Capítulo 39

Anteriormente em A Morte Tem Cor...



    "Você estava desesperada, pedindo para que eu ficasse acordado o tempo todo, dizia que ela precisava de mim, ela e a Tasha iriam precisar de mim. De quem você estava falando?"

Aquelas palavras ressoaram no ouvido de Lorna de forma brutal, como Reade conseguiu se lembrar de tudo aquilo? O que despertou nele aquelas lembranças que tanto aterrorizavam Lorna? Ela estava sem saída e precisava lhe contar a verdade mesmo correndo o risco de receber o ódio dele pelo resto da vida. Ela sabia que essa possibilidade era enorme, mas precisava agir rápido se quisesse manter a sua filha em segurança, Lorna respirou fundo e fez o que seu coração lhe pediu.

— Como assim Reade? Do que você está falando? — Precisamos admitir que Lorna era uma ótima atriz quando o assunto era fugir dos problemas.

— Na noite em que fomos atacados, você mencionou que alguém precisava de mim, de quem você falava Lori? — Ele insistiu.

— Eu falava da Tasha e da criança que você me disse que queriam ter juntos, não lembra? — Ela precisou jogar baixo e isso fez com que ela se sentisse a pior pessoa do mundo, mas seu coração de mãe dizia que ainda não era o momento. — Você me disse que queriam ter filhos, até me falou os nomes que tinham escolhido juntos. — Reade fez uma cara de confuso e Lorna mais uma vez sentiu repulsa do seu ato. — Você não lembra do que aconteceu?

— Não totalmente, o sonho parece um quebra cabeça com peças faltantes, eu só lembro de alguns fragmentos.

—Sonhou com isso? — Questionou ela abismada. — Parece mais um pesadelo.

— É deve ter sido isso mesmo, minha mente está uma confusão. Eu não sei o que é real e o que foi sonho.

— Quer conversar sobre isso? Estou aqui se quiser desabafar.

— Em um outro momento, você vai falar com o Ziddan? Está bem para fazer isso sozinha? — Questionou ele preocupado.

— Sim, se precisar de ajuda eu chamo vocês. — Lorna forçou um sorriso.

— Tudo bem, estamos aqui se precisar. — Ela apenas assentiu e agradeceu mentalmente por Reade não insistir no assunto. Lorna se sentiu péssima por mais uma vez mentir para ele, mas não era assim que ela queria contar a verdade.



Ao entrar na sala, o olhar de Ziddan para ela já denunciava toda a ira que ele estava sentindo no momento, ela tinha prometido que era seguro ajudar, que depois que ele passasse as informações poderia ir embora para onde quisesse, mas não foi isso que aconteceu.

— MENTIROSA! — Gritou ele assim que ela entrou na sala se esforçando para levantar-se, mas era em vão já que ele estava algemado.

— Não foi minha culpa, isso não estava nos meus planos. — Ela tentou se justificar. — Já estavam de tocaia na gente.

— Seus planos? Você tinha um plano? — Ele pergunta gritando. — Então trabalha com eles?

— Não trabalho para o FBI nem para a Cia, eu realmente estava tentando lhe ajudar como ainda estou fazendo. Fugiu do meu controle!

— Não acredito em você. Acho que ninguém deveria fazer isso, você é os dois lados de uma moeda. — Aquela frase foi pesada demais, é mais tarde iria martelar na cabeça de todos ali.

— Não precisa acreditar, só precisa fazer o que eu estou mandando e terá sua recompensa, eu prometo.

— Vai continuar prometendo o que você não pode cumprir?

— Eu estou me responsabilizando por qualquer coisa! — Afirmou ela.

Tasha ouvia aquilo tudo sem entender os planos de Lorna, ela não estava em condições de prometer nada a ninguém, muito menos de ir a campo, ela parecia estar completamente fora de si. Mas ela não queria fazer isso em público, queria conversar com Lorna e pedir para que ela se retirasse do caso, foi isso o que a morena pensou durante todo o tempo em que ficou apenas observando a situação.



— O que querem de mim? — Ziddan parecia estar disposto a ouvi-la. Lorna sentou-se de frente para ele e lhe contou tudo o que ele precisava saber para ajudá-los.



Do laboratório os demais assistiam a toda conversa da sala de interrogatório, estavam atentos a todos os detalhes, sabiam que cada segundo era precioso e eles não tinham muitos.

Keaton tinha acabado de voltar após atender uma ligação dos seus superiores, pela sua cara não tinha sido uma conversa nada amigável.

— Deixaram a Lorna interrogar ele? — Keaton perguntou surpreso. — Ela não está em condições para isso.

— Ela está preparada e já sabe como as coisas funcionam com o Ziddan. — Respondeu Tasha.

— Confia nela Zapata?

— Totalmente! — Tasha respondeu de imediato.

— Ela tem um plano, não entraria ali sem algo em mente. — Reade lhe defendeu.

— Eu não me responsabilizo pela Lorna. Presenciamos um surto dela mais cedo, ela é totalmente instável. — Insistiu Keaton, mas não recebeu apoio dos demais, eles poderiam não concordar com Lorna, mas jamais a deixariam na berlinda com Keaton.



Tasha e Reade preferiram não continuar com a discursão, até porque não sabiam o motivo para Keaton agir assim com a Lorna, os dois já foram parceiros em tantas missões.

Patterson analisava com cuidado os dados do celular do Ziddan em busca de alguma informação útil, foi quando um vídeo chegou no celular, era de certa forma difícil de rastrear, mas o recado era claro, os homens descobriram que Ziddan estava ajudando os federais e agora ele receberia uma punição severa.

Ela mandou um alerta para a Lorna, pedindo que a morena desse uma desculpa e fosse diretamente para o laboratório, o que prontamente ela fez.



— O que houve? Descobriram alguma coisa? — Perguntou Lorna assim que se reuniu ao restante do time.

— Pessoal, temos um grande problema, os homens para quem o Ziddan trabalhava descobriram que ele estava fornecendo informações, e eles...

— O que Patterson? — Lorna ficou nervosa.

— Sequestraram a filha dele. — A loira falou por fim.

— O que? — Jane e Tasha perguntaram em coro.

— De onde? Como ele conseguiram encontrar essa garotinha? — Reade perguntou.



— Estamos seguindo a trilha, vamos encontrá-los. — Afirmou a loira.

— Precisamos contar para o Ziddan o que está acontecendo. — Sugeriu Lorna.

— Tá maluca Lorna? Claro que não. — Protestou Keaton. — Se ele souber é aí que não vai nos ajudar mesmo.

— Ele tem direito Keaton, é o pai dela. — Lorna precisou controlar sua raiva.

— Que hipocrisia não é Lorna? Ele é o pai e tem o direito de saber? — Keaton foi totalmente irônico tocando em algo que machucava Lorna.

— Não ouse. Não nessa situação. — Sussurrou Lorna entre os dentes, após olhar discretamente para Reade.

O clima tinha ficado estranho entre eles, de uma hora para outra Keaton e Lorna tinham se tornados inimigos mortais, os demais estavam totalmente aleatórios ao que estava acontecendo ali.



— Pessoal? Temos que fazer algo rapidamente. — Advertiu Reade mudando o foco da tensão. — Temos uma garotinha nas mãos de bandidos perigosos.

— Vamos contar ao Ziddan o que aconteceu e a Lorna que já estava no caso e tem mais experiência com eles vai nos guiar até acharmos a menina. — Tasha impôs a sua opinião.

— Combinado! — Todos responderam menos Keaton que estava apenas observando.

— Patterson e Rich tentem achar o máximo de informação que puderem sobre o sequestro, Reade peça para fechar tudo estradas, portos e aeroportos. Jane e Kurt vejam as câmeras de segurança, passem um pente fino e Keaton você tenta usar todos os meios não legais que a Cia tem para nos ajudar. E Tasha você vem comigo, vamos conversar com o Ziddan. — Lorna dividiu todos até que ela finalizasse a estratégia.





Não tinha muitas opções para Lorna nesse momento, ela teria que enfrentar o Ziddan que com certeza e com razão ficaria furioso ao saber o que aconteceu com a sua filha.

Lorna foi a primeira a falar, ela procurava as palavras com cuidado para contar o que aconteceu, mas nesse momento não tinham palavras certas, era só a verdade.

— O que você está me dizendo? Sequestraram a Samira? A minha Samira. — Ele entrou em choque.

— Calma, estamos fazendo de tudo para encontrá-la. — Tasha tentou amenizar.

— Não tenho como fazer isso senhora. Ela me contatou, disse que eram apenas algumas informações e que depois eu poderia ir embora. — Ele disse olhando diretamente para Lorna. — Ela não tem culpa do que eu fiz, ela é só uma criança.

Aquelas palavras eram com dardos lançados em Lorna, ela sentiu o peso de cada partícula de dor e desespero que aquele homem sentia. Ela lembrou-se de Emm, ela também não tinha culpa. A Lanna também não.

— Eu sei o que você está sentindo Ziddan, pode ter certeza. — Disse Lorna depois de alguns segundos em silêncio. — Eu perdi uma irmã, ela só tinha dois anos quando tudo aconteceu. Meus pais eram agentes da Cia, e a minha irmã sofreu as consequências dessa missão, ela sumiu. — Lorna suspirou de olhos fechados como se aquilo estivesse lhe destruindo por dentro, e realmente estava. — Ninguém encontrou o seu corpo e nenhum grupo terrorista assumiu o atentado, o cobertor que ela usava estava sujo de sangue, a perícia contou oito tiros no carro, especificamente no lado em que a minha irmã estava. Por isso que eu digo que sei o que você está sentindo, e eu juro por tudo o que é mais sagrado que eu vou trazer a Samira de volta.

— Eu espero, ou eu mesmo vou cuidar para que você não tenha um só segundo de paz. — Lorna não falou nada, apenas assentiu.



Tasha estava impactada com o que ouviu, era nítido que aquilo mexia bastante com Lorna, e ela nem fazia ideia de como aquilo assombrava a agente.

Após sair da sala de interrogatório, Lorna parou no meio do corredor tentando se acalmar, não queria encontrar o restante do time naquelas condições.

— Foi real tudo aquilo que você falou? — Tasha perguntou enquanto observava a colega de trabalho de olhos fechados tentando controlar a respiração.

— Sim, aconteceu. — Disse ela.

— Eu sinto muito pela sua irmã. Imagino o quanto isso te machuca.

— Meu único medo é terminar como a minha mãe, ela ainda teve alguém para chorar no seu túmulo, e eu? Quem eu teria? Eu sempre dou um jeito de destruir as pessoas ao meu redor. — Ela se lembrava de cada palavra que a Nonna falou mais cedo.

— Tem a mim. Sempre vai ter a mim! — Tasha puxou a Lorna para um abraço apertado, ela não costumava fazer isso, mas sentia que a mulher a sua frente precisava. — Eu estarei sempre aqui. — Sussurrou Tasha.

— Me perdoa, foi tudo culpa minha. Eu não cheguei a tempo.

Tasha não falou mais nada, apenas a abraçou mais forte. Ela não fazia ideia de que Lorna não falava sobre o caso Ziddan e sim sobre o que aconteceu em Zurique, se ela ao menos se lembrasse.





     Todos os agentes já estavam a postos no salão recebendo as últimas instruções de Lorna. Jane tinha conseguido as informações sobre o carro usado pelos sequestradores e agora toda a equipe tática se dirigia para o local, a velha fábrica de sorvetes Joy Joy.

— Atenção pessoal, mais uma vez eu vou relembrar a nossa única missão é trazer Samira Ziddan viva, se conseguirmos pegar as bombas e os responsáveis por todo esse caos será o nosso lucro, mas a não ser isso foquem apenas em encontrar a garota. — Avisou Lorna.

— Vocês iram em grupos separados, teremos muito terreno para cobrir e pouco tempo para isso. Nos tabletes estão as informações e plantas do terreno, são fábricas abandonadas mantenham os olhos bem abertos.

— Pessoal quero que olhem bem para esse rosto, essa é a Samira e ela é nossa responsabilidade agora, uma garota de cinco anos está nas mãos de terroristas e nós vamos trazê-la.





Lorna deu mais algumas coordenadas e seguiram para o local, no carro da frente estavam Kurt e Jane e mais dois agentes, o carro de trás era divido entre Tasha, Lorna, Reade e Keaton. Os demais agentes estavam infiltrados em caminhões de entregas, era um momento decisivo e Lorna sentia um aperto enorme no peito, uma sensação ruim que ela tentou afastar desde o momento em que saiu com os outros da sioc.



— Tem um plano? — Reade olhou para Lorna pelo retrovisor, estavam em silêncio desde que saíram do escritório.

— Entrar, encontrar a Samira e sair de lá vivos. Meu único plano. — Disse ela olhando pela janela.

— Precisa de um plano melhor. — Alfinetou Keaton.

— Eu até tinha um e você estragou isso, lembra?

— Já passou, vamos focar no agora. — Rebateu ele.

— Não passou, tem uma garotinha perdida lá fora e se algo acontecer com ela eu vou lhe culpar. Mas a Cia não se importa com crianças que desaparecem do nada e nem com o que fazem em oculto com a mente das pessoas, só pensam em si. — Lorna falou irritada, o clima já estava ficando pesado ali.

— Quer falar sobre isso aqui mesmo Lori? — Keaton a repreendeu.

Tocar naquele assunto seria trazer à tona Masha Hall, as suas filhas e todos os motivos que fizeram Lorna está onde estava. Seria falar sobre quântico e revelar Emm, realmente não era uma boa ideia.

— Chegamos! — Tasha agradeceu por isso, não sabia o que viria se continuassem mais um segundo ali. — Vamos seguir com o plano inicial?

— Sim! — Afirmou Lorna. — Usem os comunicadores e quem encontrar a garota primeiro usa o nosso sinal.

— Entendido. — Os outros repetiram



Tinham estacionado bem no início da estrada que dava para a fábrica, de onde não podiam ser vistos, se dividiram em cinco grupos de quatro pessoas e seguiram para os seus locais estratégicos.

— Ficamos com a parte da produção, não sei se estariam lá com a garotinha, é úmido e sem eletricidade. — Observou Reade.

— Então é lá que estão, ou pelo menos deve ser lá que a garotinha está sendo mantida em cativeiro. — Falou Tasha observando mais uma vez o local. — Vamos juntos?



— Não, não. Tem muito espaço para cobrir, vamos nos separar. — Avisou Lorna. — Eu vou subir para a parte da caldeira, você e Keaton fazem a parte de baixo. — Disse apontando para Reade. — E  Tasha você faz a parte onde ficavam os velhos freezers de armazenamento, avisem sobre qualquer coisa fora do comum.



Os quatro seguiram para dentro da fábrica sem nem imaginar as surpresas que viram pela frente e muito menos que estavam sendo observados por um inimigo misterioso.

O local tinha uma péssima iluminação, sem falar do cheiro forte de mofo, era cheio de infiltrações e devido a isso pequenas poças d'água se formavam pelo caminho. Lorna seguiu para a caldeira, as escadas estavam enferrujadas, com muito cuidado para não se machucar ela seguia observando cada cômodo dali, às vezes o desespero queria tomar a sua mente, mas ela estava decidia a se manter firme e continuar a missão, a sua última, depois dessa ela aceitaria o conselho de Tasha e iria procurar um médico.

Tasha estava na enorme sala dos freezers, passava atentamente pelo local sem se dar conta de que alguém a observava atentamente, entre as muitas divisórias lá estava a pessoa misteriosa com um sorriso no rosto, cada traço ou expressão facial da agente eram analisados.

Reade estava bem atento a qualquer movimentação, após rondar alguns locais junto com Keaton decidiram se separar, o local era muito maior do que eles imaginavam. Reade seguiu para o andar superior quem sabe teria mais sorte, Keaton continuou na parte de baixo e iria fazer o percurso para o sótão.



     Alguém ali estava realmente surpresa com a forma impecável das duas agentes, já era de se esperar por isso, as duas agiam de forma sincronizada mesmo estando separadas, isso não para qualquer um, elas tinham esse dom.

— Chefe o que vamos fazer com elas? — Perguntou o homem que observava a figura de sobretudo vermelho.

— A ventania e a tempestade se encaixam perfeitamente, não acha? Parecem até que dançam em sincronia, como o belíssimo Balé de Moscou. Deixem que elas se divirtam um pouco mais, haverá uma nova oportunidade e eu as pegarei de surpresa. Não perca elas de vista. A tempestade com certeza irá encontrar a garotinha. — Falou observando mais uma vez as câmeras de segurança. — Só saia daqui quando elas estiverem em segurança. Eu as quero, elas me pertencem, só eu posso brincar com cada parte delas. A mente da Lorna já está do jeito que eu quero. — Um sorriso diabólico pode ser visto naquele rosto misterioso. — Cuidado com a garotinha, ela foi só distração para o meu reencontro, precisava saber se era mesmo real o que eu tinha ouvido.

— Pode deixar, enviarei um relatório quando tudo terminar. — Avisou o empregado vendo a pessoa entrar no seu carro preto e sair do local.



Lorna seguiu para uma das torres do local, que mais parecia um castelo dos horrores pela precariedade, nada parecido com a antiga fábrica feliz Joy Joy que aparecia nos comerciais dos anos 90. O lugar mágico em formato de castelos que toda criança sonhava em visitar estava sem vida, mas porque aquele lugar? Quem estava por trás disso?

Ela andou apressadamente pelos corredores mal iluminados da fábrica, até se deparar com um corredor cheios de portas em formatos de cascas de sorvete.

— Que lugar bizarro! — Murmurou ela. — Até parece um filme de terror, quem em sã consciência decretou que esse lugar era temático para crianças? — A agente percebia que conforme ela andava a sua respiração ficava irregular, por mais que estivesse confiante no que estava fazendo algo ainda lhe causava arrepios. — Calma Lorna, está com medo do que não existe? São só imagens de palhaços idiotas, existe um lugar intocável na sua mente onde o pavor não pode assombrá-la. — Lorna repetiu isso algumas vezes até de convencer disso.

Após a terceira porta ela ouviu gemidos baixinhos, parecia um gato ou algo semelhante. Passos mais fortes foram ouvidos pela morena que se escondeu em um dos cômodos, esperando para pegar seja lá quem fosse de surpresa, os passos ficaram ainda mais pesados e se aproximava cada vez mais.

— Você me assustou! — Disse ela o empurrando. — Droga! Por que ninguém está usando os comunicadores?

— Queria saber a mesma coisa. — Disse Reade tranquilo por ver que ela estava bem. — Não consigo falar com Tasha e o celular não funciona aqui.

— Fica tranquilo, eu a vi faz uns vinte minutos enquanto eu subia, ela está bem. — Disse ela um pouco mais aliviada. — Ouvi barulhos atrás dessa porta, pode não ser nada, mas não custa olhar.

— Está trancada! — Disse Reade examinando-a. — Tem algo aí com certeza.

— Eu tenho um pequeno explosivo, vai fazer barulho, mas pode valer a pena. — Reade concordou com ela.

— Se tiver alguém aí atrás se afaste. — Gritou Reade.

— Não se preocupe o palhaço Joy vai te responder. —  Disse Lorna se lembrando dos comerciais da infância.

— Ainda se lembra disso? Fica ali atrás, eu vou explodir agora. — Sinalizou Reade.

Obedecendo o que ele falou, Lorna apenas ouviu o estrondo seguido por um silêncio torturante.

— Reade? Reade? — Chamou ela se aproximando da porta.

— Você não vai acreditar, seus instintos sempre estão certos.



Ela estava lá, trêmula, assustada com os olhos cheios de lágrimas, sem saber se poderia confiar. Olhava de forma alternada para Reade e Lorna como quem implorava por ajuda, Lorna imediatamente correu ao encontro da pequena que estava toda amarrada e com a boa tapada por uma fita.

— Samira? — A garotinha acenou com a cabeça. — Eu vou tirar isso e vai doer um pouco.

A garota ainda olhava assustava para os dois, Lorna estava com uma alta carga de energia circulando pelo seu corpo, se não houvesse explosivo ela mesma teria posto aquela porta abaixo.

— Precisamos sair com ela o quanto antes? — Disse Reade. — Ei garotinha, preciso que venha conosco. É seguro!

— Ela tá assustada de mais para isso Reade, olha só a forma como ela foi amarrada, isso deve ter machucado de mais. Vamos tentar algo mais calmo.

Lorna se aproximou dela e se abaixou para ficar na mesma altura, a garota tremia de mais pelo frio e pelo medo.

— Oi Samira, eu sou a agente Prince, mas você pode me chamar de Lorna. — Disse ela passando os dedos pelo cabelo da criança. — Esse é o meu amigo Ed, ele também é um agente federal. — Ela apontou para o distintivo. — Será que você pode nos ajudar, lembra como chegou aqui? Viu quantos são?

A garota permaneceu intacta, estava assustada de mais para falar algo, os comunicadores que desde o início estavam silenciados devido a um bloqueio logo voltaram a funcionar, apenas por tempo suficiente para transmitir um recado para Lorna e Reade.

— Reade? Lorna?

—  Estamos bem. — Respondeu Reade.

—  Graças a Deus, onde estão? — Perguntou Tasha.

— Nós estamos na torre sul. — Respondeu Lorna. — Código 157 para situações com reféns. (O código era para avisar ao restante do grupo que a garotinha havia sido encontrada sem que fossem comprometidos).

— Vamos sair daqui e precisamos de cobertura. Tasha tente convocar os demais. — Pediu Reade.

— Entendido!



— Sejam rápidos, precisão sair daí o quanto antes. — Disse Keaton.

— O que houve? — Lorna perguntou.

— São cinco, estão indo para uma das torres. Estão armados. — Avisou Tasha, logo em seguida tiros foram ouvidos no local.

— Zapata você está bem? — Keaton perguntou pelo comunicador, mas Tasha não deu resposta.



— Tasha? Zapata? — Ela não respondeu ao chamado desesperado do noivo. — Droga! Droga! Eu vou até lá, preciso ver o que aconteceu. — Disse Reade.

— Não podemos, ela está tentando ganhar tempo. Precisamos tirar a Samira daqui Reade, me escuta! O Keaton está lá, ele não vai deixar nada acontecer com a Tasha, vai por mim. — Aquilo saiu mais espontâneo do que ela imaginou, deixando Reade com uma cara não muito feliz.

— Vamos sair daqui logo! — Reade se dirigiu a Samira. — Está com frio? — A garotinha apenas acenou que sim. Prontamente o agente retirou o colete e o casaco e colocou sobre a menina. — Vai ficar um pouquinho grande, mas vai servir em você. — Ele brincou fazendo pela primeira vez a menina sorrir.

— Samira nós vamos te levar para o seu pai, precisamos que seja corajosa. Vem comigo? — Disse a agente estendendo a mão para a garotinha.

— Não posso, olha só isso. — Foi a primeira frase dita pela garotinha que deixara Lorna e Reade assustados ao ver o que Samira apontava, era uma bomba bem elaborada que seria ativada caso o peso sobre ela fosse retirado.

— Quem é o psicopata que faz isso com uma criança Reade? — Perguntou Lorna. — Precisa ter um meio de tirarmos ela daqui. — Ela examinou mais uma vez. — Eu não vou conseguir fazer isso, o que eu fiz?

— Calma nós vamos conseguir sim. — Disse ele — Somos só nós três agora. — Ela olhou com os olhos cheios de lágrimas para ele, aquela situação envolvendo uma criança e Reade mexia bastante com ela.

— Eu confio em você Reade. — Ela apertou a mão dele que estava sobre seu ombro.

Continua...

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