Capítulo 57
— Como entrou aqui? — Questionou Ethan, parado no mesmo lugar.
— Não foi difícil, devia reforçar sua segurança nesta casa, sabia? Um ex soldado deve ter inimigos, certo?
— Não, Eu matei todos.
— Bem intimidador. Mas eu vim apenas conversar, está disposto a isso irmãozinho?
— Eu não confio em você.
— Está com medo?
— Eu não disse isso.
— Eu sei — Nolan riu enquanto apalpava a barriga de Nebulosa — existe um clima muito estranho entre nós. Eu quero quebrar isso, quero quebrar o gelo, entende?
— Você estava bem decidido a não dialogar no nosso último encontro.
— Estava num dia ruim e ainda não havia digerido todo aquele papo de irmãos e etc. Descobrir que tenho um familiar depois de tanto tempo mexeu um pouco com a minha cabeça.
— Não foi um choque apenas para você, eu não esperava te encontrar por aqui. Não esperava te encontrar nunca, pra ser mais sincero. O lado bom é que o meu plano deu certo, de certa maneira. Olha só pra você, usando essas roupas caras e andando de carrões. A vida que eu nunca poderia ter te dado.
— É sobre isso que eu quero conversar, sobre o passado, sobre o meu passado. Quero saber tudo, quem eram os nossos pais, por que eu fui deixado na porta de uma mansão.
— Na época era só eu e um amigo, tentamos cuidar de você mas não tínhamos comida nem para nós mesmos. Então a única opção foi te deixar com alguém que parecesse bem rico.
— Não pensaram em um orfanato?
— Não, de maneira alguma. Não confiamos em orfanatos, longa história.
— Onde morávamos?
— Em uma pequena fazenda. Nossa família vendia produtos em uma vila próxima e assim vivíamos felizes. Mas como você já deve saber, a vida não é feita de felicidade.
— Eu sei bem — Nolan colocou nebulosa no chão e esta foi correndo se entrelaçar nas pernas de Ethan.
— Eu não vou tomar o seu tempo — Nolan levantou-se — não hoje. Irei marcar um dia para conversarmos mais a vontade, pode ser amanhã ou depois. Irei mandar alguém te avisar.
— Você tem algo haver com a decisão do hospital? — Ethan foi direto ao ponto.
— Fique com isso — Nolan retirou um bilhete do bolso e entregou a Ethan — é a carta que deixou comigo, tem muitos erros ortográficos, sabia?
— Você não me respondeu.
— Vamos conversar, Ethan. Vamos por todo o assunto em dia ainda essa semana. Te vejo por aí.
Nolan deixou o local e um carro preto o esperava, estacionado do outro lado da rua.
Ethan ficou parado tentando entender o que havia sido tudo aquilo e matutando qual seria o plano do irmão maquiavélico. Estaria ele falando a verdade? Queria mesmo saber sobre o passado ou aquilo tudo não passava de um plano misterioso?
— O que ele realmente queria, Nebulosa?
Nolan adentrou no veículo e seu motorista já o esperava. Tratava-se de um senhor de idade, magro, bigode grande e de feições amigáveis. Trabalhava para a família de Nolan a décadas e pode presenciar o crescimento do próprio.
— Então, conseguiu? — perguntou o motorista.
— Espero que sim, mas ele não passa de um fracassado — Nolan colocou o cinto de segurança — sem contar que possui uma visão muito fantasiada da minha vida. Ele deve se achar um herói por ter me largado na porta de uma família rica, um idiota. Não faz a menor ideia do que é ser uma criança adotada vivendo sobre a ditadura de uma família cujo os podres se escondem até mesmo embaixo do carpete.
— Todos nós escondemos coisas em baixo do carpete. Isso não é diferente com você, é?
— Aprendi com os melhores. Isso não é hora pra sermão, Chief — Nolan desviou o olhar para dar uma última olhada na casa de Ethan antes do veículo afastar-se completamente.
— Você sabe que quero apenas o seu bem.
— Isso não mudou em todos esses anos, sempre tão preocupado e atencioso. Se não fosse por você eu nunca saberia o que é ter um pai.
— Sinto-me lisonjeado — O motorista sorriu, fazendo seu grande bigode envergar sobre as maçãs de suas bochechas.
— Pare de falar baboseiras — Nolan riu.
— O encontro foi rápido, sobre o que falaram?
— Sobre nada, vamos nos encontrar outra vez essa semana. Ainda estou pensando no dia, e aí sim irei fazer todas as perguntas possíveis. Não que o meu passado seja importante, mas vou retirar todas as informações possíveis sobre o dele.
— Vai acabar se apegando a ele.
— Voltou a falar merda, foi? Posso me apegar a sua filha, o que acha? Qual o nome dela mesmo... Anny? Isso, uma bela moça, peitos fartos, Bumbum avan...
— Tudo bem, tudo bem. Eu já entendi, é proibido falar merda.
— Ah mas eu nem terminei de falar do bumbum dela — Nolan gargalhou.
— Eu mato ela antes de você chegar perto. Sabe disso.
— Assim você parte o meu coração, pensei que me amasse.
— Eu conheço bem a sua fama com as garotas, não sou besta.
— Eu não faço nada, elas é que se jogam em mim.
— Ah claro, o irresistível.
— Você sabe bem.
— E como anda a sua atual?
— Eu nem sei, falando nisso tenho que me encontrar com ela amanhã. Eu não chamaria de atual, está mais para um grande passsa-tempo — Nolan ajeitou-se no banco do carro, relaxando um pouco mais enquanto faziam o percurso. As luzes dos postes iam e vinham como fileiras de grandes vagalumes, trazendo uma certa sensação de tranquilidade a quem as presenciasse. A cidade ficava cada vez mais silenciosa e as luzes diversas cada vez mais fortes. Faróis, placas, postes e feiches de luz que vinham de dentro das casas tomavam conta de cada curva feita pelo veículo.
Ethan preparava o jantar enquanto nebulosa ronronava, entrelaçando em suas pernas.
— Você está atrasando o nosso jantar, sabia?
Ele não via a hora de se jogar na cama para descansar daquele dia cheio de preocupações e revelações, ainda estava chocado com toda a história envolvendo Vanda, que agora chamavam de Kathy. E também curioso para saber um pouco mais sobre a história da amiga de infância, era muita coisa para assimilar ao mesmo tempo. E pra piorar ainda tinha Nolan, que surgiu misteriosamente em sua casa propondo uma conversa amigável, algo que contradizia completamente com suas falas no último encontro.
Enquanto isso...
Kathy sentou-se na cama e fitou o telefone sobre o criado mudo próximo a ela, passado alguns segundos ela o retirou do gancho e discou uma série de números. Após chamar algumas vezes alguém atendeu.
— Blá, blá, blá. Eu sei que é você quem deve fazer as ligações, não precisa ficar falando — ela jogou as pernas pra cima da cama e se acomodou no travesseiro — aconteceram algumas coisas bem estranhas e eu vou precisar da sua ajuda... é, Ethan e Julian... eu preciso de uma ambulância e de uniformes de enfermeiros. Não, eles não sabem de nada e nem precisam saber. Pode ficar sossegado. Me encontre no local de sempre amanhã bem cedo e tente não se esforçar muito, na sua idade se respirar errado já morre — ela gargalhou — tudo bem. Tchau.
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