Capítulo 12
Como são as coisas, não é?
Quando que eu ia imaginar que Kerline fosse uma das primas da aniversariante. Nem mesmo Gilberto sabia disso. Por um momento cheguei a pensar que meu amigo tinha armado aquilo, mas ele me jurou em determinado momento quando teve oportunidade, que não havia planejado nada daquele meu encontro com a minha ‘’paixonite’’, mas adorou a feliz coincidência. E eu também, claro!
- Vê se não perde a chance de investir pra cima dela, Sarah. Deu pra perceber que ela está afim. – meu amigo me cochichou quando Kerline não estava à mesa.
- Ela está?
- Claro. Sei quando uma pessoa está dando mole para outra. E a Ker está te dando mole, Sarah.
Sorri toda abobalhada de orelha a orelha. Não podia perde a chance e não perderia. Se estava recebendo uma ajuda do destino ou do que quer que seja, então eu agarraria a chance.
Kerline retornou a mesa com uma das outras garotas que estavam com a gente ali e o meu pequeno papo com Gilberto ‘’morreu’’ na mesma hora.
- E a sua hóspede?
- O quê que tem ela? – franzi a testa, sem entender a razão dela trazer Juliette a conversa.
- Sempre que as vejo estão juntas. Ontem mesmo as vi passeando no parque do centro.
Minha mãe havia me feito acompanhar Juliette, porque a chata da garota encasquetou de ir àquele lugar para dar uma volta. E sem direito a escolha, eu acabei tendo que ir com ela. Mas não sabia que Kerline estava lá.
- Você nos viu lá?
- Sim! Tinha marcado de me encontrar com um grupo de amigos naquele lugar e te vi circulando com a... Juliette, não é esse o nome dela?
- É esse mesmo o nome dela. Eu fui acompanhá-la ao parque a pedido da minha mãe.
A palavra: pedido, eu mencionei fazendo aspas nela.
Kerline sorriu.
- Entendi! Então era por isso que você não me parecia muito contente acompanhando-a.
- Não mesmo!
Nós duas sorrimos juntas.
- Vocês não se dão bem?
- Não! Ela vive me perturbando às 24hs do dia. A gente meio que se atura só isso.
A aniversariante apareceu cortando nossa conversa para chamar todos da mesa para ir dançar, pois a pista de dança já estava liberada e ela não queria ver ninguém sentado.
Eu me apavorei com isso, pois dançar não é a minha. Além de ter vergonha, eu ainda sou o tipo de pessoa que não tem a menor coordenação motora para esse tipo de atividade. Eu mais pareço ter duas pernas esquerdas quando danço. Mas a julgar pelo fato de Kerline ter se levantado e me chamado para acompanhá-la a pista, eu me vi obrigada a engolir a vergonha e ir dançar com ela. Não seria nada bonito fazer a desfeita de recusar uma dança à uma garota linda daquelas.
E então, lá fui eu com Ker para a pista e pude ver a cara de surpresa, mas também de aprovação de Gilberto que me fez até um sinal de positivo com os dedos.
Me esforcei bastante para não pisar no pé da minha "parceira" de dança e também para não parecer tão ridícula dançando e acho que estava me saindo bem nas duas coisas. Kerline até chegou a me elogiar dizendo que eu "dançava bem".
Nós dançamos por cinco músicas seguidas. Kerline dançava tão graciosamente que me vi mais encantada por ela.
Como uma garota podia ser tão linda assim?
Eu precisava criar coragem e contar à ela o que sinto, mas não nesse momento mais para frente.
Voltamos à mesa somente nós duas para descansarmos um pouco e bebermos algo. Acabamos engatando em uma conversar agradável que nem voltamos mais para a pista de dança.
- Nossa! Eu também amo Shakespeare, música classe nem se fale e xadrez, eu curto um pouco! - Kerline admitiu tão logo, eu havia lhe partilhado sobre meus gostos, que eram quase os mesmos dela.
- Sério?! - Sorri, adorando aquela coincidência. Ela e eu, tínhamos gostos parecidos, o que a meu ver era ótimo. Pois desse modo, tínhamos assunto para trocar, ou pelo menos, eu teria um papo para puxar com ela.
- Não imaginava que a gente tive tanto em comum!
- Confesso que nem eu também! - admiti com franqueza.
Cada vez mais, eu me sinto atraída e encantada por ela. Kerline parecia um sonho de perfeição. Se bem que perfeição não existe, mas caso existisse, seria ela, sem dúvida alguma!
- Eu acho incrível que uma garota tão culta, linda, educada e gentil como você, não tenha alguém. O que há com as pessoas da sua escola?
Sorri um tanto sem jeito por conta de seus elogios.
- As garotas da minha escola preferem os esportistas durões ou as cheerleaders! - respondi, dando ombros. Eu não era o modelo de garota que fazia as outras se apaixonarem. - Não faço parte desse grupo de garotas. Estou mais para... Nerd e estranha, como a Juliette diz.
Mesmo que eu vivesse negando a Juliette quando ela me definia como uma garota "Nerd estranha", eu sabia que ela estava certa em me definir deste modo, porque de fato eu era assim. E por isso mesmo, que as garotas não me davam bola alguma.
Uma garota que foge de festas, prefere o sossêgo de casa, a leitura de um bom livro e tem um gosto musical que não é o dito "normal" para uma jovem da minha idade, não é vista com bons olhos pelas outras garotas que vejo na minha escola.
- Eu não acho que você seja estranha. - eu esboçei um sorriso. Talvez, tirando ela e as minhas amigas fossem as únicas que não achavam isso. - E quanto a ser nerd... Bom... Eu, particularmente, gosto de garotas assim!
Kerline me sorriu e segurou uma das minhas mãos ao fim de suas palavras. Juro, senti um arrepio percorrer todo o meu corpo com aquele contato. Ela estava me dando bola. Ela gosta de garotas como eu. Preciso tomar coragem e me declarar agora, ou talvez outra oportunidade disso, não venha surgir outro dia.
- Eu também gosto de garotas como você. Na verdade... Eu gosto de você, Ker. Gostei desde a primeira vez que te vi. Você é linda, inteligente, doce, a garota mais incrível que já vi.
Pronto, falei!
Não sei se consigo dizer mais do que isso. Palavras ditas não são muito o meu forte. Eu sou melhor quando exponho meus sentimentos em um papel. Falar não é a minha, nunca foi. Mas escrever já sou bem melhor.
Quando terminei de falar, a minha boca estava tão seca que eu não tinha saliva para engolir, e o meu coração batia tão rápido que achei que iria infartar ali mesmo.
Agora, não! Não ouse fazer isso comigo e dar "pane" agora coração. Preciso saber o que Kerline me dirá depois do que eu lhe disse.
Seria uma droga se ela me desse um toco depois do que eu admiti, mas a julgar pela sua confissão antes da minha, não sei não. Acho que não vou levar toco, não.
Foi com o coração acelerado mais ainda se é possível isso, que vi Ker aproximar seu rosto do meu até ficarmos a milímetros de distância uma da outra, sentindo nossas respirações quente batendo uma no rosto da outra.
Os olhos dela encontraram os meus por um breve instante, e eu só desejei que o que parecia prestes a acontecer não fosse apenas uma imaginação da minha cabeça. E tive certeza de que não se tratava disso, no instante seguinte, quando Kerline colou seus lábios no meu em um beijo que de primeira foi apenas um toque de bocas. Depois, por iniciativa novamente de Kerline, o beijo foi ganhando formas de BEIJO.
Se por acaso, eu morresse depois daquele beijo, morreria feliz da vida.
Mal podia acreditar que estava beijando a garota por quem sou apaixonada há um ano.
Ela tem um beijo tão bom!
O melhor que já provei.
Se bem que ela é apenas a quarta garota que beijo nessa vida, mas enfim... Era bom! Muito bom! E durou bem mais do que nos meus incontáveis sonhos com ela.
O restante da festa a gente passou juntas. Dançamos, conversamos e nos beijamos, muito! Finalmente, eu estava com a garota que sempre quis e estava feliz, pois ela está comigo e gosta de mim.
No caminho de volta para casa do Gil, meu amigo foi me sabatinando de perguntas a fim de saber os detalhes do meu lance com Ker. Tive que satisfazer a curiosidade dele e também da tia Jacira que se aguçou quando soube que eu tinha arranjado uma garota na festa. Mãe e filho eram a curiosidade em pessoa!
Chegando na casa fui instalada no quarto da irmã do Gil, a Nora que não mora mais lá porque casou-se há dois anos e foi morar na Espanha com o marido.
Sozinha no quarto, eu ria que nem uma boba apaixonada enquanto me despia para tomar um banho antes de dormir e lembrava dos bons momentos que passei ao lado de Ker na festa. Ela é muito melhor do que eu imaginava. Estar com ela foi como um sonho.
Ao sacar da bolsa o celular, percebi que o aparelho piscava uma luzinha verde que indicava que havia uma mensagem. Logo imaginei que fosse Ker, pois ela me pediu o meu número e disse que me mandaria as fotos que batemos na festa. Só que para minha total surpresa a mensagem era de Juliette. Na verdade eram duas mensagens e tinham sido mandadas há duas horas.
"E aí, quatro olhos? Se divertindo? Ou será que está paradona que nem poste, nessa festa?", dizia a primeira mensagem.
"Seguiu o meu conselho e arranjou uma garota?", eram os dizeres da segunda mensagem.
- Ah, segui sim o seu conselho, insuportável! - resmunguei com um sorriso. Teria o enorme prazer de jogar em sua cara isso amanhã lá em casa.
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top