Capítulo 3
Por que essa amiga da minha mãe teve que pedir justo a ela para hospedar sua sobrinha?
Será que ela não tinha outras amigas para pedir isso?
Aquela garota ia fazer da minha vida um inferno, eu podia prever ou pior, sentir isso! Talvez ela fosse até uma versão piorada da Karol! Meu terror dessas férias!
- E então quatro olhos, a gente vai entrar ou não?
- É Sarah! Me chame de Sarah.
- Prefiro quatro olhos. – ela retrucou com um ar irônico.
- Mas eu não! Tenho nome sabia?
Não ia deixar aquela garota ficar me chamando assim. Já bastava ter que ouvir da Karol na escola isso e nerd, agora teria que ouvir dessa estranha e pior, dentro da minha própria casa? Definitivamente, não!
- Tudo bem, não precisa ficar nervosa.
- Eu não tô nervosa!
Pior que eu já estava nervosa. Na verdade, muito nervosa com aquela criatura, comigo, com a tia dela que pediu a minha mãe para hospedá-la aqui e até com a minha mãe que aceitou aquele ser na nossa casa.
- Não é o que tá parecendo, mas enfim... Eu vou te chamar de Sarah se você prefere assim, quatro olhos. Ops, foi mal!... Chamei você de quatro olhos de novo... Ih! Chamei de novo, desculpa!
Ela ria se divertindo com isso e eu cada vez mais a odiando.
Deus me ajude para aturá-la durante um mês!
Sem dizer nada, peguei a grande mala dela e saí arrastando para dentro de casa, e deixei para aquela garota chata, a missão de fechar a porta.
- Sua casa é bonita!
Ouvi aquela garota comentar após fechar a porta e dar uma olhada geral na sala espaçosa e recém decorada. Há quatro meses minha mãe tinha mandado dá uma boa reformada na casa e o resultado havia ficado incrível. Nossa casa parecia novinha em folha!
Abstive-me de agradecer ao elogio e disse para a garota me seguir, pois lhe mostraria o quarto onde ficaria. Em silêncio, eu seguia puxando duas malas que no caso, eram: uma a garota e a outra a mala com os pertences dela. Chegando ao cômodo, uma desagradável surpresa, a garota começou a espirrar por conta do cheiro da tinta que, diga-se de passagem, era imperceptível para mim, mas não para a garota. Ela começou a espirrar.
- Eu sou alérgica a esse cheiro de tinta, não posso ficar aqui. Não enquanto esse cheiro ainda estiver presente.
- Mas nem dá pra sentir o cheiro.
- Pra você não dá, mas pra mim sim! Tenho olfato muito aguçado, que nem os cachorros.
Eu bufei, porque nem dava realmente para sentir o cheiro de tinta. O vendedor ainda disse para mim e minha mãe que aquela tinta secava em vinte quatro horas. Então em dois dias não haveria cheiro algum.
- Onde vai ficar então? Só tem esse quarto, o sótão e o porão.
- Posso ficar no seu quarto e você fica nesse até o cheiro sumir.
Minha boca se abriu lentamente, formando um gigantesco e surpreso ‘’O’’.
- Como é? – indaguei segundos depois do impacto de ter ouvido tais palavras dela.
Eu realmente estava chocada com tamanha cara de pau daquela garota.
- Ai, não seja mal-educada e me empreste seu quarto. Sou uma hóspede, lembra?
- Uma hóspede muito da abusada, não acha?
Ela riu debochada. Pode uma pessoa ser tão cara de pau assim? Pensei que só a Camilla fosse assim. Essa garota ultrapassou com larga vantagem a minha amiga!
- Se está tentando me ofender chamando-me de abusada, pois saiba que não ofende, quatro olhos!
- É SARAH! – Retruquei com os dentre trincados de ódio.
- Tá. Agora me mostra o seu quarto.
- Tá, nada! Eu não disse que você podia ficar nele!
- Não disse, porque obviamente, você vai me deixar ficar. Vamos logo, anda!
Ela seguiu para fora do quarto e ficou parada no corredor, a minha espera. Enquanto isso, dentro do quarto, eu me consumia de tanta raiva daquela garota chata e ainda por cima, mandona. Pensei em pegar a porcaria do celular e ligar para a tia dela vir buscá-la. Mas o que eu peguei foi à mala daquela mala e saí do quarto.
***
- Esse é o seu quarto?
Ela me olhou e lá estava novamente aquele seu sorrisinho de deboche que começava a me irritar profunda e seriamente.
- Por quê?
Lá no meu interior senti um medo da resposta dela, não sei porquê.
- Ah, porque é tão arrumado!
- Sou uma garota organizada!
- Deu pra perceber!... E cadê os postes de homens semi nus, bandas da moda e tudo que geralmente as garotas da nossa idade costumam pregar na parede do quarto para ficar admirando?
- Eu não gosto de pregar essas porcarias na parede do meu quarto.
A garota explodiu em uma gargalhada que não entendi. Qual era graça no que eu disse?
- Meu Deus! Que espécie de garota é você hein? Todas que eu conheço, tem pelo menos, uma dessas coisas que eu citei, pregadas na parede no quarto.
- Mas eu não tenho! Sequer, gosto de ter isso pregado e exposto na parede do quarto. - respondi indo até a janela do meu quarto e dali, vi minha vizinha regando o jardim da casa dela.
Nossa! Como ela é linda! É a garota mais linda que eu já vi! É super gente boa, além de educada. Toda vez que fala comigo, sempre está sorrindo de um jeito bonito. Pegamos ônibus no mesmo ponto pra ir à escola, só que ela frequenta outro colégio. Confesso que sou apaixonado por ela e isso é desde que a conheci há um ano, quando ela se mudou para a casa ao lado. Todavia, não tenho coragem de lhe contar meus sentimentos, pois a minha timidez me priva disso e também, Kerline me intimida. Toda vez que estou perto dela não sei o que fazer ou dizer. É frustrante!
Gilberto vive dizendo para eu tomar coragem e me declarar a garota, mas não consigo, tenho medo. Algo me diz, que levarei um fora daqueles. Acho que ela nunca vai querer ficar com uma garota como eu.
Ainda atenta a minha vizinha, eu sinto de repente, um soco forte no braço e olho assustada para o lado. Era a tal da Juliette que tinha me acertado e me olhava como se não tivesse feito nada.
- Tá louca garota? – passo a em cima do lugar que aquela criatura acertou. O golpe doeu! Mão pesada da porra!
- Foi o único jeito que encontrei de chamar sua atenção com mais eficiência. Você não me ouvia. O que tá olhando aí?
Sua cabeçona entrou na frente da minha e tapou minha visão da Kerline.
- Ah! Quem é a loira?
- Não é da sua conta!
- Ui! Ok!... Nem precisa dizer que gosta dela, porque tá evidente na sua cara de babona. E isso responde a pergunta que te fiz ainda pouco e você nem ouviu, porque estava comendo a garota com os olhos.
- Que pergunta me fez, garota?
Me atrevi a questionar. Foi à pior coisa que podia ter feito.
- Se você era lésbica?
- Eu sou sim e daí? Algum problema com isso? - ergui o queixo em ataque e olhei feio para a garota. Só faltava aquela criatura nefasta ser homofóbica. Aí, sim eu a mandaria embora da minha casa. Ali ela não ficava.
- Calma! - ela ergueu as mãos em defesa. - Problema nenhum. Eu também sou, quatro olhos.
Ela sorriu
- É Sarah!
Quantas vezes vou ter que repetir meu nome a essa criatura?
- Ok! Sem estresse.
- Impossível!
Você me estressa. Me inerva isso sim!
Ela riu.
- E antes que pergunte você não faz o meu tipo.
- Ainda bem, porque você também não faz o meu tipo mesmo. E acho que nem o da loira ali!... Desculpa a sinceridade, mas ela é muita areia pra tua carroça, ô quatro olhos!
- É SARAH!! – berre em alto e bom som.
Resolvi deixar aquela garota sozinha ou acabaria fazendo uma besteira com ela. Nunca fui uma pessoa violenta, mas em pouco menos de quinze minutos na companhia daquela garota e acho que estou cogitando mudar isso só por causa dessa criatura. Queria muito estrangulá-la, socá-la, ou melhor, matá-la e jogar seu corpo numa viela qualquer! Garota mais chata e insuportável!
- Vou pro meu quarto!
- Pensei que seu quarto fosse esse. – ela ria cinicamente.
A peste ainda faz graça da minha cara!
- Vou para o quarto de hóspedes... Tchau!
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A Juliette é uma peste. E a pobre da Sarah vai passar poucas e boas com ela.
Mais tarde vejo se dá para postar mais um pra vocês.
Xero.
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