Capítulo 37
Não era possível que uma caixa com duas dezenas de diários escondia os segredos que tanto assombravam a Lorna, a dúvida do que realmente aconteceu lhe machucava a todo momento, ela lembrou-se daquilo quando precisou enterrar os seus pais, quando a sua filha nasceu, quando ela aceitou o trabalho da Cia, ela jurou para si mesma que descobriria a verdade sobre o fatídico dia que separou para sempre mãe e filha.
O caminho de volta foi marcado por lembranças da sua infância, de quando brincava livremente na fazenda da família Hall, ou quando saía para acampar com os seus pais na colina, era um dos momentos que ela se recordava com frequência, desejava fazer o mesmo com Emm, levá-la para acampar, para conhecer o mundo lá fora, da mesma forma que os seus pais fizeram com ela, quem sabe um dia ela conseguiria realizar tudo isso.
Encarar aquela caixa no banco do passageiro lhe trouxe lembranças boas, mas também lhe fez recordar da pequena Lanna.
Ela chegou no hotel, e logo tratou de vasculhar as anotações da mãe que por sorte estavam datadas, Masha tinha uma caligrafia impecável, Lorna só precisou separar tudo por ordem cronológica, isso facilitaria as suas pesquisas. Já passavam das duas da manhã quando ela chegou ao diário datado em 1987, trinta e três anos atrás.
"Pela primeira vez eu senti o que era amor de verdade. Lanna tem os olhos doces, olhos cor de mel, tem uma calmaria natural. Sentir o seu cheiro pela primeira vez e ouvir o seu chorinho naquele quarto frio me acalmou como ninguém jamais conseguiu, com a Lanna está nascendo a minha esperança de ser uma pessoa melhor."
Lorna leu aquilo emocionada, era uma linda descrição, a sensação foi a mesma que ela sentiu ao pegar Emm nos braços. Masha tinha conseguido descrever perfeitamente os quase dois anos em que viveu com a sua primogênita, folheando as outras anotações ela encontrou um desenho feito pela mãe da pequena Lanna, os traços impecáveis de Masha retratavam o olhar doce da criança, em um outro desenho a pequena estava deitada de bruços e o sinal nas suas costas estava bem evidente igual ao da Emm, igual ao da Lesley, igual ao da Tasha.
Um dos diários mencionava a vida de uma agente dupla, a vida que Masha estava vivendo. Uma espiã da Cia vivendo dentro do consulado Russo em busca de informações para o governo americano. Masha relatou no diário tudo o que ela estava passando, anotações confidenciais no rodapé, desenhos com duplos significados, e Lorna os entendia muito bem. Nas últimas folhas desse mesmo ano narra a despedida trágica de Masha e Lanna.
"Era uma tarde de inverno do ano de 1989, fazia bastante frio em Mississipi, eu realmente precisava ir a um supermercado próximo, a Lanna estava bastante agitada naquele dia, eu não tinha com quem deixá-la, o seu pai eu não o via desde o momento em que lhe contei da gravidez, estava criando minha filha sozinha, a minha única opção era levá-la comigo.
Agasalhei ela devidamente, preparei umas três mamadeiras pois não sabia como estavam as estradas, acomodei minha filha na cadeirinha e segui rumo a cidade. Morávamos afastadas das grandes construções, meu trabalho exigia isso, eu cantarolava uma canção na tentativa de lhe acalmar. Após passar na farmácia e no supermercado decidi parar para abastecer, ventava bastante, a todo momento as rádios alertavam para riscos de tornado. A fila da conveniência estava enorme, eu decidi deixar a Lanna no carro, a janela estava um pouco aberta para entrar ar, alguns minutos que andava entre os corredores ouvi barulhos fortes de tiro vindo do lado de fora, no mínimo uns oito tiros, pelo som era um armamento pesado, as pessoas corriam tentando se esconder, eu gritei assim que raciocinei o que estava acontecendo, a minha pequena Lanna estava lá fora, ouvi o alarme do carro, corri desesperada ao ver a porta de trás aberta, a minha Lanna não estava mais lá, apenas o seu cobertor melado de sangue. Eu fui até..."
Lorna virou a página rapidamente, mas estava rasgada, tudo o que ela queria era a versão dos fatos pela própria Masha, mas isso não estava mais lá, alguém chegou primeiro. Ela agora só tinha a versão que a Cia e todos contavam, a criança foi morta por extremistas que estavam perseguindo a espiã e o corpo foi jogado nas águas congelantes do rio que cortava a cidade.
Antes mesmo que o dia amanhecesse Lorna entrou no seu carro e seguiu para encontrar alguém que pudesse lhe ajudar, assim que chegou em Langley ela foi direto para a sala de Keaton que estava bastante concentrado no seu trabalho, nem percebeu a presença até que ela o chamou mais alto da segunda vez.
— Me desculpa não vi você entrando. Você está péssima, faz quanto tempo que você não dorme bem? — Ele perguntou em um tom sarcástico.
— Desde quando você me colocou nessa, já esqueceu? — Lorna falou arqueando a sobrancelha.
— O que te traz a Langley nesse início de manhã ensolarado?
— Preciso de um favor.
— Claro, Langley é a terra mágica dos favores. — Debochou Keaton. — O que houve agora?
— Preciso saber quem estava no comando da Cia e quem era o mentor da minha mãe na época que aconteceu o atentado.
— Você vai insistir nisso novamente Lorna? Cada vez que você mexe nisso você fica ainda mais machucada. — O tom dele era preocupado, mas ainda sim irritado.
— Eu li os diários essa madrugada, mas coincidentemente a página que relata o que de fato aconteceu com a Lanna está rasgada.
— E?
— Quero que me ajude a descobrir o que aconteceu.
— A Lanna morreu!
— Não, ela não morreu!
— Lorna pode parar. — Pediu ele.
— Ela era um bebê. A Lanna só tinha dois anos. — Lorna fala emocionada. — Ela não tinha nada a ver com esse caos que a Cia e a Masha criaram.
— Ela morreu, foi isso o que aconteceu.
— Então eu quero saber o que aconteceu com a minha irmã, eu tenho esse direito. Não simplesmente ouvir que atiraram por diversas vezes no carro em que a Lanna estava e jogaram esse corpo no rio.
— Lori...
— Não, me escuta só! Meu cérebro não está mais aceitando isso, ou você me ajuda a achar essas pessoas ou eu vou recorrer a outros meios. Preciso saber o que realmente aconteceu com a Lanna.
— Outros meios? Que outros meios?
— Você tem dois dias Keaton para descobrir quem estava responsável pela minha mãe ou eu vou fazer o pacto com o demônio. Entre encontrar minha irmã e proteger os seus interesses eu vou escolher o que fica mais confortável pra mim.
— Você já tem a resposta, a Lanna realmente está morta!— Lorna olhou séria para ele.
— Dois dias!
— Me dê uma semana. Eu vou ver o que consigo.
— Dois dias, começando agora. — Ela olha no relógio. — Ou eu vou encontrar o Roman em Londres e trocar alguns favores.
— Tudo bem, eu vou até você. É perigoso conversar sobre isso aqui.
— Não! Eu digo onde? Eu quero um nome.
— Isso é arriscado Lorna.
Lorna saiu sem lhe dar resposta, sabia que se pressionasse Keaton o suficiente ele iria lhe ajudar. Se Lorna imaginasse quem era o mentor da sua mãe na época da Cia ela não se perdoaria.
No caminho de volta ela passou em casa para se trocar, não poderia ir trabalhar apenas de jeans e moletom. Assim que saiu do elevador uma das funcionárias do laboratório já esperava por ela.
— Agente Prince, temos novidades! É sobre o caso do chanceler.
— Gostaria de acordar com boas notícias assim todos os dias. O que vocês descobriram?
— Ligações, nossa equipe tem mais de quinze horas para ouvir, até o final teremos algo para usarmos.
— Isso é perfeito Becca, me avisem assim que tiverem novidades. — Lorna se despediu entrando na sua sala.
Após algumas horas na sua sala Lorna decidi ir até a sala de evidências para ver algumas informações sobre o caso em que estava trabalhando, vasculhando a caixa de ocorrências ela sem querer esbarra em um armário, a etiqueta informava "Caso Campbell", Lorna se viu sozinha e pensou que não seria nada mal dar uma olhada no que tinha lá dentro.
Foi olhada rápida, ela viu um aparelho celular entre as evidências, com muita cautela e utilizando um tecido para não deixar suas digitais Lorna pegou o aparelho nas mãos, ao acessar as últimas ligações efetuadas e recebidas por Joe, um número bem incomum lhe chamou atenção, Mattew Weitz. Ele foi a última pessoa a falar com Joe antes que ela morresse brutalmente.
— Não pode ser, você não fez isso seu desgraçado. — Ela tratou de colocar o telefone no mesmo lugar. — Você vai pagar muito caro por isso Mattew.
Ela saiu ainda abalada da sala de evidências, com toda certeza não era o seu dia, e não estava perto de acabar, ela iria passar o dia martelando aquilo em sua mente. A noite ela cedeu e decidiu ir até a festinha dos amigos.
Na casa de Patterson a noite prometia ser de descontração, regada por muitas cervejas e jogos, ela tinha sugerido reunir o pessoal para se divertirem um pouco, a nerd era conhecida por fazer as melhores festas.
Os primeiros a chegarem foram Kurt e Jane, logo após Rich e em seguida Reade e Tasha que precisaram resolver algumas coisas antes. O grupo bebia e sorria de forma animada, falavam alto e faziam piadas divertidas, tocava uma música pop, e as meninas estavam fazendo imitações das músicas.
— Tasha falou com a Lorna? Ela disse que vinha e até agora não chegou. — Questionou Patterson.
— Ela me mandou uma mensagem quando estávamos chegando aqui, disse que passaria em casa primeiro para se trocar. — A morena respondeu com o seu copo de caipirinha na mão. — Ah, e só uma coisa, quando a Lorna chegar evitem questionar o motivo do isolamento dela ou como ela está lhe dando com tudo, isso é pior.
— E você tem conversado com ela esses dias? Ela está tão estranha desde a prova dos vestidos. — Observou Jane.
— Nos falamos muito pouco por conta do trabalho, mas eu sei que ela não está bem, por mais que ela disfarce. — Tasha falou preocupada. — As vezes parece que a Lorna tá no mundo da lua, e depois ela volta como se nada tivesse acontecido, ela muda de humor rapidamente. Eu tenho muito medo que tudo isso que aconteceu lhe deixe instável.
As três continuaram a conversar enquanto observavam que Lorna tinha chegado, ela parecia um pouco abatida, seus olhos estavam um pouco inchados e com algumas olheiras, que mesmo por trás da maquiagem ainda eram perceptíveis.
Lorna cumprimentou os amigos que já estavam um pouco altos, logo ela ocupou um espaço na bancada enquanto conversava com as meninas.
— Lorna você você quer cerveja ou vodka? — Perguntou Jane que estava pegando algumas bebidas.
— O que você tem de mais forte?
— Se você se aventurar a roubar a mesa dos meninos vai conseguir uma dose de uísque. — Avisou Tasha. — Aproveita enquanto eles estão muito focados nas cartas.
— Obrigada pela dica! Vocês estão bem?
— Estamos! — Respondeu Patterson. — E você como tem passado com os últimos acontecimentos?
— Patt... — Repreendeu Tasha.
— Acho melhor eu pegar uma bebida. — Lorna tentou fugir das perguntas.
— Patterson eu avisei. Que parte do "não pergunte" você não entendeu? — Perguntou Tasha um pouco irritada.
— Saiu automático Tasha, sinto muito. — Tasha observou onde ela estava e foi até lá vê como ela estava.
Lorna estava na varanda do prédio, olhando as luzes no céu enquanto tomava um pouco do uísque que conseguiu pegar dos meninos.
— Sabe que eu estarei sempre aqui para o que você precisar não é? — Tasha falou lhe assustando. — Sempre estarei!
— Eu sou apaixonada pelas luzes à noite, queria vê-las do alto agora. — O comentário fez com que as duas trocassem um sorriso.
— Lori?
— Eu sei, sempre estará aqui. Eu estou bem Tasha, eu juro. — Ela tentou acreditar nisso.
— Conversa comigo, diz o que está acontecendo. Por favor! Eu tenho percebido que você está distante a todo momento, então me diz o que eu posso fazer.
— Não está acontecendo nada.
— E você por acaso iria me contar se estivesse acontecendo? — As duas ficaram um bom tempo em silêncio, apenas olhando para o céu. Foi quando Lorna enfim decidiu quebrar o silêncio.
— Acho que o Mattew tem algo a ver com a morte da Joe. — Disse ela sem muitas voltas.
— Lorna isso é muito sério, tem certeza?
— Eu fui pegar umas coisas e acabei vendo um armário com evidências da morte dela, tinha um celular e a última ligação foi dele. — Tasha ouviu aquilo chocada.
— Lori é uma afirmação muito séria, ele pode ser mais perigoso do que a gente acha.
— Eu não consegui fazer mais nada durante o dia, eu só conseguia pensar na Joe e em tudo o que ela sofreu.
— Eu posso imaginar, ficaria no mesmo estado se fosse você. — Disse Tasha ainda sem acreditar no que ouviu.
— Agora tenho mais certeza que precisamos colocar o meu plano em prática.
— Você não pode tá falando sério. — Disse Tasha incrédula. — Agora é que você precisa ficar o mais longe disso por favor, se ele fez aquilo com a Joe ele pode fazer isso com você, ou pior.
— Como eu posso deixar isso pra lá Natasha? Como? Será que ele não matou a Nas? Será que ele não está por trás disso tudo?
— Eu realmente não sei o que falar, mas esse seu plano de seduzi-lo pode não dá certo. Não faça nada sem que a gente tenha um plano, amanhã quando todos estiverem sóbrios vamos conversar sobre isso.
— Meu único medo é que ele faça algo com vocês, se algo acontecer com alguém que eu amo... — Ela tentava puxar o ar mas não conseguia estava tendo uma crise de pânico.
— Lori? Lorna? Respira fundo. — Tasha segurava as mãos dela. — Lori respira fundo, conta comigo até 10, eu estou aqui com você.
Tasha estava bastante preocupada, as suas suspeitas sobre o estado de Lorna estavam se tornando reais, após alguns exercícios para tentar acalma-la Lorna ainda respirava de forma ofegante mas já estava mais calma depois do que tinha ouvido da parceira.
Nem tudo era sobre Weitz, ela tinha vontade de contar toda as suas suspeitas, mas não sabia se Tasha acreditaria ou como ela reagiria, ela só tinha teorias, páginas de diários velhos e uma incomum mancha nas costas, talvez aquilo tudo não fosse nada.
Ao final da festa Tasha e Reade ofereceram carona para Lorna, que após muita insistência aceitou. A morena foi em silêncio o percurso todo, e quando precisava falar algo utilizava apenas palavras monossílabas.
— Você tem certeza de que vai ficar bem sozinha? — Perguntou Tasha quando estacionaram na frente do hotel.
— Eu vou sim.
— Lori, se você quiser pode passar a noite lá em casa. — Sugeriu Reade.
— Eu não quero! Vou ficar bem.
— Me ligue se precisar de algo, por favor, me ligue! — Lorna apenas acenou com a cabeça.
— Boa noite e obrigada por tudo. — Ela se despediu dos dois e logo cruzou o Hall de entrada do hotel.
A semana tinha sido bastante agitada para todos ali, e Reade decidiu levar Tasha para descansar no final de semana, na verdade era uma surpresa e ele já tinha planejado isso em segredo há algumas semanas. Bem cedo eles pegaram a estrada para um resort, o lugar era lindo, ficava dentro de uma reserva ambiental com árvores enormes, barulhos de animais e de uma cachoeira, era bem afastado da cidade da forma como Reade esperava já que os dois precisavam desse descanso.
— Reade que lugar é esse? — Perguntou Tasha admirada enquanto estacionavam.
— Consegui com a ajuda de Rich. É um lugar para descansarmos. — Reade estacionou o carro e abriu a porta para que ela saísse. — Futura senhora Reade? Bem-vinda!
— Eu estou encantada com esse lugar, você é o melhor namorado/marido/amante que eu poderia ter. — Tasha finalizou envolvendo os braços no pescoço dele e lhe dando um beijo lento.
— Espero que você aproveite bastante, foi preparado com muito carinho.
— Eu não tenho dúvidas, tudo o que você faz é perfeito meu amor, eu sou muito sortuda por ter você.
Os dois se registaram e logo um guia os levou até o chalé, que estava todo decorado com pétalas de rosas vermelhas e alguns incensos aromáticos. Era um lugar bem tranquilo e privativo, as janelas enormes de vidro iam do piso até o topo do ambiente, se podia observar bem a linda paisagem, o pôr do sol naquele lugar deveria ser encantador.
— Reade eu estou esquecendo alguma data importante? Se for me desculpa, toda essa correria do casamento...
— Ei,ei não é nada disso. — Ele a envolveu num abraço depositando um beijo nos seus lábios. — Vamos ter um jantar de ensaio, não é?
— Sim, teremos. — Respondeu Tasha sem desgrudar dele.
— Então vamos considerar isso tudo como um ensaio da nossa lua de mel.
— Muito espertinho Sr. Reade. — Tasha ficou na ponta dos pés para lhe dar um beijo. — Então vamos aproveitar! — Disse ela lhe puxando para mais perto.
Durante um banho no ofurô com direito a vinho e reafirmações dos sentimentos que tinham, os dois apreciavam a linda paisagem. Tasha estava encantada com a surpresa, era um lugar incrível, trazia uma sensação de paz e tranquilidade. Ela estava sentada de costas para Reade, que lhe fazia uma deliciosa massagem enquanto distribuía alguns beijos nos seus ombros.
— Reade? Aqui não tem sinal telefônico, foi proposital?
— Foi sim! — Ele sorriu aspirando o cheiro dos cabelos molhados dela. — Mas não se preocupe, se algo apocalíptico acontecer a Patterson tem o contato da recepção e alguém vem aqui nos avisar.
— Você pensou em tudo mesmo não foi?
— Só quero alguns dias longe de toda aquela loucura, nós dois merecemos. Tem um spa no hotel e podemos aproveitar a cachoeira mais tarde.
— Eu topo qualquer coisa com você! — Disse Tasha se virando para ele.
— Qualquer coisa? — Ele sorriu maliciosamente. — Eu vou cobrar Tash.
— Nem vai precisar.
Os dois passaram boa parte do dia aproveitando a companhia um do outro, tinham muitas coisas para fazerem naquele local, e o principal deles seria relaxar.
Bem no centro de NY existia alguém que não tinha conseguido pregar os olhos, Lorna olhava fixamente para o teto desde que chegou, na sua mente se passava as histórias e revelações do diário da Masha, as ligações do Weitz com a morte da Joe, ela só precisava de um bom plano para resolver tudo aquilo. Quase próximo as onze da manhã a morena jogou uma calça jeans e um moletom e foi até o escritório da corregedoria, ela precisava encontrar algo, estava obcecada por isso. Esse era o jeito Lorna de resolver as coisas.
Lorna passou pela portaria usando o seu crachá de identificação e acessou o vigésimo oitavo andar, ela não tinha certeza se os seus planos dariam certo, mas ela iria tentar. Logo encontrou um segurança que fazia a ronda do andar.
— Agente Prince como vai? No escritório em pleno sábado?
— Bom dia Javier, eu estou bem. Esqueci meu laptop e preciso muito dele. — Ela foi simpática.
— Claro, está com as suas chaves?
— Estou sim. — Ela balançou o chaveiro. — Já vou indo, tenha um ótimo dia.
— Igualmente agente Prince, se precisar de ajuda é só chamar. — Lorna apenas acenou com a cabeça.
Após pegar o seu laptop, Lorna verificou sua caixa de entrada para ver se tinha algo importante, em seguida saiu cuidadosamente da sua sala, sem ser vista pelo segurança a agente seguiu pelas escadas de emergência do prédio, de onde não podia ser vista pela falta dos equipamentos de segurança. Ela desceu as escadas até o vigésimo sexto andar, caminhou lentamente e com muito cuidado para não ser vista até a última sala do corredor, a porta estava trancada como ela já esperava, mas as suas técnicas de super espiã a fizeram entrar na sala do aspirante ao cargo da corregedoria Mattew Weitz.
— Vamos ver se você é bom no esconde-esconde Mattew. — Sussurrou ela. — Se eu precisasse esconder algo onde estaria? — Lorna se questionou de forma retórica.
Após vasculhar cuidadosamente algumas agendas e gavetas ela já se encontrava desanimada, até que achou pedaço de papel estava bem amassado no fundo da gaveta. Era um ticket de estacionamento, datado no dia em que Joe tinha ligado para ela. Era isso que Lorna procurava, precisava saber onde ele estava exatamente nesse dia, após tirar uma foto bilhete ela cuidadosamente tratou de deixar tudo no seu devido lugar graças a sua boa memória fotográfica.
Enquanto seguia para o endereço listado no comprovante quase apagado ela decidiu pedir ajuda. Ligou para Tasha várias vezes, mas o telefone caia diretamente da caixa postal, com Reade a mesma coisa, ela não quis insistir, decidiu ligar para Patterson, quem sabe teria mais sorte.
• Alô Patterson? Que bom falar com você. — Disse ela aliviada por ela ter atendido. — Me diz que você não está de ressaca e está no laboratório.
• Para sua sorte e para o meu azar eu estou presa num caso, o que houve?
• Pode rastear de onde veio uma ligação? Preciso saber urgentemente.
• Posso tentar, me fala a data e o horário. Está acontecendo alguma coisa Lorna? — Patterson já começava a se preocupar.
• Não, só quero ajustar algumas linhas de raciocínio num caso.
• E a sua equipe? Lorna o que você está aprontando? — Questionou Patterson preocupada.
• Deixa, foi um erro envolver você nisso. — Disse a morena bufando impaciente.
• Não me desculpa, eu só fico preocupada com você. Mas sei que você sabe onde está se metendo.
• Tudo bem, estou te enviando as informações.
• Já recebi. — Disse a loira conferindo seu e-mail. — Te ligo assim que tiver notícias. Se cuida!
• Pode deixar, e obrigada por isso.
Lorna seguiu para o endereço que estava no papel, enquanto isso torcia para que Patterson conseguisse as informações. O caminho ficava bem afastado da cidade, na área rural, o sinal telefônico era péssimo naquela região. Lorna tentou mais uma vez falar com Tasha, precisava da sua amiga pelo menos para que ela lhe desse uma luz. Ela saiu do carro com cuidado, sua arma estava escondida e ela caminhava com cautela pela propriedade.
— Está procurando algo senhorita? — Perguntou um homem que andava pela propriedade fazendo Lorna saltar para trás, o seu coração acelerou bastante devido ao nervosismo.
— Não, não. — Disse ela ainda trêmula estudando o local.
— Esse lugar é perigoso moça, a não ser que queira enterrar algo ou fazer algo sem ser visto.
— Certo, obrigada. — Lorna recuou. Decidiu voltar para o carro.
Ao se aproximar do carro seu celular conseguiu sinal telefônico suficiente para receber a ligação de Patterson. A morena atendeu já esperando a notícia.
• Lorna você ainda está no local que você falou mais cedo?
• Sim, estou. Você descobriu alguma coisa?
• A ligação da Joe veio deste local, Lorna no que você está se metendo?
• Mattew Weitz. — Sussurrou ela.
• Lorna eu estou indo até você! — Patterson percebeu que a situação era mais crítica do que ela imaginava, não iria deixar que Lorna fizesse algo que a colocasse em risco.
• Não, eu já estou voltando. — Disse ela. — Vai para o meu apartamento e eu te conto tudo, mas você tem que jurar que não vai falar com ninguém.
• Vem logo, eu estou começando a ficar preocupada. Se cuida!
Lorna desligou o telefone quando aquele homem misterioso apareceu novamente.
— A moça ainda está por aqui? — Disse o homem se aproximando do carro da agente.
— Viu esse homem há algumas semanas atrás nessa propriedade? — Ela mostrou a foto de Weitz pelo celular.
— Vi sim, ele estava com uma loira. Eles vieram algumas vezes por aqui, da última vez eles conversavam com uma mulher no carro chique, depois que a mulher foi embora eles discutiram bastante e eles seguiram para o mesmo carro.
— Era essa a mulher com quem ele discutiu? — Ela mostrou a foto de Joeline.
— Ela mesmo!
— Como era a mulher do outro carro, você conseguiu ver?
— Não muito bem, mas ela tinha um sotaque forte ela não era americana e usava um sobretudo vermelho.
— Conseguiu vê-la em algum momento? — Perguntou Lorna intrigada.
— Não moça, ela não descia do carro. Mas estava muito irritada com esse homem da foto.
— Tudo bem então, obrigada pela ajuda! — Lorna gaguejou e tropeçou antes de entrar no carro.
O caminho de volta foi uma montanha russa de emoções e desespero, ela só precisava encontrar provas suficientes para incriminá-lo e descobrir quem era a misteriosa no casaco vermelho com sotaque forte. Ela precisava se preparar para o que sua mente estava maquinando.
Após omitir algumas coisas para Patterson durante a conversa que tiveram a morena pediu ajuda para que a cientista mantivesse isso em segredo, eles tinham outras prioridades, a única parte que Patterson estava ciente era do envolvimento de Weitz nas mortes que eles investigavam.
Na segunda-feira Lorna foi trabalhar decidida a colocar o seu plano em prática, ela tinha um caso importantíssimo em mãos, o caso do chanceler não permitia erros. Weitz já tinha iniciado essa investigação alguns anos atrás, então muitas informações dele eram importantes para ela, assim que chegou ela foi até a sala dele pedir uma orientação, porém ele já estava de saída para uma reunião.
No final do dia ela recebeu uma mensagem para que fosse até a sala dele, os dois conversaram bastante sobre o caso, porém o comportamento de Lorna era totalmente diferente com ele, ela já sabia parcialmente da verdade e isso lhe deixava incomodada de mais.
Os dois estavam sentados no sofá, Weitz não tirava os olhos dela, da forma como ela se sentava, falava e gesticulava, um sorriso malicioso brotou em seus lábios.
— O que? Falei algo errado? — Perguntou ela vendo que ele largava a pasta do caso em algum lugar da mesa de centro.
— Não, você não falou nada de errado. Por que não falamos sobre Washington?
— Mattew, não! — Ela fez menção de se levantar, mas ele impediu.
— Lori, não somos crianças.
— Eu sei Mattew, mas...
— Mas? — Ele aproximou mais ainda dela.
— Não sei se conseguiria, eu tenho muita bagagem, muitos fantasmas e eu seria péssima para você.
— Calma, calma! — Ele segurou o rosto dela entre as mãos. — Eu quero você com todos os seus traumas e fantasmas. Eu simplesmente quero.
— Eu também quero!
Ele a puxou para um beijo calmo que logo ganhou mais intensidade, Lorna agora ocupava o colo dele que distribuía beijos por todo o seu rosto e pescoço.
— Mattew... — Ela sussurrou com a voz ofegante. — Vamos para outro lugar.
— Já não tem ninguém no prédio Lori.
— Por favor! — Insistiu ela
— Minha casa é bem próxima daqui. — Bingo! Era disso que ela precisava, um convite para entrar na casa do inimigo sem levantar suspeitas.
— Então vamos! — Disse ela saindo do colo dele e ajeitando suas roupas.
Os dois seguiram para a casa dele onde passaram a noite juntos, era algo insano, ela não sabia se o seu plano daria certo naquela noite, mas não podia desperdiçar essa oportunidade.
Enquanto ele dormia exausto na cama, Lorna silenciosamente espalhava algumas escutas pela casa, ela procurava algo que o revelasse a identidade da misteriosa mulher de casaco vermelho.
O que ela descobrisse de agora em diante iria realmente virar de ponta cabeça muitas coisas e com certeza mudar a vida de muita gente ao seu redor, caberia a ela agora rever suas prioridades.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top