Capítulo 9

Depois de passar toda a manhã ajudando Joaquim, o velho jardineiro, carpir o matagal em volta da mansão, Ethiena foi surpreendida com a chegada de um enviado do império. Os eufores, os eunucos que supostamente havia pedido como escravos, foram remanejados da Capital até a mansão.

Muito irritada com a ideia em dispor de "escravos" em seu nome, Ethiena correu para receber os homens. Eles estavam todos presos em gaiolas e acorrentados, seus olhos estavam tristes com o destino cruel que lhes foi atribuído.

― Que diabos! ― Ethiena reclamou. ― Não acredito nisso, como havia me esquecido dessas pessoas...?

― Pessoas? ― Martim, o Mordomo e também o capataz, havia dito que sabia que escravos chegariam na mansão. Aparentemente, a antiga lady mantinha muitos deles a punho de ferro. ― São grotescos, minha dama.

Ethiena o olhou de lado, irritada. A escravidão de outras espécies era comum naquele mundo, e o preconceito para o que eles chamavam de grotescos era uma constante que a incomodava muito.

Na capital, grotesco era um termo pejorativo, relativo às raças vivente naquele universo paralelo. Sua estadia na Mansão Sá a ensinou sobre a existência daqueles homenzinhos de pele azulada e cabelos brancos.

Observando-os e tomando ciência de como funcionava a espécie humana, Ethiena se perguntou como era possível tais aparências físicas. Não cabia em sua lógica a genética evolutiva que os faziam diferente.

Não importava. Se fossem feitos de ouro, ainda eram escravos.

― Escuta bem ― a moça disse, controlando a própria raiva. ― Enquanto estiver aqui, como Dama Régia de Walles, o próximo que se referir à essas pessoas como "grotescos" terá a língua arrancada.

― Oh, perdoe-me, minha dama ― respondeu Martim, ficando vermelho.

Ethiena foi completamente paciente, simpática e boa até então. Em sua vida passada, havia gerenciado grupos pequenos de funcionários na empresa em que trabalhou. A simpatia sempre tornava o ambiente de trabalho mais saudável; a prática do trabalho em equipe com respeito e empatia, eram fatores essenciais para uma conduta ética. Ela poderia usar todos os conceitos que aprendeu em sua vida regressa, não importava as condições ― embora temesse que o futuro reservasse contendas. Uma coisa de cada vez...

― Solte todos esses homens, Sr. Martim ― pediu a moça, tirando da cabeça, o chapéu de palha que usava para trabalhar nos jardins.

― Minha dama...!

― Agora!

Contrariado, Martim abriu as grades das carroças em formas de jaulas. Todos os homens em seu interior ficaram com receios de sair, temendo que houvesse alguma espécie de arapuca armada.

― Podem vir ― Ethiena disse, firme como uma rocha. ― A raça de uma pessoa não altera minha confiança nela.

Um dos eufores deu um passo à frente, encolhido, assustado e pronto para atacar, caso fosse tudo aparências. Seu punho estava cerrado.

― Não se preocupe ― a Dama Régia ergueu as mãos em sinal de rendição. ― Sou Ethiena Ayodele Walles, Regina do burgo de Walles. Em meu poder, todos aqueles que são escravos tanto do sistema, quanto de posse, são pessoas livres.

Os pobres eufores ficaram confusos, temerosos. Ethiena percebeu que em sua maioria, não passavam dos vinte anos. Ela notou que o que saía à frente era o líder e o mais velho.

― Ter a sua palavra? ― perguntou o garoto.

O eufr tinha pesada tranças por volta de sua cabeça, aparado em algumas pontas na tentativa de raspar o cabelo. O rosto tinha uma barba jovem e prateada, orelhas pontudas e brincos de madeira. Seus olhos eram azuis como uma safira, e o tom de pele era azulado e cheio de cicatrizes.

Ethiena não conseguia imaginar por todos os abusos que havia passado quando se tornou um escravo do império.

― Qual o seu nome? ― perguntou a ele.

― Ser Zaraym von Grahada ― respondeu o eufr. ― Príncipe de Grahada.

Ethiena sorriu.

― Foram feitos escravos, mas hoje vocês estão livres. Tanto você, adorável Príncipe que veio de Grahada ― se curvou em respeito, o que fez Martim arfar de indignação ―, quanto seus conterrâneos são livres para ir se quiserem e não será ferido ou caçado. Dou minha palavra.

Ela bateu a terra da saia de suas roupas esfarrapadas, que vestiu para trabalhar no jardim. Sra. Olga arfou com repulsa, igual a Martim, pela dona da casa se oferecer para ajudar no trabalho.

― Se quiserem, também poderão servir aqui, nesta mansão. Por um salário e todas as condições dignas que os trabalhadores, que me servem, também os tem.

― Minha dama! ― Martim exclamou em tom severo de aviso. ― Seus dignos servos não ficarão contentes...

― Bem, se não podem tratar outras pessoas com igualdade, então sugiro a pedirem demissão.

Martim retorceu os olhos, com a mão no grimório que carregava a anca de seu cinto. Tinha medo, talvez fosse prudente por tê-lo.

Ethiena não deu tempo para os protestos de Martim, virou-se em direção a mansão. Ela não gostava de austeridade, mas não tinha muita paciência quando a maioria daquelas pessoas eram ignorantes e preconceituosas. Precisava usar a autoridade de um ditador se quisesse ganhar respeito.

Ou pelo menos foi o que acreditou. Três das empregadas contratadas por Linden pediram demissão, logo depois que Ethiena saiu do banho.

Ainda um pouco estarrecida como o preconceito vencia a decência humana, desceu para o andar debaixo para o almoço. Estava irritada, pois suas criadas mal esperaram o fim do dia para se demitirem, tendo tanto trabalho para fazer.

― Reynna ― Ethiena escutou, assustando com o eco que o saguão principal produzia.

― Oh, Príncipe Zaraym ― disse, pousando a mão no coração.

O jovem Príncipe era maior do que Ethiena se lembrava, passava facilmente de dois metros. Estava magro e vestido em trapos. Ela se perguntou se foi o lutador mais poderoso em seu lugar de origem. A construção de seus ombros largos indicava que teve músculos fortes.

― Tomar a decisão. Desejar servir, e meus amigos também o fazer, porque eu o fazer.

A moça o espiou, observando seus olhos azuis. Ele também era bonito, de alguma forma.

― Claro ― sorriu Ethiena. ― Fico contente.

Ela virou-se em direção às portas que levavam ao salão do jantar, parou e falou:

― Comeremos, meu caro, e depois iremos à cidade ― instruiu Ethiena. ― Tenho assunto a tratar. A partir de hoje, será meu guarda.

O rosto de Zaraym ganhou uma expressão estranha, o que parecia algo próximo de um sorriso que não veio aos lábios.

― Siga-me ― Ethiena se sentiu desconfortável, virando-se em seus calcanhares para voltar a caminhar.

Entraram na sala do jantar, onde retinia o leve som das louças preparadas à mesa por Sra. Olga e uma criada de um pouco menos de doze anos chamada Catarina. A cozinheira fez uma estranha expressão, não para o homem grande atrás de Ethiena, mas para suas roupas.

― Preparem mais um prato ― a moça pediu, sorrindo. ― Temos a companhia de um Príncipe. Ele deve ser bem recebido e tratado.

Olga e a menina Catarina ficaram confusas. Trouxeram mais um prato logo em seguida, sem contestar. Serviram outra vez caldo de trigo e pão ― tudo o que se tinha a comer depois de um pós-guerra. Zaraym não demonstrou gratidão, nem desgosto. Comeu como um faminto que não se farta há anos.

― Por que decidiu ficar? ― Ethiena perguntou, curiosa. ― Estamos nos extremos, entre a fronteira de três países. Poderia ir para onde quisesse.

― Dar liberdade, mas não poder nos garantir segurança uma vez que sair de nossas terras ― Zaraym tinha tristeza nos olhos. ― Ter um mundo para atravessar e pessoas que odiar a encontrar. Zaraym e outros pode vir a passar fome. Pode adoecer. Pode ser morto.

Ethiena franziu a testa, percebendo o seu sotaque e o modo como conjugava os verbos. Apesar de ter previsto os impasses do eufr, ainda desejava sua liberdade.

A escravidão era o fundo do poço humano, uma vergonha trágica em que lugar estivesse. Ethiena odiava a ideia de possuir escravos, quando sua própria espécie foi caçada, escravizada e, naquele mundo, morta até sobrar apenas uma pessoa.

― Muito bem ― disse ela depois de ouvir os motivos dele. ― Vamos a cidade. Antes, me ajude a encontrar objetos de valores para vender. Com o dinheiro da venda, tenho em mente trocar toda a mobília cara por algumas mais simples e também arrendar materiais para reconstruir o teto do saguão principal.

Olga, parada ao lado de Ethiena, arfou. Catarina tinha os olhos brilhantes como se admirasse Ethiena por ouvir seus planos.

― Oh, claro ― continuou a Dama Régia ―, temos que reabastecer as provisões de alimentos e o que for preciso.

Se levantou após terminar sua própria refeição, ajeitando as mangas de sua roupa. Ethiena havia escolhido um modelo simples, o que desagradava Sra. Olga. Linden havia dito que desejava mudanças, e em resposta a esse desejo, a garota mudaria até mesmo o jeito que as pessoas se vestiam. Na verdade, aquele vestido era tudo o que lhe restava. Duque Sá não fora lá muito generoso. Ela precisava de novas roupas, e tinha em mente o tipo que desejava.

Olhou para Zaraym, e para suas criadas vestidas em uniformes clássicos de empregadas. Mandaria confeccionar para eles também.

― Mas para isso ― disse alto seus pensamentos ―, devo tomar o controle da cidade.

Remexeu o anel que Linden deixou para trás, encaixando em seu dedo antes de deixá-la em um táxi. Aquele era o símbolo do poder, Linden havia dito que as pessoas obedeceriam uma vez que vissem seu selo. Pragmática, Ethiena não acreditava que o poder vinha de símbolos, mas da capacidade de persuadir.


Com a ajuda de todos os empregados, Ethiena conseguiu separar a mobília, os tesouros escondidos, as joias que encontrou abandonadas, também suas próprias coisas. Encarregou Martim de vender uma parte, e a outra parte ela mesma desceu até a cidade à companhia de Zaraym ― que trocou as roupas esfarrapadas por um terno encontrado nos guarda-roupas abandonados, mas que ficou curto em seus pulsos.

A cidade, abaixo dos morros que levavam à Mansão da Dama, se chamava Wallesburgo e era pobre. Uma vida saída de um pesadelo: sem água, comida, eletricidade e às vezes sob frio glacial. Era inverno, e mesmo as luvas aveludadas de Ethiena estavam congeladas, ela não conseguia imaginar como um bando de crianças conseguia brincar em poças d'água nas ruas de pedras degastadas vestindo tão pouco tecido.

Os buracos nos pisos de pedras foram causados por bombardeios durante a guerra. Muitos edifícios estavam destruídos, mas ainda habitados em sua maioria por muitas famílias constituídas de mães e filhos pequenos.

Ethiena respirou fundo, batendo os arreios dos cavalos para continuarem arrastando a carroça lotada de itens de pequeno valor. Pensava que teria muitas dores de cabeça, mas já tinha alguns planos para render os fundos que o Burocrata havia disponibilizado. Não gastaria um vintém em seus próprios interesses, por isso achava prudente resgatar a Mansão da Dama vendendo seus luxos desnecessários.

Martim havia instruído para ela, que se quisesse vender rápido e conseguir uma boa grana, não conseguiria nada dentro do Burgo. Seu homem de confiança saiu para fora da fronteira, onde existia um enorme mercado chamado Palácio de Cristal. Tudo o que tinha mais valor foi levado para ser vendido.

Consigo, Ethiena trouxe os objetos de menor valor, mas que seriam o suficiente para trocar por tecidos, provisões e armas. Seu objetivo não era esse, porém. Foi até a cidade para conhecer aqueles que a governavam.

As ruas do Burgo Baixo, bairro mais pobre de Wallesburgo, eram desagradáveis e ruidosas, fediam a perigo de um modo que ela sentiu um pouco de receio. Havia até mesmo um cadáver estatelado em uma sarjeta, mas que ninguém parecia se importar. Não existia qualquer vista da polícia pública.

Os mercados estavam cheios de pessoas maltrapilhas vendendo mercadorias a qualquer preço... e, notoriamente, suas bancadas estavam vazias de alimentos. As carnes vendidas estavam quase todas podres, e não parecia de boa origem. A aparência da maioria dos alimentos era suspeita, o que era melhor não saltar os olhos sobre as tendas de comidas.

Quando Ethiena estava negociando para vender algumas cortinas velhas, ouviu vendedores ambulantes gritando e vendendo carne de rato a plenos pulmões. Um grupo de pessoas famintas o cercou, barganhando seus pertences.

― Precisamos mudar a cadeia de suprimentos ― Ethiena murmurou a Zaraym, guardando as moedas de prata em uma bolsa de couro em suas mãos.

Caçar em Grahada, Reynna ― Zaraym encolheu os ombros.

Ela sorriu para ele. A caça era um meio cruel quando era apenas predatória e destruía até a escassez dos recursos naturais; mas se pensasse pelas questões de liberdade, tirava as pessoas da cadeia de suprimentos do Estado que gerava co-dependência. Zaraym era inteligente ou Ethiena estava apenas o superestimando, quando colocava seus pensamentos à frente de suas frases curtas e significativas?

― Vamos, vendemos tudo ― falou para ele, sentindo-se cada vez mais à vontade com sua presença. ― Preciso perguntar as pessoas comuns o que pensam dos governantes. Você será minha proteção.

Em suas primeiras conversas com uma ou outra pessoa, Ethiena chamou a atenção pelo tom de pele, por Zaraym e pelas perguntas. Algumas pessoas responderam com grosserias, cuspindo xingamentos ao dizer que não precisavam de mais uma "damazinha" para extorqui-los. ― Acreditavam que estava lá para colher impostos.

Durante a investigação, soube que o governo de Quintino rege Walles arcava com uma dívida pesada, e os pequenos nobres da cidade não podiam ser confundidos como altruístas.

Quintino rege Walles trazia o título de Regente no meio de seu nome. Nos burgos os governadores homens eram referidos como Regentes, auxiliados por uma câmara de pequenos nobres, em sua maioria barões.

Em conversas enquanto explorava os movimentados bairros de Burgo Baixo e Central, Ethiena descobriu que o Sr. Quintino estava levando uma vida caprichosa, curtindo a etiqueta e as festas e mantendo amantes. Controlava a cadeia de suprimentos, escolhendo quem merecia comer.

Havia um sistema de vale-refeição, que custavam uma quantia mensal ao trabalhador dispostos a sustentar a vida luxuosa do Regente e sua corte. Como já se sabia, existia verba limitadas para todos começando pelos nobres médios, e os nobres baixos deixavam os pobres ainda mais pobres. Os plebeus quase não tinham verbas para pagarem o básico para se viver. Gastavam seus tíquetes apenas na alimentação que estava em falta.

Então, à noite, a Ethiena decidiu descobrir como era o rosto do Regente. Desejava visitá-lo em casa, e conversar sobre o tipo de vida que dava a seus conterrâneos. Uma criada à porta da casa do líder da cidade, revelou-lhe que o líder saiu para uma visita ao escritório ― cochichou baixo, um segundo depois, que queria dizer que foi a um cabaré.

― Acha boa ideia? ― perguntou com receio o jardineiro Joaquim, que Ethiena trouxe junto, por conhecer melhor a cidade. ― Visitar um cabaré? O que pensaria vosso marido, minha dama?

― Quero ver o quanto esbanja o Regente ― Ethiena fingiu não escutar a menção de seu futuro esposo, o Imperador. Enquanto não houvesse consumação, iria ignorá-lo o máximo que pudesse. ― Vamos.

― Talvez devesse ao menos cobrir-se, minha dama ― o homem ofereceu sua capa de frio. ― Entrar em um cabaré e ver o seu rosto não seria uma boa ideia. Chamaria a atenção por ser uma Flor Exótica.

Ethiena concordou, escondendo sua cabeça no capuz do manto de Joaquim. Um pouco depois, encontraram o cabaré.

A música alta ouvia-se de longe, misturada aos urros e delírios dos expectadores. Ethiena empurrou a porta pesada de ferro, sentindo o cheiro de incensos flutuar debaixo de seu nariz. Também havia o odor de cigarros, suor e bebidas baratas. Muitos homens vestidos em ternos de galas estavam por todos os lados, se divertindo com as danças de mulheres em cima de um palco. Para os padrões de decência daquele mundo, estavam seminuas em figurinos do espetáculo.

A moça procurou um lugar discreto para se sentar, onde pudesse observar o que estava acontecendo. Seria bastante desagradável confortar os líderes em suas atividades de prazer fora do horário de trabalho. Se acomodou à mesa mais distante, cruzando as pernas enquanto assistia à movimentação e ouvia a bagunça divertida. Algumas mulheres se aproximaram, tentando se oferecerem para Ethiena, mas ao avistar Zaraym e o tom de pele dela e o dele, ficavam surpresas ― a Dama Régia pediu para guardarem segredo de sua presença.

O lugar era até divertido. A decoração era a típica de um bordel, com tapetes bordados em arabescos floridos; bandeiras coloridas passando de ponta a ponta, luzes elétricas nos lustres e luxo, muito luxo. Um bordel tinha luz elétrica, enquanto a maioria das pessoas viviam de forma precária e passando frio nas ruas.

Ethiena acreditava que aquele era o ganha pão de muitas garotas que não tinha a oportunidade de trabalhar em empregos decentes. Muitas mulheres eram proibidas de exercer cargos administrativos, ou mesmo nas fábricas que existiam na Capital. No máximo que conseguiam para se sustentar eram trabalhos humilhantes que davam poucos lucros; e certamente, não podiam receber o tíquete refeição do governo.

Remexendo-se de inquietação, Ethiena chegou à conclusão que os políticos de Walles preferiam priorizar o próprio divertimento (regado de lagostas, caviar e luxo) do que ajudar os inocentes. Sentia repulsa.

―... Ouvi dizer sobre isso também rege Quintino ― de repente ouviu-se a voz atrás dela.

Ethiena apurou os ouvidos, virando-se levemente para não revelar a sua identidade. Não esperava encontrar o Regente tão cedo, sua intenção era apenas observar de longe.

― A cadela do Imperador veio mesmo a Walles? ― riu a pessoa, cuja voz era rude. ― O que pensa disso, Quintino?

― Deve ser uma concubina feia ― riu Quintino. ― Que Imperador em sã consciência enviaria sua Dama para Walles?

Três risadas distintas explodiram atrás dela.

― O que o povo diz sobre a meretriz do Imperador? ― outra pessoa perguntou quando as gargalhadas cessaram.

― Poucos sabem que uma Dama Régia veio a Walles, e se souberem, cuspiriam em quem está aqui para recolher impostos. As pessoas comem ratazanas nas ruas, não tem muito a dar ao Imperador.

― Pois ouvi há pouco, Ulisses, que esteve a caminhar pelo mercado baixo e a vender coisas da antiga Mansão da Dama. Falaram que tem uma pele linda e distinta de tudo que o império já viu.

Alguém estalou com a língua.

― Malditos! Primeiro comeram com trigo os ebones, e agora são lindos? Malditos hipócritas!

― Por que uma dama desceria a Wallesburgo para vender coisas? Não é trabalho para seus servos?

― Preocupa-me mais o Imperador meter seus pés nas lamas de Walles, Quintino. Quando os imperialistas pisarem em nossas terras, saberão o que acontece com os recursos da cidade. O Príncipe não ficará nada contente, afinal, envia-nos dinheiro de seus próprios bolsos para sustentar a cidade. Quiçá, uma Dama Régia em Walles não é algum plano dele?

Houve um pouco de silêncio, e alguém deixou escapar um sopro de desprezo.

― O Príncipe Linden esteve apenas uma vez em Walles depois da morte de sua mãe, no ano passado na última batalha da Grande. Não é como se ele ligasse para seus conterrâneos.

― Está tudo bem, Ulisses. De toda forma, uma Regina não possui poder suficiente para nos causar dano. Duvido muito que não será morta por não conseguir pagar seu título régio. Talvez o Imperador a esqueça, pois foi enviada ao Inferno do Império.

― Mas não quer dizer que não devemos planejar, caso essa meretriz venha a ser um problema, Hugo.

― Tudo bem. Concordo. Devemos colocar um passo à frente. Dificultar, impedir que a Dama Régia acredite que pode ter o controle de Wallesburgo.

― Bem, você é quem faz os planos, Quintino. O que sugere?

― Quiçá, eu possa acabar com nossa dulce Vossa Excelência.

Ethiena sentiu os pelos de sua nuca ficarem em pé.


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Sr.¹ Aqui se pronúncia Sier, é a abreviação da abreviação de Messier.

Von² (Em português traduz como "a" ou "de") seria usado para subtítulo em línguas germânicas, que são usados pela nobreza dos Eufr, ou os Elfos destes contextos.

Reyna³ Significa rainha. É a forma como os Eufores referem suas governantes mulheres.

Obs. A conversa entre os nobres de Walles está sem identificação, porque é para monstrar como Ethiena não consegue identificar a voz de quem é quem. Foi de propósito.

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