Epílogo
Um ano depois
A organização das províncias e estados do Império demorara demais, afinal, a Facção Rebelde era maior e ao saber do fim da esposa, o Tzar de Revia declarara vingança, embora não declarou guerra abertamente. Os espiões do Império reportavam que o Tzar financiava os rebeldes, por isso, muitos descontentes com a administração do imperador anterior, aliaram-se a causa dos rebeldes.
Durante aquele desastre, perdeu-se dez mil vidas e outras três ao a Facção tentar mantê-lo chamas da rebeldia acesa.
No fim, a guerra terminou um mês antes do aniversário de casamento de Linden e Ethiena. O Imperador conseguiu frear as ameaças a soberania do Império com conversas — provavelmente, na verdade, ameaças, agora que a troca tecnológica com Nashanti propulsionava uma nova era à Portuália.
Não bastando apenas toda a confusão por causa da rebelião, Ethiena teve alguma dor de cabeça para tentar dissuadir Princesa Darcy em aceitar as propostas de casamento de Kiwe; mas, quase causando uma ruptura entre ela, percebeu que a menina estava mesma apaixonada pelo Príncipe de Nashanti. Eles acabaram se casando ainda no fim do mês anterior.
No final, última carta que chegara de Nashanti, tranquilizou Ethiena a notar que Darcy era mais forte do que havia previsto. Ao que soube, conquistou posição social e respeito na corte do país de seu marido. Dizia com demasiada alegria tudo sobre a cultura Nashanti, além da liberdade feminina que lá encontrava. Além disso, parecia que uma pequena revolta na corte por causa da abertura do país ao mundo, terminou em disputa. Darcy descobriu em tempo e reuniu pessoas para uma luta contra a rebelião e se organizaram cordialmente em favor da igualdade mundial.
Ela estava sendo aclamada como heroína...
Então, para comemorar o fim da guerra e o casamento de Kiwe e Darcy consumando a parceria de Portuália e Nashanti, assim como as Bodas de Papel do casal Imperial, Linden propôs que a família saísse de férias no início do verão.
Se hospedaram em um hotel chiquíssimo em Cantorini, uma das ilhas Cíclades no Mar Ogeu. Algo que pareceu a Ethiena a Grécia de seu mundo comum.
E que bom que Ethiena não teve problemas ao descobrir que podia viajar sem ser barrada pelo jardim. Ela era livre.
O primeiro dia foi muito divertido. Ethiena e as crianças ficaram encantados com aquele mar azul, com casinhas brancas descendo pela encosta. Ficaram andando pela rua principal e adjacentes, tirando várias fotos das paisagens com as novas máquinas fotográficas, inventada há pouco tempo por uma empresa portuália chamada Caron.
Um pouco mais tarde, todos cansados e com fome, voltaram para o hotel na beira de uma praia deserta, onde os criados preparam a refeição.
No dia seguinte, Ethiena e a família resolveram aproveitar a praia particular, e enquanto todos brincavam no mar e areia, ela acabou cochilando na espreguiçadeira enquanto lia um livro.
De repente, os lábios de Linden tocaram com delicadeza ao lado da boca de Ethiena, que despertou com preguiça. Ela suspirou, abrindo um olho para o marido observando seu despertar com um sorriso no rosto.
— Hora de acordar, Bela Adormecida — sussurrou o rapaz, deslizando os dedos em seus cabelos. — Estás a dormir demais outra vez.
Ethiena gemeu, piscando para ele. Se mexeu, bocejando enquanto lembrava que acabara adormecendo. Mas também ficou um pouco irritada, pois, após meses lidando com a bagunça que Portuália se tornou durante a rebelião da Princesa Rebelde Linin, tinha um tempo para relaxar.
— Me deixei dormir um pouco mais — ela bufou, virando-se para o lado.
Com a passagem de seu pescoço, Linden abaixou-se para plantar um beijo em sua pele. Riu em seguida, enquanto Ethiena cedia para seu toque.
— Pare, seu bobo — ela abriu os olhos, sentindo um arrepio passar por suas pernas. — As crianças...
— A nina já os levou para o hotel — Linden se afastou, sorridente. — Disse-nos para aproveitar uma cita.
— Cita? — Ethiena estranhou.
— Sim, um momento apenas para nós.
Ela arqueou as sobrancelhas, despertando completamente. Nina era como chamavam a babá, e "cita" certamente significava encontro.
Ethiena sacudiu a cabeça, notando que vestia roupas de praia — biquíni que mandou fazer, e uma tanga branca. Ainda que estivesse muito fácil do esposo tirar suas roupas, assim como a praia estava deserta apenas para eles, e até gostava da ideia, preocupava-se com as crianças sozinhas com a nina em um país estrangeiro. Ela escutou um som fantasma de um choro de bebê.
— Escutou? — mirou para o lado. — Paulo está chorando?
Linden quase riu, mordendo o lábio enquanto observava o biquíni muito brasileiro do século XXI que Ethiena vestia.
— Minha querida — riu. — Estás com ouvidos muito apurados, pois nada ouvi. Além disso, as crianças estão bem. Zaraym está a proteger os meninos.
A Imperatriz era uma mãe muito paranoica. Não superara todos os terrores que passara durante todo o ano passado.
— Venha aqui, minha querida — Linden a puxou pela cintura, abrindo as pernas parrando para o outro lado da espreguiçadeira. Repousou a moça no meio de suas pernas, massageando seus ombros tensos. — Relaxa, certo? Aproveite suas férias, Thiena.
Ela jogou a cabeça para trás quando as boas mãos de seu marido começaram a abrandar sua tensão. Gemeu, lembrando como amava as massagens de Linden.
— Viste? — o homem riu devagar, com um tom de malícia. — Estás tão estressada por tão pouco. Agora estamos a viver o melhor de nossas vidas, querida.
Enquanto falava aquilo, a mão no ombro de Ethiena escorregou para o laço de seu biquíni em suas costas, soltando-o.
— Linden!
Rindo como um menino arteiro, ele abaixou-se, mordendo de leve sua pele no pescoço, as mãos movendo-se em forma de copa para segurar seus seios.
— Feliz aniversário de casamento, Thiena — sussurrou, puxando-a para perto de sua cintura, onde ela sentiu seu grande entusiasmo pelas bodas.
— Linden... — Ethiena bufou. — Em um ano, ficou bastante espertinho...
— Não me falta certeza, querida, que amas como me sinto em vê-la em tão pouca roupa.
— Onde está seu senso de decência? — Ethiena riu, tentando olhá-lo por cima do ombro. — Criei um monstro?
— Um monstro fofo e faminto por ti.
Ela riu, vendo-o passar as pernas por cima da espreguiçadeira, erguendo-a pela cintura para sentá-la em seu colo. Ele beijou seu pescoço, repousando a mão em sua nuca, puxando-a para mais perto de seu corpo.
— Tu sabias, querida, que exatamente neste minuto, ano passado, disseste "sim" ao Pater? — sussurrou, descendo os lábios até sua clavícula, o que fez Ethiena estremecer. — Neste mesmo horário, tornou-se minha esposa.
— Lembra até a hora que casamos? — ela apertou seus ombros, tentando recordar de quaisquer detalhes do casamento. — Você é muito romântico ou tem alguma condição sobre-humana como super-memória...
Ele riu, puxando sua cintura até a dele, fazendo um movimento para que ela o sentisse lá embaixo também.
— Superexcitado, é o que me parece — Ethiena balançou a cabeça, desaprovando.
— Muito alucinado de amor por ti.
Tomou o rosto de Ethiena entre os dedos de uma mão e colou a boca na sua, e por um momento, Ethiena esqueceu completamente dos filhos e do mundo a sua volta. Não havia nada de gentil ou pouco exigente naquele beijo e ela correspondeu com o mesmo entusiasmo. Linden se espalhava por todos os lados, em sua pele, no calor de seu toque, no paladar de seus lábios, no desejo de íntimo. Seu estômago ainda revirava em borboletas, sem poder controlar o quanto o amava.
— MAMÃE!
De repente, Ethiena deu um pulo, ouvindo algo quebrar em algum lugar muito longe. Seu coração foi ao céu e voltou. Em seguida, escutou a voz da babá brigar com alguém que parecia Elmo, aprontando pela décima vez aquele dia. Não sabia o que aconteceu, mas suspirou tranquila que não parecia para morte.
Linden deixou um irritado "hum" estender para fora da garganta. Ele cruzou as pernas, se encolhendo.
— Sabe que preciso ir... — Ethiena revirou os olhos. — Eles não obedecem à babá, porque não veem autoridade nela.
O Imperador respondeu com outro "hummm" mais profundo.
— Vou colocá-los para dormir — na verdade, também o queria tanto quanto ele.
— Ainda é sete horas da noite, eles jamais hão de adormecer após o tanto de açúcar que tomaram nos sucos de verão enquanto dormia — Linden respondeu, irritado. — Querida, já parou para pensar que fazemos um ano de casado, mas já temos quatro filhos?
— Cinco.
Ethiena se virou distraída ao dizer aquilo. Ele não estava arrependido de tê-los, apenas irritado por ser interrompido. Eles tiveram seu momento a cada oportunidade no último ano, mas no último mês o trabalho e a vida doméstica os ocupavam muito. Estavam sempre muito mortos de cansaço.
— Auto já, mulher — Linden se levantou enquanto Ethiena se afastava para conferir se Elmo não estava assassinando alguém. — O que disseste? Cinco o quê?
Ela deu-se conta de que ainda não havia contado ao marido. Arqueou as sobrancelhas, fazendo um sorriso filtrar no canto de sua boca.
— Oh, ia te contar em um momento oportuno, mas ando caindo de sono e acabei sonhando que te contei e esqueci que era um sonho — ela explicou, rindo de si mesma.
— Querida, estar a precisar de um médico para cabeça — Linden estava chocado.
Ethiena levou a mão até a barriga plana, sorrindo com os olhos.
— Estou dizendo, que teremos mais um filho.
Paralisado, Linden demorou algum tempo. Até que abaixou o rosto para sua mão na barriga, e depois para seu rosto. Ele soltou um grito de extasiada alegria.
— Pelo Leão! — ergueu os braços.
Ethiena não esperava aquela reação, sentiu-se um pouco envergonhada. Ainda mais, quando o marido a pegou no colo, correndo loucamente para o interior do hotel na boca da praia.
— Meninos! — saiu gritando com a esposa nos braços, feliz. — A mamãe vai ter um bebê! Uma menina! Nós teremos uma Princesa!
Ethiena revirou os olhos. Então, riu de felicidade. Aquela era os pequenos momentos felizes que Linden esperava que contasse a Deus ao chegar ao Paraíso. Embora ela não fosse religiosa, e não soubesse para aonde iria quando morresse, onde quer que fosse, lembraria de sua linda família para sempre.
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