• Capitulo 86 •

Any Gabrielly

07:15h

Mais uma hora havia se passado. Meu pai chegou junto com dois policiais e eles conversaram com Noah e Bay que sabiam de tudo.

Meu pai acabou me convencendo a comer algo, eu não queria, mas ele disse que não adianta nada eu ficar fraca.

— E podem dizer porque ele não denunciou o pai pelas agressões? — perguntou um dos policiais após eu me aproximar devagar.

— Ele tinha medo, ele era ameaçado e mesmo sabendo que era o certo não pedia ajuda. — disse Noah.

— E a mãe dele? — cruzei os braços.

— Foi embora quando ele tinha quatro anos. — disse Bay. — Mas ela entrou em contato com o pai dele esses dias. — levantei as sobrancelhas surpresa.

Josh não me contou isso por quê?

— Dela vocês não tem informação? — os meninos negaram.

— Só que o nome é Úrsula. — disse Noah e eles assistiram.

— Vamos esperar o menino acordar para fazer algumas perguntas. — arqueio uma sobrancelha.

— Que perguntas? — disse Noah.

— O pai dele levou uma pancada na cabeça, se tiver sido ele... — ah não.

— Se tiver sido ele o quê? — digo me metendo na conversa. — Vocês tem noção de que ele está em estado grave porque foi espancado? Se o pai dele levou uma garrafada foi em legítima defesa. — eles me olharam.

— Senhorita, pedimos para não interferir. — abri a boca.

— Não interferir é um... — alguém tapou minha boca por trás e me tirou dali.

— Ficou maluca Gabrielly? — disse meu pai me soltando.

— Maluca eu vou ficar se quiserem incriminar o Josh. — digo irritada.

— Não se preocupe, já tem um advogado cuidando disso. — encarei ele.

— O que aconteceu com sua raiva? — ele soltou um suspiro. — Para pagar um advogado para o Josh. — joguei no ar.

— Any não é hora. — revirei os olhos. — A gente ainda tem que conversar, mas no momento só quem importa é o Josh.

— Hm. — digo olhando os policiais. — Bianca foi a onde? — pergunto voltando a olhar ele.

— Avisar a empresa, não iremos trabalhar. — assenti lentamente.

Não sei se é sentimento de culpa ou se ele realmente está preocupado, porém fico feliz em saber que ele está ajudando o Josh, ainda mais agora que o garoto está sem mãe e sem pai...

Ninguém nem sabe como dar essa notícia para ele, acho que o Josh poderia esperar que seu pai fosse preso, mas morto? Não consigo nem imaginar uma reação dele.

— Não quer dormir? — perguntou meu pai e eu neguei.

— Vou comprar algo na máquina de comida. — digo e ele assente.

Passei pelo corredor e parei na recepção. Me aproximei da máquina e coloquei um dólar clicando na barra de cereal.

Me agachei para pegar e assim que me levantei vi 4 pessoas passando e indo até o balcão de informação. Um homem, uma mulher e duas meninas que pareciam ter minha idade.

O homem era alto, pele bronzeada e cabelo escuro. A moça tinha pele clara, cabelos loiros e em tamanho médio, as duas meninas também eram loiras e de pele clara...

— Licença. — disse a moça parando no balcão.

Eu ia voltar para perto dos outros, mas o que ouvi a seguir me fez parar.

— Estou a procura de Joshua.

— Sobrenome? — me virei e encarei os 4 no balcão.

— Kyle Beauchamp. — estreitei os olhos ficando confusa.

Quem são vocês e como conhecem o Josh?

— Só um minuto. — me virei para trás e peguei meu celular.

Fingi digitar algo e coloquei no ouvido. Me aproximei um pouco e olhei para a parede.

— Oi. — digo um pouco alto. — Não, ainda estou aqui. — fingi estar falando com alguém. — Ainda não tenho notícias do Josh, mas aviso assim que puder. — fiquei em silêncio e escutei pequenos cochichos atrás.

Abaixei o celular e voltei a caminhar.

— Menina. — parei de andar quando a menina loira entrou na minha frente.

— Conhece o Joshua? — a moça entrou na minha frente e eu notei melhor seus traços.

— Talvez. — digo desconfiada. — Quem são vocês?

— Sou Joalin. — disse uma das meninas. — Essa é a Sina. — apontou para a outra loira. — Minha irmã. — arqueio uma sobrancelha. — Ele é nosso pai Marcus e ela é nossa mãe. — apontou para os dois.

— Como conhece o Josh? — perguntou a mãe delas.

Não deveria fazer isso, mas isso tudo não me cheira bem...

— Estudamos juntos, sou namorada dele. — a moça inclinou a cabeça para trás surpresa.

— Seu nome é? — perguntou Marcus.

— Any. — assentiram.

— Tem notícias dele? Queremos saber onde ele está. — perguntou Sina e eu cruzei os braços.

— Quem são vocês afinal? Como conhecem ele? — pergunto e eles se olham.

— Me chamo Úrsula. — olhei ela esperando continuar. — Sou a mãe dele. — abri minha boca lentamente ao mesmo tempo que levantava as sobrancelhas em um ato surpreso.

— A mãe dele? — digo debochada. — Ou a mulher que sumiu deixando para trás um filho de quatro anos com um pai alcoólatra que batia nele? — encarei ela irritada.

— Ron começou a beber? — soltei um riso debochado.

— Como você tem a cara de pau de aparecer aqui? — digo desacreditada. — Ainda mais com duas filhas?

— Olha como fala com ela. — encarei Sina que tomou a frente.

— Não. — dei um passo à frente. — Você não tem o direito de usar esse termo com ele. — digo olhando Úrsula. — Você não pode simplesmente chegar aqui e se denominar como mãe dele sendo que o abandonou com 4 anos.

— Eu posso explicar... — neguei.

— Não, não pode. — digo controlando minha raiva. — Como pensa em explicar para ele que o deixou, volta como se nada tivesse acontecido e pior. — levanto um dedo. — Com duas meninas?

— Olha, ela precisou. — encarei o tal do Marcus. — Deveria ter voltado antes, mas...

— Mas não voltou! — digo cortando ele. — Seu filho passou a infância e a adolescência sendo agredido sem piedade nenhuma. — ela levou a mão no peito. — Você foi embora e não se importou em saber se ele estava bem ou não!

— Para de falar assim com ela. — disse Joalin.

— Fica calada você também! — ela abriu a boca.

Já estou no meu limite de preocupação e ainda tenho que lidar com isso? Não mesmo.

— Ele está em estado grave e estou aqui justamente por ele, porque eu amo aquele menino com todas as minhas forças. Então não me venha com seus arrependimentos, porque acredite em mim, a última pessoa que ele quer ver no mundo é a senhora. — digo e vejo ela a ponto de chorar. — Passar bem. — dei um passo para trás e voltei para o corredor de emergência.

Não é possível que esse dia não vá ter fim.

Como que essa mulher tem coragem de aparecer aqui? Como que eu não reconheci o nome dela? Seu rosto? Meu Deus, estou ficando louca!

Me aproximei dos meninos e eles se levantaram.

— Onde estava? — perguntou Noah e vi meu pai ao lado de Bianca.

— Vocês não sabem quem está aqui. — digo olhando eles.

— Quem? — perguntam juntos.

— A mãe dele. — os dois arregalaram os olhos.

— O quê?

Sei nem mais o que falar...

Xoxo - Sun⭒

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