Capítulo 58

Ethan estava parado de frente para uma grande vala. Ele olhou para baixo, mas não conseguiu ver o fundo, era escuro e uma brisa gelada subia da escuridão.
— Viver — disse uma voz feminina, chamando sua atenção.
Ele seguiu o som da voz, que vinha da sua direita e la estava Elizabeth. De pé ao seu lado. Ela usava um vestido branco, seus cabelos encontravam-se bem penteados e seu rosto estava encoberto por uma maquiagem pálida.
— O que tem lá em baixo? — Perguntou Ethan voltando sua atenção para a vala.
— Nada. apenas a inexistência. Você sabe que eu terei que preencher essa inexistência, não sabe?
— Por que?
— Porque você causou tudo isso. É você quem devia cair aí dentro, quem sabe assim encontraria as respostas que tanto busca.

— Eu não busco respostas — Ethan encarou o céu, não havia nuvens, nem passaros e a imensidão azul estava ofuscada, tal como nas pinturas famosas de um museu artístico.
— Sim, você busca, você quer saber qual é o sentido da sua droga de vida. Você tenta usar qualquer coisa para preencher essa dúvida. Acha que me salvar vai te livrar desse peso? — ela riu — me salvar daquilo que você mesmo causou?
— Sinto muito...
— Sentir não muda nada. Mas... — ela aproximou-se um pouco mais. Em seguida segurou em seu braço — vem comigo. Podemos nos entregar juntos ao abismo da inexistência e assim dar um propósito a nossa existência.

— Eu não posso.
— Por que não? — ela se posicionou bem a sua frente e o abraçou — pula comigo. Esta na hora, chega de dor. Chega de perdas.
— A dor vai parar?
— Todas as dores. Você só precisa pular.
Ela o puxou e ele não sentiu nenhuma vontade de impedir aquilo. E foi aí que ambos despencaram escuridão abaixo.

Ethan acordou assustado, nebulosa estava relando em seu pescoço. Enchendo seu rosto de pelos.

— Eu não lembro de pedir um cachecol — reclamou, bocejando e olhando para o relógio na parede. Eram duas e quinze da madrugada — Nebulosa você não pode ficar me acordando a essa hora — ele segurou a felina e a colocou no espaço vago ao seu lado. — se bem que o sonho não era lá essas coisas... desistir, acha que desistir é algo que apenas os covardes fazem? Eu não sei dizer — bocejou outra vez — incrível, agora eu também converso com animais. Garotas em coma, coma em animais — ela sorriu enquanto voltava a fechar os olhos. Não estava falando nada com nada devido ao sono.

Só voltou a acordar quando seu despertador começou a berrar.
Sentou-se na cama, esfregou os olhos e desligou o aparelho. Procurou por nebulosa mas esta não se encontrava mais no quarto.
Fez o que tinha que fazer e logo após saiu do quarto indo em direção a sala, cujo a luz estava acesa. Havia alguém no sofá.
— Quem está ai? — Perguntou, cauteloso, enquanto olhava de longe.
— Ah não enche, Ethan — era Julian, que se virou para encarar o amigo.
— O que? Como você entrou aqui? Eu tranquei tudo.
— Poise né, pra um ex-soldado, suas fechaduras são bem merdas.
— O que faz aqui tão cedo?
— Passei a noite fazendo isso — Julian deu um pequeno chute em uma caixa de papelão que estava perto ao seu pé.

— O que tem aí? — Ethan aproximou-se na intensão de descobrir a resposta para a pergunta que acabara de fazer. Mas a caixa estava fechada, para o seu azar.
— A parte do meu plano, é claro — Julian abriu a caixa e de dentro dela retirou um cartaz de tamanho médio, feito de cartolina. Em seguida entregou a Ethan.
— Vejamos — Ethan bocejou — foi você quem fez? — no cartaz havia a imagem ilustrativa de um vírus e enormes letras indicando um dia de vacinação urgente. Também haviam pequenas explicações sobre o tal vírus, local e horário em que a vacina seria distribuída.

— É óbvio que foi eu quem fiz, fiz dezenas. Não, centenas. Vou espalhar todos próximo ao hospital. É tiro e queda, amanhã vamos lotar aquele hospital.
— Preciso tomar banho — Ethan devolveu o cartaz.
— Só isso? Você devia estar super surpreso com a minha inteligência em criar algo tão complexo e detalhado.
— Você é e sempre foi o cabeça da equipe, não me surpreende ter criado algo tão bom — Ethan fez um beleza com o polegar.
— É isso mesmo — Julian abriu novamente o cartaz enquanto sorria — O gênio, não, o magnata. Divindade dos planos — ele voltou a olhar para Ethan mas este não estava mais ali. Já havia seguido caminho rumo ao banheiro — mas isso não foi ironia não né!?

Ethan ficou com a cabeça erguida enquanto a água morna percorria todo o seu rosto molhado. Faltavam dois dias para que desligassem os aparelhos de Elizabeth e um dia para que dessem início a um plano muito arriscado. Falhar significava ir preso na mesma da hora, nem mesmo sua influência no exército o livraria das grades. Mas não era um risco sem importância, uma vida dependia daquela atitude desesperada. "Desistir" foi a palavra que surgiu em sua mente.

Começou a recordar-se de seu sonho, onde simplesmente aceitava cair na escuridão sem fim. Havia algum significado naquilo? Talvez nunca descobrisse. Após terminar seu banho, vestiu-se e voltou a sala, reencontrando-se com Julian outra vez.
— Que banho demorado. Aja mãos — comentou o amigo.
— Vou fingir que não escutei isso. Me responde uma coisa. Você e a Kathy, estão tipo...
— Namorando? Obvio que não. Acha mesmo que eu iria querer?
— Acho.
— É muita coisa para assimilar. É muita coisa para descobrir sobre ela — Julian levantou-se do Sofa. Só o que sabemos é que o Peter salvou ela e mais nada. E ainda tem a outra coisa.

— Que outra coisa?
— Como ela sabia que Elizabeth havia conversado com Nolan minutos antes do acidente? Tudo o que ela diz é "tenho meus segredos" "tenho minhas fontes" e blá blá blá. Não mudou nada, continua a mesma idiota, mandona e teimosa.
— Isso parece te afetar da mesma maneira que afetava antes. Eu também não processei tudo isso mas estão cansado de pensar. Vamos apenas continuar, ok? Os três reunidos novamente como mágica do destino. Vamos resolver nossos segredos cada um por sua vez, não podemos pressiona-la. Não sabemos as coisas que ela teve que enfrentar, assim como nós.
— É.. Você tem razão. Enfim, vamos indo?
— Sim. Vou colocar comida para Nebulosa e em seguida partimos.

Após deixarem a casa, Ethan e Julian seguiram para o ponto de ônibus. Julian decidiu não ir de carro pois isso poderia se tornar um problema depois que o plano fosse finalizado. Ele não iria gostar de nenhuma testemunha descrevendo seu precioso veículo para as autoridades. O dia estava apenas começando e a primeira luz do sol começava a surgiu no horizontes, pintando as nuvens de laranja.
— É, agora não tem mais volta — mencionou Julian ao ver o ônibus aproximando-se.
— É, agora vamos até o fim.

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