Capítulo 34
Reade observava Tasha com um sorriso bobo no rosto, o que logo a morena percebeu.
— O que você está olhando? — Disse Tasha ao desviar o olhar do tablet para focar no sorriso de Reade.
— Estou feliz! — Ele depositou um beijo rápido nos lábios dela. — Jamais imaginei está dividindo a cama com a mulher que eu amo tanto, e agora estamos organizando o nosso casamento. Isso me deixa muito feliz. — Confessou Reade com a voz emocionada. — Até parece um sonho, daqueles em que você faz de tudo para não acordar.
— Eu me sinto muito sortuda por ter você comigo. Me sinto feliz porque o seu sorriso é a primeira coisa que vejo ao acordar e a última quando vou dormir. — Tasha falou com algumas lágrimas nos olhos. — Isso me motiva todos os dias, me faz querer ser uma pessoa melhor, me faz imaginar a nossa família daqui a alguns anos. Eu te amo Reade, obrigada por tudo!
— Ei, vem aqui! — Reade lhe abraçou forte sentindo o cheiro dos cabelos recém lavados de Tasha. — Eu também te amo, te amo Tash. A nossa família é e sempre vai ser a coisa mais preciosa que eu tenho, nossos filhos vão ser tão lindos. Eu vou estar sempre aqui com você meu amor.
Após trocarem um beijo demorado e cheio de carinhos os dois voltaram a atenção para algumas opções para o convite de casamento deles.
— Amor? — Reade lhe chamou. — Precisamos escolher se vamos optar pela praia ou pelo jardim para a nossa cerimônia.
— Eu ainda continuo com a opção do jardim, o casamento na praia seria lindo e poderíamos escolher os convites dentro da garrafa. Mas o jardim nos dá uma segurança maior, se chover podemos usar o espaço fechado e mesmo assim continuará lindo. — Explicou Tasha.
— Eu amei a opção do jardim, o altar vai ficar perfeito com essas flores e luzes. Sem dúvidas, será o jardim a melhor opção. — Disse Reade olhando pra as fotos e já imaginando o seu grande dia.
— Eu também gostei muito dessa opção Reade. Nem acredito que o nosso dia está chegando, me dá um frio na barriga de nervoso. — Tasha se permitiu sorrir.
— Não fica nervosa, o nosso grande dia será incrível! E você será a noiva mais linda do mundo. — Reade lhe roubou um beijo. — E, eu serei o cara sortudo no altar te esperando.
— A sortuda aqui sou eu, encontrei o cara mais incrível para me casar. — Ela falou com um sorriso bobo lhe beijando.
— Tash, pensei que na nossa lua de mel poderíamos ir para uma praia, pensei em Montauk, mas se você tiver outra opção.
— Montauk me parece ótimo, me surpreenda! — Brincou Tasha. — Vou deixar essa parte com você, além da escolha da sua roupa.
— Ui! Eu senti uma grande responsabilidade nesse "me surpreenda" que você usou. — Disse Reade com humor.
— E é! Mas tenho certeza de que você vai tirar de letra. Agora podemos dormir? Eu estou bem cansada. — Sugeriu Tasha.
— Vem! — Reade estendeu a mão para ela. — Vou te fazer relaxar. — Ele a segurou pela cintura lhe guiando até quarto enquanto trocavam alguns beijos.
Os dois tiverem um instante juntos naquela noite, enquanto o mundo lá fora vivia uma loucura, os dois tentavam se proteger na sua bolha. Ali Tasha encontrava felicidade, ali só tinha espaço para o amor, para a calmaria. Ali sim era o lugar seguro de Tasha.
Há alguns minutos da li, Lorna acabara de chegar no hotel onde passava as noites desde que se mudou para NY, ela já estava procurando um apartamento para morar, ultimamente esse desejo de um lugar maior estava crescendo, ela pensava em um lugar onde pudesse trazer a Emm, e que fosse acolhedor para ambas.
Após um banho, ela pediu uma salada para jantar, a morena tomou alguns comprimidos que ultimamente estava usando com mais frequência. Depois de se revirar na cama por algumas vezes ela estava quase pegando no sono, quando uma voz lhe fez despertar, mas não totalmente.
— Lori, você está usando de novo? — Ela perguntou com a voz irritada.
— O que você quer? Vai ficar aparecendo a toda hora?
— Eu só vim porque você me chamou. — Ela respondeu dando de ombros. — Por que os comprimidos?
— Nas você é maluca. Isso é muito surreal! — Lorna falou afastando os lençóis.
— Você fala com gente morta e eu que sou a maluca?
— Vai embora daqui! — Lorna bufou com o travesseiro no rosto.
— Estou preocupada com essas pílulas. O que elas fazem além de te deixar chapada? É a mesma que você usou no passado? — Mas Lorna ignorou totalmente as perguntas.
— Se eu estou usando isso novamente é por sua culpa. Se tivesse me ouvido isso não teria acontecido. Você não estaria morta, estaríamos bem.
— Precisa parar com essas pílulas, vai se viciar novamente. E quem vai cuidar de você? Quer ser internada novamente?
— São remédios que me ajudam a dormir.
— Não, isso são drogas que te fazem alucinar. Você não está pensando direito, desde o píer que você voltou a usá-las.
— Eu só estou cansada, não aguento mais essa vida. Nas eu preciso parar com isso, preciso me libertar de todos vocês.
— Você nem deveria ter começado em Zurique, não deve nada a ela e nem a ninguém.
— Nas, onde está o chip? — Lorna perguntou de forma cansada. — Eu não sei por onde procurar.
— Então procure pelo início de tudo Lori. Onde tudo começou.
— Zurique não foi onde tudo começou, mas graças a você e o Keaton eu estou nessa loucura toda. — Lorna suspirou triste. — Eu estou ficando louca Nas?
— Eu não sei, mas é estranho ver e falar com alguém que já se foi não acha? — Lorna apenas acenou com a cabeça positivamente.
— Ainda acha que sou os dois lados da mesma moeda? Alguma coisa que tivemos foi real? — Questionou a morena.
— Nunca mais me pergunte isso, tudo foi real. Ainda é! — Ela sorriu de forma doce. — Lori, não pode confiar neles.
— Por que você não para com esses enigmas e me fala tudo de uma vez? Em quem eu não posso confiar? Weitz? Natasha? No Edie? Em quem? Por que você não fala? — Lorna alterou o tom de voz.
— Qual seria a graça disso tudo se eu te falar? — Ela gargalhou. — Precisa parar com isso, se o Reade descobrir desses comprimidos ele vai te trancar no hospital e tirar a Emm de você, nunca mais você vai ver a sua filha.
— Espera aí, você não sabe que o Reade é o pai da Emm. Do que você está falando?
— Ele vai levar a Emm para bem longe, um lugar que você nunca mais vai poder encontrá-la.
— Cala a boca Nas! — Pediu Lorna já ficando irritada. — Você é só a minha mente brincando comigo.
— Ele vai tirá-la de você! — A voz insistiu um pouco mais alto.
— Cala a boca! Eu não aguento mais, EU NÃO AGUENTO! — Lorna gritou em surto. — Eu quero que você me deixe em paz, EU QUERO QUE VOCÊ SUMA. VAI EMBORA NAS! — Lorna atirou um vaso contra a porta, mas não tinha mais ninguém ali. Ou melhor, nunca teve.
A mulher ficou um instante congelada, olhando fixamente para a porta tentando entender tudo o que aconteceu, os estilhaços de vidros espalhados no chão, as mãos trêmulas, a respiração acelerada. No que ela estava se transformando? Seria aquela a verdadeira versão da Alysson Hall?
Aquela versão dela lhe assustava de maneira absurda, ela já tinha passado por algo semelhante no passado quando a sua mãe morreu, mas dessa vez era muito pior, ela estava em sérios problemas.
Lorna deu salto para trás quando ouviu o interfone do quarto tocar.
• Senhorita Prince, está tudo bem? — Era alguém da recepção do hotel.
• Sim, está tudo bem! — Ela tentou disfarçar a sua voz.
• Notificaram alguns gritos e um barulho de algo se quebrando no seu apartamento.
• Não se preocupem, eu acordei no meio da noite e como estava escuro acabei tropeçando no móvel e derrubei um vaso. Mas eu estou bem! — Lorna tentou convencê-lo.
• Tudo bem, desculpe pelo mal-entendido.
• Sem problemas, acontece. — Disse Lorna encerrando a ligação.
Após lavar o rosto com água gelada, Lorna se deitou na cama tentando dormir, aquele pesadelo, mesmo acordada bagunçou toda a sua mente. Ela se sentia assustada, tinha medo de que, se alguém tivesse conhecimento disso, seria o seu fim.
E se Nas estivesse certa? Se Reade descobrisse, será que ele teria coragem de levar a Emm?
Algumas semanas tinham se passado desde o último surto da Lorna, os pesadelos não tinham diminuídos, muito pelo contrário. Porém os seus problemas estavam bem longe de acabar, para ser mais sincera estava no começo, e teria um longo e amargo caminho pela frente.
Lorna estava na sua sala, analisando os novos relatórios que Lesley havia lhe envidado, ultimamente a jovem era a única pessoa com quem Lorna conversava na corregedoria.
Weitz tinha chegado mais cedo no escritório e resolveu passar na sala da colega para pontuar algumas coisas.
— Lorna, bom dia! — Disse ele após abrir a porta.
— Vai depender muito do que você vai me falar agora. — Lorna falou em tom seco.
— Eu preciso de um posicionamento seu, você diz que não temos provas para incriminar a agente Zapata, mas não vejo você procurando nada. Apenas está adiando e adiando.
— Weitz, não temos nada que ligue o crime a ela. Ou a alguém. — Rebateu ela sentada lhe encarando.
— Se você não quer trabalhar no caso peça sua exoneração, dê a vaga a outra pessoa. Mas esse tipo de comportamento eu não posso mais tolerar.
— Só me dê mais um tempo. — Pediu ela.
— Washington está me cobrando o fim disso.
— Só mais um tempo por favor, eu vou achar o culpado.
— Você já tem o culpado, só precisa prendê-la . — Disse Weitz saindo da sala.
Eles estavam encurralados, não tinham novas pistas e nem tempo para procurá-las. Seria esse o fim? Weitz realmente estava dizendo isso em nome da justiça ou em seu benefício próprio?
Não demoraria muito tempo para que ele colocasse as garras de fora, essa era a grande chance para dar mais um passo em direção ao seu cargo no governo.
A morena tinha sido chamada por Lesley, logo Lorna chegou ao laboratório, pelo menos ali ela tinha paz e sossego.
— Agente Prince, que bom revê-la! Parece tensa. — Observou Lesley ao lhe ver.
— É um prazer te ver também, como vai indo? Já pegou o ritmo de NY? — Lorna perguntou de maneira amigável.
— Estou me adaptando, mas gostei da cidade.
— Lesley podemos conversar? — Ela sinalizou um local mais reservado no laboratório.
— Claro! — A garota lhe acompanhou.
— Lesley no relatório parcial que você me mandou, o assassino teria que ter quase o dobro do peso da Nas e deveria ser mais alto, por que você constatou isso?
— Seria impossível que alguém do mesmo peso e tamanho conseguisse dominá-la, a agente Kamal era experta e sabia lutar bem. Impossível que alguém no mesmo padrão que ela conseguisse derrubá-la.
— Talvez um homem tenha feito isso? — Sugeriu Lorna após ouvir a explicação da perita.
— Com toda certeza um homem, que principalmente conhecia a rotina dela. — Afirmou ela.
— Lesley, você citou que a única prova que temos é o sangue e que isso pode ser refutável, o que te leva a acreditar nisso?
— O sangue pode ter sido manipulado. — A garota iniciou. — Digamos que a suspeita realmente tenha cometido o crime, se ela foi cuidadosa o suficiente para guardar o corpo por um ano e só depois entregá-lo como um prêmio, por qual motivo ela deixaria a única coisa que liga ela ao crime tão exposto? É muito simples para ser verdadeiro. — Explicou ela.
— Como eu derrubaria esse ponto se fosse uma advogada de defesa? — Lesley lhe olhou sem entender se a sua chefe realmente tinha perguntado isso.
— Essas informações se for a júri popular já os colocariam em dúvida. — Afirmou a garota.
— Obrigada Lesley, era tudo o que eu realmente precisava. — Disse Lorna agradecendo após pausar de forma discreta o seu mine gravador portátil.
Ela agora tinha uma carta na manga sabia como e quando usá-la, só precisariam de um bom advogado. Ao voltar para sua sala se deparou com Joeline à sua espera.
— Joe, no que posso te ajudar? — A morena perguntou assim que passou por ela no corredor.
— Você confia em mim Lori? — A mulher questionou de forma séria.
— Você ainda não me deu motivos para não confiar Joe, o que está acontecendo? — Lorna agora tinha ficado preocupada. — É algo sobre a investigação?
— O Weitz, eu o ouvi ao telefone, ele falava sobre uma promoção. Parece que você será mandada para chefiar a divisão antiterrorismo.
— Não é uma promoção Joe! Ele quer me tirar do caso Nas, acho que estou perto algo grande.
— Só fica de olho nele Lorna, não sabemos com quem estamos trabalhando. — Pediu Joeline.
— Não se preocupe, eu vou me cuidar! Obrigada por dividir isso comigo. — Lorna se despediu da mulher, vendo-a sair da sua sala. — Conquistar para dominar, é isso o que vou fazer. — Falou Lorna para si mesma.
Ela agora só estava esperando o comunicado oficial da sua mudança, até lá ela contaria com a ajuda de Patterson e do restante do time para ajudarem a Tasha.
O comportamento de Weitz tinha mudado bastante no último mês, ou melhor desde que Lorna foi transferida para a divisão antiterrorismo, que ficava um andar acima do seu antigo emprego. Ela ainda não sabia o motivo, mas ele estava calado de mais, com certeza estava planejando algo. E isso lhe deixa em alerta para qualquer movimentação suspeita.
Joeline estava se mostrando uma grande aliada, qualquer informação nova sobre o caso Nas ela fazia questão de repassar, Lorna desconfiava que talvez ela estivesse fazendo o trabalho de uma agente dupla, por isso ela checava tudo antes de repassar para o time.
Em relação ao time do FBI a cada dia eles estavam mais cautelosos, Weitz tinha fonte em todos os lugares, e talvez ouvidos. O time decidiu que agora todos os encontros seriam na casa de Patterson que ficava do outro lado da cidade. Essa noite eles se reuniram depois de algumas semanas sem se verem.
— Até que fim você chegou! — Disse Rich ao ver Lorna passar porta.
— Duas baldeações com o metrô e dois táxis para não ser pega, acha que é rápido? — Rebateu ela com humor. — Como vocês estão?
— Bem! — Respondeu Reade. — E você? Como vai no novo emprego?
— Torcendo para que ninguém plante uma bomba lá. Mas o trabalho é mais tranquilo do que a divisão de homicídios. — Explicou ela. — Algum avanço nas informações da Lesley?
— Os arquivos dela são muito bons, será uma ótima base para o nosso caso. — Explicou Patterson. — Confia bem nela?
— Eu confio, mas não totalmente, não sei até que ponto ela vai ser útil para a nossa investigação, mas isso já é o suficiente. — Respondeu Lorna.
— E a Joeline ainda é um problema ou é uma aliada? — Reade se aproximou das duas que estavam na bancada.
— Com certeza um cavalo de Tróia, não confio nela. Algo não se encaixa, de uma hora para outra ela está nos ajudando, posso estar errada, mas tem algo por trás disso tudo. — Disse Lorna expondo seus pensamentos.
— Não sabemos como ou quem o Weitz vai atacar. — Pontuou Kurt que estava junto a Jane verificando uma pilha de documentos.
— O Kurt tem razão, Lorna você não pode se arriscar dessa forma. — Pediu Jane.
— Jane eu sei, mas também não podemos ficar de braços cruzados esperando que ele faça algo ou o seu irmão nos atacar. Eu tenho um plano em mente. — Disse Lorna.
— Isso realmente me assusta! Lori você está sozinha lá com o Weitz, até a gente descobrir algo você pode se prejudicar. — Avisou Reade preocupado com ela. — Esquece esse seu plano, seja lá o que ele for, vamos tentar derrubá-lo com a justiça.
— Não sei se vou aguentar ficar na arquibancada esse tempo todo enquanto é o Weitz quem dita as regras do jogo. — Rebateu ela.
— Ok! A Patterson vai focar nesses documentos e você relaxa. — Disse Tasha lhe passando uma cerveja, a morena estava o tempo todo no computador tentando rastrear algo.
— Como você está? — Lorna perguntou a Tasha enquanto as duas bebiam a cerveja.
— Na medida do possível. Estamos pisando em ovos, torcendo para que nada de ruim aconteça.
— Não vai Tasha! Vamos conseguir provar a sua inocência até lá.
— Eu não tenho medo por mim, tenho medo por vocês. Não sabemos o que o Weitz está aprontando Lori, precisávamos está um passo à frente disso tudo.
— Tasha foque no seu casamento, seu grande dia está chegando! Deixe o restante conosco.
— Por falar em grande dia — Tasha deu um gole na sua cerveja. — Patterson, Jane venham aqui. Tenho um convite para as três.
— Aí, pode falar! Estamos todas aqui. — Disse Patterson assim que Jane se juntou a elas.
— Então, como vocês já sabem eu e o Reade vamos nos casar em breve. E... — Ela fez uma pausa sorrindo.
— E o que Tasha? — Perguntou Jane curiosa.
— Eu queria que as três fossem madrinhas do meu casamento. Passamos tantos momentos juntas e acho que esse seria um momento especial, eu quero muito as três comigo. — Disse Tasha. — Vocês aceitam? Digam alguma coisa!
As três estavam emocionadas e felizes por poder compartilhar esse momento incrível com Tasha, participar das felicidades desses dois que já passaram por muitas coisas para ficarem juntos.
— Sim, é claro que aceitamos! — Disse Patterson.
— Sem sombras de dúvidas, é claro que aceitamos! — Falou Jane sorrindo em felicidade.
— Lorna? Fala alguma coisa. — Pediu Tasha ao vê-la com um sorriso emocionado.
— Eu nem sei o que dizer, sim! Sim! É claro que sim! — Disse ela abraçando Tasha. — Será um prazer participar desse dia com vocês. E as madrinhas irão preparar uma incrível despedida de solteiro.
— Ah não! Não precisam! — Disse Tasha.
— Como não? — Questionou Patterson. — Onde já se viu um casamento sem a despedida de solteiro?
— Se prepare, nós três vamos organizar a melhor despedida de solteiro! — Garantiu Jane. — Eu nunca participei de uma antes, mas vou me esforçar para a da Tasha ser uma incrível festa!
— Como não Jane? Como você nunca participou de uma despedida de solteiro? — Questionou Lorna. — Nós presenteamos a noiva com lingeries pra lá de safadas e bebemos muito. — O comentário dela fez Tasha ficar corada e provocou várias gargalhadas nas outras.
Os meninos ouviam toda a animada conversa das meninas no balcão e se divertiam com isso, Rich já estava preparando uma surpresa para a despedida de Reade, com certeza iria ficar para a história.
O time estava bem focado em encontrar as novas pistas, recentemente Lorna fez uma grande descoberta sobre o paradeiro de Roman, e ela estava confiante com isso. Encontrá-lo acabaria com toda aquela confusão, ela não via a hora disso tudo acontecer.
Era uma tarde de sábado, Reade precisou viajar na sexta feira para Washington, tinha algumas pendências para resolver, sozinha Tasha decidiu convidar as amigas para beberem um pouco, uma tarde das garotas.
Patterson como sempre era a mais animada de todas, chegou primeiro na casa de Tasha, logo em seguida chegaram Jane e Lorna, as duas tinham se encontrado no hall de entrada do prédio.
— Eu trouxe uma garrafa dessa bebida, se chama Sangue de Puta e eu espero que seja muito bom. — Disse Lorna colocando a garrafa sobre a mesa de centro.
— Que nome horrível! — Disse Tasha gargalhando. — Vamos descobrir se é realmente boa. — Ela se serviu um pouco, passando a garrafa para Jane.
— É bastante doce, isso vai pegar muito rápido. — Falou a tatuada. — Patterson evita isso aqui! Você não é você quando está bêbada. — Brincou provocando a loira.
— Lorna você é oficialmente a melhor pessoa para comprar bebidas, vamos sair muito juntas. — Afirmou Patterson enquanto provava o tal sangue de puta.
— Está falando com a pessoa que aos 16 anos falsificou uma identidade para beber com as amigas. — Comentou Lorna se servindo de mais uma cerveja.
— Você deveria ser horrível nessa época, o que mais Lorna Prince fazia na adolescência? — Perguntou Jane com humor.
— Amava coisas proibidas, sempre é mais divertido. — Ela deu um sorriso safado. — Lembro que uma vez eu saí escondida no meio da noite só para ficar com uma colega de turma.
— Lorna e os seus fetiches! — Brincou Tasha. — Já tem algum na corregedoria? — Elas já estavam ficando altas, a bebida estava fazendo efeito.
— Transar com alguém na minha sala está no topo da minha lista suja. E os seus Natasha? O que tem na sua listinha. — Lorna provocou.
— Creio que já realizei 60% dela, o restante está guardado para minha lua de mel. — Ela mordeu o lábio inferior ouvindo um "safada" em coro das meninas.
As quatro já estavam há quase duas horas bebendo e contando histórias do passado, pelo menos as que Lorna podia contar. Estava sendo bem divertido esse momento entre elas, Tasha e Lorna sempre faziam brincadeiras com algum comentário apimentado, as duas tinham muito disso incomum.
Já estava escurecendo quando Jane decidiu ir para casa, pediu a Kurt para buscá-la.
— Espero que o agente Weller esteja bem para a sua listinha hoje. — Brincou Lorna ao se despedir de Jane.
— Pronto ele sempre estar! — Ela entrou na brincadeira.
— Essa tarde foi muito boa, precisamos repetir mais vezes. — Falou Tasha ao se despediu da tatuada.
Patterson foi a primeira a dormir devido a quantidade de álcool ingerida, com a ajuda de Lorna, Tasha acomodou a loira na cama. Logo as duas voltaram para sala.
Após conversar um pouco com Reade ao telefone e saber como ele estava em Washington, a morena se juntou com a amiga para mais uma rodada.
— No que você está pensando? — Perguntou Tasha ao vê-la pensativa olhando para o nada.
— Você já teve a sensação de estar fazendo a coisa toda do jeito errado? — Perguntou Lorna.
— Vai precisar ser mais clara que isso! Se você não percebeu eu não estou mais sóbria.
— E se as nossas táticas de abordagem estiverem erradas, sabe aquela história do: " se não pode com ele, então junte-se a ele" e se for disso que a gente precisa?
— Cuidado nos seus pensamentos, daqui a pouco você vai querer dormir com o inimigo.
— Sabe que não é uma má ideia? Você é um gênio Natasha! Um gênio!
— Lorna você está se ouvindo? Você só pode ser maluca! — Tasha bufou jogada no sofá.
— Eu tive uma ideia e você vai me ajudar Tasha. — Lorna sorriu malicioso. — Isso sim vai te impedir de ser presa
— Na situação em que eu estou nem posso recusar muita coisa.
— Hmm... bom saber disso. — Lorna falou com um sorriso de lado. — Vamos ver do que você é capaz!
— Não é isso o que você está pensando. — Tasha bufou ao ver a cara da Lorna. — Como você é horrível Lorna!
— Eu não tinha pensado nisso, juro! Mas por sorte você não faz o meu tipo. — Afirmou ela rindo da cara de indignação de Tasha.
— Não sei se fico feliz ou ofendida por isso. — Gargalhou Tasha.
— Presta atenção, e se o Weitz começar a acreditar que eu estou realmente com ele? Que eu o apoiaria em tudo? Seria mais fácil para a gente, estaríamos um passo à frente dele.
— Aí Lorna, não estou gostando disso! — Confessou Tasha. — Parece arriscado, se ele descobre pode ser bem pior.
— Ou ele pode não descobrir nada e dar tudo certo.
— Não sei, vamos pensar nisso amanhã, dê preferência quando estivermos sóbrias.
As duas concordaram, e após mais algumas latas de cervejas elas já estavam prontas para dormirem, quando Lorna recebeu uma mensagem na secretária eletrônica.
— Que estranho! — Falou Lorna. — Em nenhum momento meu celular estava desligado, mas eu tenho uma mensagem na secretaria eletrônica.
— Talvez a gente não tenha ouvido devido ao barulho que estávamos fazendo.
— Deixa eu ouvir! — Lorna foi para a varanda. Sua expressão ficou bem preocupada.
— Lori? Aconteceu algo? Que cara é essa? — Tasha ficou espantada ao ver a reação da morena.
— A Joe me mandou uma mensagem pedindo para que eu tivesse cuidado com o Weitz, e que não confiasse nele. — Disse ela. — O estranho é que não consigo mais falar com ela, as chamadas estão caindo direto na secretária.
— Devo me preocupar com isso? Tem alguma coisa acontecendo na corregedoria?
— Algumas semanas atrás a Joe me procurou, disse que o Weitz tinha pedido minha transferência para a divisão antiterrorismo, pediu que eu ficasse com os olhos bem abertos, depois ela me convidou para sair, o que eu achei bem estranho. — Confessou ela.
— Acha que a Joe está trabalhando para o Weitz? — Questionou Tasha.
— Não sei Tasha, mas não confio nela.
— Lori vamos dormir, acho que já deu por hoje. — Tasha recolhia algumas garrafas da bancada.
— Tem razão, eu vou tomar um banho para dormir. Precisa de ajuda na cozinha?
— Está tudo sob controle. Pode ir! Eu também vou me deitar.
Após uma noite de sono, diga-se de passagem tranquila, Lorna foi a primeira a acordar, sua cabeça doía bastante. Ela pensou em tomar um de seus comprimidos, mas teve medo por estar na casa da Tasha, decidiu preparar um café, a mensagem da Joeline lhe deixou bem temerosa. Algo de ruim estava prestes a acontecer.
— Bom dia! Você dormiu ou passou a noite vagando pela casa? — Perguntou Tasha com humor.
— Acordei com uma péssima dor de cabeça. Espero que não se importe, invadi a sua cozinha para fazer um café. — Falou Lorna. — Aproveita que é só hoje. — Disse ela entregando uma xícara de café.
— Está ótimo, era uma das coisas que eu mais queria! Quando a Patterson acordar pensei em irmos até a loja de noivas, vocês precisam tirar as medidas dos vestidos.
— Já escolheu o seu? — Lorna se juntou a ela na bancada.
— Sim, mas vai ser surpresa! Vocês só vão me ver no dia.
— Ah, não vale!
— Dá azar ver a noiva vestida!
— Tasha essa regra só se aplica para o noivo. — Lorna protestou.
— Então, eu criei essa regra agora. Olha a bela adormecida acordou. — Tasha falou ao ver Patterson saindo do quarto.
— Por que vocês duas estão gritando tanto? Minha cabeça vai explodir! — Ela se deitou no sofá.
— Eu te falei para pegar leve com a bebida. Você não escutou! — Disse Lorna.
— Faz tempo que vocês estão acordadas? Porque eu tenho a impressão de que não dormi nada!
— Toma uma aspirina, vai te fazer bem. — Tasha lhe passou um copo com água e um comprimido. — Lori, seu celular está tocando, ou melhor, está vibrando. Hmm... quem é Phill? — Ela perguntou passando o celular.
— É o chefe do laboratório. Deixa-me atender. — A morena foi até um dos quartos.
Tasha preparou alguns sanduíches para comerem, após alguns minutos Lorna voltou com uma cara nada boa, ela parecia ter chorado.
— O que houve? Que cara é essa de choro?
— A Joe. — Lorna fechou os olhos tentando assimilar tudo. — Encontraram ela morta no apartamento dela, sem a língua. Tasha, a Joe foi morta por minha culpa.
— Ei, calma! Você não tem nada a ver com isso. — Patterson interveio. — Você não sabia, não poderia evitar nada.
— Ah Lorna, eu sinto muito. — Disse Tasha lhe consolando. — Você não teve culpa.
— Se eu tivesse visto a ligação dela, se eu pudesse evitar isso?
— Pode parar com isso! — Pediu Tasha. — Chega de se culpar pelo que os outros fazem.
— Eu preciso ir, o Phill está vai me buscar no hotel em alguns minutos. — Disse ela pegando suas coisas.
— Lorna, qualquer novidade me avisa. — Pediu Tasha.
Uma hora depois Lorna estava na corregedoria, era um entra e sai de pessoas naquele andar, ela não sabia mais para onde iria. Sua mente parecia estar em outra dimensão, ela tentava conter as lágrimas de desespero. Aquilo ali parecia um apocalipse. Suas pernas não lhe davam equilíbrio suficiente para andar, ela se via parada no meio de um corredor. Logo Weitz lhe surpreendeu, aparecendo de repente.
— Prince? Já está sabendo não é?
— Sim! — Ela respondeu com dificuldades. — Não consigo acreditar.
— Eu ainda estou em choque com tudo o que aconteceu. Eu não esperava que algo assim aconteceria com a agente Campbell.
— Weitz, precisamos achar quem fez isso com ela.
— Nós vamos Lori! — Eles se olharam profundamente. — O enterro será em Washington, eu vou passar em casa e fazer uma pequena mala...
— Eu vou com você! — Lorna disse sem pensar.
— Tem certeza de que está bem para ir?
— Sim, eu vou com você.
— Eu vou avisar que vamos juntos. Vai para o seu hotel e prepara uma mala pequena, eu vou te buscar em algumas horas. Até lá não fale sobre o caso com ninguém.
Lorna seguiu até o seu apartamento, preparou uma mala com algumas roupas, e aguardava Weitz quando decidiu ligar para Tasha de um outro celular, sabia que poderia estar sendo vigiada.
• Tash? Sou eu, a Lori. — Ela falou assim que a morena atendeu.
• Onde você estar? Por que está me ligando de um número estranho?
• Estou indo para Washington com o Weitz, a família da Joe é de lá, vamos para o velório.
• Que loucura é essa de ir com ele Lorna? O que você pretende? O seu plano, não é? — Tasha perguntou preocupada. — Prometemos fazer isso juntas.
• Não vai dar para esperar, eu vou me cuidar! Até logo!
• Até! — Tasha se despediu dela.
Após chegarem a Washington, os dois foram direto para o local do enterro. A família estava tão abalada com uma morte tão prematura da mulher que era considerada como uma das grandes agentes, aquele lugar trouxe para Lorna grandes e dolorosas lembranças.
Aquilo estava deixando Lorna mal, lhe fez lembrar de Nas, da sua despedida, ela estava visivelmente abalada.
Após saírem do cemitério, Weitz e Lorna se dirigiram de táxi para o hotel onde tinham se hospedado.
— Você está bem? — Perguntou Weitz ao saírem do elevador. — Ficou calada o voo e o velório inteiro. O que houve?
— Estou tentando assimilar essas últimas 24horas Mattew, a pessoa que fez isso tá querendo mandar um alerta, e se não foi o Roman tem mais uma preocupação à solta. Primeiro foi a Nas, a Spencer e agora a Joe. Quem vem agora?
— Ei, calma, vem aqui! — Weitz lhe puxou para um abraço seu rosto estava mergulhado nos cabelos dela. Se tornou confortável para Lorna está ali, ou seria esse o seu plano, e ela estava sendo colocado em prática? — Eu estou aqui para você.
Os dois se afastaram lentamente, e Lorna não cortou o contato visual com Weitz em nenhum segundo. Logo uma das mãos dele seguraram a sua cintura lhe guiando até encostar o corpo dela contra a parede, a sua outra mão retirava uma mecha de cabelo que ficou no rosto dela, eles tinham um olhar profundo.
— Mattew... — Lorna sussurrou enquanto suas mãos se posicionavam atrás do pescoço dele, aproximando ainda mais o seu corpo ao dele.
Weitz decidiu que era hora de dar mais um passo, mas ainda tinha dúvidas se o terreno era totalmente confiável, mas decidiu insistir.
— Lori... — Ele sussurrou com a boca próximo ao seu pescoço.
Lorna se arrepiou ao sentir o hálito quente dele no seu pescoço, a mão dele apertava mais a sua cintura a medida em que os beijos dele fizeram caminho até a boca de Lorna, a respiração dela estava descompassada, a boca dele ganhou um espaço entre os lábios dela, as línguas brigavam por mais e mais espaço.
Após perderem o fôlego em um beijo quente e cheio de desejo, os dois se afastaram um pouco para recuperar o ar.
— Mattew o que estamos fazendo? — Perguntou Lorna ainda ofegante.
— O que eu queria desde o dia em que eu te vi pela primeira vez. Lori, eu não sei se é o momento certo, mas...
— Preciso realmente pensar. Só me dê um tempo, sim?
Ele concordou com o pedido dela, Lorna se despediu com um selinho rápido e logo se dirigiu para o seu quarto com um sorriso no rosto.
— Aí aí, Mattew Weitz, dizem que a pior queda de um homem é quando ele se apaixona, e sua queda será enorme. — Ela sorriu ao lembrar da sua encenação no corredor.
Após aquela noite as coisas iriam ganhar um novo rumo, um novo planejamento.
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