• Capitulo 87 •
Any Gabrielly
Os meninos estavam tão em choque quanto eu. A mulher some, o pai dele morre e do nada ela reaparece como se nada tivesse acontecido.
— Any como assim? — disse Noah em um tom baixo.
— Vocês acreditam que ela tem duas filhas? — eles se olharam.
— A gente dormiu? — disse Noah e eu cruzei os braços.
— Mas sabe, as meninas parecem ter a minha idade. — digo pensativa.
Será que o Josh não é filho de sangue dela? Ou será que ela teve três filhos? Não, pra isso eles seriam gêmeos, as meninas parecem, mas o Josh não...
— Tem alguma coisa errada. — disse Noah confuso. — Não tem como ela ser mãe de sangue delas... Ou tem?
— Só se o Josh não fosse de sangue dela. — disse Bay. — Mas aí não teria motivos para ter vindo.
— Mas teria para ter ido. — digo e eles me olham. — Mesmo assim acho difícil. — olhei para trás.
— Não acho que o Josh vai querer receber ela. — disse Noah me fazendo olhar ele.
— O pior é que se ela for a mãe dele tem a guarda. — digo passando a mão no cabelo e olho em volta.
Notei que os dois policiais não estavam mais ali.
— Onde estão os dois oficiais?
— Lá fora, o médico não voltou ainda. — assenti após a fala de Bay.
Após alguns segundos vi no corredor Úrsula e as meninas se aproximando. Olhei para Noah e Bay tentando sinalizar que era ela e acho que os dois perceberam, visto que se olharam.
Os quatro se sentaram e ficaram me olhando. Desviei meu olhar ignorando e me aproximei do meu pai.
08:00h
Achei que esse momento não ia chegar nunca, mas o médico finalmente apareceu.
— O quadro de Josh estabilizou. — todos soltaram um som de alívio em conjunto. — Ele segue desacordado, mas podemos liberar uma visita. — dei um passo à frente.
— Eu quero ver ele. — digo e ele olha todos.
— Me acompanhe por favor. — olhei para todos e segui com o médico.
Meu coração estava disparado e eu balançava a mão nervosa.
O médico parou em uma porta e abriu me dando passagem.
— Daqui a pouco eu te chamo. — assenti e entrei.
Assim que olhei para aquela cama, meu coração se despedaçou ainda mais. As agulhas em seu braço e os aparelhos medindo cada batida de seu coração, seu rosto ainda machucado, porém dessa vez limpo, faziam meu peito apertar de uma forma dolorosa.
Me aproximei daquela cama lentamente e peguei na sua mão com cuidado.
— Oi loirinho. — digo segurando o choro. — Eu não esperava descobrir tudo isso, na verdade não esperava que um garoto tão travesso, sofresse tanto. — não me aguentei muito e voltei a chorar.
— Meu medo de chuva quando era pequena se tornou inútil quando te conheci, porque meu único medo agora é perder você. — alisei seu rosto com cuidado.
Eu não sabia que doía tanto viver isso, imaginar alguém tão importante em uma situação tão delicada. Não tive a oportunidade de dizer "eu te amo" para ele ainda...
— Escuta. — limpei meu rosto respirando fundo. — Você não pode ir ainda. — digo com a voz falha. — Lembra da nossa conversa sobre o Brasil? — digo olhando seu rosto. — Quero te levar lá, comer brigadeiro, pão de queijo, ver o carnaval de perto, conhecer a família do meu pai. — fechei os olhos. — Quero construir a nossa família... — me agachei encostando a cabeça na ponta da cama.
Parece que meu peito está queimando, estou me sentindo sufocada... Está passando um filme na minha cabeça desde o momento que comecei a dar aulas para ele até agora, cada cena, cada risada, brincadeira, beijo, abraço... Eu só quero sentir tudo isso de novo.
Respirei fundo novamente e me sentei no pequeno banco que tinha na frente da sua cama.
Fiquei alisando sua mão enquanto analisava seu rosto...
— Lembra quando você me disse seu medo? Me falou aquelas coisas no meio do abraço? — sorri fraco. — Sabe de uma coisa? — respirei fundo. — Também não quero te perder loirinho. Quero você ao meu lado, olhar em seus olhos, te beijar, abraçar. Não consigo imaginar meu mundo sem você, então por favor, não me deixe. — sussurrei em meio ao choro. — Te amo. — me levantei dando um selinho leve nele.
Por favor, me dê a oportunidade de te dizer isso consciente...
— Mais uma coisa. — digo ainda em pé. — Lembra quando me pediu para eu não te abandonar? — tirei um pouco do seu cabelo do rosto. — Dessa vez sou eu que vou te pedir, não me abandone... Por favor, fica comigo para sempre? — voltei a me sentar sentindo meu corpo cansado.
Só de pensar em tudo que ele vai saber quando acordar, seu pai, sua mãe... Aquelas meninas que realmente devem ser irmãs dele. Ai meu Deus.
Suspirei e só fiquei ali ao seu lado, quero acreditar que ele está sentindo minha presença...
Senti Josh pressionar minha mão e me levantei encarando ele surpresa.
— Josh? — digo em um sussurro.
De repente os aparelhos começam a apitar e Josh começa a se mexer muito...
— Josh? — digo desesperada e escuto a porta abrir.
— Ele está tendo uma convulsão. — foi tudo o que escutei sendo tirada dali.
— Josh! — gritei sendo tirada a força do quarto. — Josh não... — me debati até me colocarem no corredor.
— Any... — meu pai me abraçou por trás e eu gritei em meio ao choro.
— Não! — desabei nos braços do meu pai.
Eu não aguento mais isso, parece um tormento sem fim. Se algo acontecer com esse garoto...
— Any senta aqui. — meu pai me levou até o banco.
Krys me ofereceu um copo de água e eu quase não consegui tomar. Olhei para o lado e vi que Úrsula ainda estava ali, ao que parece a mesma estava chorando e eu desviei o olhar.
Novamente ficamos esperando alguém dar notícia, tudo o que eu via eram pessoas correndo para todos os lados.
...
Escutamos uma porta abrir e nos levantamos ao mesmo tempo. No momento que vi o rosto daquele médico senti um aperto no peito.
— Uma das artérias do paciente Joshua sofreu uma obstrução. — meu coração disparou. — Nós sentimos muito, mas o paciente sofreu uma parada cardíaca. — minha respiração travou.
Sabe aquele momento em que tudo para? Que não há mais ninguém ali a não ser você e uma vasta escuridão na sua frente? É exatamente isso que estou vivendo. Meus ouvidos não acreditam no que acabara de ouvir...
— Está dizendo que ele... — Noah parou de falar e o médico afirmou penas uma vez com a cabeça.
— Não, não, não. — digo lentamente e nego com a cabeça. — Vocês precisam fazer algo. Ele não morreu, faz uma massagem... — gritei com ele e senti alguém me abraçar.
— Any eu sinto muito. — meu pai segurava minha cabeça.
— Não pai... — voltei a chorar. — NÃO!
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top