De volta á ilha do Sal
Mas não tive sorte, meu desempenho acadêmico não foi tão bom naquele ano. Comecei a ter problemas de saúde; estava constantemente doente. Não conseguia me concentrar nos estudos e minha visão estava péssima. Sofria frequentemente de dores de cabeça, algo que já tinha começado muito antes de irmos para São Vicente. A mudança não foi boa para mim e meus irmãos. Acabamos reprovando, e então, em 2012, durante as férias, voltamos para a Ilha do Sal, mas agora fomos viver na cidade de Espargos.
Desta vez, estava a estudar o ano em que repeti, na escola em Pretória. Gostei da escola e das minhas professoras. Uma delas aplicava palmatórias, mas comparado com a escola em Pedra de Lume, não era a mesma coisa, e lá nem existia palmatória, era muito pior. Nunca levei palmatória devido ao meu comportamento excelente; quem levava eram as crianças que se portavam mal quando a professora saía da sala. Meu desempenho académico melhorou bastante, com notas altas, e até fiz amigas na minha turma. Recebia muitos elogios das professoras pelas minhas notas e redações bem elaboradas. Nunca sofri bullying naquela escola; tudo estava a correr bem para mim.
Quando passei para o 6º ano, meus irmãos foram para Pedra de Lume para retomarem os estudos lá. Eu disse à minha mãe que queria ir para Santo Antão, e ela concordou. Peguei um navio sozinha no mar e cheguei a São Vicente no dia seguinte. De lá, fui para a casa de uma amiga da minha mãe, e no dia seguinte embarquei em um barco para Santo Antão. Quando o barco atracou, o céu estava nublado, e começou a chover no aeroporto. O lugar era tão bonito quando a chuva caía. Mas eu não sabia que o pior da minha vida estava prestes a bater à minha porta. Eu nunca me senti tão sozinha e distante da minha criança interior, que estava esmagada, e apenas um farol de luz poderia me trazer de volta.
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