Capítulo 1

No espelho, a imagem refletida é o que eu me tornei, o que muitas pessoas temem, o verdadeiro significado de  "seu pior pesadelo incarnado".
Eu termino de fazer uma trança embutida no meu cabelo, para que o mesmo não me atrapalhe, e assim que meu cabelo já está pronto eu tomo o cuidado de pintar meus lábios com o meu batom mais vermelho, uma das minhas marcas para esse tipo de situação.
Eu não posso e não vou dar para trás, não, não quando é questão de vingança.
















- Jo, se você quer ter o efeito surpresa ao seu favor, a hora é agora!















Inanna, minha melhor amiga, minha irmã de consideração, meu braço direito, me diz, o que me faz concordar com a cabeça e guardar, só por segurança, uma faca lindamente afiada no seu suporte de couro que está preso a minha coxa.















- Eu quero que você vá para a casa do meu padrinho com uma das equipes. Se eu precisar de reforços você só vai estar a quatro minutos de distância, é melhor do que ficar aqui ou ir comigo. Eu não quero nenhum estardalhaço, só entrar, dominar o território, e sair.















Eu digo séria, ao mesmo tempo em que me viro, para poder olhar nos olhos de Inanna, que acente com a cabeça, um segundo antes de me abraçar.












- Não subestime o Hero, ele vai fazer de tudo para protege-la, ela é a coisa que mais importa para ele!
Se você quiser, ainda dá tempo de usarmos o meu plano, vamos pega-la e...











- Não! Essa é uma das únicas leis  sagradas para as duas máfias, e eu não pretendo arrumar mais uma briga com o Fiennes Tiffin!













Eu digo mais fria do que gelo, e Inanna suspira audivelmente, enquanto acente com a cabeça.












- Tudo bem, você é quem decide. Eu vou levar minha equipe para a casa do seu padrinho e ficar esperando.













Inanna diz, e eu concordo com a cabeça, ao mesmo tempo em que saio do meu quarto enorme, para ir até a porta principal da minha mansão exuberantes.


●●●





- Agora!








Eu grito para as mulheres e os homens que trabalham para mim, ao mesmo tempo em que abrimos fogo contra Hero Fiennes Tiffin, que comanda seus homens com três minutos de atraso, o que me dá a vantagem que me levou a acordar as três da manhã.
Eu disparo a minha arma sem nem exitar, ao mesmo tempo em que avanço pelo corredor, ciente de que estou perto, muito perto mesmo de encuralar Hero e todos os seus homens.
Eu continuo avançando, mas um pedaço do chão na minha frente levanta, o que me faz prestar atenção um segundo depois de o próprio Hero Fiennes Tiffin surgir do alçapão com uma escopeta apontada diretamente para o meu peito coberto pelo colete à prova de balas.
Graças ao treinamento que eu recebi da maior chefe da máfia, mais conhecida como minha mãe, eu consigo desviar dos tiros nenhum pouco certeiros de Hero, que só consegue pegar algumas das muitas pessoas que trabalham para mim.
Eu me escondo em uma parede, mas só para carregar minha arma e atirar novamente na direção de Hero, que mira a bala perto, perto demais, da minha cabeça.
Eu tento avançar, mas sei que o número de pessoas do meu lado está diminuindo visivelmente, então eu me obrigo a abrir a primeira porta que eu encontro, e a entrar no quarto.
Imediatamente eu engulo em seco, quando vejo onde eu estou.
O quarto em que eu me escondi é gigante e mais parece que foi o alvo de uma explosão cor de rosa, além de ter sido baleado por um milhão de coisas cheias de purpurina, além é claro, de bichos de pelúcia, principalmente unicórnios.













- Merda!












Eu me pego dizendo, quando vejo alguns furos de bala no quarto de Megan, filha de Hero.
Abaixando a minha arma, eu ando cuidadosamente pelo quarto, como se estivesse prestes a pisar em uma bomba.
Eu analiso cada sentimetro do quarto, enquanto os tiros continuam a todo vapor do lado de fora, mas eu não preciso de muito mais minutos, não quando me deito no chão e encontro Megan deitada de bruços, com um abafador de som rosa choque em suas orelhas, e com os olhos verdes brilhando de medo e pavor.
Cuidadosamente eu levo minhas mãos até os ouvidos de Megan, que treme descontroladamente enquanto eu tiro os abafadores do seu ouvido.












- Está tudo bem querida, eu me chamo Josephine e não vou te machucar.












Eu digo, mas Megan permanece tremendo, enquanto sussurra tão baixo que eu quase não escuto.












- Meu papai diz que sempre que eu ouvir esses barulhos eu tenho que colocar o colete, os fones e me deitar aqui até que ele venha me buscar.














- É, acho que o seu pai está certo, mas eu juro que não vou te machucar. Olha, você sabia que uma das maiores e mais respeitadas regras da máfia britânica é que nós não machucamos os filhos dos nossos inimigos,porque consideramos que isso só nos faz ser desprezíveis e não corajosos e fortes!













Eu digo para Megan, citando assim uma das leis comuns entre os Fiennes Tiffin e os Langford, que a minha mãe me fez decorar desde que eu aprendi a falar.













- Você quer que eu chame o seu pai? Eu posso fazer isso.














Eu digo, ainda tentando convencer Megan a sair de de baixo da cama, coisa que ela faz enquanto concorda com a cabeça.












- E- Eu tenho medo dos barulhos.













Megan diz, quando eu me sento no chão, fazendo assim com que ela sente nas minhas pernas, o que aperta o meu coração. Puta merda, qualquer um poderia fazer muito mal a ela e com muita facilidade.













- Tudo bem, eu vou mandar o barulho parar, está bem ?












Eu pergunto, e Megan concorda com a cabeça, o que me faz grudar seu corpo pequeno contra o meu, enquanto eu acarencio seus cabelos castanhos escuros, iguais os da mãe.












- Cessar fogo! Repito, cessar fogo imediatamente!












Eu grito pelo rádio que está com Eleonora, esposa da minha mãe e a pessoa que me ajudou a assumir tudo sem chorar de cinco em cinco minutos com a morte da minha mãe.













- Tem certeza JL ? Nós estamos quase pegando o filho da Puta do Fiennes Tiffin.













Eleonora diz pelo rádio, e só essa sua frase já faz Megan começar a tremer novamente.












- Sim, Eu tenho certeza! Manda todo mundo parar com a invasão e passa o rádio para o Fiennes Tiffin, eu tenho que falar com ele!














Eu digo com a voz calma e séria, e apesar de não dizer nada eu juro que posso sentir a exitação de Eleonora, mas ela não tem outra opção que não obedecer as minhas ordens, e é exatamente isso o que ela faz.
Em poucos minutos os barulhos de tiros, tanto do meu lado quanto do de Hero, param completamente, e eu escuto quando Eleonora diz que vai se aproximar e que eu preciso falar com Hero, o que faz Megan ficar mais animada nos meus braços.












- Aqui é o Hero. O que você quer?!












Hero, meu maior rival desde sempre; filho do homem que matou minha mãe; chefe da máfia que sempre compete com a minha própria e pai de Megan, diz através do rádio, fazendo com que eu respire fundo antes de dizer :













- Eu acidentalmente encontrei a Megan, e sou honrada o suficiente para não fazer nenhum mal a ela. Eu não sei você, mas minha mãe me encinou a respeiar as nossas leis!














Eu digo com a voz calma, fazendo com que pareça que Hero e eu estamos discutindo sobre o sabor do chá que queremos de café da manhã, e não de um assunto envolvendo as duas maiores e mais poderosas máfias britânicas.
















- Vamos acabar com isso de uma vez Josephine, saia do quarto com ela e eu dou minha palavra que meus homens não vão disparar um tiro se quer!















O sotaque inglês de Hero invade o rádio nas minhas mãos, e eu aperto Megan contra mim para que ela se acalme um pouco, já que ao ouvir a voz do pai suas lágrimas finamente escaparam de seus olhos verdes.












- Eu vou sair do quarto, vamos resolver isso de uma só vez, Hero. 












Eu digo, quando me levando do chão e pego Megan no colo, que está usando um colete à prova de balas rosa choque, por cima do seu pijama azul bebê.
Eu caminho lentamente até a porta, que uma vez aberta me dá a visão de Hero, suado, com os cabelos pretos bagunçado e os olhos verdes brilhando de agitação.
Eu saio do quarto de Megan, e fico cara a cara com Hero, que logo tem o peso da filha jogado contra o seu peito, não que isso o incomode porque com o tamanho dos braços, Hero deve estar tão informa quanto eu. É, nossos pais eram inimigos mortais, mas nos criaram praticamente da mesma forma.


















- Você honrou com o acordo que nossos bisavós criaram, e por isso estou disposto a fazer uma proposta.













Hero diz, olhando fixamente nos meus olhos, o que me faz sustentar o seu olhar sem nunca demostrar exitação ou medo, até porque eu não sinto nenhum  dos dois.














- Apenas lembre-se de que os Langford não se submetem aquilo que os Fiennes Tiffin julgam que nós merecemos...












Eu começo a falar, mas minhas palavras morrem no meio do caminho quando uma bomba explode perigosamente perto de mim e de Hero.
Um zumbido toma conta dos meus ouvidos, ao mesmo tempo em que cada osso, músculo e nervo do meu corpo grita comigo, que de alguma forma estou novamente no quarto de Megan, no quarto agora destruído de Megan.
Eu olho para o lado, tentando entender que porra que aconteceu, e prestes a ignorar todas as leis entre os Langford e os Fiennes Tiffin, mas eu vejo Hero caído do meu lado, com o corpo tão sujo de poeira quanto eu imagino que o meu está, e com alguma coisa presa entre os seus braços, alguma coisa pequena, de cabelos castanhos escuros e com algo  rosa no peito, Megan!












- Você está bem? Você está machucada?













Hero pergunta desesperado para a filha, enquanto levanta a mesma do chão,  e eu fico surpresa com como sua voz está preocupada e gentil.
Hero Fiennes Tiffin está sendo gentil, será que eu bati com a cabeça muito forte ?












- Você quer me dizer que merda acabou de acontecer aqui?!












Eu pergunto com uma hostilidade impassível, enquanto tento me colocar de pé, mas antes que Hero possa se quer abrir a boca eu escuto passos e mais passos vindo na nossa direção.












- Eu não vou sair daqui até encontrar o corpo deles, fui claro?!












Um homem, que eu não fasso a menor ideia de quem seja, grita, me fazendo assim pegar na mesma hora a minha faca, que por sorte continua bem presa a minha perna.











- Temos que sair daqui!













Hero diz, enquanto pega Megan no colo, e por mais que eu não goste de concordar com nenhum Fiennes Tiffin, eu não vejo outra escolha que não seguir Hero, que logo abre caminho entre os corpos e os pedaços da parede.
Eu dou um passo na direção dele, mas assim que meus olhos encontram os cabelos trançados, a pela perfeitamente escura e os olhos arregalados de Eleonora eu sinto meu corpo paralisar.
















- Eu não me importo de deixar você aí!












Hero diz em um tom de voz baixo, mais novamente grosso e hostil, o que me faz voltar a minha consciência, que está agora gritando para mim seguir o meu rival, principalmente quando os passos dos homens que nos atacaram ficam cada vez mais e mais próximos.
Eu olho uma última vez para o corpo sem vida da mulher que tinha todo o coração da minha mãe e que me criou como sua própria filha, e assim que fecho os olhos de Eleonora eu tomo a decisão que eu sei que vai mudar a minha vida.
Eu sigo Hero Fiennes Tiffin para poder me salvar!

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