é? - Consegui perguntar, muito embora eu já soubesse. Ele parou, olhando para mim novamente. Ficar admirando-o era tão bom, que eu tinha impressão de que se eu passasse a eternidade fazendo isso, me sentiria privilegiada.
- Nunca mais faça isso. - Ele disse, me repreendendo por ter cometido a idiotice de pular de um prédio.
Quis me irritar por ele fugir da minha pergunta, mas não consegui. Ele desviou seu olhar, voltando a caminhar.
Estava tão perdida, que quando ele me pôs sobre a minha cama, fiquei com raiva pelo tempo ter passado tão depressa.
Eu o observei tão próximo ainda, tentada a tocá-lo e céus, como eu queria! Queria lhe tocar, sentir seu cheiro, ouvir sua voz... Eu o queria por completo. Ele se virou para ir embora, depois de ter salvado a idiota suicida da madrugada. Dei um pulo da cama, correndo atrás dele.
- Espera! - Implorei, parando minha pequena corrida. Ele congelou no lugar, imóvel como uma estátua. - Pelo menos me diga... Seu nome é Miguel..?
Ele se virou lentamente, seus olhos verdes estavam lá, eu podia vê-los claramente. Ele apenas me olhou, não estava disposto a dizer nada. Eu sentia que ele ia embora e eu deveria ser mais inteligente e deixá-lo ir, mas eu queria que ele ficasse. Eu me sentia queimar por dentro, queria ele comigo. Eu o desejava.
- Por favor, não me deixa sozinha... Estou cansada de tanto vazio... - Sem querer, acabei revelando meus sentimentos, acabei por ficar vulnerável, como se o fato de eu ser humana e ele um vampiro não fosse suficiente. Mas, eu estava sendo sincera, só não queria ter que passar aquela madrugada sozinha. A antiga Skyla estaria num bar, atrás de alguém que preenchesse sua noite com sexo casual. Essa era a Skyla que morreu e foi sepultada junto com o irmão caçula. Eu não queria sexo, pra mim estava tudo tão vazio... Eu só queria alguém por perto, só queria companhia.
- Eu estou aqui. - Ele me disse, me abraçando inesperadamente.
Senti raiva na mesma hora. O empurrei para longe de mim, porém ele mal se moveu do lugar, apenas fraziu o cenho.
- Não quero sua pena! Não sou nenhuma coitada! - Falei de uma vez, a solidão sendo substituída pelo orgulho.
Ele diminuiu o pouco espaço que nos separava, de modo que eu fiquei com medo, ele não só era alto, era um gigante! Se ele me desse um peteleco eu cairia a km de distância. Seus olhos eram gentis, refletiam a mim como um espelho. Ele pôs uma mecha do meu cabelo para atrás da orelha, me deixando sem reação.
- Nunca disse que era. E pena é algo que não sinto por ninguém. - Suas palavras eram frias, mas eu me sentia bem com elas, sentia uma espécie de afeto nelas. Meu coração pulava e eu sentia aquele gosto ardoso na boca.
Ele me fez deitar na cama gentilmente. Eu não sabia ao certo o que ele queria de mim, eu não sabia porque ele me salvou, não sabia porque ele era tão... Insensível. Eu não sabia de nada, a não ser que ele era um vampiro por mais que meu cérebro ainda se recusasse a acreditar nisso. Aos poucos, fui adormecendo, meus olhos estavam pesados. Senti um beijo em minha testa, ouvi sua voz próxima ao meu ouvido, algo molhado sobre minha bochecha... Seria uma lágrima?
- Se você soubesse o tanto que eu te amo... Se você soubesse o tamanho do meu desespero quando achei que tinha perdido você naquela queda... Nunca mais faça isso, Grier. Se... Você soubesse o tanto que eu queria que você me amasse como eu te amo... Mas, não posso condená-la a ter o que eu tenho... Você é uma humana perfeita, linda e diferente dos outros, eu sou um monstro, um demônio... Não colocarei sua vida em perigo por causa do meu amor que nunca será correspondido... - Suas palavras se misturaram a negritude do sono sem sonhos, parte das suas palavras foram perdidas, foram sumindo no meu inconsciente. Pela 1° vez, me senti protegida. Depois de tudo pelo que passei nos últimos anos.
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