A dolescencia, minha segunda vida

Quando cheguei à casa dos familiares, fui bem recebida, mas fui sem avisar. Minha irmã não pareceu ficar feliz com minha presença; ela tinha um aspecto frio e rígido. Até aí tudo bem, os dias foram passando, começou a chover muito. Lembro que cheguei ali em agosto, se não me engano. Meu aniversário de 13 anos chegou, e eu já era uma adolescente. As coisas estavam normais, até que entrei na escola Roberto Duarte Silva. Foi ali que as coisas começaram a ficar estranhas para mim.

Minha irmã começou a chegar muito chateada da escola, ela estava no liceu. Ela começou a me acusar de coisas insignificantes, de coisas que eu não podia controlar. Parece que muitos dos seus colegas começaram a falar de mim, tudo porque eu era nova na cidade e ninguém nunca tinha me visto. Me faziam elogios e isso perturbou a mente dela. Ela dizia irritada que já estava farta de ouvir os outros falarem de mim para ela. Eu nunca tinha enfrentado algo parecido; as coisas que eu tinha vivido antes eram piores, mas nunca pensei que alguém iria ser incomodado por algo que eu não tinha controle. Eu percebia que aquilo nunca tinha acontecido entre eu e meus irmãos. Tudo o que eles tinham, eu também tinha, e se alguém era elogiado ou recebia atenção, nenhum de nós agia daquela maneira ignorante.

Os dias passavam, e minha convivência com minha irmã não era boa. Ela queria controlar tudo e que eu fizesse o que ela queria. Se eu não fizesse, ela dizia as piores palavras. Eu era obrigada a lavar suas roupas e levar comida para ela de vez em quando. Ela passava o tempo todo sem fazer nada, uma verdadeira parasita ambulante.

Num certo dia, ela veio até mim rindo e se deleitando com algo que eu não sabia. Chegou muito feliz, olhou para mim com desprezo e disse: "Sabe, os rapazes da minha escola disseram que você é feia e horrível, que não querem ver o seu rosto à noite, por isso agora, durante o dia, podem ver a realidade de como você é horrível. Agora pare de pensar que é melhor do que eu, você não é nada." Aquelas palavras soaram como um insulto, cheias de estupidez. Eu não me importava com o que as pessoas achavam de mim, mas, por outro lado, estava aliviada, porque não aguentava vê-la se queixar por causa da atenção que eu recebia dos seus colegas, que eu nunca tinha visto na vida. Eu tinha a certeza de que não podia ser abalada por uma garota mimada e preguiçosa que se achava a última bolacha do pacote. Quem ela pensava que era? Mas ela começou a ultrapassar os limites. Nossa avó queria contar ao nosso tio que eu estava ali, então ela teve a brilhante ideia de não dizer nada, de que nosso tio não podia saber que eu estava ali. O que ela estava pensando, afinal? Mas a mentira não durou, nossa avó decidiu contar tudo, então nosso tio não ficou feliz com isso. Foi então que ela fez seu espetáculo de vitimismo, dizendo que não era culpada e jogando tudo para cima de mim. Depois de um tempo, nosso tio deixou isso de lado. Percebi que ele tinha gostado da minha presença ali, mas minha irmã não estava nada feliz. Eu podia sentir que muita escuridão estava por vir na minha frente.

Depois que o nosso tio voltou para os Estados Unidos, ela piorou. Suas maldades escalaram para o nível de agressão e falas problemáticas. Lembro-me de um dia em que ela estava zangada com a nossa avó, dizendo atrocidades até para a senhora que a criou desde criança. Naquele dia, eu estava a estudar na sala, e ela interrompeu ao começar a atirar os meus cadernos. Ela agarrou-me pelo braço com tanta força que senti as suas unhas cravarem no meu braço, saiu sangue e estava a doer. Eu não podia chorar, apenas deixei o sangue escorrer, mas também não queria brigar porque sabia que seria pior. Ela conseguia manipular até a avó, eu não podia arriscar, então mantive-me firme.

Num dia chuvoso, a nossa avó estava lá a contar coisas sobre a minha mãe. Eu odiava aquilo, eles falavam da minha mãe como se ela fosse a pior mulher do mundo, isto me dava um nó na garganta e eu não gostava daquilo. Eu defendia a minha mãe contra as atrocidades que diziam, mas a minha irmã gostava de ouvir todas aquelas palavras desrespeitosas sobre a nossa mãe, o que só aumentava o massacre sobre alguém que ela nem conhecia. Elas diziam que eu só defendia porque era igual a ela, eu deixei de sentir tristeza e passei a sentir um vazio emocional.

Então, a avó começoua contar uma história sobre a minha mãe ter-me carregado no meio da rua molhadacom sapatos altos. Eu tinha nascido num dia chuvoso, porque em Santo Antão nomês de setembro chove muito. Eu juro que custava acreditar muito nas históriasda avó, não acreditei na parte de andar no meio da chuva com saltos. Foi aí quea minha irmã passou dos limites. Ela disse que a nossa mãe deveria ter escorregado no meio da água, assim eu voaria pelos ares e deixaria de existir. Aquilo foi demais e muito pesado.

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