• Capitulo 2 •
Any Gabrielly
As horas foram passando e eu sentia a todo momento um olhar sobre mim, isso era normal, mas nesse momento parecia pior.
O sinal para o intervalo tocou e eu segui sentada fingindo que estava escrevendo algo no caderno.
De canto de olho, notei que Josh saiu acompanhado de Noah e Bay me fazendo suspirar aliviada. Me afundei naquela cadeira e cobri o rosto. Por que eu fui inventar?
Não é que eu tenha medo do Josh, mas a partir do momento que ele se irrita com você, a escola inteira passa a fazer isso. Até então poucas pessoas me chamavam de nerdzinha, mas como já era esperado aumentou.
Aqui ninguém sabe que sou adotada, o que me preocupa um pouco. Se essas pessoas já me zoam por nada, imagina quando descobri que a nerd é adotada? Ainda mais por um cara que é podre de rico?
Balancei minha cabeça para afastar isso e sai da sala para pegar meu lanche.
…
Segui para fora da escola e me sentei escorada no muro embaixo de uma árvore. Coloquei meus fones selecionando uma música no celular e comecei a comer.
Nesses momentos de reflexão fico imaginando como seria minha vida se eu fosse mais aberta, mais solta, conversasse mais… Mas aí eu desisto e aceito que minha vida vai ser assim mesmo.
Essa é a segunda escola que estudo, o que não deveria ter acontecido, só aconteceu porque irritei a popular da outra escola. Minha vida deve ser uma piada mesmo.
Era uma garota, só que morena e tinha olhos verdes. A escola era a melhor do bairro, essa que estou agora fica em segundo. Enfim, eu era do mesmo jeito que sou agora e a vida me proporcionou poucas e boas na mão dela. Josh não chega a ser pior que ela, aquela menina era o próprio diabo na terra. Certo dia fui desafiar ela, do mesmo jeito que fiz com o Josh, só não chutei onde dói, até porque acho que não ia doer tanto, enfim.
Estava andando até minha sala quando ela me parou, arrancou meus fones e me provocou como sempre. Falou mal do meu cabelo, disse que eu tinha que cuidar das minhas unhas, minhas roupas pareciam de morador de rua, blá, blá, blá. Mandei ela tomar no cu e falei que, antes inteligente e mal arrumada, do que uma garota fútil e que se acha!
Essa meus amigos, foi a pior decisão da minha vida. — uma das na verdade.
Sabe aquela linda rodinha que se forma quando todos param para ver uma briga? Ainda mais se forem duas meninas? Pois é.
Eu consegui fugir da situação, mas isso só foi até a hora da saída. Kate — que era o nome da maluca surtada — me colocou literalmente contra a parede e me bateu, mas assim, bateu mesmo. Meu couro cabeludo ficou doendo por uma semana de tão forte que ela puxou. Não sei como não fiquei careca, meu rosto ficou todo arranhado e também não sei como não perdi um dente.
E você não fez nada Any? Não!
Fraca? Não!
Traumatizada? Com certeza!
Minha vida no orfanato era quase isso. Tinha uma garota e o nome dela era Rebeca. Pensa em uma vilã — adulta — de filme e coloque no corpo de uma criança, era ela!
Eu tinha meus humildes 4 anos, e ela seus 10. Sim, lembro perfeitamente disso. Rebeca era uma menina alta e digamos que bem forte, era loira e tinha aquele sorriso de criança diabólica. Essa foi a menina que fez a minha cova naquele lugar, pior de tudo, nunca consegui fazer nada. Hoje fico pensando em diversas formas que dava para revidar e me culpo por não ter pensado nisso na hora…
Rebeca me batia todo santo dia, e nunca estava sozinha, sempre tinha alguém ao lado e as inspetoras do lugar nunca notavam. Saía machucada e ela me dizia que se alguém perguntasse era pra dizer que caí, caso contrário, iria apanhar mais.
Foi isso que me gerou um pequeno trauma. Sempre que alguém se aproxima de mim de uma forma agressiva, só vem a imagem dela e eu me imagino totalmente vulnerável com os meus 4 anos.
Mas voltando, me livrar daquela escola foi algo até bom, meu pai que ficou puto da vida quando viu meu estado. A escola sofreu até um processo e o dinheiro desse processo ganho foi todo para minha conta. Sou rica porque apanhei, que vida boa, não é?
Uma coisa que também evito nessa escola é ficar reparando nas pessoas. Sempre tem gente se beijando ou quase se comendo por aí… Não no sentido literal, pelo amor de Deus.
Essa escola tem o mesmo nível que a antiga, se você é virgem eles vão te zoar. Coitados, se soubessem que além de virgem sou bv.
Dei risada sozinha e levantei meu olhar.
Meu sorriso sumiu no mesmo instante e eu prendi minha respiração no momento em que vi Josh me encarando. Deus, proteja sua filha só dessa vez.
Meu coração disparou quando vi ele se aproximando e fiquei sem saber o que fazer. Poderia sair correndo? Claro que sim. Mas meu porte físico não está para isso hoje… Na verdade nunca esteve. Preciso voltar a correr, nem que seja na esteira.
Quando achei que tudo estava perdido, uma garota se aproximou dele e o mesmo sorriu. Os dois começaram a se beijar ali mesmo e eu coloquei o dedo na boca forçando um vômito.
Noah e Bay pareciam ter notado meu ato e deram risada de longe.
Recolhi minhas coisas rapidamente e dei um fora dali. Obrigada Deus!
Josh Beauchamp
Em anos da minha vida nesse lixo de escola, nunca fui agredido. Essa menina acabou de cavar a própria cova! A sorte dela foi Maya ter chegado com segundas intenções, mas na saída ela não me escapa.
O sinal tocou encerrando o intervalo e eu voltei para a sala.
Any já se encontrava sentada e com os olhos fixos em seu caderno. Travei meu maxilar e fui me sentar no fundo da sala.
Bay e Noah passaram o dia me zoando por esse maldito chute. Minha vontade era de chutar o saco de cada um para pararem de graça.
…
Faltava um minuto para o sinal tocar e eu já estava com o material pronto para sair.
Assim que tocou, me levantei deixando a sala e notei que ela ainda estava escrevendo algo em seu caderno. Não caio no mesmo jogo duas vezes.
Parei no corredor do lado e dei um perdido em Noah e Bay. Hoje tinha treino e eu falei que encontrava com eles lá.
Any Gabrielly
Todos já haviam saído da sala e eu afundei a cabeça nos meus braços respirando fundo.
Maldito dia que não pedi para o Eduardo vir me buscar.
Peguei meu celular e disquei o número dele.
Em dois toques minha ligação foi atendida e eu perguntei se ele estava ocupado. Por sorte ele me disse que estava livre e ia vir me buscar.
Coloquei meu material na mochila e sai da sala.
Olhei os corredores e suspirei aliviada quando os vi vazios. Por sorte Josh tem treino hoje e vou conseguir sair de boa.
Coloquei meus fones e caminhei para fora da escola.
Assim que ia abrir aquela porta, senti uma mão me puxar e me prensar com força contra a parede. Com o susto, acabei batendo a cabeça ali e fechei os olhos sentindo ela doer.
— Achou mesmo que eu ia deixar aquilo passar impune? — abri meus olhos dando de cara com Josh.
Seu olhar estava dez vezes pior do que costumava ser e eu senti minha respiração ficar pesada no mesmo instante.
— Olha aqui sua nerd, eu acho bom você aprender onde é o seu lugar. — disse irritado.
Lembra quando eu disse que quando alguém se aproxima de mim de uma forma agressiva, automaticamente vem a imagem da Rebeca na minha cabeça? Pois é.
Agora estou me sentindo novamente com 4 anos e totalmente vulnerável.
— Ninguém! Está me escutando? — gritou. — Vai encostar a mão em mim e vai sair por isso mesmo.
Sua mão me segurava com força e eu sentia meu corpo inteiro tremer com medo dele realmente fazer algo.
Fechei os olhos quando sua outra mão levantou e senti as lágrimas caírem.
— Por favor, não me bate. — digo em um sussurro, mas alto o suficiente para ele escutar.
⋆ Nossa, hoje acordei no clima para matar alguém. Quem vem junto?
Xoxo - Sun⭒
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