Ponte de Lima


"Vamos fugir esta madrugada!" dizia-lhe de forma aflita após reencontrar o seu rosto.

Raquel encontrava-se perplexa, aquela frase sentiu-se como um murro no estomago, deixou de ouvir, tinha a cabeça em água.

"Eles descobriram? eles vêm buscar-me? vou voltar para o meu pai?" perguntava desesperadamente. 

Francisca tentava permanecer fria e agir.

"O Paulo Jorge diz que a polícia vem cá a casa, armou toda uma confusão no bar da AE, com toda gente a ver, o teu pai também suspeita e conseguiu esta morada através da faculdade, se não fugirmos vai haver todo um problema gigante, eu pensei em tudo pelo caminho, a Rosa Paula tem uma propriedade dos meus avós em Ponte de Lima, uma pequena casa de pedra, numa zona quase deserta, nós podemos fugir para lá, com certeza que será mais difícil para nos encontrarem. Já pensei em tudo, vou falar com a Rosa, levamos o carro dela, é a única solução, se não for assim, eu e a minha tia vamos presas, tu voltas para casa e és espancada pelo teu pai!"

Lágrimas incontroláveis escorriam pelo rosto de Raquel, deram lugar a um choro descontrolado e ofegante.

"Já fizeste demasiado, talvez eu devesse aceitar o meu destino, por muito que me doa!" disse num sopro de voz.

Francisca sentou-se, apagou o cigarro no cinzeiro com alguma pressa. 

"Nem pensar, és a pessoa que eu amo, não me posso conformar com essa ideia, nós conseguimos fugir, acredita, se vierem investigar a casa e tu não estiveres não há perigo para a Rosa, precisamos é de fugir rapidamente!" disse. 

"Francisca, tu tens uma vida aqui, não podes deixar tudo por mim, tens o partido, és a "líder" do grupo de feministas, há mais mulheres a precisar da tua ajuda, tu vives para fazer a mudança acontecer!". 


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