Amigo Imaginário
— Quem vai começar, então? — Diego questiona, intercalando o olhar entre seus amigos.
— Vamos mesmo fazer isso? Por quê não vamos dormir e ficar em paz? Vocês sabem que eu tenho medo — Juliana murmura com o olhar magoado fixo em suas mãos trêmulas.
— Se não quiser participar, vai dormir — um dos colegas diz de forma ríspida, era Giovanni.
Um silêncio profundo se instala no local por apenas alguns segundos até ser interrompido por Isabelly.
— Bom, eu começo. Vou contar uma experiência que tive há alguns anos...
Ainda era tarde, por volta das cinco horas.
Meus tios iam visitar minha vó no hospital, ela estava internada em caso grave, a família toda estava perturbada com essa notícia, mas não demonstrávamos, pela paz da minha vó e das crianças.
Como Lara, minha prima, tinha apenas cinco anos, pediram-me para que ficasse com ela enquanto estivessem fora e para que não tocasse no assunto, pois ela não sabia e não saberíamos como reagiria se soubesse.
Eu apenas concordei, nunca foi um tremendo esforço cuidar dela, já que havia feito isso por diversas vezes.
Lara sempre foi uma criança diferente das outras de sua idade, doce e educada, mas também quieta e sozinha num nível anti social para uma criança de apenas cinco anos, porém não ligávamos para tal comportamento, pensávamos que era apenas uma dificuldade de se enturmar com os demais. De qualquer forma, nunca chegou a nos preocupar, muito menos a mim, até esse acontecimento... De certo modo acredito que tenha sim algo a ver com o comportamento de Lara.
Depois do choque que levei ao vivenciar esta história que estou prestes a contar, parei para repensar em outras vezes que havia ficado com Lara enquanto seus pais saíam para algum evento.
Sempre falava sozinha, olhava de maneira fincada para o nada, como se tivesse algo ali, algo que eu não conseguisse ver...
Conforme eu repensava, mais ações de Lara que antes não pareciam nada, vinham à tona. Minha preocupação pela garota só aumentava e junto dela, meu desejo para que meus tios pudessem acreditar e correr atrás de soluções, pois quem sabe assim teríamos melhoras...
Assim que os dois saíram pela porta, Lara me olhou alegremente pedindo para que brincasse com ela.
Eu sorri e assenti. Fazendo o que ela desejava.
Enquanto brincávamos e o sol se punha, Lara começou a me fitar seriamente, em dúvida.
— O que foi, Lara?
— Eu não sei se o que Tomas disse é verdade... — ela disse baixinho, com o olhar tristonho.
Fiquei encarando-a confusa, esperando ela continuar.
— A vovó está doente? Ela tá internada de verdade? — uma lágrima caía de seus olhos.
A encarei perplexa.
— Como? Mas... — pausei — mas quem é esse Tomas? Não tem nenhum Tomas na nossa família, Lara, acho que você se confundiu...
— Ele é meu amigo imaginário, prima.
Eu gelei.
— Oi? — digo rouca.
— Ele me falou que a vovó tá doente, mas que não podiam me contar, porque sou só uma criança. Mas eu não entendi, Tomas também é uma criança, porque vocês contaram pra ele?
— Lara, como assim? Ninguém contou nada à nenhum Tomas. Não conhecemos ele.
— Claro que conhecem, ele mora aqui também. Vocês nunca viram ele?
Apenas travei, meu coração tava acelerado. Estava com medo.
Como forma de esquecimento, apenas afirmei que realmente o que esse Tomas contou era real.
Assim que Lara começou a chorar, lhe dei um abraço e garanti que vovó melhoraria. E para acalmá-la mais, continuei a brincar com a mesma.
Na hora de seu banho, Lara jogava água ao seu lado e dizia que estava brincando com Tomas, pois ele estava ali.
Fiquei apavorada, mas tentava não demonstrar para ela.
Aguentei todo meu medo cada segundo, e quando meus tios chegaram senti um tremendo alívio.
Lara dormia em meu colo, enquanto contava tudo para seus pais, não sei se acreditaram ou não. Só sei que disse e fiz minha parte.
Baseada na experiência da minha amiga, Paola Oliveira.
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