• Capitulo 23 •

Josh Beauchamp

Passei o intervalo com a tal da consciência pesada, para ser sincero é a primeira vez que sinto isso. Noah e Bay perceberam, me pediram desculpas mas eu disse que não tinha a ver com eles. Enfim, me pressionaram tanto que acabei contando o que fiz com Any.

Noah me deu um pequeno sermão, disse que eu não deveria ter descontado nela uma coisa que eles causaram, só por isso me levantei do meu lugar e fui procurar por ela.

Já sabia onde estava, a minha surpresa foi ver ela com o garoto novo, pior ainda, escutar que ela estava falando de mim.

— Posso falar com você? — ela ficou em silêncio.

Any tirou sua mão do rosto abaixando o olhar e eu coloquei as mãos no bolso da calça.

— Vou conhecer a escola, a gente se vê depois Moany. — o garoto se levantou e saiu andando.

— Moany? — pergunto confuso com tal apelido

— Me achou parecida com a Moana. — disse sem me olhar e eu assenti lentamente. Parando para pensar é realmente verdade.

— Posso? — pergunto a respeito de me sentar.

— A vontade. — colocou sua bandeja ao lado e cruzou as pernas ficando em posição de lótus.

— Me desculpa. — me olhou. — Quando fico de cabeça quente ajo por impulso, não deveria ter descontado em você. — assentiu.

— Você escutou tudo, não foi? — perguntou me olhando e eu assenti.

— Você está certa, busquei por isso Gabrielly. Me tornei um monstro que sempre temia dentro de casa e nessa semana você me fez desligar disso. — suspirei. — A gente não se conhece tanto quanto deveria, você não sabe sobre o meu passado e eu não sei sobre o seu. — desviou o olhar. — Só quero que saiba que não quero ser mais assim.

— Quer mudar? — voltou a me olhar. — Quer mudar assim como está mudando suas notas? — neguei.

— Só quero melhorar Gaby. — passei uma mão no cabelo. — Você tem um pai incrível, e certamente é assim pela educação que ele te deu. Todos imaginam a minha vida perfeita, festas, amigos, pegação... Na verdade foi só isso que eu quis passar. — digo pensativo.

— Onde você quer chegar? — me levantei olhando ela.

— Quem me dera ter um por cento da sua vida e ser feliz Gabrielly, é uma menina de sorte. — forcei um sorriso e me distanciei entrando na escola novamente.

Ela não sabe que seu pai me contou da sua adoção, e nem nisso vou insistir. Se eu olhar por um ponto de vista, vou entender que os pais verdadeiros de Any não queriam aquela criança, que largar ela em um orfanato seria a melhor solução para suas vidas. Por um momento queria que isso tivesse acontecido comigo, quem quer que tivesse me adotado — se isso acontecesse —, me trataria melhor do que meu pai me trata.

Estou vivendo à base de um medo, estou correndo atrás de algo que pra mim ainda parece impossível. Sou fraco a ponto de não conseguir recusar uma festa, recusar a droga de um álcool... Não consigo evitar aquilo que se meu pai voltar a beber pode me matar!
(No caso ficar alterado e bater nele)

Estou me tornando incapaz apenas de sequer continuar vivendo a base de uma mentira. Não sou assim, não queria ser assim!

Por um único momento queria me desligar de tudo, sair sem rumo e ir para um local deserto, gritar até sentir minha garganta doer e liberar isso que tanto me sufoca, que tanto me prende, por um único momento queria apenas ser eu.

Me acho uma pessoa incapaz de amar alguém. Como fazer isso se nunca sequer tive o amor de alguém? Como fazer se nem eu consigo mais me aceitar como sou?

Construí uma barreira, uma barreira que nem se eu quiser consigo destruir. "Nós nos tornamos aquilo que tememos". Essa é a única frase que se encaixa perfeitamente em minha vida.

Fui capaz de destruir a vida de uma menina por dois anos e nem a capacidade de me redimir com isso tenho. Ninguém merece me ter ao lado!

Any Gabrielly

Josh saiu me deixando com um enorme ponto de interrogação. Como assim ele não é feliz? O que ele quis dizer com "sou uma menina de sorte"?

Peguei minhas coisas e entrei na escola.

Caminhei pelo refeitório e encontrei Noah e Bay sentados sozinhos.

— Meninos? — me olharam juntos.

— Oi Any, senta aí.

Noah foi para o lado e eu olhei em volta antes de sentar. Me sentei ao seu lado e apoiei minhas mãos na mesa.

— Josh falou com você? — perguntou Noah.

— Falou. — digo rápido. — Me diz uma coisa, o que acontece nas festas?

— Como assim? — perguntou Bay. — Bebemos, dançamos, beijamos? — neguei.

— Não, não isso. — mordi o lábio inferior. — Quando ela acaba, o que vocês fazem?

— Vamos para casa? — disse Noah rindo. — Seja específica Any.

— O Josh, prometi a ele que não iria deixar ele perder a aula hoje — digo.

— O que achamos um milagre. — disse Bay dando risada em seguida. — Ele nem contou o que aconteceu. — fiquei surpresa com isso, jurava que o Josh contava tudo para eles.

— Fui na casa dele. — digo e os dois se olham.

— Você foi na casa do Josh? — perguntou Noah incrédulo.

— O foco não é esse. — digo e solto um suspiro. — Como que o Josh acorda somente de cueca e sem cheiro de bebida? — Noah se inclinou para trás e bateu os dedos na mesa.

— Any... — Bay parecia buscar uma explicação. — Digamos que ele passa por muitos problemas.

— Bay e eu levamos ele. — disse Noah em um tom baixo. — Nós damos banho, escovamos os dentes dele para no dia seguinte ele não acordar com cheiro forte e nem deixar o quarto com cheiro.

— Por quê? — pergunto confusa.

— Somos melhores amigos Any. — disse Bay. — Fazemos tudo um pelo outro, conhecemos o Josh melhor do que ele mesmo se duvidar.

— Então por que deixam ele beber? Por que não incentivaram ele a estudar ao invés de ir em festas? Que tipo de amigos são esses? — se olharam.

— Você não conhece a gente Any. — disse Noah me olhando em seguida. — Quando algo acontecia com o Josh sempre estivemos lá para ajudar, e se depender de mim vai continuar pra sempre assim. — mordi o lábio inferior. — Essa é a distração dele, o momento em que ele aproveita a vida porque de alguma forma sabe que vamos estar lá para ajudar depois.

— Você conheceu um garoto arrogante, frio, sem sentimentos, vazio. — disse Bay. — Mas ele é um garoto incrível Any. Quando a gente tinha um problema, por mínimo que fosse, ele estava ali para fazer a gente rir. Se juntarmos os nossos problemas, não daria metade dos dele. — suspirou.

— Me desculpa. — digo baixo.

— Não é sua culpa. — disse Noah. — Any nós realmente sentimos muito por tudo, Josh sente mais do que a gente. Você nem imagina o quão importante é isso pra ele.

— Meu perdão? — pergunto.

— Também. — disse Bay. — Mas acima disso não reprovar esse ano. — assenti e o sinal tocou.

— Dá só uma chance pra ele Any. — encarei Noah. — Você não vai se arrepender. — fechei os olhos rapidamente e me levantei.

— Obrigada meninos. — forcei um sorriso e segui para a sala.

É nessas horas que perco minha pose de bandida...

Xoxo - Sun⭒

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