Capítulo 43
- Sarah fica de bico fechado. - ouço Juliette pedir enquanto fechava devagar uma porta que parecia muito com a da minha casa, mas eu não tenho bem certeza se é.
- Por que eu... tenho que ficar de... bico fechado? - pergunto enquanto ela me ampara pela cintura já que mal me aguentava em pé sozinha. Acho que exagerei um pouquinho nas cervejas.
Não era a minha intenção beber. Mas tanto as primas da Juliette quanto Daniel e Luísa me botaram uma pilha tão grande que acabei cedendo e bebendo além da conta. E acho que estou bêbada. Só acho.
- Porque eu tô mandando. - Juliette sussurra me fazendo caminha junto com ela.
Eu a olho e vejo suas Juliettes e sorriu.
- Vocês duas são mandonas.
- Nós duas?
- É. Você, Juliette 1 e você, Juliette 2. - aponto, rindo.
- Somos mesmo. Então trate de obedecer, ficando com essa boquinha fechada.
- Sim senhora. - bati continência e meu dedo foi certo no meu olho. - Au, caceta!
- Bem feito e cala boca, Sarah! É o último aviso.
- Você é um... Poço de sensibilidade. - resmungo só para mim.
- Eu escutei.
Alcançamos as escadas e eu nunca vai tanto degrau na minha vida. Quando foi que a escada de casa ficou com aquele monte de degraus?
- Juliette... você vai ter que... me ajudar a subir as escadas. Eu... não sei se dou conta de... fazer isso sozinha... gatinha. - peço, encostando minha boca em sua orelha.
Minhas pernas não me obedeciam e sem contra que eu as sentia moles. Eu, definitivamente, não daria conta de subir sozinha aqueles degraus todos que via.
- Gatinha??
- Não era assim que... a Pocah... te chamava? - a encarei. Sentia os olhos pesados de sono.
- Deixa a Pocah pra lá.
- Você não gostou... que eu te chamei que nem ela chamava?
- Não.
- Hum... Vou inventar outro apelido então... Que tal... Mozão?
- Meu Deus!... Olha, sem condições pra você viu?... Vamos subir?
- Vai me ajudar a subir, Mozão?
- Céus! Eu te ajudo, mas silêncio!
- Shiiuu... Silêncio! - repito para ela sorrindo. Só sei sorrir, não sei porquê. - Continuo vendo duas de você! - digo aos risos.
Minha cabeça está uma confusão doida e minha vista estava vendo tudo em dobro.
- Que vexame, quatro olhos! Não devia ter bebido assim. Sua mãe vai te matar e me matar se ver você assim.
- Mata não! - nego com a cabeça enquanto subo com dificuldade os degraus. - Ela gosta de você e... de mim! Além do mais... eu só bebi porque o... pessoal insistiu nisso.
- Ah, quer dizer que se eles insistissem pra você se jogar de uma ponte, você se jogaria?
- Só se você se jogasse comigo! Você se jogaria comigo né? - paro e olho para Juliette.
- Claro que não. Tenho muita coisa pra viver ainda e você também. Agora chega de papo. Vamos continuar subindo antes que sua mãe apareça e n te pegue nesse estado deplorável.
Retomamos devagar os passos e subimos com Juliette me amparando pela cintura enquanto eu segurava no corrimão da escada.
- Pensei que esses degraus não iam acabar. - resmungo ao chegarmos ao topo da escada.
- Não vou te mandar calar a boca de novo, Sarah.
Seguimos em direção ao meu quarto, eu acho. Não sei bem.
- Você é linda, Ju! - sussurro no ouvido dela em determinado momento.
- E você está quase me deixando bêbada também ao ficar falando perto de mim assim.
- Acabei de... te elogiar e... é isso que me diz?
- Pela última vez, Sarah... Fica de boquinha fechada, tá bom? Senão a sua mãe vai nos ouvir.
- Então me dá um beijo. - me inclino para beija-la, mas ela põem a mão na frente.
- Que beijo o quê?! E calada, Sarah Carolline! É o último aviso. Tô falando sério.
- Chata! - sussurro.
Chegamos ao meu quarto por fim. Juliette me ajudou a sentar na cama e desabei de costas na mesma, fechando os olhos logo em seguida. Eu estava morta de sono, mas no instante seguinte, torno a abri os olhos porque Juliette me chamava para tirar aquela roupa antes de dormir.
- Eu não quero tirar nada. Quero dormir, Juliette! - resmungo, virando de lado na cama e caindo em sono profundo logo em seguida.
***
Abri meus olhos, mas no instante seguinte tornei a fechá-los por conta da claridade que vinha da janela do quarto e "iluminava" o cômodo todo.
Ouvi uma batida na porta do quarto e minha cabeça latejou com o som da batida.
Se for a minha mãe, eu estou ferrada, pois ela ia notar de cara que estou de ressaca. E tudo que eu não quero é ouvir sermão logo cedo.
Outra batida na porta e mais uma vez, minha cabeça latejou com cada som daquele.
- Entra! - falei.
Até o som da minha própria voz fazia a minha cabeça latejar de dor.
Vou lembrar de não tornar a beber cerveja tão cedo na vida!
Vi a porta abrir e graças a Deus não era minha mãe e sim, a Juliette.
- Uau! Você acordou péssima.
Ela não faz ideia do quão estava certa.
- Minha cabeça está latejando de dor. - reclamei cobrindo o rosto com um dos braços.
- Sabe o que é isso? Ressaca, baby! Quem manda cair na pilha dos outros?!
- Ah, Juliette, sermão, não! Por favor. Tô sem condições pra ouvir isso.
- Tá bom!
Agradeci mentalmente pela compreensão dela. Senti um movimento na cama poucos segundos depois e tirando o braço de cima do rosto, e abrindo um pouco os olhos, vi que Juliette tinha sentado ali ao meu lado.
- E a minha mãe?
- Bem... tenho duas notícias pra te dar em relação à sua mãe. Uma é boa e a outra é péssima. Qual você quer ouvir primeiro?
- A péssima. - respondi passando as mãos pelos olhos.
- Ok! A péssima notícia é que... a tia Abadia já sabe que você se embebedou na festa, pois viu da cozinha o seu estado quando chegamos.
Isso era uma péssima notícia mesmo. Já teria que ir me preparando para o sermão que ouviria dela quando chegasse do trabalho.
- E a boa? - lancei um olhar a Juliette que penteava meus cabelos com seus dedos.
- A boa é que ela já saiu pra trabalhar e você só irá enfrentá-la a noite, já que ela disse que não vem almoçar em casa.
Melhor, pois assim terei tempo de sobra para me preparar psicologicamente para o que ouviria.
- Ela vai me dá um sermão daqueles. Já tô até vendo.
- Ela estava uma fera. Disse que só não chamou sua atenção ontem mesmo, porque não estava em condições.
- Eu estava tão lamentável assim?
- Pior que estava, viu. Me chamou até de gatinha, Mozão, linda.
- Você está me zoando.
- Não mesmo. Você me chamou disso tudo. Estava uma verdadeira bêbada gay melosa.
- Céus! - cobri o rosto com amavas as mãos enquanto ouvia Juliette se desmanchar em risadas.
- Foi engraçado. Mas na hora eu estava puta com você porque não calava a boca e eu morrendo de medo da tia Abadia aparecer, e te pegar naquele estado.
- Ela disse pra eu não beber ontem e eu não só fui beber como exagerei.
- Mas talvez ela pegue mais leve com você, porque eu meio que tentei amenizar a sua situação e limpar sua barra um pouco com ela.
Eu encarei Juliette com surpresa.
- Você fez isso? - ela assentiu, sorrindo. - O que disse pra ela?
- Isso aí já é segredo de estado!
- Ah, não, Juliette! Conta aí, vai. - pedi. Na verdade, implorei.
- Não vou contar nada. Não insiste. Agora levanta daí, vai. Vem tomar café, porque já passou da hora.
Ela se pôs de pé e começou a puxar o meu lençol.
- Ei! Não puxa isso. Eu tô só de calcinha e sutiã, sabia?
Eu segurava o lençol para que Juliette não o puxasse de mim e acabasse por ver que eu me encontrava seminua. A propósito, eu não faço ideia de como tirei a roupa e fiquei só de lingerie, mas acabei descobrindo isso no instante seguinte quando ouvi Juliette dizer:
- É óbvio que eu sei que está só de calcinha e sutiã. Até porque, fui euzinha quem te deixou assim.
- Você tirou a minha roupa?
Eu estava em choque com aquilo.
- Sim! Sua roupa estava suada e fedida, eu não ia te deixar dormir com ela. Deu um enorme trabalho te despir, porque você simplesmente apagou em sono. Mas no fim consegui te deixar só de roupa íntima, nenê.
Eu fiquei sem ação e extremamente sem graça por aquilo.
- Não precisa ficar assim envergonhada, porque nem reparei muito. Quer dizer, reparei sim!
- Juliette!!
- Tô brincando!... Só reparei um pouquinho, porque também não sou cega e nem de ferro, né? Mas não tirei nenhuma casquinha de você, se isso te serve de consolo!
- Ah, muito!
Ela riu com deboche do que eu disse.
- Tá, agora levanta daí e vamos tomar café.
- Não quero levantar e muito menos tomar café. Aliás, só de pensar em café meu estômago se revira.
Eu estava enjoada e com a boca amarga. Sem contar na dor de cabeça.
Pensar em comida naquele estado em que me encontrava, não era agradável. Me causava mais enjôo.
- Mas você não pode ficar sem nada no estômago. Isso não é legal! Então levanta daí.
- Não, Juliette. Eu não tô a fim de levantar daqui.
- Sabe que horas já são?
- Não faço ideia. - respondi de olhos fechados.
- Carolline não dorme. Levanta daí.
- Ai, meu Deus! Juliette me dá só mais quinze minutos.
Eu estava com sono e sem um pingo de vontade de sair dali da cama.
- Que mais quinze minutos nada. Levanta, vai. Eu não quero ficar lá embaixo sozinha. Anda!
A minha vontade era de passar mais um tempo ali em minha confortável cama, mas pelo visto isso não ia rolar, não.
- Tá, Juliette! Você venceu. Desce que já desço também.
Eu não ia levantar e desfilar na frente dela só de lingerie. Tudo bem que ela me viu assim há algumas horas, mas eu não estava sóbria, ou sequer, acordada. Agora, eu estava e não ia deixar isso acontecer de novo.
- Não demora.
- Tá, não vou demorar.
Quando eu achei que ela fosse seguir para porta e sair do quarto, Juliette me surpreende, vindo até mim novamente e me beijando de um jeito que até me fez perder o ar.
- Bom dia! - ela me diz com um sorriso nos lábios após nossas bocas se separarem.
Esse era o melhor "bom dia" que ela podia ter me dado.
- Bom dia! - retribuo as palavras dela também com um sorriso estampando os meus lábios.
Ela se pôs de pé e seguiu para a porta, dizendo que se em cinco minutos eu não descesse, ela subiria com uma jarra de água gelada para jogar em mim.
Que amor de garota, eu arrumei para mim!
***
- Por acaso, eu fui atropelada por um caminhão e você esqueceu de me contar? - questionei ao me acomodar na cadeira vazia ao lado de Juliette na cozinha.
- Por quê?
Ela parecia se divertir com aquilo.
- Eu estou toda doída. Na hora que me levantei da cama, doeram todos os músculos existentes em mim.
Juliette caiu na gargalhada ao me ouvir e eu não gostei disso, mas gostei do som agradável que sua gargalhada emitia.
- Você está toda doída assim, quatro olhos, porque quando já estava mais "alegrinha" encarnou a versão feminina do John Travolta na pista de dança.
Eu arregalei os olhos quase não acreditando naquilo.
- Fala sério, Juliette. Você está inventando isso.
Aquilo só podia ser invenção dela. Eu bancando a dançarina estilo John Travolta? Ridícula essa invenção dela.
- Pra quê que eu ia inventar?
- Óbvio que pra me zoar, não?
- É, faz todo sentido isso, mas... eu estou falando a verdade, mesmo que não acredite. Você não queria parar de dançar depois que bebeu algumas cervejinhas. Encarnou a dançarino da noite.
- Pára de brincadeira, Juliette
- Juro pra você que não estou brincando. E devo te confessar que alegrinha, você é totalmente desinibida, sabia?
Quem não é também com umas na cabeça?
- Eu não lembro nada disso que você está dizendo, Juliette. E se eu não lembro, então não aconteceu.
- O que é uma pena pra você!
Fiquei com vontade de perguntar mais coisas a respeito do meu comportamento ou se eu tinha dito alguma besteira, mas fiquei com receio de fazer isso e descobrir coisas que me deixariam com mais vergonha de mim mesma do que eu já estava.
- Como chegamos até aqui em casa? Também não lembro disso.
Na verdade, eu não lembrava nada da metade da noite ao fim dela. A única lembrança que tenho nítida era de estar na terceira garrafa de cerveja e Juliette me dizer para ir devagar ou terminaria a noite bêbada, o que de fato acabou acontecendo.
- Claro que não lembra. Estava chapada já. A gente veio de táxi. Agora cuida de tomar esse café puro pra curar essa ressaca.
Ela preocupada comigo estava sendo a melhor coisa nisso tudo!
Um tempo depois de ter tomado o café e comido uma fruta - foi só o que eu consegui ingerir - Juliette e eu nos encontrávamos na sala sentadas no sofá tentando achar algo interessante para ver na TV. Juliette ia trocando de canal até que parou em um que estava passando o clipe de uma banda.
- Ai, eu adoro essa música!
Ela disse toda empolgada e aumentando um pouco mais o volume da TV.
- Juliette não põe muito alto. Eu estou com dor de cabeça.
- Problema seu! Quem manda beber.
Ela pôs a TV em um volume alto, logo depois começou a cantar a música do clipe.
A música era "Crazy" do Aerosmith e estava na metade já.
Eu até que gostava bastante daquela música, era uma das minhas prediletas da banda. Sabia a letra e tudo, mas não ia cantar com Juliette. Fiquei apenas assistindo e me divertindo com aquela insuportável cantando. Até que ela não canta mau.
E assim que ela terminou de cantar pediu para eu bater palmas pelo "show" dela.
- Você é uma figura, Juliette! - Lhe disse enquanto batia palmas para ela.
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Nossa cota de capítulos diária acaba aqui.
Não posso deixar de agradecer as estrelinhas e comentários que têm deixado ao longo da fic. Muito obrigada❤️
E, infelizmente, amanhã e quarta não terá atualizações dessa fic, mas quinta-feira, eu volto com capítulos novos. Xero.
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