Unhealed Bruises
Na segunda mídia é nossa Kara, não sei o nome da moça, mas eu achei ela muito parecida tanto com o David Tennant (Kilgrave) quanto com a Krysten Ritter (Jessica Jones)
Pov. Kara:
–Mi casa es su casa, Jessica, sinta-se a vontade. - Falei educadamente quando entramos na residência, tirando com certa dificuldade a jaqueta da morena de meu corpo, para logo a pendurar no cabideiro ao lado da porta no hall de entrada, limpo meus pés no tapete e tiro meus sapatos, ficando somente com as meias enquanto observo Jessica seguir até os diplomas pendurados ao lado da escada. - são seus? - Sua pergunta me causa um sorriso orgulhoso enquanto assinto.
–Todos eles, sociologia, psicologia, física e química, são minhas maiores paixões - Expliquei e bati com o indicador e o médio levemente na minha têmpora. - Como eu disse antes, leitura de mentes tem esse grande benefício
Ela meneia a cabeça e eu a deixo ali, seguindo rapidamente para a cozinha, onde também havia feito algumas mudanças, havia conseguido eletrodomésticos novos e mais mordenos e havia substituído todas as bancadas e o piso, madeira nunca ia bem em uma cozinha de estilo industrial. Suspirei e abri a geladeira, pegando uma garrafa d'água, sentia minha garganta um tanto seca pela diferença no clima.
Tomei o primeiro gole ainda na cozinha e então segui de volta para a sala. - Espero que não ligue pela bagunça, eu fiz algumas...- Comecei, ainda de cabeça baixa, analisando o chão sujo e alguns materiais de construção enquanto caminhava até o cômodo onde Jessica estava, ainda com a garrafa em mãos. - reformas e...
Ao levantar a cabeça, as palavras morreram em minha garganta, seca como se nem uma gota d'água tivesse passado por ela, Jessica continuava segurando a foto nas mãos, apertei o plástico da garrafa com certa força em minha mão e baixei meu olhar ao chão, eu não a deixaria ver que eu estava chorando, isso era demonstrar fraqueza.
–Deixe a foto no sofá, Jessica - Ordenei com lágrimas nos olhos e com um pouco de raiva na voz - vá para o seu quarto e durma até se sentir completamente descansada, eu preciso ficar sozinha
Ao ouvir seus passos se distanciarem aos poucos, me sentei no sofá e respirei fundo, pela boca, meu lábio inferior tremendo, peguei a fotografia e apoiando meus cotovelos em minhas pernas, deslizei os polegares pela imagem dos dois, as lágrimas corriam livremente pelo meu rosto quando abracei o quadro, os mantendo perto do meu coração, tirando um pouco daquele insuportável peso de minhas costas.
†‡†
Pov. Jessica:
Acordo quando o céu já estava escuro, o que indicava que faziam horas que havia me deitado, me levantei e a primeira coisa que percebi foram os sons vindos do andar debaixo, sai do quarto, desci as escadas e segui direto pra sala, Kara estava ali, ainda com a mesma roupa que chegou, como já era esperado, abraçada a fotografia dos pais, com a televisão ligada e o rosto completamente manchado pelas lágrimas secas. Meu olhar sobe até o relógio na parede sobre a lareira enquanto me aproximo.
–Você deve estar cansada— falei como se ela pudesse me pudesse me ouvir enquanto tirava algumas mechas de cabelo de seu rosto, sem muita dificuldade puxei a fotografia de seus braços e coloquei na mesa de centro antes de pegá-la no colo, ela pesava bem menos do que eu havia imaginado, não que fizesse muita diferença. - 3 e meia da manhã não é hora de criança estar fora da cama - Murmurei, como minha mãe fazia quando Fred e eu queríamos ficar até mais tarde.
Levei ela para o segundo andar, direto para o antigo quarto de Fred, onde imaginava que ela havia se alojado, tendo certeza assim que abri a porta e vi que fora totalmente redecorado por ela, com algumas fotos de bandas de rock novas e até mesmo algumas antigas, como Slipknot e Nirvana, havia uma cama de solteiro desarrumada no meio do quarto, com lençóis escuros, algumas coisas largadas pelo chão como roupas e papéis e uma guitarra encostada em uma das paredes.
Claramente ela era uma filha rebelde.
Pensei a colocando na cama, ouvindo-a resmungar algo enquanto a cobria, deslizei minha mão novamente pelo seu cabelo, de certa maneira eu me via naquela garota, em seus medos e em outros aspectos, como o jeito e a teimosia, suspirei e deixei o quarto dela sem fazer barulho e desci novamente, desligando a televisão antes de seguir até a cozinha
–Eu oficialmente preciso de uma bebida - Pensei em voz alta, abrindo um dos armários e dando de cara com uma garrafa de Jack Daniel's, peguei a mesma, e com facilidade quebrei o lacre pra abri-la e tomar um gole generoso. - por quê esse tipo de loucura só acontece comigo?
Inesperadamente recebi a resposta ao observar que os utensílios da cozinha e alguns outros objetos estavam flutuando, o grito que ouço em seguida era doloroso, estridente ao ponto de me fazer derrubar a garrafa, quebrando a mesma ao subir correndo para o quarto de Kara, desviando dos objetos que flutuavam sem muito controle, finalmente adentrando o quarto.
–KARA, ACORDA - Gritei, tentando sobressair aos sons dos gritos e protestos dela, mas isso só parece piorar o que está acontecendo, pois a próxima coisa que pode se ouvir juntos aos gritos foi o som dos vidros da janela se quebrando, um deles voando direto até o meu braço esquerdo, acertando em cheio o músculo entre o bíceps e o tríceps, mesmo sentindo uma dor horrível e o meu sangue escorrendo até a minha mão, me aproximei da cama e consegui tocar a mão de Kara, estava gelada. - Charlie...
Como em um passe de mágica, tudo voltou ao chão e Charlie abriu os olhos, o curativo que Trish fizera em seu braço mais cedo tão ensaguentado quanto o corte em meu braço, ela olha justamente para o ponto onde estava a ferida, me sentei na cama e ela me abraçou, com lágrimas nos olhos.
–me desculpa, por favor, Jessica, me desculpe - Sua voz transparecia o seu medo e tristeza, então tudo que fiz foi retribuir o abraço, eu não era boa em confortar as pessoas, nunca fui, sempre havia deixado essa parte pra Trish, mas sabia que não poderia chamá-la naquele momento. - me desculpa...
Senti suas lágrimas molharem minha camiseta, e por instinto apertei-a no abraço, como se para protegê - la enquanto minha mão acariciava suas costas.
–Eu a desculpo, Kara, está desculpada...
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