Capitulo 25
KATE WHINTER
O tempo passa depressa e muitas vezes nem notamos.
Hoje é o dia de tirar minha tala e começar a usar muletas. O Doutor me dirá por quanto meses preciso estar com ela.
Glórias a Deus! Pensei que não passaria nunca esse um mês.
As garotas passaram a vir seguidamente me ver. Eu me senti a tal. Construímos uma aliança. Nenhuma de nós tinha mais segredos. Eu amei demais isso.
E pensa na minha supresa ao descobrir que Loren e o gato loiro do Eduardo estão namorando? E pelo certo ainda. Eu orei muito por eles e as garotas. Principalmente Clara que é mais difícil de lidar do que eu. Ela é um caso a parte, apenas nos aturamos então não tem porque eu revelar meus pensamentos e segredos a ela. Se Geovana e Loren contam o problema é delas mas eu não ponho minha mão no fogo. Emma eu sei que pensa a mesma coisa que eu. Aquela abençoada parece que quer que a odiamos. Nem se quer se esforça pra mudar.
Bella não ficou de fora porém notei que ela está distante e bastante triste. Veio poucas vezes aqui. Eu perguntei se tinha algo errado. Ela balançou a cabeça a abaixando mas segundos depois saiu correndo pro banheiro chorando. Ela e Enzo estão mais do que bem. Não sei o que está a aflingindo. Na hora certa ela desabafa como da outra vez.
Matthew não falou mais comigo, não veio me visitar em nenhum dia dessas duas semanas. Não tive mais notícias dele. Eu soube o básico por Isabel mas eu desconfiava que ela me escondia algo pois sua afirmação não era nada convicente. Estou muito magoada e com raiva. Como ele quer que nossa amizade permaneça se de uma hora pra outra esquece da minha existência?
Se Matt está ocupado com a empresa do seu pai como dá outra vez poderia ao menos me mandar uma carta, mensagem no celular do meu pai ou de Chris. O que custava?
Eu liguei quarta feira pra Rê com o celular da minha babá e quis saber se estava tudo bem. Me deixando mais apreensiva Dona Renata disse que sim do mesmo modo que sua filha, só que ela eu senti a voz embargar. Elas não sabem esconder suas emoções.
Pedi a papai pra me levar na casa deles mas como esperado ele não deixou. Prometeu que assim que eu remover a tala ele vai me levar lá. Minha consulta estava marcada para as oito da manhã de segunda. É hoje. E eu andei ansiosa todos os dias. Por ter que ir ao hospital, medo de minha perna precisar ainda de tala e pra ver aquele moreno irritante que talvez quisesse me afastar da sua vida.
Será que ele reatou com Tiffany e ela pediu pra ele não ser mais meu amigo? Matthew não seria capaz não é? Ou sim? Ele mesmo disse que não faria isso.
De hoje não passa, preciso ver a desculpa que ele vai dar pra mim.
Meu pai entra no meu quarto perfumado e arrumado parecendo um jovem estiloso.
- Pra que toda essa produção? Não me diga que é só pra me levar no médico? - O olho de cima abaixo sorrindo. Eu tenho um belo pai.
- Vou para o trabalho direto depois querida. - Se aproxima e me beija na testa. - Estou confiante que serei promovido a gerente.
- Que benção pai. Tem que valer a pena as horas a mais trabalhando.
- Eles me ligaram faz meia hora pedindo pra eu comparecer no escritório as nove e meia.
- E...Que horas são?
- Jesus de misericórdia! - Brada apavorado. - São sete e vinte já. E eu achando que eram sete horas ainda.
- Caramba pai. Chama a Chris por favor. - Peço me apoiando nele pra sentar na cama.
- Estou aqui amiga. - Chris surge do além com a minha toalha pendurada no ombro.
- Como soube que eu iria precisar de você?
- Você sempre precisa. Seu pai não sabe lavar seu cabelo.
- Verdade.
Com meu pai resmungando e nós duas rindo seguimos ao banheiro.
Meu pai me põe sentada no vaso e espera minha "babá" ajudar a me despir. Ela me deixa de top e calção e assim papai me pega novamente pra me colocar na banheira.
Ele comprou a banheira e a instalou no mesmo dia que me convidou a vir pra cá. Seria difícil ter que me segurar o tempo todo no colo. Sem falar que eu estaria nua. Nada legal. Gostei que meu pai pensou nisso.
Na banheira eu tenho que estar com a perna na borda, pra que a tala não molhe.
Depois de tomada banho escolho uma roupa mais quente pois a temperatura baixou chegando a 10°c.
Visto uma calça preta, blusa manga comprida branca e um casaco laranja forte que é o mais quentinho que possuo. Calço uma botinha marrom escura. Perfeita, fiquei linda, mesmo que seja apenas em um pé.
Quando puder irei a cidade comprar alguns casacos de inverno, moletons e blusões. O frio começa daqui uns três ou quatro meses mas é agora que os preços baixam.
Chris me ajuda com a maquiagem que se resume a um delineado, rímel, base, pó e um batom cor boca. O cabelo penteio pra secar naturalmente, não iria dar tempo de fazer escova. Por último passo um perfume novo que ganhei de presente do papai. Me apaixonei pelo cheiro completamente.
Saímos de casa eram sete e cinquenta. E iríamos chegar quase vinte e cinco minutos atrasados com a lerdeza do meu pai pra dirigir.
- Pai, pode ir mais rápido? Poderemos chegar umas oito e dez se o senhor acelerar um pouco mais. - Ele me olha de relance dando uma risadinha de lado.
- Seu pedido é uma ordem minha menina. - Diz acelerando mais do que eu esperava.
Isso resultou em eu gritando para ele ir mais devagar o caminho todo, mas também gargalhando.
Ao estacionar no hospital papai sai primeiro pra buscar uma cadeira de rodas pra mim. Ele estava com preguiça de me carregar, vê se pode. E ele me chamou de gorda, disse que estou muito pesada.
Ao voltar abre a porta e me leva pra dentro me posicionando certo no assento.
Foram os mais longos sete minutos de toda a minha vida. Com certeza é porque me sinto nervosa. Meu coração pode saltar pra fora a qualquer momento.
Na hora que o elevador abre fico supresa de ver Rê e Daniel sentados no banco abraçados totalmente alheios.
- O que vocês estão fazendo aqui? - Eles se viram pra mim de olhos arregalados e se levantam na hora. Pelo jeito não é pra me acompanhar.
- Kate. - Dona Renata sorri nervosa. - É... Como vai? Veio fazer o que aqui?
- Bem, hoje é o dia de retirar a tala. Achei que sabiam.
- Desculpa não lembrar, é que aconteceu algumas coisas nessas semanas que acabamos se esquecendo. Não era nossa intenção querida. - Rê se acroca e segura minhas mãos levemente.
- Eu posso ajudar caso precisem de mim.
- Filha, temos consulta agora. E estamos bastante atrasados. - Papai se manifesta pondo as mãos em meus ombros.
- Mas...
- Vamos estar aqui quando terminar sua consulta Kate. Temos algo muito importante pra lhe falar. - Seu Daniel diz recebendo um olhar reprovador da esposa.
- Então... Tá bom. - Respondo cautelosa.
Dizemos um até logo a eles seguindo pra sala no corredor mais a frente.
Ao parar pra refletir e tentar saber o que é que eles tinham pra me contar meu corpo se arrepia me deixando com uma sensação ruim.
O Doutor chamou minha atenção mais de cinco vezes. E fiz todo possível pra me concentrar mas estava preocupada com a família Romanov que se tornou minha também. E temia que estivesse acontecido algo grave com os gêmeos ou Matthew.
Ao ver Carlos tirar aquela tala pesada da minha perna sorrio. É um alívio grande saber que estou me recuperando bem.
A partir de hoje vou usar uma bota que vai um pouco acima da canela pra que quando eu pisar no chão não doa. Mesmo assim terei que ter muletas pra o caso de subir escadas. O pino ainda vai continuar pelos próximos meses pra ajudar na recuperação.
Todo mês vou vir no hospital pra que Carlos dê uma olhada. Pode ocorrer de minha perna sarar antes do previsto.
Com a bota posta no pé e as muletas, devagar me esforço pra levantar. Parece que fiquei mais de um mês sem andar. Minhas pernas estão bambas e um pouco sem forças. Caio sentada na cadeira de novo. Olho pro meu pai que está me encarando e quando o olho ele sussurra "você consegue" asssentindo. Respiro fundo e tento novamente. Coloco meu peso nas muletas e depois um pouco nas pernas. Enfim consigo. Dou uma volta pelo quarto feliz por estar caminhando outra vez.
O Senhor e a Senhora Romanov riem de alegria assim que saio do consultório. Não demora para os dois virem me abraçar. Retribuo com vontade pois é um grande júbilo vê-los contentes por minha pessoa.
Nos sentamos nos bancos os quatro, comigo os atualizando sobre os dias que passaram e do que aconteceu lá dentro. Que o Doutor pediu pra vir seguidamente pra certificá-lo de tudo. Fazer pouco esforço, não caminhar muito...
- Kate, tenho que ir trabalhar. Vamos? - Papai levanta fitando seu relógio no pulso.
- Mas... Papai, temos que conversar ainda. Não pode ficar mais um pouco?
- Sabe que não dá meu amor, eu...
- Nós a levamos Tiago. - Daniel interrompe com a atenção na esposa, como uma forma de pedir permissão.
- Tem certeza? Podem ir lá em casa qualquer dia e conversarem com mais calma.
- Temos sim. Estávamos com saudade da companhia dessa menina. - Rê afirma beijando o dorso da minha mão fazendo-me sorrir.
- Certo. Eu amo você. Até mais tarde princesa. - Escosta os lábios na minha testa afetuoso.
- Também te amo pai. Avisa a Chris pra ir pra casa. Vou precisar dela mais provável ao final da tarde ou à noite.
- Está bem.
Ao soar o barulho do elevador se fechando olho para Dona Renata e Seu Daniel esperando eles começarem a falar.
- Não era pra ela descobrir assim. - Rê repreende o marido brava.
- De que jeito ela saberia? Quando ele morresse? Sabe que nosso filho é teimoso igual a mim. Ele morre mas não fala. - Bufa e revira os olhos com ar de cansado. E creio que estavam mesmo. - Você que é mãe demorou a saber imagina a garota que ele gosta. Faz de tudo pra não machucá-la. Não sei se isso é mais uma qualidade ou defeito.
- Eu iria o convencer.
- Andrea, ele deixou a garota preocupada e pensando mil coisas do porque ele não ter ligado a quase um mês. Quer mais tempo que isso? Se coloca no lugar dela Déia. Se ela não bater nele é um milagre.
- Eu tô perdia aqui. Quem está morrendo? Doente? - Pergunto os fazendo se calar e puxar o ar com força.
- Matthew. - Renata revela abaixando a cabeça.
- O que ele tem?
- Por favor mantenha a calma. - Ela pede segurando a mão na minha.
- O que ele tem? - Repito tentando soar firme.
- Câncer.
Matthew.... Câncer... No.. Tem... Hospital... Está... E...
Meu cérebro deu um paralisada total. Não sei quanto tempo fiquei assim, mas quando voltei as palavras me atingiram com intensidade total.
Matthew está com câncer e está no hospital.
CÂNCER!
- Não, não... É engano, não pode ser. - Digo com minha voz embargando. - Fizeram exames certos?
- Muitos. Não me caiu a ficha ainda que meu filho pode não sobreviver.
- Quando aconteceu? Como souberam?
- Matt foi pegar o carro, deixamos ele dirigir uns dias atrás e ele foi bem então pra nós não tinha problema ele dirigir novamente. Só que dessa vez ele não teve exito. Pechou no poste da frente de casa. Teve convulsão. - Lágrimas rolam pelo rosto de Renata e as minhas aproveitam pra cair também. - Matthew soube primeiro porém escondeu por semanas de nós. O médico disse que se viéssemos antes teria chance dele se curar, só que agora é tarde demais. Querem fazer a quimioterapia pra meu menino curtir por mais uns meses conosco, mas ele não quer. Tentamos de tudo. Nada o faz mudar de ideia.
- E porque esse idiota não me contou? Nessas horas que eu devo estar do seu lado ele me afasta? Bem a cara dele mesmo. - Meu soluço sai alto. Rê me abraça deixando-me desabar.
Não é real.
Como nunca pensei nessa hipótese?
O sangramento, a tontura, a fraqueza, a perda de peso? Talvez não quiséssemos que houvesse essa possiblidade.
- Eu quero vê-lo. Preciso falar com ele. - Saio do abraço me recompondo. Seco um pouco as lágrimas mesmo elas não parando de rolar.
- Não é uma boa ideia. É melhor ir pra casa descansar e a tarde venha. Ele está dormindo tam...
- EU VOU VER ELE. NESSE MOMENTO! - Grito alterada jogando uma das muletas no chão. No mesmo instante arregalo os olhos ao notar que gritei com eles. - Me desculpa, não quis...
- Sabemos que não. É normal reagir assim. Eu fiz pior. - Dona Renata sorri minimamente compreensiva.
- Por favor, tenho que pelo menos dar uns bons cascudos nele pra aprender a não esconder as coisas de mim.
- Acho que pra castigá-lo abrimos uma exceção. - Daniel pisca um olho e eu rio em meio as lágrimas. - Vou junto pra gravar. Quero mostrar pro Isaac o irmão dele apanhando de uma mulher.
- Dael, não seja infantil. - A esposa lhe dá um tapa mas nem isso o impede de querer realizar esse feito.
- Infantil nada. Matthew merece apanhar. Já que nós não fazemos isso alguém tem que dar as honras.
Rê me estende a muleta do chão e juntos partimos pro quarto.
Minha indignação e raiva estão a flor da pele. Pouco me importa se ele está dodói.
Tivesse pensado nisso antes de ocultar uma IMPORTANTE notícia de mim.
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OBRIGADA!💜
X-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-X
É bem provável que eu demore um pouquinho mais pra postar o próximo capítulo. 😉 Mas assim que acabar de escreve-lo logo publico.
Beijos da Keila😘
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