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A dor de perder alguém é aquela que dói na alma, aquela que não passa, só é amenizada, mas que sempre será lembrada.
Michel Benchimol
Entro devagar dentro do quarto da Fabiana, faz uns minutos que o Rafael buscou uma Priscila desmaiada e agora é minha vez, a minha vez de me despedir da mulher da minha vida. Entro no quarto e vejo ela, Fabiana está linda como sempre, está sentada na cama, com os cabelos soltos e a camisola do hospital, mesmo mais pálida que o normal ela continua linda. Ela me chama e eu me sento na beirada da cama, seguro sua mão e dou um beijo na sua testa, me segurando para não chorar.
— Você veio — diz fraca, mas sem deixar de sorrir.
— É claro que eu vim, onde mais eu estaria ?
— Me desculpa.
— Pelo que ?
— Por estar você passar por isso.
— Eu passaria de novo quantas vezes fosse preciso, só para ter você como eu tive nesses últimos dias.
Fabiana sorri em meio às lágrimas.
— Obrigada por me deixar te amar e principalmente por me amar.
— Eu é que agradeço por você ter me mostrado o verdadeiro amor, pode passar anos e eu sempre irei te amar, até os últimos dias da minha vida.
— Eu quero que você se case e tenha três filhos como você sempre sonhou Pedro, você merece ser muito feliz.
— Eu não sei se um dia irei conseguir, eu sei que nunca vou conseguir superar sua partida.
— Não precisa superar, e sim, aprender a conviver com ela.
Eu não falo nada.
Eu amei e amo a Fabiana como nunca imaginei que um dia fosse capaz de amar alguém, ela foi meu primeiro amor e acredito que será o último. Fabiana se vira, pega em uma caixinha e me entrega. Mesmo sem entender eu abro e vejo o barbante.
— Você guardou.
— Nunca andei sem ele, como andar sem minha aliança? Lembra desse dia?
— Como esquecer ?
Estou nervoso como nunca estive antes.
Então eu vejo ela entrando.
Fabiana está linda, mas do que eu achava possível. Ela está usando o vestido azul claro e soltinho que comprei para ela, junto com um salto preto e os cabelos soltos, ela está sem maquiagem e está mais bonita do que nunca.
— Você está linda — dou um beijo na sua bochecha.
— Você também está lindo— dá um sorriso que como todos os outros faz meu coração dá um pulo.
Segurando sua mão, eu a levo para o meio do térreo, o que foi a primeira vez que a vi, onde eu me apaixonei pela primeira vez.
— Eu te amo Fabiana e sei que você também me ama. Eu não posso te prometer luxo, a casa perfeita, o carro do ano, as roupas de marca ou nada do tipo. Mas uma coisa eu prometo; eu sempre irei te amar e passar o resto da minha vida te amando e fazendo você feliz— mesmo tremendo eu me ajoelho e ela coloca a mão na boca e chora — Então, Fabiana Mendes, você aceita se casar comigo ?
— Sim, sim é claro — me levanto e a abraço, giro ela no térreo.
— Ainda não tenho dinheiro para uma aliança, mas espero que isso sirva — tiro o barbante do bolso e coloco no seu dedo.
— Eu nunca mais vou tirar, eu te amo Pedro Saltion.
— Eu nunca estive tão nervoso como naquele dia — falo.
— Foi uns dos dias mais felizes da minha vida.
— O meu também.
— Nos fomos felizes, né ? Nos era feliz.
— Sim, nós era e essas últimas semanas nós também fomos muito felizes.
— Você sabia que depois da morte da minha vó, você foi a primeira pessoa a me amar ? E me aceitar do meu jeito? Eu lembro que quando eu te conheci naquele térreo que você falaria alguma merda comigo ou brigaria comigo por estar lá, mas então, você foi gentil e me disse que era melhor eu voltar, e quando eu comecei a chorar você simplesmente me abraçou e nos dias seguintes você perguntava como eu estava e me dava um bombom — sorri e chora — Você foi a primeira pessoa a me tratar realmente bem sem esperar nada em troca, a primeira que mesmo sem me conhecer você me ajudou. Eu te amei e amo tanto Pedro.
— Isso não é justo princesa, você não deveria morrer, nos tínhamos que nos casar, esse sempre foi nosso sonho, nos casar. Então nós iríamos criar a Priscila junto do Rafael e da Carla, onde depois de uns dois anos dariamos um irmãozinho para Priscila, e você abriria a sua ONG para pessoas viciadas e eu me formaria em medicina e abriria meu próprio consultório. Iríamos adotar um cachorro, comprar uma casa grande com um jardim enorme e teríamos três filhos contando com a Priscila, seríamos felizes.
Choro.
Ela não deveria morrer. Por que somente as pessoas boas morrem?
— Parece perfeito, mas infelizmente essa é nossa realidade e você irá fazer tudo isso, só que com outra mulher.
— Eu não quero outra, eu quero você.
Fabiana passa a mão no meu rosto e o seca, ou pelo menos tenta.
— Vai ficar tudo bem Pedro.
Me levanto e começo a andar de um lado ao outro.
— Não, não vai porra. Você está morrendo, como eu vou ficar bem? Como ficar bem? EU TÔ PERDENDO A MULHER DA MINHA VIDA, eu NUNCA vou ficar bem.
Dizendo isso o choro se multiplica e eu não consigo controlar. Como controlar? Eu tô perdendo a mulher da minha vida.
Depois de 6 anos eu finalmente a tenho e dessa vez não estou a perdendo para a vida e sim para a morte, e não sei o que dói mais.
— Pe? Me desculpa, eu sei que está sendo difícil para você, mas é a realidade, infelizmente eu tô morrendo, e por mais que eu queira viver tudo isso que você falou eu não posso. Eu não posso...
Olho para ela e vejo que também está chorando assim como eu, vou até ela e a abraço. Ela está indo e está mais forte do que todos.
— Vai ficar tudo bem.
— Me desculpa... Me desculpa, Pedro.
Eu não falo nada, não consigo falar nada. Eu apenas sei chorar e abraçar a minha mulher, uma última vez.
Vejo a porta se abrir e a Carla e Isabella entram, Isabella vem até mim e me abraça chorando, olho para Carla e vejo ela só olhando para tudo sem olhar diretamente para mim.
— Você não vai me abraçar ? — pergunto, então chorando ela vem e me abraça.
— Me desculpa, é minha culpa — diz entre soluços.
— Não foi você que apertou o gatilho Carla, eu fiz porque achei certo e está tudo bem meu amor.
Me solto dela e as duas se sentam na minha cama.
— Eu preciso da ajuda de vocês.
Já está quase de noite quando o Rafael entra pela porta, ele vem até mim, beija minha testa e se senta na cadeira do lado.
— Me desculpa Fabiana.
— Pelo que ?
— Por te julgar, por pensar que você não se importava com a Priscila quando você pensa e muito. Eu fingi te ajudar, só colocar você numa clínica e te visitar uma vez por semana não é ajudar. Eu deveria ter feito mais.
— Você fez o que pode Rafael, você me ajudou e muito, se você nunca tivesse me colocado dentro daquela clínica eu nunca teria encontrado o amor, eu nunca teria percebido como o amor é lindo, como ele não machuca.
— Mas a Priscila....
— Ela será amada, pelo melhor pai, mãe e família que alguém poderia ter. Você é um pai fantástico Rafael, cuidou dela sozinho e veja a garotinha incrível que ela se tornou? Ela é simplesmente fantástica e isso é tudo graças a você. Eu estou em paz porque sei que minha menininha estará bem e segura, que será amada e somente isso importa.
— Eu nunca vou deixar que ela ou eu te esqueça, você sempre será amada e lembrada.
Estou sentada no chão, do lado de fora do hospital enquanto choro. Até que senti braços me abraçarem, olho para cima e vejo meu amiguinho P, ele também perdeu os pais e só tem oito anos, acho que só ele me entende.
— Como você conseguiu superar P? — pergunto chorando.
— Quando eu tava morando nas ruas, eu encontrei meu amigo seu Jorge, ele também morava na rua e quando eu perguntei o motivo dos meus pais terem morrido, ele me disse que os planos de Deus são maiores do que imaginamos, e quando perguntei quando iria superar ele disse; Você nunca irá superar garoto, mais vai aprender a conviver com a dor. Hoje a dor tá mais leve, Pri. Você vai ficar bem.
— A dor não deveria doer tanto.
— Não, não deveria fada.
— Os filhos não deveriam perder os pais P, nós depende deles para tudo.
— Eu também acho.
Minha mamãe está indo e mesmo falando que iria ficar bem, a dor não sai de dentro de mim e dói muito. Meu coraçãozinho está apertado e eu não consigo parar de chorar. P me abraça e sussurra que irá ficar tudo bem.
Todos da minha família que Deus me deu, reunidos dentro do quarto, está um aperto incrível. Priscila e o pequeno P estão deitados na minha cama, eles estão dormindo.
— Eu chamei todos vocês aqui porque queria falar algumas coisas — começo devagar, está difícil para falar, mas respiro fundo e começo a falar devagar — Eu quero que vocês saibam que quando eu for embora, que eu fui feliz. Vocês me deram algo que sempre desejei e achei que era impossível para alguém como eu, vocês me deram uma família. Eu tinha uma mãe que era horrível, que quando morreu eu fiquei aliviada, é triste dizer isso, mas é a verdade. Então, Deus me deu uma avó simplesmente maravilhosa, era eu por ela e ela por mim, minha melhor amiga, avó e mãe, porém também a perdi, e só então entendi a dor da perda, ela é horrível. Mas, depois de seis anos eu tenho o que tinha com a minha avó, com vocês. Richard e Sarah, vocês nessas últimas semanas vem me tratando como a filha de vocês, eu sempre quis ter pais como vocês, e então vocês realizaram isso mesmo sem saberem, eu sinto como é o amor de pais para filhos, mas dessa vez eu era a filha e eu amei, é incrível. Eu ganhei duas irmãs incríveis , Isabella e Carla, minhas duas caçulinhas. E muitos amigos, amigos verdadeiros. Reencontrei meu grande amor e foi incrível a última semana em que estivemos juntos. E por último e mais importante, eu pude ser mãe de uma garotinha simplesmente perfeita, minha princesa fada — sinto o sangue saindo da minha boca e sei que está chegando a hora, Rafael tira as crianças de cima de mim e os médicos começam a chegar — Eu... fui...f..feliz .....eu...t.. te...amo...filha.
A vida é curta demais para desperdiçá- la .
Então viva, viva como se fosse seu último dia.
Ame como se não fosse voltar.
Não desperdice sua vida com bobagens.
Você é incrível, todos somos.
Só que às vezes estamos perdidos e sempre achamos defeitos em nós mesmos.
Eu pensei que não prestava, mas eu sou incrível. Só que infelizmente descobri isso tarde demais.
A vida é bela, só que infelizmente só percebemos isso quando estamos a deixando.
Eu sou feliz, eu fui muito feliz.
Obrigada senhor, obrigada por ter me deixado de despedir da minha família e da minha princesa fada.
Estou no meu quarto chorando, minha mamãe já se foi , o papai me disse, eu pensei que o papai do céu deixaria ela comigo, mas ele não deixou.
Coloco a mão no colar dela e choro.
Acho que até às fênix choram antes de renascer.
A porta se abre e minha mamãe Carla entra, ela está segurando seu celular.
Ela se senta do meu lado, me faz sentar no seu colo e sem dizer nada aperta o play do celular e minha mamãe Fabiana aparece .
— Oi filha, eu sei que está doendo, eu sei minha menina. E sei também que ainda vai doer muito, mas eu sei que você vai ficar bem, porque você é minha pequena fênix fada mágica — mamãe sorri na tela e limpa as lágrimas — Então, chore o que tiver que chorar, grite, está tudo bem. Só não deixe a dor te consumir. Você tem dois pais Incríveis, uma família maravilhosa e dois amigos mesmo que pequenos que te amam. Você pode ter seis aninhos, mas já entende do mundo mais que muitos adultos, você foi enviada do céu meu amor, sabe para quê? Para mostrar para esse mundo o quanto ele pode ser bonito, que se acreditarmos tudo ficará bem. Você é luz e esperança Priscila, minha doce menina. A mamãe tem tanto orgulho de você, e mesmo sem está aí eu quero que você carregue esse sentimento que eu tenho de você, para onde for. Você é minha pequena guerreira, minha fada reluzente. Eu te amo além das estrelas. Vai ficar tudo bem.
A tela se apaga e eu abraço a mamãe Carla e choro .
Eu prometo mamãe, eu vou ficar bem e te dar muito orgulho.
A mamãe Carla foi tomar banho para dormir comigo e eu estou ajoelhada e pela primeira vez não sei o que dizer para o meu papai do céu, então falo o que estou sentindo.
— Olá papai do céu! O senhor está bem ? Porque eu não estou. Doe muito papai, muito mesmo, as crianças não deveriam sentir essa dor, ninguém deveria. Minha mamãe está aí com o senhor, né ? Eu sei que sim, o senhor deve ter levado ela porque precisava dela, mas eu também precisava, mas eu vou te perdoar, porque a mamãe não está mais sentindo dor e só isso importa. Mais papai do céu, agora o senhor tem que me ajudar a diminuir a dor ou aprender a conviver com ela como meu amiguinho P disse, eu não sei como fazer isso, o senhor vai me ajudar? O senhor tem que me ajudar e ajudar minha família também e o tio Pedro, eles também perderam minha mamãe e meu amiguinho P que perdeu os seus dois pais. Então o senhor ajuda-nos e tudo fica bem, porque eu só vou poder dar orgulho para minha mamãe, se estiver bem e agora eu não tô nada bem. E eu quero estar, eu quero dar orgulho para ela, acho que eu só tenho isso para falar, eu te amo papai do céu e fala para a minha mamãe que eu a amo.
Dizendo isso eu me levanto, limpo minhas lágrimas, pego meu ursinho e vou para o quarto dos meus pais. Entro nele e vejo que o papai está já na cama, então eu corro para ele e o abraço, logo depois minha mamãe Carla me abraça também.
Então eu vejo que o papai do céu está me ajudando, a dor diminuiu e eu me sinto segura,e com esperança.
Então eu entendo, somente o amor pode curar a dor.
Abraço meus pais fortes, vai ficar bem.
— Eu amo vocês — falo baixinho.
Eu amo você mamãe!
Já faz uma semana desde que Fabiana morreu e eu posso ter conhecido ela a pouco tempo, mas tínhamos uma conexão, sabe quando você conhece uma pessoa, e parece que você já a conhecia a sua vida toda? Foi assim com ela.
Não tem nada pior do que a dor da perda e dói , dói pra caralho.
Saber que nunca mais a verei, seu sorriso ou simplesmente estar do seu lado novamente, dói muito.
Priscila tem sido a mais forte de todas, mas quando chega de noite eu ouço ela chorar e machuca o dobro. Ver sua filha chorar, sofrer e você não poder fazer nada.
Não tem o que fazer.
Ela sorri, brinca e fala o dia todo, mas então a noite chega, ela se ajoelha e chora, depois vai pro quarto meu e do Rafael onde ela dorme com nós.
Agora eu tô sentada na sala de espera da cadeia, esperando a Patrícia .
Eu preciso entender, o porque dela ter feito o fez comigo.
Escuto a porta abrir e vejo ela entrar com o olho inchado, mais magra, os cabelos amarrados e as mãos algemas. Patrícia sorri e se senta na minha frente.
— Posso saber o motivo da sua visita amada filha — é sarcástica.
— Por que? Por que você me odiava e me odeia tanto ? — pergunto.
Eu nunca entendi isso, eu era somente uma criança, somente uma criança que queria ser amada.
— Simples, você nasceu — é fria.
— Tem que ter um motivo, você me deve isso, Patrícia, então por favor me fala.
Ela fica olhando para mim e pela primeira vez eu vejo algum sentimento no seu olhar; tristeza.
— Isso não importa.
— Importa sim, então por favor me fala.
Eu preciso disso, preciso desse final.
— Antes de ter você eu tive mais dois filhos, e os dois seu país tirou de mim, por ser homem, ele vendeu para o tráfico de crianças. Então quando eu engravidei de você e ele viu que era uma menina, ele decidiu ficar, ia ser dinheiro para o resto da vida, uma boceta que ele iria vender por drogas, então eu decidi que não te amaria e foi isso que fiz.
Estou chorando nesse momento.
Quem faz isso com uma filha? Quem vende os próprios filhos? Quem fica com um monstro desse? Quem permite que um cara faça isso com a própria filha?
— Eu era sua filha, como você pode ?
— Eu amava seu pai e amava minha vida — responde como se você obvio.
— Mais do que a mim? Aos seus filhos?
— Sim, muito mais.
— Ele te batia, te fazia usar drogas, te xingava, vendeu seus filhos, como você pode amar um monstro desses?
— Ele me batia porque eu merecia e vendeu eles porque precisávamos do dinheiro.
Olho para ela e choro.
Eu amei ela e ele.
Eu amei os dois.
Eu me lembro, me lembro que quando era pequena, eu só queria o abraço e amor dos dois, mas só recebia tapas e xingamentos.
O que mais me machuca, é saber que já amei os dois .
Sorrio e choro.
— Papai do céu faz meus papais me amarem por favor, eu amo os dois — peço chorando e logo depois dou um grito de dor meu papai acabou de me chutar, olho para ele e vejo raiva em seus olhos, olho para a mamãe e ela está bebendo sentada no sofá.
— Vai para ser quarto pedaço de merda — papai grita.
Chorando eu subo correndo para o meu quartinho, me agacho no chão e choro.
Eu só quero ser amada papai do céu, por favor faça alguém me amar.
Choro me lembrando de como uma criança, como eu , sofri com isso.
Eu só era uma criança e queria ser amada, isso é tudo o que queria, ser amada.
E o que mais machuca é que ainda tem muitas crianças que passam o mesmo que eu.
Que se culpam por seus pais não a amarem, que quer um abraço, que quer ouvir um eu te amo, que quer ganhar um presente ou um parabéns, no seu aniversário....
Olho para a mulher que eu cheguei um dia a amar e desejar seu amor.
— Se você não ligava para mim, por que tentou fazer o aborto— isso não se encaixa.
— Você sabe a resposta.
Me levanto e chorando começo a andar de um lado ao outro.
Nã, não pode ser.
— Se você chegou um dia a me amar, como pode deixar ele fazer aquelas coisas comigo? Como me machucava tanto ? VOCÊ ESTÁ MENTINDO — grito.
— Eu te amei quando estava na minha barriga e tentei te matar para salvar você da minha vida. Eu amava e amo seu pai, mais que tudo. Mas não queria sua vida como a minha, eu que liguei para a polícia no dia que você foi levada para o orfanato, eu liguei porque naquele dia ele iria te dar para um traficante, uma noite por um pouco de droga — fala me surpreendendo.
— Você poderia ter fugido, nada disso teria acontecido. Então não me venha falar que me ama, não fala isso, você me sequestrou, me drogou e isso não tem nem dois meses, você matou minha amiga. ISSO NÃO É AMOR.
— Eu prefiro te machucar, porque só assim poderei ficar do seu lado.
— VOCÊ É LOUCA .
— Eu te amei filha, eu te amo, só que à minha maneira — dá um sorriso louco.
Eu esperei minha infância toda por esse dia, o dia em que ela me diria que me ama, porém agora eu apenas sinto nojo.
Caio de joelhos no chão e choro.
Isso é doentio, ela precisa de tratamento. Ela me drogava e batia e o pior de tudo; ela matou a Fabiana.
— Eu te destruí filha, agora seremos felizes juntos — escuto sua voz.
Mas, tudo o que consigo escutar é suas frases que ela me falava quando eu era criança.
— EU TE ODEIO, SEU RESTO DE ABORTO — mamãe grita comigo e eu corro pro meu quarto.
— Você nunca será amada, ninguém ama uma preta feia como você. Então some da minha frente resto de aborto.
...
Minha infância toda foi ficar chorando no quarto.
Em minha infância toda eu escutei que nunca seria amada, que era feia, que nunca teria uma família, que o amor não era para pessoas como eu ....
E hoje...
Hoje eu tenho uma família que me ama. Eu tenho pais, irmãos, amigos, um futuro marido e uma filha incrível que precisa de mim.
Eu tenho tudo o que um dia me disseram que nunca conseguiria.
— Eu te amo, minha fi... — me levanto, seco minhas lágrimas, dou um tapa na sua cara sem deixar que ela termine de falar, e falo com firmeza.
— Cala boca, sua desgraçada— falo com raiva e firmeza — Você matou a Fabiana e isso me destruiu, mas eu vou superar, sabe por que ? Porque eu sei que ela está do meu lado segurando minha mão e eu também tenho uma família e sou amada. Você não passa de uma puta drogada que me deu a luz, nunca mais encoste nas pessoas que eu amo ou se quer pense neles, senão eu juro por Deus que te mato — falo com firmeza olhando sem seus olhos e saiu da sala, deixando uma Patrícia sem reação.
Corro para o outro lado e vejo o Rafael, ele me olha com um olhar preocupado, corro até ele e o abraço, me deixando se desmoronar de novo.
— Eu tô aqui pequena, eu tô aqui — da um beijo em minha cabeça.
— Me leva para casa, eu quero ver a nossa filha, quero ficar com nossa família.
Olá meus amores, tudo bem?
Amei esse tapa!
COMENTEM e VOTEM!
Bjs!
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