Capítulo 15
Duas semanas já haviam se passado desde o episódio na casa de Patterson, Lorna preferiu ficar num hotel durante a sua recuperação, seria bem melhor e ela precisava de um tempo para assimilar tudo o que estava acontecendo.
Ela não fez contato com ninguém esses dias, apenas deixou uma mensagem informando que estava tudo bem e que ela precisava descansar.
No escritório do FBI em NY o trabalho fluía de maneira mais normal possível, casos de campo e as investigações sobre a Nas permaneciam no mesmo ritmo.
- Meninas alguma notícia da Lorna? — Questionou Jane assim que se juntou a Tasha e a Patterson no laboratório.
- Nenhuma. Mas ela permanece trancada no hotel, desde o dia que saiu da casa da Patterson. Não abriu a janela nem sequer para tomar um sol. — Respondeu Tasha apontando para o tablet.
- Esse programa que o Rich desenvolveu é incrível. — Confessou Patterson. — Que ele não me escute, iria passar o dia todo se gabando por isso.
- Além de espionar o que mais ele faz? —Perguntou Jane.
- Nada de mais, acho isso o suficiente! — Falou Tasha.
As três continuaram conversando sobre outros assuntos quando Rich entrou no laboratório igual a um furacão.
- O que aconteceu Rich? Que cara de assustado é essa? — Quis saber Patterson.
- Patterson, a Lorna saiu do hotel recentemente? — Ele perguntou.
- Não! Por quê? Aconteceu alguma coisa. — Tasha lhe perguntou.
- Reade está vindo. — Ele falou ao vê-lo se aproximando com Kurt. — Ele disse que queria conversar com todos. Chefe alguma novidade?
- Sim, e não é das melhores. — Reade já adiantou.
- Fala Reade o que houve? Aconteceu algo com a Lorna? — Perguntou Tasha.
- O corpo da Spencer e da mãe dela foram encontrados essa madrugada próximo a cabana onde elas estavam. — Falou Reade preocupado.
- O que? — As meninas perguntaram juntas.
- É isso mesmo que vocês ouviram. — Respondeu Reade. — A polícia entrou em contato com a nossa divisão hoje cedo, os corpos foram encontrados próximo a cabana, estão fazendo a perícia para descobrir se foi algo recente e a causa da morte.
- Reade como a Lorna reagiu? — Perguntou Jane.
- Ela ainda não sabe, pedi para uma equipe buscá-la, e não sei como dá essa notícia a ela.
- Já temos suspeitos? — Questionou Patterson.
- Não vamos tirar conclusões precipitadas, vamos conversar com a Lorna primeiro, uma coisa de cada vez. — Respondeu Reade. — Patterson preciso da sua ajuda, será que você pode conversar com a Lorna junto comigo? Vai ser um momento difícil pra ela.
- Eu estou muito atolada de informações no laboratório Reade, e gostaria de ficar na perícia. — Pediu ela.
- Um outro analista poderia fazer isso no seu lugar, por favor, preciso de ajuda! — Ele insistiu.
- Eu posso ir Reade. — Sussurrou Tasha.
- Não precisa fazer isso Tash, eu entendo o que aconteceu e você não precisa fazer isso. — Reade não esperava essa atitude dela.
- É o meu trabalho Reade, eu sei separar as coisas.
- Tudo bem. — Reade sustentou o olhar para Tasha por alguns instantes que também decidiu manter o seu olhar focado no dele. — Jane e Kurt, vocês vão ficar com a Patterson, e se surgir alguma pista sintam-se à vontade para investigar. — Ele falou desviando o olhar para os demais.
- Certo! — Kurt respondeu.
- A Lorna chegou, já está na sala de conferências. — Reade falou assim que recebeu o alerta pelo celular. — Tasha vamos? E qualquer novidade nos atualizem por favor.
Os dois saíram do laboratório em direção a sala, e não ousaram a dizer nenhuma palavra sobre eles, até Tasha decidir quebrar o gelo.
- Já sabe como vai dar essa notícia para ela? — Perguntou Tasha.
- Acho que não tem uma melhor forma para contar isso. — Reade nem sabia o que responder.
- Ela vai ficar bem, eu torço por isso. — Respondeu Tasha sinceramente. — Ela já passou por muitas coisas, mas ela consegue superar mais essa.
- E nós dois vamos ficar bem em algum momento? — Ele aproveitou o momento a sós com ela.
- Reade, podemos não fazer isso agora? — Pediu ela. — Vamos ter que conversar em algum momento, mas eu ainda não me sinto pronta para isso.
Ele consentiu, mesmo não sendo a resposta que ele gostaria de ouvir, não estava no direito de exigir tanto dela, e sabia que isso levaria um tempo.
Ao chegarem na sala de conferências encontraram Lorna à espera deles.
- Que caras de preocupados são essas de vocês dois? Parecem que viram um fantasma! — Lorna falou assim que eles entraram na sala. — Aconteceu alguma coisa?
- Lorna você me parece bem melhor. — Falou Reade a cumprimentando. — Temos algumas notícias e não são muito boas, infelizmente.
- O que houve? Alguma notícia da Nas? Reade fala logo, você mandou uma comitiva me buscar bem cedo, então algo muito sério aconteceu.
- Lorna é sobre a Spencer. — Tasha tentou ser o mais suave possível com as palavras. — Hoje pela manhã recebemos uma notícia que não queríamos, estávamos fazendo novas buscas sobre o paradeiro dela, e não tivemos o resultado que esperávamos.
- Tasha você pode ser um pouco mais clara? O que está tentando me dizer? — Lorna pediu com cautela.
- Lori, os policiais encontraram o corpo da Spencer e da mãe dela essa madrugada. — Reade não sabia como falar isso sem machucá-la, preferiu ir direto ao assunto.
- Não Reade, isso só pode ser algum equívoco, elas não podem estar mortas, deve ser um engano. Não é?
- Lorna eu gostaria muito que fosse mentira, gostaria de verdade que não fosse a Spencer e nem a senhora Lurney. — A latina falou tentando consolar a agente.
- Tasha vocês têm certeza? Você viu o corpo? Sabem quem fez isso? — Perguntou Lorna aflita.
- A Patterson está com os legistas, nós vamos saber em breve o que aconteceu, eu sinto muito. — Ela respondeu.
- Pode ter algo de errado nisso. Me diz que é mentira! — Ela disse chorando.
- Lorna não era essa notícia que queríamos lhe dá. — Disse Tasha. — Sinto muito.
- Eu ainda não consigo acreditar. Foi ele não foi? Foi o Ian? — Lorna perguntou.
- Ainda não sabemos. Lori eu sinto muito, se você precisar de algo ou se precisar conversar. — Disse Reade.
- Eu agradeço Reade, vou ficar bem, preciso fazer algumas ligações. Preciso falar com alguns advogados para tratar sobre o assunto da Spencer, será que posso usar a sua sala?
- Claro, quer que um de nós fique com você? — Ele perguntou.
- Não precisa. — Disse ela ainda chorando bastante.
- Tudo bem vamos deixar você sozinha, qualquer coisa estamos no laboratório. Meus sentimentos. — Disse Tasha sinceramente.
- Como ela está? — Perguntou Kurt assim que os dois entraram no laboratório.
- Ela ficou chocada, não esperava por isso. — Reade respondeu.
- Acho que até nós ficamos. — Completou Tasha. — Patterson já voltou com novidades?
- Até agora não. Tasha você está bem? — Questionou Jane ao aproximar-se dela.
- Estou Jane, estou sim. — Ela tentou se convencer também disto.
- Tem certeza disso? — Jane insistiu, conhecia a amiga, mas a morena acenou positivamente com a cabeça.
Enquanto isso na sala de reunião.
PENSAMENTOS ON
- Spencer não corre assim, você vai se machucar. — Ela gritava enquanto a acompanhava.
- Alli você tá com medo de atravessar uma ponte? — Falava Spencer lhe provocando. — Vamos, o riacho é logo atrás do acampamento.
- Não sei se devemos ir até lá! — Falou ela.
- Você é muito medrosa Allison. — Spencer adorava provocar a amiga.
(...)
- Spencer vamos nos atrasar é o nosso primeiro baile, não quero chegar lá tarde e perder todas as músicas. — Disse ela se olhando no espelho.
- Deixa de ser dramática Alli, eu só preciso pegar as chaves do carro. Acha que essa roupa ficou boa?
- Você está linda! Agora podemos ir?
- Você nem olhou para o vestido direito Allison. — Protestou Spencer.
- Você ficaria linda até vestida com um saco plástico Spencer. (Risos)
(...)
- Alli já fez o teste?
- Estou nervosa, não sei se quero ver Spencer. Como eu fui deixar isso acontecer?
- Isso acontece com a grande maioria das pessoas que transam sem camisinha. — Falou Spencer para a amiga que estava desesperada.
- Não era para acontecer comigo! E se esse teste for positivo? Tudo acaba aqui? — Perguntou ela chorando.
- Tudo começa! Você não vai estar sozinha, sempre terá a mim, e ela também. — Spencer lhe consolar.
- Não quero que ele saiba, precisa me prometer Spencer que só vai falar com ele se eu morrer. — Pediu ela.
- Você não vai morrer!
- Me promete? — Ela insistiu.
- Alli ele não merece!
- Eu não mereço a pessoa maravilhosa que ele é! — Confessou ela. — E nem quero interromper a vida dele com um filho que não foi planejado, eu nasci pra correr perigo, por isso não posso ficar com nenhum dos dois.
- Tudo bem eu prometo. — Falou Spencer.
(...)
- Por que você quer que eu assine isso Spencer? Você não vai morrer agora!
- Eu não sei do amanhã Alli, se eu morrer, quero deixar tudo para vocês duas.
- Não vai morrer. Meu trabalho é muito mais perigoso!
- Algo que inclusive você precisa me dizer no que trabalha. O que você é uma espiã ou uma assassina de aluguel? Só assim pra você não me levar no seu trabalho.
- Acertou!
- Assassina ou espiã? - Insistiu Spencer.
- Não posso te levar!
- Chega de me enrolar e assina a procuração Allison Hall.
- Aqui diz que posso tomar qualquer decisão caso você morra. — Ela queria saber se realmente era isso.
- E que tudo meu é seu e da Emm, agora assina. — Complementou Spencer.
- Só mais uma coisa, Spencer se eu morrer ou desaparecer, quero que fique com ela.
- Vou fazer melhor, vou levá-la onde você nuca teve coragem. Alli me promete que um dia fará o que ela tanto te pede.
- Prometo!
PENSAMENTOS OFF
- Srt. Prince precisa assinar a procuração. — Disse um dos advogados.
- Me desculpe, onde é mesmo que eu assino? — Ela falou secando algumas lágrimas.
- Precisa assinar em todos que estiverem com a etiqueta. — Mostrou ele.
- Pronto! — Falou ela depois de alguns minutos assinando papéis.
- Meus sentimentos pela sua perda, agora se tornou a tutora legal de todos os bens da senhorita Lurney até que a menor tenha capacidade de tomar decisões. — Informou ele.
- Eu entendo. — Disse ela. — Obrigada por tudo, eu ligo para assinar a nova procuração.
Por um momento Lorna pôde sentir um pouco do seu luto, ela não teve tempo de contar a verdade para a Spencer, contar que eram mais que amigas de infância, que compartilhavam o mesmo sangue.
Ela não pôde protegê-la, ao contrário dela que fez isso até o seu último momento.
- Gente, alguma nova informação? — Ela entrou de surpresa no laboratório onde todos estavam reunidos.
- Lorna, meus sentimentos! — Disse Kurt.
- Sinto muito! — Completou Jane. — Podemos te ajudar em alguma coisa?
- Em nada, já fizeram muito. — Respondeu ela. — Eu só vim avisar que eu já estou indo, preciso providenciar tudo para o funeral delas.
- Vai ser aqui? Podemos ir com você para lhe dá apoio. — Disse Kurt.
- Kurt obrigada, mas não precisa. Eu só vou passar no hotel para pegar alguns documentos, vou para Montana, lá é um local seguro para que elas descansem.
- Deixa a gente te levar! Eu e o Kurt podemos te deixar no hotel. — Pediu Jane.
- Jane muito obrigada, eu vou pegar um táxi, e de lá vou pegar um voo já tem um jatinho me esperando. Obrigada por tudo o que vocês estão fazendo.
- Lori manda notícias. — Pediu Reade.
- Mando sim! Obrigada mais uma vez. — Ela agradeceu a todos e logo saiu do laboratório.
Durante o voo Lorna não queria pensar no que viria depois, estava tão abalada com tudo o que aconteceu, como ela queria alguém que pudesse abraçá-la e a deixasse chorar até aliviar tudo aquilo.
Ela queria que tudo acabasse, desde o início ela sabia que não seria simples, teria mais de seis horas trancadas num voo para repensar e mudar os seus planos.
- Patterson conseguiu alguma coisa? — Perguntou Kurt assim que a cientista entrou na sala.
- A Lorna ainda está por aqui?
- Ela já foi para Montana, decidiu sepultar as duas lá. — Respondeu Tasha. — Algo de novo?
- Tinha um bilhete na boca da Spencer para a Lorna. Colocaram num saco plástico, quem fez isso sabia que estávamos investigando. — Disse a loira um pouco assustada, chocando os demais.
- O que? Alguém matou a mulher só para mandar um recado para a Lorna? — Questionou Jane. — O que dizia?
- Pedia que ela devolvesse algo que pertence a essa pessoa, ou então ela começaria a perder o que ela tinha. Eu mandei o bilhete para análise, vamos ver se a caligrafia bate com a do banco de dados.
DIA SEGUINTE
- Alli minha menina, como foi? — Perguntou a mulher que lhe recepcionou calorosamente.
- Nonna como eu estou cansada de tudo. — Ela falou a mulher que a abraçou. — Como eu só queria que tudo fosse diferente, me despedir delas sozinha foi a pior parte.
- Pode desistir dessa loucura toda Alli, volta para casa e recomeça. — Informou Nonna.
- Eu não posso Nonna, estou muito perto para desistir e eu fiz uma promessa, eu vou cumpri-la até o final. — Jurou a agente. — A Spencer não merecia isso, a mãe dela não merecia, esse é mais um motivo para ficar.
- Não foi sua culpa, ela fez de tudo para proteger vocês.
- Vocês precisam sair daqui a casa em Minnesota já está pronta para vocês ficarem, é temporário.
- Vai levá-la com você? Ele já sabe? — A mais velha quis saber.
- Ainda não consegui Nonna, preciso de mais um tempo.
- Menina quanto tempo mais você vai esperar? Ele tem direito de conhecê-la.
- E vai! Quando for a hora. — Respondeu Lorna que parecia incomodada com esse assunto.
- Quando você não estiver mais viva?
- Talvez seja até melhor. — Disse ela sinceramente. — Nonna arrumem as coisas de vocês, vou ficar um pouco com a Emm, até vocês saírem.
A mulher concordou e saiu, deixando Lorna olhando algumas fotos espalhadas pela casa, ela subiu até o andar superior, a casa bem acolhedora, lhe fez querer não voltar para o caos que a esperava.
Toda preocupação desapareceu quando ela viu aquele pequeno ser sentado perdida num mundo de unicórnios coloridos.
- Oi Emm? — Ela chamou a pequena que estava sentada pintando.
- Mamãe você veio mesmo! — A garotinha pulou em seus braços lhe oferecendo o abraço mais apertado que conseguia. — Vem, vem ver o unicórnio que eu desenhei.
- Que desenho lindo meu amor! Eu senti sua falta. — Lorna falou beijando seus cabelos.
- Eu sinto sua falta todo dia. Quer pintar? — A garota lhe ofereceu um lápis de colorir. — Já veio me buscar? Eu vou conhecê-lo? — Perguntou a pequena que mostrou já entender muitas coisas.
- Ainda não Emm, mas está perto.
- Perto amanhã?
- Não meu coração! Me desculpe, prometo que será logo, só não esqueça que eu amo muito você. — Lorna estava com os olhos cheios de lágrimas.
- Não se desculpe mamãe, é o seu trabalho. — A garota lhe forçou um sorriso. — O lacinho é cor de rosa.
- O que? — Lorna estava perdida no olhar da garota que a fazia sentir tanta paz.
- O lacinho do unicórnio. A tia Spencer não vai mais voltar, não é?
- Não, a Nonna já conversou com você.
- Ela agora é um anjo? — Perguntou a garotinha.
- Isso, ela virou um anjinho. Vai cuidar de nós duas lá de cima. — Respondeu Lorna. — E você vai com a Nonna passar umas férias bem legais. — Ela falou fazendo cócegas na criança.
- Você vem com a gente? — A menina quis saber.
- Eu preciso trabalhar Emmile.
- E vai trazer o meu presente?
- Se eu não trouxer, vou levá-la até ele. Tudo bem?
- Ele é legal?
- Muito, vai adorar você. — Respondeu Lorna.
- Mamãe volte logo, não quero que vire um anjinho igual a tia Spencer. — A garota pediu quase chorando.
- Tudo bem, eu vou me cuidar. Me dá um abraço bem quentinho? — Pediu Lorna.
- Dou sim mamãe.
- Alli está tudo pronto, podemos ir? — A mulher mais velha interrompeu a conversa entre elas.
- Sim Nonna, o carro está lá fora.
- Emm me promete que vai se comportar? — Perguntou Lorna se abaixando para ficar na altura da garotinha.
- Vou, eu sempre me comporto.
- Até logo meu amor, até logo Nonna. — Lorna se despediu.
- Se cuide garota! — Pediu Nonna se dirigindo a Lorna.
Lorna se despediu com um aperto no coração, deixá-la ir, sem saber quando seria sua volta ou se realmente voltaria.
Enquanto isso, em NY as novidades surgiam. Lorna resolveu voltar no dia seguinte, ela queria terminar aquilo o quanto antes.
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Mores, espero que gostem e que aguardem as novidades que vem por aí. 😘
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