Capítulo 39

- Que tanto você olha no relógio? Por acaso vai tomar remédio.

Olhei para Juliette e notei que tanto ela quanto minha mãe que se encontrava no outro sofá, estavam me encarando.

E agora?

- Só estou vendo se não deu a hora de a comida que pedi chegar. Eu tô com fome. - me justifiquei para elas.

Juliette pareceu não se convencer muito com minha desculpa furada. Mas a minha mãe ao que parece sim.

- Foi uma boa ideia essa de você pedir comida japonesa pra jantarmos, filha.

Assenti para ela.

Na verdade havia mais do que isso por trás daquela minha ideia de pedir aquele jantar, que por sinal, eu fingi ter pedido por telefone. Só que tanto minha mãe, quanto Juliette sequer imaginavam isso.

- Eu tô curiosa pra experimentar, pois nunca comi esse tipo de comida.

- É uma delícia, Ju. Sarah adora, não é querida?

- É!

A campainha enfim tocou e eu me apressei em levantar do sofá para atender a porta, pois já podia imaginar quem era.

- Deixa que eu atendo. - anunciei, pois não queria que uma delas fosse fazer isso.

- Nossa, ela está com fome mesmo!

Ouvi ao fundo Juliette comentar à minha mãe enquanto já me dirigia a porta. Não era bem por isso que eu estava com aquela pressa toda e elas já descobririam.

Ao abrir a porta, eu sorri amigavelmente para a pessoa que trouxe o nosso jantar e gesticulei com a cabeça para ele entrar. Assim ele fez.

- Foi daqui que pediram um jantar japonês?

As duas viraram tão logo Phil disse aquelas palavras após entrar.

- Phil? Que surpresa!

Minha mãe disse e olhou para mim.

- Eu o convidei pra jantar com a gente! - contei.

"Pouco tempo depois de ter ouvido a conversa delas e subido para o meu quarto, eu desci novamente e dei um jeito de conseguir pegar o celular da minha mãe sem que ela percebesse é claro, e descobri o número do Phil. Depois sem o conhecimento da mesma, eu liguei para ele.

- Phil?

- Sim. Quem fala? - ele não havia reconhecido minha voz e nem o meu número, já que não o tinha mesmo.

- Sou eu a Sarah.

- Oi, Sarah! Aconteceu alguma coisa? Sua mãe está bem?

- Tá, sim. Não se preocupe. - tratei de dizer ao sentir seu nervosismo ao falar. - Eu liguei por outra razão. - fiz uma pequena pausa antes de fazer aquela pergunta. - Gostaria de saber se aceita vir jantar aqui em casa hoje com a minha mãe, Juliette e eu?

Por um breve momento ficou um silêncio no outro lado da linha. Juro que pensei até que tivesse caído a ligação e quando ia perguntar se o Phil ainda estava na linha, escuto sua voz novamente.

- Aceito sim, com todo prazer claro.

Fiquei aliviada e feliz pela aceitação dele.

- Então tá convidado a vir jantar hoje com a gente. - o que a gente não faz por uma mãe e pela garota que a gente gosta. Era por elas duas que eu estava mais fazendo aquilo. - Eu vou ligar pra um restaurante japonês e pedir o jantar mais tarde.

- Se não se importar, eu poderia fazer isso. Aqui perto do meu trabalho têm um ótimo restaurante japonês, posso passar lá e comprar o jantar.

- Tudo bem então! E gostaria de pedir que não comentasse com a minha mãe sobre o meu convite. É que quero fazer uma surpresa pra ela.

- Ok!

- Então nos vemos à noite."

- Você fez isso?

- Sim. - confirmei à Juliette que parecia tão surpresa com aquilo quanto a minha mãe. - Quis fazer essa surpresa pra minha mãe. Achei que seria legal chamar seu namorado aqui. Sem contar que, também seria uma boa oportunidade de eu conhecê-lo mais e da gente conversar, não é Phil?

Agora o surpreso era ele. Acho que não esperava por aquelas minhas palavras. Mas logo após se recompor da surpresa, ele assentiu com um sorriso, concordando com o que eu disse.

Vi minha mãe sorrir feliz por minhas palavras e meu gesto de baixar a guarda contra Phillip e tentar me aproximar do namorado dela. Ela bem sabia o quão aquilo não era fácil para mim.

- Obrigada pela surpresa, querida. - minha mãe piscou para mim toda contente.

Eu estava orgulhosa de mim e da minha boa vontade em proporcionar aquela alegria à minha mãe. Daqui para frente seria assim.

- Bom... eu vou à cozinha buscar pratos e copos pra gente jantar. - anunciei.

- Eu vou com você. - Juliette se pronunciou logo depois de mim.

Assenti para ela e então nós seguimos à cozinha, deixando minha mãe e Phillip a sós na sala.

Já na cozinha enquanto eu estava apanhando os pratos de dentro do armário, podia sentir os olhos de Juliette em minhas costas.

- Você pode pegar os copos pra mim aqui nessa outra porta do armário, por favor. - pedi à ela.

- Claro!

Ela veio e postando-se ao meu lado, começou a retirar os copos como lhe pedi.

- Tô surpresa ainda com a sua atitude. - ela disse de repente, após pegar os quatro copos necessários, fechar a porta do armário e me encarar. - Mais cedo, você parecia tão irredutível em ceder à isso. Fico contente em ver que mudou de ideia. E sua mãe também ficou contente com a sua iniciativa de chamar o Phil.

- Eu só fiz o que era certo. - decidi não contar para a Juliette sobre ter ouvido a conversa dela com a minha mãe mais cedo. Faria disso um segredo. O meu segredo! - E também, resolvi dar uma chance ao Phil de ser meu amigo. Ele já deu mostras de que pode ser um bom amigo. Além do mais, ele e eu temos algo em comum: o amor por uma mesma mulher, só que cada um a sua maneira e seu jeito. E acredito que ele assim como eu, só queira a felicidade da minha mãe, então... Que assim seja!

- Que bom que pensa assim. Tô mega orgulhosa de você, quatro olhos. - ela me confessou com um sorriso feliz.

- Bom se é assim... eu acho que tô merecendo um beijo, né?

- Sabia! Você fez isso só pra que eu voltasse a te beijar, não é?

- Não! Eu fiz pela minha mãe, pra vê-la feliz. E também, fiz por você, mas não pra que voltasse a me beijar. - apressei-me em explicar. - E sim, pra que não me visse como uma criança que fica de birra com o namorado da mãe. Será que depois dessa noite apaguei essa visão errada que fazia de mim?

- Apagou. Agora o que eu vejo é uma garota que aceita o fato da mãe está refazendo a vida dela com alguém legal.

- Não é exatamente assim ainda, mas vamos chegar nisso um dia.

Nós sorrimos juntas.

- Tô esperando o meu beijo. - disse a ela assim que paramos de rir.

Sem dizer mais nada, ela veio e me beijou que nem quando eu a beijei a primeira vez no museu. Mas infelizmente, o nosso beijo só durou alguns poucos segundos, já que minha mãe apareceu na cozinha nos interrompendo.

- Oh! Agora entendi a demora de vocês.

Tanto Juliette quanto eu nos afastamos na mesma hora. E ficamos sem graça com aquelas palavras da minha mãe e o fato dela ter pego a gente se beijando.

- Foi mal, mãe. A gente...

- Não precisa se desculpar e muito menos me dar explicações, querida. Eu não proibi vocês de se beijarem, lembra? Eu disse pra não ficarem com tanto agarramento pela casa, apenas isso. - assenti sem jeito. - Agora que tal vocês levarem esses pratos e os copos pra jantarmos ou do contrário, a comida vai esfriar.

- Claro!

Com os copos na mão de Juliette e os pratos na minha, nós seguimos a minha mãe de volta a sala. E logo já estávamos apreciando o jantar que Phil havia trago para gente. Juliette se enrolou no começo com os hachis, mas eu a ensinei e logo ela já havia pego o jeito.

Foi um jantar divertido e agradável. Eu decidi ser mais participativa e conversar bem mais com Phil, o que não ocorreu no primeiro jantar que tivemos.

Ele era legal!

E acabei descobrindo que tínhamos algo em comum: o gosto por xadrez. Phil disse que adora jogar xadrez e que dificilmente costuma perder.

- Bom, eu também não sou de perder com facilidade assim. - contei a ele.

- Vocês podiam jogar depois do jantar pra gente ver quem ganha quem nesse jogo. - Juliette lançou o desafio para gente.

- Se o Phil topar, eu topo.

- Por mim já está topado.

- Então se prepara pra perder pra mim, Phil. Porque eu sou muito boa no xadrez.

- Vamos ver!

Nós terminamos o jantar um tempo depois e após limpar a mesa onde havíamos jantado, eu fui ao meu quarto apanhar o tabuleiro de xadrez que era do meu pai e que ficou para mim após sua morte.

Já de volta a sala com o tabuleiro e as peças devidamente arrumadas, Phil e eu começamos a jogar sob os olhares atentos de Juliette e minha mãe, que disseram não entender nada do jogo e das regras.

Foi uma partida complicada e difícil, pois meu oponente realmente jogava muito bem mesmo. Mas eu também jogava bem, só que não foi o suficiente para ganhá-lo. No fim das contas Phil acabou me vencendo em um incrível xeque-mate.

- Essa é a primeira vez que vejo minha filha perder assim, Phil. Você conseguiu uma façanha!

- Nossa! Se é assim me sinto um privilegiado.

- Você joga melhor que eu. Tenho que reconhecer isso! - eu disse com sinceridade.

- Se quiser uma revanche.

- Fica pra um outro dia, com certeza.

Eu achei que seria a hora de deixar minha mãe e o namorado dela sozinhos ali na sala. Eles mereciam o momento a sós dele. E inventando uma desculpa qualquer, eu subi com Juliette, deixando os dois sozinhos na sala.

- Se você não tomasse a iniciativa de deixá-los a sós, eu faria isso. - Juliette me disse quando entramos no meu quarto.

- Não tenho dúvidas disso. Mas eu me antecipei. Eles mereciam ter esse momento a sós deles. Sem contar que, deixá-los sozinhos proporcionaria a gente também ficarmos sozinhas por tabela. Desse modo, eu juntei o útil ao agradável. E o resultado é eles lá sozinhos, e a gente aqui sozinhas. - concluí com um sorriso.

- Mas que sagaz você!

- Muito! E acho que devemos aproveitar esse momento a sós.

- Como certamente os dois lá na sala estão aproveitando?

- Não me faça imaginar essa cena da minha mãe aos amassos com o Phil no sofá da sala, porque não é uma cena agradável que quero ter.

Juliette caiu na gargalhada do que eu disse.

- Não ri, não, porque isso não é engraçado. - abracei Juliette e ao lhe dirigir tais palavras, fingi uma seriedade que estava longe de ter.

- É, sim. Até você quer rir do que disse. - ela apontou para meus lábios.

- Não é verdade! - retruquei mentirosamente, enquanto apertava os lábios para não rir de fato daquilo.

- Eu já disse que você é uma péssima mentirosa?

- Uhum... - resmunguei com a minha boca colada a de Juliette.

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Por hoje ficamos por aqui. Mas amanhã tem mais.

Xero.

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