Capítulo 61
N/A: Salve, salve, minha gente. Chegay com o penúltimo capítulo 💔😭
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Foi com certa tristeza que eu abri os olhos naquela manhã de domingo, o dia exato da partida da Juliette. O meu desejo era de que aquele dia nunca tivesse chego. Mas, infelizmente, ele chegou e eu estava péssima por isso!
Suspirei desgostosa enquanto deslizava uma das mãos pelo braço de Juliette, descansando sobre minha barriga enquanto sua cabeça repousava sobre meu ombro e uma de suas pernas estava jogada displicente sobre as minhas.
Sorri com tristeza, sentindo os olhos ficarem marejados. Tratei de enxuga-los antes que as lágrimas viessem a escorrer pelo meu rosto.
Como eram as coisas.... Eu que lá atrás, logo após os primeiros dias de convivência com ela, desejei imensamente que chegasse o dia dela ir embora para me ver livre de Juliette, agora que vejo esse dia chegar, estou sofrendo justo pelo fato de sua partida, por estar me separando dela.
Que coisa doida!
- Sarah... Ju...!!
Ouço a voz de minha mãe nos chamar do lado de fora do quarto enquanto dava leves batidas na porta.
Resmunguei um baixo "já vai" e, ainda assim, meu modo de falar fez Juliette despertar.
- Que foi, quatro olhos?
Ela quis saber ainda sonolenta.
- Minha mãe está batendo na porta. - contei, puxando com cuidado meu braço debaixo do pescoço de Juliette, para logo em seguida me levantar da cama e me dirigir à porta, que já era aberta no segundo seguinte. - Bom dia, mãe.
- Bom dia, querida! E a Ju?
Virei o rosto em direção a minha namorada, que se encontrava entre meio acordada e meio dormindo
- Ela ainda está acordando devagar.
Minha mãe sorriu.
- Bom diga à ela pra acordar logo. Tá na hora de vocês duas levantarem. Daqui há pouco mais de uma hora temos que ir para o aeroporto.
- Tá bom, mãe.
- Vou descer e ir preparando o café.
Assenti para ela, que deu-me as costas e seguiu pelo corredor vestida com seu robe. Fechei a porta e voltei para a cama, me deitando sobre Juliette que naquele momento já estava mais acordada.
- Hora de levantar preguiçosa. - dei-lhe um beijo na testa.
- Eu devia ter comprado passagem pra tarde, Sarah.
"Também acho!", Pensei.
Jogando os braços em torno do meu pescoço, Juliette me puxou mais para si em um abraçou apertado, entrelaçando suas pernas às minhas.
- Tô com preguiça de sair dessa cama, Sarará.
Seu jeito manhoso ao falar, me arrancou um melancólico sorriso. Naquele dia seria difícil sorrir de maneira alegre, espontânea e natural, só havia melancolia e tristeza dentro de mim. E isso se configurava na minha forma de sorrir.
- Mesmo não sendo também a minha vontade, a gente tem que levantar. - contei, acariciando com o polegar a maçã do seu rosto.
- É, eu sei! - ela ficou me olhando enquanto suas mãos agora deslizavam por meu cabelo. - Foi muito bom dormir com você. - Juliette confessou após um breve instante em que já estava me olhando.
Para mim também tinha sido muito bom dormir com ela. Tinha sido a primeira vez que eu passava a noite com uma garota. E ao mesmo tempo que foi a melhor noite, foi também a pior por ter sido a primeira e última noite nossa juntas.
- A gente merecia uma noite de despedida como a que tivemos.
- Despedida! - ela fez uma careta e escondeu o rosto em meu pescoço. - Nem me fale essa palavra, porque ela além de horrível, me dá urticária! - sussurrou com a voz abafada em meu pescoço.
Confesso que naquele instante compartilhava da mesma opinião que a minha namorada.
- Bom, eu acho melhor ir para o meu quarto tomar banho antes que a minha mãe apareça aqui e veja que ainda estamos deitadas.
Juliette assentiu em concordância e voltou a me encarar com seu olhos tristes.
Beijei sua testa e sem um pingo de vontade, saí de cima da minha namorada e logo em seguida, de seu quarto.
Vim pelo corredor e logo já me encontrava em meu próprio quarto. Me dirigi diretamente ao banheiro.
Sob a água que caía do chuveiro, eu não deixava de pensar que em pouco tempo não teria mais a Juliette ao meu lado.
Como dói e é difícil se separar de quem a gente ama!
Não imaginava que quando esse dia chegasse, eu sentiria tanta tristeza assim como já sinto. É como se uma parte de mim estivesse partindo junto com a Juliette. O que não deixava de ser verdade! Ela ia embora e levaria consigo uma parte de mim.
Por que ela tinha que morar tão longe?
E por que o destino gosta de juntar duas pessoas para depois separa-las?
Era tão injusto!
Deixei que algumas lágrimas escapassem dos meus olhos e escorressem por meu rosto, misturando-se com a água do chuveiro que molhava minha face.
Esse dia não devia ter chego. Esse dia nem devia estar existindo!
Terminei meu banho momentos depois de derramar mais algumas lágrimas. Me arrumei e desci com a lentidão de quem não quer chegar aonde sabe que deve chegar. Encontrei na cozinha minha mãe e a Juliette começando a tomarem o café delas.
- Bom dia! - cumprimentei as duas e me acomodei na cadeira vazia que havia ao lado da Ju. Sorri timidamente ao notar que minha namorada estava usando a camisa que lhe dei ontem. A peça ficava linda nela.
- Bom dia, querida. - mamãe me respondeu. - Falei agorinha com o Phil e ele estava terminando de tomar café na casa dele pra vir nos buscar.
O namorado da minha mãe se prontificou a nos levar ao aeroporto, pois além de nos acompanhar, ele também queria se despedir da Juliette lá.
- Ok!
Foi tudo que eu consegui dizer. Falar já não era do meu habitual e naquele dia ainda mais. Não havia vontade de falar, apenas de chorar.
Àquele nosso café da manhã nunca foi tão silencioso como naquele dia. Podia ver Juliette quieta como nunca antes e minha mãe triste, enquanto eu me encontrava arrasada.
Terminamos o café e arrumamos tudo ali. Assim que acabamos, a campainha tocou. Era o Phil. Não demorou nada e a mala com as coisas de Juliette já era posta no porta-malas do carro e a gente já seguia para o aeroporto.
- Você está mais calada que o seu habitual.
Juliette me murmurou com a cabeça apoiada no meu ombro, bem próxima do meu rosto.
Eu que apenas olhava a rua pela janela do carro, desviei meus olhos dali e encarei minha namorada. Nós estávamos sentadas juntinhas no banco de trás do carro.
- Eu estou sem muito ânimo pra falar!
Na verdade eu não tinha o que falar. Estava triste demais e o silêncio era a minha forma de externar o sentimento de tristeza que me acometia.
- Não queria que esse dia já tivesse chego, Ju. - confessei baixo para que só ela fosse capaz de ouvir aquilo.
- Nem eu! - ela disse no mesmo tom que eu havia me pronunciado e segurou em uma das minhas mãos que descansava sobre minha coxa, entrelaçando nossos dedos. - Não achei que em tão pouco tempo fosse gostar tanto de uma garota a ponto de... Me sentir tão mau por está me separando dela. Queria tanto poder ficar, Sah.
- E eu queria muito que você ficasse... Pra sempre!
***
No aeroporto encontramos Adélia, Leslie e May já nos aguardando, juntamente com tia Jacira e Gil. Todos tinham vindo para se despedir da Juliette como disseram que fariam ontem na festa.
Ficamos ali próximo a área de embarque, aguardando o chamado do vôo. E enquanto isso não acontecia, eu não saía de perto da Juliette que conversava com as primas e o Gil. Minha mãe, Phil, Adélia e tia Jacira também conversavam, e somente eu estava calada observando a interação entre minha namorada e os outros.
Depois de uma esperava razoável, as despedidas começaram a serem feitas já que faltava poucos minutos para o vôo ser chamado. Então o pessoal achou por bem iniciar logo isso.
Primeiro Juliette se despediu da tia e das primas demoradamente. Depois veio tia Jacira, Gil, minha mãe - que derramou algumas lágrimas ao se despedir da Ju - e o Phil. E, por fim, chegou a minha de vez de me despedir da minha namorada.
- Está sendo tão difícil fazer isso, sabia? Não queria está me despedindo de você. - forcei um sorriso. Um nó se formou em minha garganta e senti vontade de chorar como no banheiro e que nem minha mãe fez ainda pouco.
- Nem eu queria está fazendo isso também. Detesto despedidas!
- Passei a detestar fortemente isso também a partir de hoje, desse momento, mais precisamente.
O sorriso dela ao fim de minhas palavras foi tão forçado quanto o que eu dei também.
- Então, Juliette...
Eu comecei, mas não consegui continuar porque, simplesmente as palavras não vieram mais. Meu olhar se revezava em olhar ora para a Juliette, ora para as minhas mãos nervosas e inquietas.
Como eu não queria estar ali!
Como eu não queria que aquilo estivesse acontecendo!
Se eu pudesse, sumiria com a Juliette dali para algum lugar qualquer.
Quando eu resolvi enfim dizer algo, Juliette foi mais rápida que eu.
- Vou esperar que nas próximas férias você vá me visitar na Califórnia.
Eu podia jurar que ela se segurava para não chorar. Algo típico dela, sempre tentando bancar a durona e não querendo mostrar o seu lado sensível e frágil, o qual tive oportunidade de ver na vez em que ela me contou sobre a tragédia que aconteceu com seu irmão.
- Pode estar certa que vou! – dei um fraco sorriso.
Há um mês, ela entrou na minha vida e no momento que a conheci, eu a odiei. Mas aí, as coisas foram mudando e a antipatia que eu tinha por ela se transformou em outra coisa, outro sentimento. Muito mais forte. Muito mais intenso e grandioso.
Jamais imaginei que algo assim pudesse acontecer em um curto espaço de tempo, mas aconteceu. A hóspede que a princípio eu classifiquei como indesejável, tornou-se totalmente desejável. E mais ainda... Virou a dona do meu coração!
Completamente o oposto de mim, ela pôs de cabeça para baixo minha vida tranquila. E, por mais inacreditável que fosse para mim, acabou me conquistando de tal forma, que me descobri apaixonada por ela!
Sinto meu coração se apertar dentro do peito, só de pensar que a partir do momento que ela se for dali, eu não a terei mais ao meu lado, me irritando, importunando e me chamando por cada canto da casa de quatro olhos, nerd estranha, Sarará ou seja lá mais quantos apelidos ela inventou, porque já perdia a conta de quantos eles foram até ali.
Se fosse pela minha vontade, ela não iria mais embora. Ela ia morar para sempre na minha casa, mas isso era impossível. A vida dela não era aqui em Las Vegas e sim, na Califórnia com seus pais. E a minha era aqui com minha mãe. Nossas vidas separadas por milhas e milhas de distância.
- Promete que vai mesmo?
- Prometo! Eu vou, Ju.
Pretendia mesmo cumprir essa promessa. Iria até ela em sua cidade nas próximas férias. Já havia até dito isso a minha mãe e ela tinha concordado sem fazer qualquer objeção.
Para minha surpresa, Juliette me abraçou na frente de todos e eu desejei que o tempo congelasse e aquele nosso abraço durasse eternamente, mas o meu desejo não foi atendido e nós desfizemos o nosso abraço poucos instantes depois com relutância.
- Eu vou sentir sua falta, quatro olhos.
Ela socou meu braço como tinha virado seu costume fazer. Eu apenas sorri triste por aquela estar sendo a nossa despedida.
- Eu também vou sentir sua falta, garota insuportável.
Pela primeira vez, eu a via sorrir por tê-la chamado assim. Geralmente, ela fecha a cara e me olha de um jeito assassino, mas desta vez não foi assim. Talvez, porque desta vez estávamos nos despedindo.
- Não vai me esquecer, vai? Porque eu não vou te esquecer! – eu lhe disse com a voz embargada.
Ela pendeu a cabeça para a direita e sorriu de um jeito matreiro.
- Como posso esquecer a quatro olhos mais nerd que já conheci na vida?
Nós sorrimos e o primeiro chamado de seu vôo nos lembrou que a hora da partida dela chegou.
Nos despedidos com outro abraço apertado, e dessa vez, quem surpreendeu fui eu ao beijá-la na frente de todos. E ela correspondeu. Foi um beijo lento e demorado. Com gosto de tristeza e despedida, que nem o de ontem.
- Eu vou contar os dias pra te vê de novo. – murmurei assim que nossas bocas se separaram.
- Desse jeito vai ficar paranóica, Sarah!
Eu sorri. Ela até podia não querer admitir, mas eu sabia lá dentro de mim, que ela também contaria os dias para me ver novamente.
- Tchau, garota insuportável.
- Tchau, quatro olhos.
Então, ela seguiu para a fila de embarque e enquanto a via se afastar, pensei que não poderia deixá-la ir sem antes saber uma coisa, algo muito importante.
- JU!! – Gritei e ela se virou para me olhar. - EU TE AMO!
Seus olhos se arregalaram e depois do impacto de ter ouvido minhas palavras, ela me sorriu e deduzi que essa tinha sido sua resposta de que o sentimento era recíproco.
Aquela insuportável também me amava! Do jeito estranho e implicante dela, mas me amava!
E quando eu imaginei que ela fosse virar de costas e seguir para o embarque depois das minhas palavras, Juliette veio correndo rápido em minha direção e se jogou em meus braços, abraçando-me tão apertado quanto eu a abraçava também.
- Eu também te amo, Sarah! - ela murmurou com a voz embargada. Depois afastando seu rosto para me encarar, deu-me um beijo rápido nos lábios.
- Agora vai. Senão eu sou capaz de te segurar e não te deixar mais ir. - sorri, enxugando os olhos úmidos pelas lágrimas que se acumulavam.
Ela também sorriu com lágrimas nos olhos. Então minha namorada seguiu de volta para o portão de embarque. A gente ainda trocou um último aceno e um último olhar antes dela sumir após cruzar o portão.
E assim ela foi embora!
Por você, eu esperaria até o final dos tempos
Até os meus dias, meus dias acabarem
E diga que virá e me libertará
Apenas diga que esperará, esperará por mim.
(Til Kingdom Come - Coldplay)
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