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Cuide do meu coração. Ele sempre seria seu, de um jeito ou de outro.

Uma segunda chance para amar_ Filme

Corro para fora da casa, sentindo meu coração disparado e as lágrimas caindo sem que eu consiga impedir, eu sei o que eu fiz com o Rafael e a Carla foi errado, mas eu estava com inveja, raiva, medo, ódio, tudo de ruim misturado. Rafael merece alguém que o faça feliz e essa pessoa é a Carla, eu vi a maneira que ele a olha, eu nunca serei olhada dessa forma, e mesmo que isso me machuque, eu quero que ele seja feliz. Rafael foi o único depois da minha vó, que me deu uma chance, que me ajudou, me apoiou e como sempre na minha vida, eu joguei no lixo todo o carinho que ele tinha por mim, eu estraguei tudo. Rafael é incrível, e a Carla é uma mulher de sorte, na verdade, os dois são. Pelo pouco que fiquei sabendo dela, ela era uma mulher incrível, mesmo com o seu jeito doido, e pelo, o que vi ela é realmente incrível, e eu a invejo. Ela tem tudo o que sempre quis - amor de uma família - o amor de Priscila, eu tenho tanto orgulho dela, minha menina é incrível, ela é tudo o que sempre quis, ela é o oposto de mim. Minha garotinha, é doce, gentil, atenciosa, inocente, brincalhona, carinhosa, amada, como ela diz" Eu sou sortuda tia Fabiana, eu tenho duas vovós e vovôs, bastante tios, dois melhores amigos, e pais incríveis, eu sou a garota mais sortuda do mundo. " Às vezes eu pergunto, será que ela ficaria feliz de me ter como mãe? Eu seria uma boa mãe? Eu daria tudo para ter tido uma infância normal, para ter cuidado dela e a amado da maneira certa, mas daí eu me lembro que nunca a teria tido e tudo o que eu passei começa a valer a pena, porque eu faria tudo de novo, só para ter ela de novo, apenas para sentir seu toque gentil, ver seu sorriso sapeca e principalmente, sentir seu abraço e ouvir sua voz doce.

Eu realmente espero que o Rafael faça a Carla se lembrar dele, porque assim eu saberei que minha filha terá uma mãe do seu lado, mas algo me diz que não importa se ela se lembre ou não, eu sei que o amor dos dois é forte, dá para ver até mesmo pelo jeito que ela o olha e espero que a minha menina me perdoe, e que saiba que eu a amo.

Estou a quase duas horas sentada no banco do parque onde trouxe a Priscila, a algumas semanas atrás, estou olhando para o nada, sem saber o que fazer. Sabe quando você pensa em acabar com tudo? Com sua vida de merda? Com a porra da dor? É assim que estou me sentindo, mas a imagem da Priscila sorrindo para mim, me vem à cabeça, e de repente toda dor se torna insignificante, porque eu ainda tenho esperança de ve-la outra vez.

— Você é a Fabiana né? — escuto uma voz doce e gentil pergunta, olho para o lado onde vejo Carla, ela está sentada do meu lado, está usando um vestido amarelo rodado e um salto preto, com os cabelos soltos, ela está linda.

— Sim, sou eu — sou brevê. Ela dá um sorriso e solta um suspiro. Só fomos apresentadas brevemente ontem e nunca nos falamos, então compreendo sua dúvida.

— O que você está fazendo aqui sozinha? Está tudo bem? — pergunta visivelmente preocupada.

— Sim, eu tô bem — minto e dou um sorriso para ela, eu já fiz tanto isso na minha vida que até já se tornou fácil mentir. Carla olha para mim, como se pudesse ver minha alma.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Claro.

— Por quê, a Priscila não te chama de mãe? — pergunta curiosa, solto um suspiro.

— Eu a abandonei assim que ela nasceu, e ela nem sabe que sou sua mãe biológica.

— Mas, você está aqui, e acredito que isso seja o que importa, você parece realmente arrependida. Eu confesso que te odiei quando te vi, mas quando te vi aqui sozinha e com esse olhar vazio, eu percebi que você é uma boa pessoa e merece uma segunda chance — sorri.

— Ela vê você como mãe, Carla — sou sincera, Carla me olha surpresa.Não falo nada sobre o que ela me disse, já que estou me segurando para não chorar.

— Eu... Eu não sabia, mas acredito que quanto mais mães melhor — dá um sorriso sincero, que retribuo.

— Como você consegue?

— O quê?

— Como você consegue ser tão feliz assim? Gentil? Não me odiar? Não odiar o que aconteceu com você?

Carla dá um sorriso e levanta os ombros.

— Por que eu a odiaria? Eu quero o melhor pra ela e ontem a mesma me disse que gosta muito de você, o que me fez refletir durante a noite... Enfim, todos merecem uma segunda chance.

— Se não fosse por mim, você não teria perdido suas lembranças — Carla me olha surpresa, e quando eu acredito que ela vai surtar, ela solta um sorriso.

— E se Deus fez isso para dar uma segunda chance para nós? E se fosse para ser assim? Às vezes, era para eu perder realmente a memória. Eu não quero viver no passado Fabiana, eu quero realmente me lembrar de tudo e todos, mas, às vezes é melhor fazer novas lembranças, às vezes as minhas não fossem tão bonitas, por isso eu apaguei. Eu quero um recomeço, eu não sei se quero me lembrar do passado, às vezes eu apaguei minhas lembranças, porque eu precisava te perdoar pra Priscila ter duas mães, eu realmente não sei, mas sei que não quero viver no passado — coloco o cabelo atrás da orelha, sorriso pequeno e solta um suspiro.

Talvez ela esteja certa. Talvez Deus esteja me dando uma segunda chance.

— Você se arrepende? — pergunta curiosa.

— Todos os dias  — sou sincera.

— Então, só isso importa — segura minha mão —  Sabe Fabiana, eu odeio quando vejo duas mulheres sendo inimigas, acredito que nós mulheres temos que ser unidas, infelizmente estamos em desvantagem nesse mundo, então o que você acha de esquecermos o passado, e focarmos somente no presente?— Sorriu e uma lágrima cai, onde Carla limpa e sorri.

— Eu adoraria

— Então maravilha, vamos esquecer de seja lá o que aconteceu no passado entre mim e você, vamos ser amigas e ser as mães que a nossa Butterfly precisa, eu sei que eu adoraria ter duas mães e sei também que ela amaria, então vamos fazer isso.

— Eu amei, mas, antes disso, eu queria te pedir uma coisa.

— Claro.

— Você pode me ajudar? Me ajudar a ser uma mãe melhor? Uma pessoa melhor? Uma amiga? Eu realmente quero isso Carla, mas acredito que não consigo sozinha — Carla olha para mim e me abraça.

— Só se você me ajudar a ser a antiga "eu", e claro, prometer não desistir.

— Eu prometo.

— Então, eu prometo.

Me solto de Carla e dou um sorriso emocionada, ela é incrível, espero ser pelo menos metade do ser humano que ela é.

— Amigas? Focando no presente? — me estende a mão.

— Fechado — aperto sua mão.

Carla se levanta e me puxa junto.

— Vamos para minha casa, e depois vamos buscar a Priscila na escola, vamos ter um dia de meninas — diz animada e é impossível não ficar também.

Eu só espero não estragar tudo.

Fabiana está sentada no sofá da minha casa, enquanto como um sanduíche, como se fosse uma criança, ela é legal, eu só não entendo o motivo de todo mundo, não gostar dela.

Depois que eu deixei a Priscila na escola, eu passei no Paulo e ele me falou tudo sobre ela, menos o que ela me fez, ele só me falou que ela perdeu a avó quando estava grávida da Priscila e que é ex usuária de drogas, mas que durante a gravidez não usou nada, coisa que me surpreendeu, minha mãe usava antes, durante e depois da gravidez, e nunca na sua vida se arrependeu, ou simplesmente foi me ver, porém, a Fabiana parece que realmente se arrepende e quer mudar, e o mais importante, parece que ela ama a Priscila e eu sei que a Priscila a ama e quer o bem dela, e eu sei também, que sozinha ela nunca vai conseguir, então porque não ajudar? Às vezes foi por isso que perdi a memória, para ajudar pessoas que nunca ajudaria, eu só espero estar fazendo o certo e que no final eu não me arrependa. Olho mais uma vez para Fabiana e vou para meu quarto, onde pego o meu celular e ligo para o Rafael, que não demora nem dois toques e atende.

— Aconteceu alguma coisa pequena? — pergunta visivelmente preocupado e isso faz meu coração dar um pulo e eu sorri feito uma idiota.

— Não, eu só queria te pedir uma coisa — mordo o lábio inferior, por conta do nervosismo.

— E o que seria? — posso apostar que ele está sorrindo.

— Eu posso passar a tarde com a Priscila, no meu apartamento?

— Claro, só que com uma condição.

— E o que seria senhor Meritíssimo? — seguro um sorriso, é incrível que segundos atrás eu estava nervosa e agora eu estou, animada, nervosa e com borboletas no estômago.

— Você aceita sair para jantar comigo essa noite, só nós dois — arregalo os olhos.

Caralho.

Sair com Rafael? Eu não sei se é uma boa ideia, eu estou visivelmente atraída por ele, e parece que é recíproco, porém ele é mais experiente, mais culto, certinho do que eu, mas, por outro lado, é um gato e me faz sentir coisas que nunca senti na vida, sem contar que eu não posso perder nada, só tenho a ganhar. O máximo que pode acontecer é eu dormir com ele.

— Carla? Pequena? — escuto a voz de Rafael e só agora percebo que ainda estou na linha com ele.

— Tudo bem, pode passar na minha casa as 20:00 horas, tchau — desligo sem esperar ele responder.

Caralho, eu tenho um encontro com Rafael Gonzaga. Sabe quando você sente que conhece a pessoa a anos? Que parece que pode contar tudo para essa pessoa? Que você confia sua vida nela? Que quando ela está perto de você, tudo fica melhor? É assim que me sinto com Rafael, e isso é loucura.Mas, agora não é o momento para surtar e sim ir buscar minha fadinha.

Estamos eu e Fabiana na frente da escola da Priscila, esperando ela.

— Será que ela vai ficar feliz? — Fabiana pergunta insegura.

— Ela vai amar — dou um sorriso.

Então, uma garotinha pequena, com os cabelos soltos, com sua tiara roxa, vem correndo até nós, onde, assim que ela chega nos abraça apertado.

— Eu tô tão feliz de vocês duas estarem aqui— diz com a voz embriagada.

— Ei butterfly? Por que você está chorando? — pergunto passando a mão em seu rosto e me abaixando na sua altura.

— É que era meu sonho que vocês duas fossem amigas, e agora parece que são, eu amo vocês duas — diz chorando.

— Então, não precisa chorar amor, se não eu e a tia Carla chora — Fabiana diz, Priscila balança a cabeça e seca as lágrimas, sorriu.

— Vamos ao parque? — grita assim que seca as lágrimas.

— Seu pai não vai gostar, amor — Fabiana diz apreensiva.

— Que isso, é só o parque, depois eu falo com o Rafael, vamos ao parque — falo já com o cú trincado.

— Então, vamos — Fabiana diz e Priscila dá um grito e vai correndo para o carro.

Eu amo essa garota.

ALGUMAS HORAS DEPOIS

Daqui a cinco minutos, Rafael vai chegar e eu ainda estou na frente do espelho, com o pé atrás. Fabiana e Priscila estão na sala me esperando para aprovar meu look. Quando eu disse que ia sair com o Rafael, Priscila só faltou morrer de alegria, ela não sabia se chorava ou gritava de alegria. Até que, acabou fazendo os dois enquanto falava.

— A senhora tem que está linda, mais que o normal, temos que escolher o vestido, depois o sapato, a maquiagem. Meu Deus! A senhora vai sair com meu pai, isso é tão legal, já pensou se você beija ele, e ele fala" eu te amo pequena", daí você vai lá e diz a mesma coisa, onde vocês se casam e eu ganho mais quatro irmãozinhos, isso seria incrível. Daí a senhora vai lá e convence o papai a deixar eu ir ao parque, e logo depois ele para de chorar de noite. MEU DEUS! TEMOS QUE ARRUMAR A ROUPA PERFEITA, O QUE A SENHORA AINDA ESTÁ FAZENDO AQUI? VAI TOMAR BANHO — Grita a última parte e sai correndo para o meu quarto.

Olho para Fabiana e damos uma gargalhada.

— ANDA, TIA CARLA — grita do quarto.

Isso foi há três horas, e ela está mais empolgada do que eu mesma, onde, eu e Fabiana só sabemos rir com sua empolgação.

— Tia Carla? Anda logo eu quero ver a senhora — grita atrás da porta.

— Ela está terminando ainda Priscilla, tenha calma, uma mulher demora. — escuto Fabiana dizer.

Ah! Meu Deus! Será que é pedir muito um pouco de rapidez — assim que termina de dizer escuto a risada da Fabiana e os passinhos de Priscila.

— Já vou sair, vão para sala — grito.

Me olho mais uma vez no espelho e saio do quarto. Assim que chego na sala, faço uma pose. Eu tô usando um vestido branco de alças finas, com um decote em V, tem uma fenda na perna direita, um colar de pequenas pedrinhas, um salto alto preto com uma pequena fita, batom vermelho e os cabelos soltos. Posso dizer que estou linda, eu me sinto linda, nem mesmo a minha cicatriz me faz pensar o contrário. Pela primeira vez, desde que eu acordei do coma, eu me sinto linda.

A senhora está perfeita, o papai vai amar. Ai meu Deus, eu tô emocionada — Priscila enquanto finge secar as lágrimas imaginárias, ela vem até mim e me abraça — A senhora está linda —Dizendo isso ela me dá um beijo e se senta de volta no sofá, sorrindo.

— Você está linda Carla — Fabiana diz, eu a abraço, dou um beijo em Priscila e saio do apartamento, entrando no elevador.

Assim que entro no hall do prédio vejo Rafael conversando com o seu José, meu porteiro, mas assim que ele me vê ele se ajeita, me olha de cima a baixo e dá um sorriso e anda  até mim.

Você está perfeita pequena — diz baixinho com a voz rouca e dá um beijo na minha bochecha da cicatriz, o que me causa um ótimo arrepio.

— Você também não está nada mal — minto.

Ele está perfeito, Rafael está usando um terno preto, camisa social branca e gravata vermelha. Um perfeito homão da porra.

Não sei por que, mas eu acho maravilhoso homem de terno, não tem nada mais sexy.

— Vou fingir que você não está me achando maravilhoso — diz e eu dou uma risada, onde Rafael para de sorrir, passa a mão no meu rosto — Você fica linda sorrindo.

Aposto que estou vermelha feito um pimentão.

— Obrigada — falo envergonhada.

— Então, cadê a Priscila? Eu tenho que deixar ela na Geovana.

— Bom, eu e ela passamos o dia em casa com a Fabiana, então eu não vi problema em deixar ela com ela, já que ela é a mãe dela e a Priscila gosta dela, espero que não se importe, depois você passa e pega ela — falo com medo da sua reação.

— Se você não vê problema com isso, tudo bem, depois eu pego ela — dizendo isso ele pega na minha mão e me leva ao seu carro.

— Então, me fale como era a antiga 'eu' — peço para Rafael.

Estamos esperando a comida ser servida, ele me trouxe em um restaurante simplesmente perfeito, ele é todo iluminado, com velas e luzes, com um pianista. Bem estilo de filme de comédia romântica.

— Bom, você ama uma fofoca, eu lembro que quando você trabalhava comigo, todo dia você chegava com algum "babado", como você falava, então eu parava o que estava falando para escutar você contar, depois que você terminava, você prometia que iria parar com isso, mas isso nunca acontecia — diz e eu e ele rimos, bom isso eu tenho em comum com o meu" eu "antigo. Eu amo um babado. Você é amorosa, gentil, doida, atrevida, acredito que uma palavra que te descreveria melhor seria apaixonante Diz e eu de novo me envergonho e é quando a nossa comida chega só falta eu beijar o garçom.

Tia Fabiana está tomando banho para dormir comigo, então eu me levanto e vou falar com meu papai do céu. Já faz alguns minutos que a mamãe Carla saiu um o meu papai, ela estava linda, tava parecendo uma princesa, eu apenas espero que o meu papai fale pra ela o quanto ela está linda, porque eu sei o meu papai é bem sério, mas eu sei que quando ele ta com a mamãe ele se solta e fica todo 'bobinho', como a minha tia Geovana fala.

— Olá! Tudo bem papai do céu? Comigo está tudo perfeito. Hoje minhas duas mamães viraram amigas, e eu passei o dia com elas e ainda vi o "P", ele está mais triste, mas eu sei que logo vai passar, amanhã eu vou falar com meu papai para ele ajudar ele. E a melhor parte, meu papai e minha mamãe foram jantar, isso não é incrível? Eu não vejo a hora dos dois ficarem juntos de novo. Ah! E eu também queria agradecer o senhor pelas minhas duas mamães, eu sei que a tia Fabiana é minha mamãe, eu ouvi uma conversa dela com a minha tia Geovana, eu só espero que ela não vá embora e que um dia me conte que é minha mamãe, então além de meus pais terem ido jantar, como um casal, eu ganhei duas mamães, o senhor é um espertinho e meu melhor amigo, eu só tinha pedido uma mãe, então o senhor me deu DUAS, isso é incrível. O senhor é o melhor, eu te amo papai do céu, o senhor é meu melhor amigo — termino de falar com o papai do céu e vou para cama, onde logo em seguida a mamãe Fabiana chega e deita comigo.

Eu sou a criança mais feliz.

Comemos em silêncio, cada um perdido em seus pensamentos, quando o Rafael se levanta com tudo e me estende a mão, olho para ele sem entender.

— Aceita dançar comigo? — pede sorrindo.

Ele fica lindo sorrindo.

— Não tem ninguém dançando — falo sorrindo e morrendo de vergonha.

— Então, seremos os primeiros — dou um sorriso e meio relutante aceito.

Rafael me leva para o meio da pequena pista de dança do restaurante, onde todo mundo olha para nós, então Ed Sheeran, Thinking Out Loud , começa a tocar.

Rafael segura na minha cintura, eu abraço seu corpo e coloco minha cabeça no seu peito, onde ele me abraça e coloca sua cabeça no topo da minha cabeça.

— Eu gosto quando tô nos seus braços — falo sem pensar.

— Eu também, na verdade, eu amo isso — diz baixinho beijando o topo da minha cabeça.

— Rafael? — o chamo depois de um tempo.

— O quê?

Levanto a minha cabeça e olho para ele, Rafael está sério, mas com um olhar doce e apaixonado.

— Você pode me beijar? — estou tacando o foda-se agora, nós só se vive uma vez na vida.

Rafael olha para mim assustado, até que relaxa, mas não faz nada.

— Quer saber esquece...

Não termino de dizer porque Rafael encosta sua boca na minha. Rafael coloca sua mão na minha nuca e passa o polegar na minha bochecha cicatrizada, como se eu fosse algum objeto precioso e delicado, eu coloco uma mão no seu terno e a outra eu passo nos seus cabelos. Solto um suspiro, onde ele coloca sua língua na minha, e então eu começo a sentir sensações que nunca senti na minha vida, minhas pernas começam a tremer, meu coração disparar, minhas mãos suarem e uma vontade de sorrir e, gritar para o mundo que estou beijando Rafael Gonzaga.

Rafael para o beijo e encosta a testa na minha, ele fica de olhos fechados e solta um sorriso lindo.

— Obrigado — fala baixinho.

— Pelo, o quê?

Por me dar esperança — dizendo isso ele me beija de novo.

Estou sentado no meu escritório no fórum, lendo alguns novos casos. Ontem logo depois da Carla e eu se beijar, eu a levei para casa, peguei a Priscila e me despedi dela com um beijo, porém hoje eu tive que sair antes dela chegar para levar a Priscila, mas o que está me segurando e me deixando animado, é saber que eu ainda a afeto. Ontem, quando ela me pediu para beijá-la, eu não soube agir no começo. Era a Carla, a mulher da minha vida, me pedindo para beijá-la, depois de semanas, e mesmo sem lembrar de mim, de nós, ela ainda se sente atraída, então é normal eu não saber agir, porém, quando eu a beijei foi como se tudo à nossa volta tivesse parado, como se tudo fosse como antes, como se nada tivesse mudado.

Me deu esperança, nós temos chance. Enquanto eu ver, que ela ainda se sente atraída por mim eu não irei desistir de nós, acredito que nada me fará desistir da gente.

A porta do meu escritório é aberta com tudo, me tirando dos meus pensamentos, e então uma Ariane possessa entrar.

— Que caralho você fez? — grita.

Me levanto com calma, vou até a porta e a fecho.

— Não grite, você sabe que odeio isso — falo baixo e calmo, e isso faz com que Ariane se acalme e se sente na cadeira — O que eu fiz? Posso saber?

— Você mandou seu segurança de merda para pegar o filho da puta do Logan, mesmo sabendo que eu o quero.

— Sim, e você o terá, eu já ia no seu escritório te informar que ele não estava no endereço que você me deu — falo me sentando no sofá.

— Como?

— Foi isso que você ouviu, o Charles está com minha equipe de TI, tentando ver se acha alguma coisa, mas tá difícil, você sabe como o Logan é bom em se esconder.

Ariane se levanta e começa a nadar de um lado a outro. Me levanto e vou até o bar no escritório, porém antes de pegar o copo, minha porta é aberta e um Clarke, subchefe da Ariane, entra com tudo e me dá um soco, eu cambatelho para trás, mas ele não para e continua a me bater, onde eu não revido, só me defendo.

— Para Claker, vamos para casa — Ariane para ele, que me dá um último soco e sai do escritório — Espero seu segurança no meu escritório ainda hoje.

Dizendo isso ela sai e bate à porta. Me levanto e vou até o meu banheiro, lavo o rosto e passo um pouco de álcool no pequeno corte no meu lábio inferior. Eu só deixei Clarke me bater porque ele precisava descontar sua raiva em alguém, e eu sei que ele me culpa pela morte da Sara, sua mulher e irmã de Ariane. Me olho no espelho e solto um suspiro. Eu não gosto de me lembrar do que aconteceu, eu não gosto do meu antigo eu. A pessoa fria, que já matou sem pensar duas vezes, que não tinha dó de ninguém. Eu mudei e me tornei um juiz íntegro e honesto, mas parece que o passado está vindo com tudo.

Só peço para não atingir minha família, mais do que já atingiu.

Estou revisando um caso sobre um juiz corrupto que irei julgar daqui a pouco, quando minha porta é aberta com tudo, quando vou xingar a pessoa vejo Carla e dou um sorriso.

— Posso saber o motivo da sua presença pequena? — me levanto, vou até ela e tranco a porta.

— Posso saber por que diabos tem dois brutamontes me seguindo? — pergunta puta.

Solto um suspiro, eu sabia que essa conversa chegaria em algum momento, só não esperava que fosse agora.

— É pela sua segurança — sou vago.

— O caralho, eu quero eles, fora — diz com o nariz empinado.

— Não — sorrio

— Como que é?

— Isso mesmo que você ouviu, não — Carla solta um suspiro e fecha as mãos em punhos, ela parece uma Pinscher raivosa.

— Você está morto, Rafael Gonzaga — grita, entretanto ao invés de ficar puto por ela estar gritando, eu dou uma risada.

— Legal — dou um sorriso e chego perto dela.

— Seu filho dá... O que aconteceu com seu rosto? — pergunta preocupada e apontando para a minha boca.

Droga, eu tinha esquecido, eu não queria que ela visse essa merda.

— Nada.

— Espero que tenha doído, filho da puta — dizendo isso ela se vira, mas sou mais rápido.

Puxo seu braço, passo um braço na sua cintura, prendendo seu pequeno corpo contra o meu, onde eu a beijo. Seus lábios macios e exigentes, faz com que meu coração dispara significamente. Carla com suas pequenas mãos envolve meu pescoço e agarra meus cabelos. Deslizo minhas mãos pelas suas costas e acaricio, fazendo com que Carla se arrepie. Estou me sentindo como no passado, é como se nada tivesse mudado.

Deixo sua boca, e desço pelo seu pescoço, onde beijo, mordo e lambo. Carla puxa meus cabelos, fazendo com que eu volte a beijá-la. Solto um pequeno gemido que é retribuído. Passo as minhas mãos pela sua saia que sobe e pego sua bunda, onde Carla envolve suas pernas na minha cintura.

Rafael moi sua ereção contra minha intimidade e eu choramingo em sua boca, ele sorri e gruda minhas costas na porta. Sustentando meu corpo com seus quadris, com suas mãos livres, ele as divide entre meus seios e meus cabelos. Somos uma confusão de mãos, beijos e gemidos. Afrouxou sua gravata e ele desfaz o laço que prende minha blusa, no meu pescoço e quando estou para abrir os botões da sua calça, alguém bate na porta. Me afasto de Rafael com tudo e amarro minha blusa de volta, ou pelo menos tento.

— Caralho, eu vou matar o filho da puta — diz puto, enquanto ajeita seu terno.

Arrumo meus cabelos e abro a porta dando de cara com Thomas, noivo da Kássia.

Caralho, que vergonha.

Ele está dando um sorrisinho como se já soubesse o que estava acontecendo.

— Tchau!

— Carla, espera, nos vemos a noite? — pergunta Rafael, ignorando Thomas.

— Eu não sei, tchau — fujo como o diabo foge da cruz.

Entrou no lugar onde me traz mais segurança do mundo. O prédio onde eu vinha quando fugia de casa, antes de ser adotada. Eu vim assim que saí do escritório do Rafael, nós íamos transar ali, se o Thomas não tivesse interrompido, eu não sei se o agradeço ou o mato. Mas, Rafael estava tão sexy todo mandão e quando ele me beijou eu esqueci tudo, até mesmo meu nome. O beijo de hoje foi diferente do de ontem, o de hoje foi mais quente e intenso, já o de ontem foi romântico e fofo.

Solto um suspiro, olhando para o vazio a minha frente, sei que não deveria ter despistado os seguranças e vindo para um lugar totalmente isolado, mas eu precisava ficar sozinha, eu estou confusa com os meus sentimentos. É como se eu estivesse lutando uma guerra interna comigo mesma, um lado meu quer se entregar ao Rafael e a Priscila, e um outro, apenas quer fugir com medo dos sentimentos e é claro, da rejeição. É como se eu tivesse voltado a minha infância, quando fui adorada, um lado meu queria se permitir amar e ser amada, e o outro... Bom, o outro queria fugir com medo do amor e da rejeição.

Saiu dos meus pensamentos quando escuto passos vindo em minha direção, onde me viro e é então que eu a vejo.

Minha mãe, minha mãe biológica. Patrícia.

— Sentiu minha falta? Pequeno aborto mal sucedido — assim que ela fala isso, ela me ataca com um taco de beisibol e eu caio no chão, desmiando.


















Olá meus amores tudo bem com vocês?

O que acharam do capítulo ?

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Indiquem para os amigos.

EU AMO ESSE CASAL!

Bjs.

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