Capítulo 14
Último capítulo de hoje.
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Acomodadas a mesa, minha mãe, Juliette e eu, degustávamos as apetitosas coisa que minha mãe tinha comprado em uma confeitaria quando voltava naquele domingo do trabalho para casa. Tinha um bolo de laranja que estava delicioso, uns cookies maravilhosos e alguns salgados. Tudo muito bom.
E enquanto comíamos, minha mãe começou a interrogar-me sobre a festa. Ela quis saber tudo o que aconteceu. E quando eu digo tudo é TUDO mesmo!
Satisfazendo a vontade dela contei tudo, até mesmo sobre a Ker. Não adiantava nada eu omitir aquilo, já que Juliette estava ali e sabia de tudo. Quis contar, pois desconfio que se eu não fizesse isso aquela garota, certamente abriria seu bocão para minha mãe. Sendo assim, achei que minha mãe merecia saber daquilo por mim e não por terceiros.
- Que coisa boa, minha filhota namorando! - ela tocou meu rosto ao fim de suas palavras.
Com essa eu quis me enterrar.
Olhei para Juliette e ela estava de cabeça baixa rindo disfarçadamente de mim. Aquilo seria um prato cheio para ela me atazanar depois e até o dia de sua partida.
Eu gostaria de saber por que mãe gosta de fazer a gente pagar mico, ainda mais na frente dos outros?
- Mãe!! Não sou mais criança pra me chamar assim. - protestei. Aquele "filhota" era aceitável quando eu tinha nove anos, não agora aos dezessete. - E a gente apenas "ficou". Não estamos namorando... ainda!
- Ah, ok!
- Ela é uma garota legal! - contei com entusiasmo.
- Aparenta ser mesmo. Sem contar, que é uma moça bonita.
- Muito bonita! - reforcei com um sorriso.
- Alguém aqui me parece apaixonada.
Minha mãe cantarolou, fazendo-me corar de vergonha. Talvez se estivéssemos somente as duas naquela mesa, eu não ficasse tão sem jeito com aquele comentário dela. Mas como esse não era o caso então fiquei envergonhada. Ter a presença de Juliette à mesa, me deixava constrangida mais ainda.
- Não acha que a Sarah parece apaixonada, Ju?
Encarei Juliette certa de que ela não concordaria com minha mãe. Ou até concordasse só para pousar de "boazinha".
- Ela parece! Mas... Eu acho que elas não tem nada a ver.
- Ela encasquetou com isso mãe. - comentei com desagrado.
- Por que acha isso, querida?
Taí a pergunta de 1 milhão de dólares que eu já ia fazer, mas minha mãe se antecipou e fez primeiro do que eu.
- Bom... Eu... Hum... Eu...
Ela simplesmente começou a gaguejar e a se enrolar toda para falar.
Mas o que está dando nela?
Por que está se enrolando para explicar?
Ela parecia estar escolhendo as palavras antes de dizê-las.
Olhei para minha mãe que parecia querer rir do embaraço de Juliette.
Eu, sinceramente não via muita graça nisso. Na verdade, eu estava achando no mínimo estranho e curioso aquele embaraço dela. Juliette não era disso! Se bem me lembro, acho que essa é a segunda vez que presencio tal cena. A primeira foi ontem quando a questionei sobre o meu visual para a festa.
-... Eu simplesmente não tenho um porquê. Apenas acho que elas não tem nada a ver!... Agora, se me dão licença, vou subir e ligar pra minha mãe. Lembrei que ainda não fiz isso hoje!
Ela se levantou e saiu toda apressada da cozinha. Eu fiquei sem entender nada.
- A senhora entendeu alguma coisa? Porque eu não.
- Na verdade, eu entendi TUDO!
Olhei para minha mãe e ela agora exibia um largo sorriso enquanto balançava a cabeça.
- Por que a senhora está rindo?
Não tinha acontecido nada de engraçado que nos tirasse o riso. Pelo menos para mim não!
- Nada, querida!
Ela me respondeu rindo mais ainda. Isso está estranho.
- E o que a senhora quis dizer com entender tudo?
- Logo você também entenderá. - ela piscou para mim e se levantou da mesa.
***
Com certo nervoso toquei a campainha da casa de Ker. Era uma segunda-feira e fazia um fim de tarde bonito e agradável, propício à se dar um bom passeio. E por isso mesmo, eu estava ali tocando a campainha da casa dela. Mais cedo a gente tinha combinado de sair para dar uma volta e tomar sorvete. Essa seria a nossa primeira saída juntas e eu estava que não me aguentava de nervoso. Torcia para minha timidez e a falta das palavras não me travarem durante o "encontro".
Sorrindo, olhei para o pequeno botão de rosa que carregava em uma das mãos. Minha mãe me sugeriu que levasse um à Ker, pois segundo mamãe "era bom um mimo desses.". Juliette retrucou que ela não gostaria de receber uma flor. Ela preferia plantas, cactos para ser mais exata.
Cheguei a conclusão de que ela não é normal. Vive dizendo que eu sou estranha, mas a estranha aqui é ela. Cacto?? Que garota normal prefere receber isso ao invés de um lindo botão de rosas ou um buquê? Só mesmo um ser estranho como a Juliette!
Não tardou quase nada para Ker abrir a porta e ao ver que era eu, ela exibiu-me um sorriso lindo que me fez ficar toda boba. Nos cumprimentamos com um selinho e eu lhe dei à flor. Ganhei em troca um novo selinho de Ker.
Ela avisou a mãe que já estava indo e logo nós já estávamos seguindo pela calçada à caminho do parque. No começo, eu estava meio tímida, mas logo a timidez foi passando e graça ao bom Deus, eu não fiquei muda ou "travada" durante o trajeto até o parque.
Chegando lá nós passeamos... conversamos... Namoramos... tomamos sorvete. Foi muito bom o tempo em que passei ao lado de Ker no parque àquele fim de tarde. Ela era uma garota agradável demais e linda. Pena que o tempo voou rápido demais enquanto eu estava ao lado dela. E logo já era noite e nós retornávamos para casa.
- Podíamos repetir a dose do passeio. Eu adorei a nossa saída, Sah.
Ker disse enquanto caminhávamos pela calçada a caminho de casa e de mãos dadas, com os dedos entrelaçados.
- É só marcamos.
- Então vamos marcar um novo passeio pra quarta. Mas ao invés de ir ao parque, podíamos ir à noite ao cinema do shopping. Estreou um filme bom que tô louca pra assistir. Topa?
Quarta??
Justamente o dia do boliche que Juliette queria que eu a acompanhasse.
Mas obviamente que entre ir ao boliche com minha hóspede insuportável e pegar um cineminha com a garota que eu tô "ficando", eu fico com...
- Topo, claro!
Juliette que me desculpasse, mas eu não recusaria um convite da Ker só para ir ao boliche com ela. Nem em sonho!
- Que legal! Depois a gente pode dá uma circulada no shopping.
- Por mim tá combinado. - afirmei levando nossas.maos unidas até minha boca e plantando um beijo delicado no dorso da mão de Ker.
Qualquer programa que Kerline sugerisse, eu toparia sem muita hesitação. O que eu queria era estar perto dela, em sua companhia. O lugar pouco importava!
Seguimos caminhando de mãos dadas por mais alguns instantes enquanto conversávamos. Por incrível que pareça, eu estava bem falante. E a minha habitual timidez resolveu dar uma voltinha para sabe lá Deus onde. Melhor assim!
Logo nós já parávamos em frente à casa de Ker.
- Pronto, senhorita. Chegamos! - repeti o gesto de beijar a mão dela como havia feito momentos atrás.
- Assim, eu me apaixono cada vez mais por você, sabia? É tão gentil e carinhosa!
Senti-me lisonjeada com esses seus elogios. E ainda ganhei logo depois um beijo maravilhoso de Ker.
- Eu já te disse que beijar você é tudo de bom? - confessei após o beijo demorado.
- Hum... Sim, mas eu não me importo de ouvir você repetir isso.
A gente trocou mais alguns beijinhos e nos despedimos. Ela entrou na casa dela e eu segui para a minha logo ao lado. Ao entrar em casa estranhei de imediato o silêncio, pois desde que Juliette chegou aqui essa casa não ficava mais em silêncio, pois aquela garota não ficava quieta e calada um segundo.
Chamei pela minha mãe e depois por Juliette, mas não ouvi resposta alguma. Foi quando notei um bilhete na mesinha de centro.
"Filha,
Ju e eu resolvemos sair para dar uma volta. Voltamos às nove.
Beijos, mamãe!"
- Que maravilha! Elas saíram.
Dando uma olhada no relógio vi com insatisfação que ainda levaria duas horas para elas chegarem. Volta demorada essa delas. E por que mamãe não me avisou isso antes de eu ir? E mais, onde elas tinham ido? Só teria essas respostas quando aquelas duas chegassem.
Sentei-me no sofá e liguei a TV para me distrair, já que ainda demoraria para as outras duas moradoras da casa chegarem.
Era por volta das nove e quinze quando vi a porta de entrada ser aberta e por ela aparecer minha mãe e Juliette, ambas sorridentes e arrumadas demais para quem tinha ido dar apenas uma volta.
Minha mãe trajava um vestido que ela havia usado na última festa de aniversário do Gil. E Juliette também usava um vestido, algo diferente do que habitualmente estou acostumada a ver nela, já que ela só usa para sair jeans, camisetas ou blusas e tênis.
- Oi! Onde foram, mãe?
Fui logo questionando sem cerimônia.
- A curiosidade matou o gato, sabia quatro olhos?
- Não perguntei pra você, Juliette!
Eu não disse isso em um tom ríspido, foi de zoeira como Juliette tinha feito ao me dizer tais palavras. Só que minha mãe não entendeu assim.
- Ei! O que é isso, Sarah Carolline? Isso são modos de falar com a Ju, filha?
Ótimo! Eu levando bronca da minha mãe por causa de Juliette. Tratei de pedir desculpas a mando da minha mãe.
- Como foi seu passeio com a Ker?
- Foi bom. Mas onde vocês foram, mãe?
Percebi que Juliette e minha mãe trocaram um olhar estranho que me deixou intrigada. Essas duas estão me escondendo algo e não é de agora que venho notando isso. Elas andam cheias de cochichos e segredinhos que não tô gostando nada.
- Fomos dar uma volta, querida.
- Mas onde? E tão arrumadas assim.
Eu queria porque queria saber isso. Do nada me bateu uma cisma com aquelas duas. E eu começava a ter sérias razões para isso.
- Ai, Sarará, deixa de ser tão enxerida. Tia Abadia e eu estávamos por aí passeando. Fomos a um lugar que pedia um vestuário mais arrumado.
- Hum...
- Será que é só você que pode sair agora?
Juliette me encarou com as mãos na cintura e um olhar desafiador.
- Não foi o que eu quis dizer.
- Se quer saber nós fomos jantar em um restaurante maneiro. Satisfeita?
Óbvio que não fiquei satisfeita. Essa resposta dela não me convenceu muito, além de me parecer vaga demais. Porém, resolvi ficar na minha e não contestar que ganho mais.
- Sim! - menti.
- Já jantou, filha?
- Não. Eu estava esperando vocês chegaram pra jantarmos juntos, mas vocês já jantaram.
- Vai ter que comer sozinha, quatro olhos.
E essa garota ainda persiste em me chamar assim mesmo ciente de que eu detestava esse apelido e o outro que ela teimou em me pôr.
- Mas eu vou preparar algo pra você, filha. Vou só subir e trocar de roupa. Já desço!
Minha mãe seguiu rapidamente para as escadas e logo já sumia para o andar de cima. Ela parecia até que estava fugindo de mim. Isso tá bem esquisito!
- E eu vou beber água.
Juliette resmungou, saindo em direção a cozinha e eu resolvi ir atrás dela para tentar tirar alguma informação sobre essa saída delas.
- Aí, Juliette, que olhar estranho foi aquele que vi você e minha mãe trocarem quando perguntei onde foram?
- Ih, quatro olhos, acho que esses seus óculos estão fazendo você enxergar coisas que não existem. Talvez fosse hora de mudar o grau deles. - ela debochou de mim.
- Sem gracinhas, Juliette. Fala sério, onde vocês foram?
- Mas de novo esse papo? Pensei que tivesse ficado claro isso ainda pouco.
- Não! Acha mesmo que acreditei naquilo de foram jantar?
- Bom, se não acredita eu não posso fazer nada.
Ela me disse dando de ombros e tomando a água dela.
- Já vi que não vou tirar nada de você, né?
- Eu sinceramente não sei o quê você quer tirar de mim.
Dessa daí não vai sair informação alguma, melhor eu nem insistir mais.
- Deixa pra lá.
- Bom, vou subir e trocar essa roupa de "mulherzinha".
- Espera! - a detive quando ela passou ao meu lado. - Tenho que falar com você sobre outra coisa. - resolvi contar logo sobre eu não ir mais com ela ao boliche quarta.
- O quê?
- Eu não vou mais com você ao boliche. - contei sem fazer muita lenga-lenga.
- Mas você disse que ia.
- Pois é, eu disse. Só que a Ker me chamou pra acompanhá-la ao cinema quarta à noite e obviamente, eu aceite.
- Você aceitou sair com ela quando já tinha um compromisso marcado comigo?
Era impressão minha ou ela parecia visivelmente aborrecida com isso?
- Que compromisso, Juliette? Você me impôs a obrigação de te acompanhar nisso. Eu nem queria ir a boliche algum. Você sabe muito bem disso.
Era só o que me faltava! Ela se bancar de vítima nessa história.
- Olha quer saber?... Agora quem não quer mais que você vá comigo sou eu. Pode ir ao cinema com a sua ficante, peguete ou o quê quer que ela seja pra você. Eu vou arranjar alguém melhor e que não seja uma "furona" como você para me acompanhar.
Em um puxão, ela desfez o contato de seu pulso que era seguro por mim. E sem me dar qualquer chance de dizer algo, ela saiu feito um raio da cozinha.
Pode parecer loucura, mas diante dessa reação dela, eu cheguei até a sentir-me culpada e um pouco mal por ter deixado a Juliette na mão. Não esperava que ela fosse reagir desse jeito todo. Ela ficou bem chateada comigo. Mas o que ela queria? Eu não ia recusar a proposta feita pela Ker. Não mesmo!
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