Capítulo 52

- Mãe posso fazer uma pergunta pra senhora? Mas isso é pra ficar só entre a gente, ok?

Eu precisava tirar aquela dúvida que Juliette semeou em mim ontem, e minha mãe parecia a pessoa certa para isso.

- Claro, querida. - ela me respondeu enquanto se servia de mais um pouco de café.

- A senhora cansou de me ver dormindo, certo? - ela assentiu. - Por acaso, eu ronco?

A minha mãe abriu um sorriso ao ouvir a pergunta e ainda rindo, me questionou:

- Por que o interesse em saber disso, querida?

- É que... a Juliette disse ontem que eu ronco. E como ela gosta de ficar me perturbando, então não levei a sério isso que ela disse. Mas depois eu fiquei com curiosidade em saber se era verdade ou somente zoação dela nisso.

- Uma dúvida: como ela pode saber disso?

- Então é verdade? Eu ronco?!

- Sim. É um ronco baixo. Seu pai também roncava assim. Mas como a Juliette sabe que você ronca, Sarah?... Vocês por acaso andaram dormindo jun...

- Não! - me adiantei na resposta antes que minha mãe completasse aquela pergunta e pensasse besteira. Em seguida expliquei que ontem à tarde a gente estava vendo um filme no sofá e eu acabei cochilando no meio do mesmo, deixando Juliette assistindo sozinha ao filme. E quando ela me acordou após o término da película, veio com esse papo de que eu roncava.

- Você não está mentindo pra mim só para não contar que você e ela já transaram, né?

- Meu Deus! Não, eu não tô mentindo. A gente não fez isso.

Não ainda!

Mas se ela soubesse que as coisas quase seguiram para isso ontem à tarde, nem sei o que ouviria. Por isso mesmo, preferi omitir tal informação dela.

Só que a minha mãe para o meu desconforto resolveu insistir mais à esse respeito.

- Filha... Você e a Ju realmente ainda não...

- Não, mãe. - falei com rapidez.

- Mas vocês passam grande parte do tempo sozinhas aqui, Sarah. Nem ao menos tentaram isso?

- Mãe que assunto mais desconfortável pra se tratar à mesa. - tentei fugir daquela pauta.

- Não acho. Você pode me responder ou eu terei que perguntar à Ju?

- Perguntar o quê pra mim?

Ouvimos Juliette indagar enquanto entrava na cozinha coçando os olhos.

"Pensa rápido, Sarah. Pensa rápido!"

- Minha mãe queria saber se tínhamos algo planejado pra fazer nesse domingo.

Caramba, eu acho que nunca tinha inventado uma mentira tão rápido assim na vida. Olhei para minha mãe de relance e ela parecia segurar a vontade de rir da minha pressa em responder e da mentira que inventei de supetão.

- Ah, hoje eu quero ficar aqui. Não tô com disposição de sair, não!... A propósito, bom dia.

- Bom dia! - minha mãe e eu dissemos juntas.

- E aí, como foi sua saída com o Phil ontem, tia?

- Foi muito boa, querida. Nos divertimos bastante.

- Minha mãe disse que o Phil é um pé de valsa.

- É mesmo?

- Sim. Ele dança melhor que eu inclusive.

Aquele assunto tomou conta ali da conversa à mesa e eu agradeci por isso, pois fez tirar totalmente o foco da minha mãe do assunto que a gente tratava antes de Juliette aparecer ali.

***

- Você está com algum problema comigo, quatro olhos?

Virei-me para encontrar uma Juliette séria, de braços cruzados e encostada ao batente da porta do meu quarto.

- Não, Juliette. - neguei, tentando ser a mais convincente possível.

- Pois não é o que parece. - pelo jeito não me saí tão bem assim. - Você está estranha.

- Ué! Não é você que vive dizendo que sou estranha? Então... - brinquei para amenizar a situação.

- Mas você está mais estranha que o seu habitual. Mal me olha e quando me aproximo de você, se afasta ou dá um jeito de fugir de mim.

Para ser franca não havia problema da minha parte com ela. O negócio é o sonho que eu tive. Ele estava sendo o responsável por aquele meu comportamento com Juliette. Eu estava sem jeito de encará-la depois daquilo e mais ainda, de deixá-la se aproximar de mim e eu ter aquela reação toda que tive pela manhã no quarto enquanto pensava nela naquele sonho.

- É por causa de ontem?

Antes fosse!

- Não, não é.

- Então qual é o problema?

Ela entrou no quarto e parou há uma distância razoável de mim.

- Problema nenhum, Juliette.

- Quer dizer que você acordou assim me evitando sem motivo algum, é isso?

- Não tô te evitando coisa alguma, Juliette. Pára de ver coisa onde não existe. - ainda tentei desconversar.

Fui até ela e a abracei. Depois lhe dei um beijo rápido.

- Você é uma péssima mentirosa. Tem alguma coisa e você não quer me contar.

Pense em uma pessoa cismada e difícil de enganar, é a Juliette. Ela parece que tem um radar que detecta quando eu estou mentindo para ela. É incrível e impressionante.

- Você é cismada demais, sabia?

- E você acha que me engana, né?

- Vai sentir a minha falta quando for embora?

- Não foge do assunto.

- Não tô fugindo de nada. Só quero saber isso.

Eu realmente queria fugir do assunto e essa foi a primeira coisa que me ocorreu mencionar ali.

- Ok! Vou fingir seriamente que acredito em você. E sim, é claro que vou sentir sua falta, quatro olhos sem graça. - ela confirmou, dando um soco de leve em meu braço. - E você, vai sentir à minha?

- Todos os dias! - murmurei antes de beijá-la de maneira mais contida que ontem.

Eu me apaixonei de verdade por essa garota e já estava sofrendo por antecipação pela partida dela, que aconteceria em alguns dias. Se eu pudesse prendê-la e não deixá-la voltar mais para a cidade natal dela, eu a prenderia.

Queria que Juliette ficasse aqui para sempre, mas eu sei que isso é impossível.

Enquanto ainda nos beijávamos, ouvimos alguém pigarrear da porta do quarto. Era a minha mãe. Imediatamente, interrompemos o beijo e olhamos para ela sem jeito por ela ter nos pego aos beijos.

- Vocês não precisam ficar assim toda vez que eu as pegar se beijando. - minha mãe nos disse com um meio sorriso.

Ela tinha razão, mas é difícil não ficar sem jeito por ela nos pegar naquela situação, ainda mais para mim que sou bem envergonhada.

- O almoço já tá pronto, venham.

- Já estamos indo.

Então saímos do quarto e seguimos minha mãe até à cozinha.

O restante do dia passou meio que voando e quando foi à noite Phil apareceu para uma visita e também para nos fazer um convite de sair os quatro para jogar boliche. Pareceu um ótimo programa para se fazer em um domingo à noite.

E então, fomos os quatro ao boliche. O lugar estava bem movimentado. Muitas famílias e casais jogando. Minha mãe, Phil, Juliette e eu parecíamos mais uma família no meio de todas ali.

Foi divertido e empolgante o tempo que passamos ali e o jogo que travamos também. As duplas formadas para jogar foram: Juliette e mamãe, e Phil e eu. O início do jogo se mostrou fácil e favorável demais para Phil e eu. Apesar de não ser muito a minha praia boliche até que estava me saindo bem e meu parceiro era ótimo também, então logo a gente abriu uma vantagem confortável das meninas no placar. Só que da metade em diante do jogo, a minha mãe e Juliette foram conseguindo alguns strikes e deslanchando no jogo, que a nossa vantagem para elas foi caindo drasticamente.

A cada pontuação a menos que a gente fazia em relação a delas, as duas comemoravam e faziam pouco de mim e Phil.

- Onde foi parar a alegria de vocês, hein?

Juliette nos provocou em determinado momento do jogo.

- Ri por último quem rir melhor, Juliette. - rebati à ela enquanto pegava a bola e me dirigia para jogar, pois era a minha vez.

Phil e eu víamos a vantagem só cair e cair. A gente tinha começado tão bem o jogo e agora estávamos péssimos. Enquanto que as nossas adversárias começaram péssimas e agora estavam arrebentando com a gente.

- Desse jeito vamos perder pra elas. - Phil me murmurou após vermos minha mãe acertar mais outro strike. 

Desde quando ela sabia jogar tão bem assim boliche?

- Mas a gente ainda tá na vantagem. Temos mais três jogadas e elas duas. Se acertamos pelo menos um strike e elas nenhum mais, ficamos com o jogo na mão.

- Dá pra pararem de cochicho e jogarem.

- Já vamos. Calma!

Phil foi jogar e ele foi péssimo. Só conseguiu derrubar quatro pinos. E na jogada seguinte, Juliette derrubou nove.

E quando chegou a última jogada delas, um novo strike. Agora, a vantagem ficou com elas e coube à mim a responsabilidade de dar ou não a vitória a gente. Eu precisava de uma pontuação boa, mas assim que lancei a bola já vi que não ganharíamos. A vitória ficou com as meninas mesmo. Coube a Phil e eu aceitarmos que elas realmente mereceram aquela vitória de virada. E depois de um jogo desses, Phil nos levou para comer uma pizza em comemoração à vitória das garotas, logo em seguida, ele nos deixou em casa.

***

- Como são seus pais, Ju?

- Por que o interesse?

- Curiosidade. Você nunca me falou deles antes.

Ela se virou de frente para mim no sofá. Já estava meio que virando um hábito nosso ficarmos deitadas juntas naquele mísero espaço do sofá. Eu gostava disso, pois me proporcionava ter Juliette bem pertinho de mim.

- Meu pai é bravo e morre de ciúmes de mim. Desde a morte do Washington, ele ficou muito mais próximo ainda de mim e me cercando de cuidados que às vezes chega a me sufocar. - ela fez uma careta. - E já a minha mãe, ela é mais tranquila, tipo a sua mãe. Tenho certeza que o dia que as duas se conhecerem se darão super bem.

- Hum... Acha que quando eu for te visitar lá em San Francisco, eles irão gostar de mim?

A julgar pelo que ela falou do pai, eu acho que ele não irá gostar muito de mim. Ainda mais quando souber que sou namorada da filha dele.

- Você vai mesmo me visitar lá?

- Claro que sim. Por que dúvida disso?

- Ah... Eu... Acho que depois de um mês que eu já tiver ido, você nem vai mais lembrar de mim, quanto mais ir me visitar lá na minha cidade.

- Você não sabe o que tá dizendo.

- Sei sim. E digo mais, se duvidar, você vai arranjar outra depois que eu for embora e me esquecer em um piscar de olhos, Sarah. - ela esboçou um sorriso, mas eu não vi razão alguma para rir.

- Realmente, você não sabe o que tá dizendo. - olhei sério para ela, não gostando nada do que ouvi. Logo em seguida, me levantei, ficando sentada no sofá. - Você não tá levando a sério os meus sentimentos, não é? Por acaso, acha que tudo isso é só uma diversão pra mim?

- Ei! Calma. Eu não queria te ofender, foi mal.

- Sabe o que eu acho, Juliette? É que você... - toquei com o dedo indicador em riste seu ombro. -... É que vai me esquecer em um piscar de olhos depois que voltar pra sua cidade, isso sim.

Como ela pode pensar que eu faria aquilo?

Era mais fácil ela fazer. Ela encontrar alguém mais interessante que eu e acabar esquecendo a idiota nerd que se apaixonou por ela.

- Não, espera. - ela me segurou quando fiz menção de levantar de vez do sofá. Eu havia ficado irritada com suas palavras e ela percebeu. - Me desculpa pelo que eu disse?... Sarah, por favor??

Eu apenas me limitei em assentir sem lhe dirigir o olhar.

- E sobre o que você disse a respeito de eu te esquecer, quatro olhos... Isso não é verdade. Eu jamais vou te esquecer, nerd sem graça.

Ao ouvir isso, eu olhei para ela.

- Você acredita em mim, não é?

- Sim! Ao contrário de você que não acredita em mim. - alfinetei ainda de cara amarrada.

- Isso não é verdade.

Às vezes eu tinha a impressão que era, principalmente, quando era relacionado aos sentimentos que eu tinha por ela.

- Tanto faz mesmo. - dei de ombro em desleixo.

- Sarah, olha...

- Já deu pra mim esse assunto. Se continuarmos nele, vamos acabar brigando e eu não quero isso.

Tudo o que eu não queria era briga entre a gente.

- Tá, mas você não disse se me desculpa.

- Eu te desculpo. - resolvi aceitar suas desculpas para encerrar aquele assunto e pôr um fim naquele clima estranho que se formou ali.

Juliette se aproximou mais de mim e tomou a iniciativa de me beijar. Eu corresponde ao beijo alguns segundos depois. Foi um beijo de curta duração, mas foi arrebatador. E quando nossos lábios se separaram, eu ouvi dela o que eu não esperava ouvir.

- Quanto aos meus pais gostarem de você ou não, isso não importa. Quem tem que gostar de você sou EU. E eu gosto muito de você, quatro olhos.

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Ai, essas duas 😍

Encerramos aqui nossa cota diária de capítulos.

E tenho duas palavras tristes para vocês: reta final.

É a fic, infelizmente já vai acabar, minha gente 😔🥺

Falta bem pouquinho para o fim 💔

Até amanhã.

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