Capítulo 32
Tomando poções mágicas ainda no terceiro dia de sua internação, Ethiena não tinha ideia que a medicina era um pouco avançada. Não melhor que de seu mundo, contudo existiam tratamentos eficazes. Um médico alto com um bigode ornamentado (como a maioria dos homens na Corte), informou que a Imperatriz ficaria bem. Também confirmou o que Linden havia dito: outro gole, jamais poderia conceber outra vez.
O veneno que havia tomado chamava-se "vácuo ventre". Era um abortivo usado pelas mulheres que não queriam dar à luz e usavam de forma clandestina.
Linden havia conseguido uma confissão de uma empregada, como ele havia suposto, de que alguém pagara às criadas para "batizar" os alimentos de Ethiena para que ela jamais chegasse a conceber. Porque não queriam um mestiço manchando a linhagem real.
Ouvir aquilo devastou Ethiena, que chorou cheia de frustração e irritação. Ainda existiam idiotas que compartilhavam a ideologia nefastas de Odolfo I, que destruiu seus conterrâneos para perpetuar sua linhagem "pura". Apesar de o Império tentar consertar o genocídio racial, entregando o título de Flor Exótica a negros, por exemplo, ainda existiam pessoas maldosas.
Ethiena odiava ter de escolher um motivo, mas aquele era humilhante. Seu bebê foi assassinado em seu ventre, sem lhe dar tempo da alegria em saber que daria à luz a uma criança, por um motivo desgraçado e vil.
Quando voltou para seu quarto para descansar e se recuperar, ouviu de Nice que Linden havia tomado todas as providências contra aqueles que haviam a envenenado. Mas foi Eduardo quem ficou ainda mais irritado.
O Segundo Príncipe se ofereceu para procurar os culpados, e quando achou, segundo as palavras da senhora dama de companhia, foi um terrível banho de sangue — até Zaraym se encolheu ao ouvir o que Eduardo fizera aos responsáveis.
Ainda assim, foi tudo como Linden havia previsto. Alguém de baixo ia levar a culpa, para conservar a falsa paz no Palácio. O Imperador e Imperatriz sabiam quem era a real culpada, do qual usou um pobre coitado para se safar. Pelo que soube, a culpa caiu sobre um marquês insignificante com ressentimentos raciais, por Linden ter feito Ethiena líder suprema.
Não importava, a razão continuava sendo a mesma. Além de matar um possível herdeiro que tomaria o lugar de seu filho crescendo no ventre, havia um descontentamento racial por parte daquela maldita Rainha. Ouvia-se por todos os lados do Palácio, que Helena não perdia a oportunidade de xingar Ethiena com todos os desacatados racistas existentes.
Ethiena odiava que uma cor de pele fizesse as pessoas enlouquecerem. O que a tornava diferente daquelas pessoas? Um tom de pele? Os fios de seus cabelos, o corpo mais voluptuoso do que as mulheres comuns de Lisbona? Era inveja? Menosprezo? O que a diferia?
Dentro dela, Ágata foi uma mulher branca de olhos azuis, que amava seus irmãos negros. Seu noivo foi um lindo homem alto e negro... Ela não podia ver nenhuma diferença, pois todos eram iguais e humanos com um coração batendo no peito.
Aquele lugar era mesmo o inferno!
Nunca sofreu tantas humilhações. Entrar na pele daqueles que eram machucados pelo tom sua tez era nauseante. Sentia tanta vontade de retrucar e colocar fogo naquele castelo. Queria mesmo estar no meio de uma conspiração para vingar seus conterrâneos. Aquela gente vil e mesquinha precisava pagar.
Abafou sua raiva, pedindo para Ângela trazer o trabalho dela para casa. As comissões de reformas não haviam parado, ela exigiu para que não parassem. Enquanto se tratava, faria a sua parte de sanção e veto de seu quarto na Ala do Imperador. Linden achou melhor, embora pedisse para que ela não se esforçasse demais até que estivesse completamente recuperada.
Muitos presentes haviam chegado naquele meio-tempo. Presentes de reis de países vizinhos, governadores, Damas Régias e até de Príncipe Kiwe. Ela também escutou que muita gente estava fazendo vigília e acendendo vela à Vita, o deus da vida de Portuália. Orando aos deuses daquele mundo para que o através da intercessão dos deuses menores, o Leão poupasse a vida da nova Imperatriz.
Descobriu que apesar das fofocas, a população tinha esperança de que seu governo fosse melhor do que dos governadores passados. As mulheres amavam a nova Imperatriz pela iniciativa em mudar a opressão masculina — e também o Imperador novo por permitir as mudanças. Os populares começaram a mandar flores cáceres, ligada ao desejo de bem-estar de uma pessoa que estava doente.
Ethiena revisava algumas pastas de documentos que Ângela trouxera antes de sair para as reuniões, espirrando com os fortes cheiros das flores que tomavam espaços do terraço. Sua mente vagueava sem conseguir se concentrar nos relatórios, pensava em fazer uma aparição pública para mostrar que estava bem e finalmente parassem de presenteá-la com flores.
— Pois meu, minha querida cunhada! — de repente, escutou a voz de Princesa Darcy que entrou sem ser anunciada. — Estive tão preocupada com tua saúde!
Darcy se curvou antes de se aproximar, enquanto a Imperatriz ergueu os olhos em direção a ela, enrugando a testa. Há muito tempo não via a linda Princesa Darcy, pois voltara ao condado de Sesmaria.
— Ao ouvir sobre alguém envenenar-te, pronto corri para Lisbona para ver-te, minha cunhada — a Princesa ergueu os braços e a abraçou, ali mesmo, desengonçada, em sua cadeira.
— Oh, Darcy, hã... Obrigada por sua preocupação — Ethiena arregalou os olhos, pedindo ajuda a Zaraym, que estava de pé perto das portas-balcão do terraço. Ele apenas encolheu os ombros.
— Ouvi por meu irmão Rui, que tu foste envenenada por "vácuo ventre" — Darcy se afastou para acariciar o rosto dela. — Que cruel. Mas este veneno só há de ser efetivo se estiveres grávida. O que quer dizer, que tu...
Ela falava muito rápido, como da primeira vez que Ethiena conversou com ela. Seu rosto se converteu em uma profunda dor ao dar-se conta de que aquilo era mesmo real.
— Sinto muito — Darcy apertou o lábio. — Deve ter sido muito dolorido.
— Eu desmaiei — Ethiena conseguiu finalmente responder. — Então, não senti muita dor. Só... no coração.
— "Só" não, querida, isso é toda a dor que uma mãe não haveria de experimentar — Darcy dissera algo inesperado, porém, verdadeiro.
Abraçou Ethiena, respirando os perfumes em seus cabelos presos em uma traça.
— Sinto muito — falou outra vez, de todos as pessoas que souberam sobre aquele episódio, a mais solidária.
Zaraym apertou o lábio quando foi permitido entrar na enfermaria outra vez, após Linden sair na noite que descobriu sobre seu filho assassinado. Ele parecia querer colocar o mundo abaixo, mas nada disse.
Ângela chorou tanto, que pediu um tempo para punir a si mesma por não ter servido Ethiena — até agora não parava de chorar, se culpando pelo corrido. Nice se tremia, mas nunca disse nada mais do que um frio "meus pêsames". Príncipe Eduardo se envolveu na cruzada em encontrar os culpados, porém, não havia a visitado ainda. Rui trouxera um cesto de fruta, um relatório, mas como um adolescente não tinha ideia do que dizer.
Além de Linden, Darcy foi a única que a abraçou e a fez se sentir melhor. Não uma Imperatriz intocável, mas uma família que precisava ser consolada.
Quando desistiu do trabalho, Ethiena gostou de passar a tarde com ela, apesar de não poder sair ainda. Seu corpo ainda estava sobre os efeitos do veneno. Podia andar, mas Zaraym a tomou no colo quando decidiram passar a tarde agradável nas espreguiçadeiras dispostas nos jardins. O Protetor, que apesar de nada ter dito até então, percebeu que deixou sua raiva tomar conta antes de dizer algo de consolo ao ver Darcy. Sua mão apertou no braço de Ethiena, como se dissesse que tudo ia ficar bem.
Ele a ajudou sentar na espreguiçadeira, curvando-se antes de ficar aposto um pouco atrás das duas mulheres. Ethiena conseguiu desviar o olhar dele, apenas quando Darcy mudou o assunto da nova moda da Capital, para um pedido que deixou a Imperatriz arrepiada.
— Desculpe, o que disse? — Ethiena perguntou, suando frio.
— Peço-te, cunhada, um lugar para atuar como sua Dama de Companhia — Darcy repetiu.
Encarando em silêncio, Ethiena percebeu a determinação da pequena Princesa ao fazer aquele pedido. Antes de responder, a moça precisou inspirar.
— Querida — falou docemente —, você é uma Princesa. Não pode ser uma Dama de Companhia. Se fosse filha de um conde ou duque, talvez, mas conhece as regras da Corte.
Enrugando a testa, Ethiena não entendeu porquê uma princesa pediria para se tornar uma Dama de Companhia.
— Por que deseja justamente isso?
— Oh, bem... — Darcy parecia perto de chorar. — Minha mãe é a Dama Régia de Sesmaria, mas é o Duque Braga o Regente, e comumente nos afronta. Cá contigo, minha Dona, poderia aprender e enfrenta-los. Mudar Sesmaria como estar a mudar toda Portuália e Cispania.
Ela pensou melhor, apertando os lábios com frustração.
— Por favor, minha Dona... — usou um dos pronomes de tratamento que Ethiena detestava.
— Me chame de Thiena.
— Hm, Thiena — ela saboreou o apelido, corando em suas bochechas já muito rosadas de maquiagem. — Admiro-te muito. Quero dizer, as notícias que em Sesmaria há de chegar, todas falam bem de ti e teu empenho em conceder a liberdade feminina que há anos estamos a lutar. Mas não tão-só por suas lutas pelas mulheres, mas ouvimos sobre tua bondade e por tudo que está a fazer pelos necessitados. Lutas por todos aqueles que não possuem voz para alcançar os ouvidos dos estúpidos desse Palácio.
Ethiena estreitou os olhos. Ela começou a se sentir um pedaço de lixo, pois tudo que fizera fora friamente calculado. Propaganda, como aprendeu em seus cursos da faculdade de Comércio Exterior, era a alma do negócio.
Bom, não que tudo fosse de fato mentira. Odiava ter o poder de ajudar algum necessitado, e não esticar a mão por qualquer que fosse o motivo contra. Havia pedido para Rui doar alguns cuntos de reis para ajudar desabrigados da Grande Guerra, assim como dispor dinheiro para novos hospitais e moradias. O que não foi uma iniciativa pela promoção de sua imagem, apenas porque achou certo a se fazer.
— Querida Darcy — Ethiena sentiu as bochechas corarem —, sei que me estima, mas tenho de seguir as regras da corte. A Rainha Helena ainda é aquela que cuida dos decoros e etiquetas desse lugar. Ela não aprovaria que viesse a Lisbona como minha Dama de Companhia, por não gostar de mim. Qualquer pedido que faça a ela, irá me negar.
Darcy murchou como um cachorrinho abaixando as orelhas. Sentindo arrependimento, só havia uma coisa a dizer:
— Mas posso aceitá-la como minha aprendiz — falou, erguendo um sorriso ligeiro e controlado.
— Aprendiz? — Darcy reacendeu, os olhos brilhando como lamparinas no meio de uma breve escuridão. — Eu poderia?
Ethiena assentiu, um pouco incerta.
Quando sorriu, percebeu a chegada de Ângela, aproximando-se atrás de Zaraym. Sua expressão estava terrível, os olhos roxos com as olheiras inchadas. Trazia uma bandeja com petiscos e bebidas frescas.
— Oh, Ângela — Ethiena tinha outro problema a lidar. — Vem, sente-se com a gente!
A sua boa amiga negou-se imediatamente. Ela se curvou, voltando a chorar.
— Como poderia, Majestade? Não há de me tratar tão doce, quando sou eu a culpada em deixa-la aquele chá ingerir — choramingou, fungando enquanto servia duas enormes taças de bebidas nas mesinhas redondas ao lado das espreguiçadeiras. — Não fiz meu trabalho como deveria, e hei de ficar mais atenta.
— Bobagem — Ethiena tentou segurar o riso. — Eu sou a única culpada... Não, nenhuma de nós é culpada. Aquele que tramou para me envenenar, esse sim tem culpa. Ser picada e receber o veneno, no entanto, foi um descuido meu. Fui advertida sobre de quem receber os doces, mas aceitei de qualquer e uma infelicidade aconteceu.
Ainda assim, ela se negava a se aproximar. Pela vergonha, por pensar que voou para longe como Ícaro e suas asas de cera até o sol.
— Perdoe-me, sua Majestade — Ângela se prostrou, chorosa. — Não posso aceitar tua benevolência. Falhei contigo, e pelo meu pequeno deslize, atentei contra tua saúde Vossa Majestade... Fui incompetente, falhei com meu trabalho.
— Não falhou não — Ethiena suspirou. — Nem comigo, tampouco nas Comissões. Então, se você continuar com isso, aí sim não vou perdoá-la.
Ângela ergueu os olhos, levantando a cabeça. Uma lâmina de grama se prendeu em sua testa. Darcy entreolhou Ethiena, que riu.
Pelo menos, foi uma agradável tarde. Ethiena estava feliz que com suas duas novas amigas.
Ainda proibida de se estressar com o trabalho, recebendo remédios para não ter problemas com a concepção, Ethiena apreciou que pode descansar do trabalho que levou quase um mês sem descanso algum.
No comecinho do verão, alguns dias depois, pôde voltar a caminhar. Linden estava muito protetor, quase iniciando uma feia briga por não a deixar participar das reuniões dos comitês de reformas do trabalho. Prometeu a ela que as Madamas que estavam lá trabalhando, eram ótimas para confrontar as afrontas dos outros homens. Então, apesar do arranca-rabo, tudo estava indo conforme ela queria.
Caminhando pelos corredores do Palácio, após a pequena discussão da manhã, Ângela e Darcy conversavam avidamente logo atrás. Estavam ansiosas pela primeira aparição pública de Ethiena, em um festival idiota qualquer que celebrava o início do verão. Elas vestiam roupas de cores vivas, que combinavam com as máscaras ibéricas que representavam um festival pagão (no conceito de Ethiena).
Era o momento em que o poder do sol chegava ao seu ápice e as flores, folhagens e a relva encontravam-se abundantemente floridos e verdes nos jardins que foram abertos ao povo. Haviam montado uma espécie de feira, circo, não sabia ao certo. Todos estavam se divertindo assim que Ethiena chegou, escoltada até os dentes. Havia músicas, cheiros de pipoca e milho, risadas por todos os lados, pessoas se divertindo com os "palhaços", pessoas mascaradas que representavam ao culto dos antepassados. Ângela havia sussurrado a Ethiena que os antepassados traziam bênçãos dos mundos dos mortos.
Não sendo muito religiosa, mesmo quando estava em seu mundo de origem, Ethiena preferiu se ocupar com outras curiosidades dos festivais. Como comer deliciosas espigas de milho, ou participar dos tiros-ao-alvo, sendo humilhada completamente por Madama Qiteria, que fora alocada para protegê-la — visto que fora envenenada e estava em um lugar público. Havia tanta coisa e comida por todos os lados, que Ethiena não conseguiu aproveitar tudo.
Ainda mais quando os populares começaram a se darem conta de sua presença, e começou um alvoroço por todos os lados. Ela foi aplaudida, ovacionada, seu nome chamado por todos os lados. Pediam até mesmo por autógrafos, assim como um momento para fazerem seus pedidos como se ela fosse papai Noel.
Com os muitos guardas fazendo sua escolta, afastando as pessoas, Ethiena percebeu um guarda bater em algumas crianças de rua. Seu coração apertou. Com um Império tão vasto, saindo há poucos meses de uma guerra mundial, três crianças de ruas eram poucas para as muitas que caminhavam e mendigavam pelas ruas de Lisbona.
Mas foi o coração de Ethiena, recordando do filho que perdeu, que doeu ainda mais.
— Parem! — ela exclamou, observando soltando a mão da assustada Darcy, que tinha medo da massa de pessoas os cercando. — Se ousar erguer essa lança contra essa criança...!
Muito irritada, Ethiena até se esqueceu do limite que Qiteria e Zaraym separava-a dos populares. Soltou a cunhada, erguendo a mão até o menino de rua que já havia levado um cascudo de um dos guardas reais. Puxou-o pela camisa rasgada, olhando friamente para o rosto de um garotinho de seis ou sete anos.
Quando percebeu o terror no rosto dele, Ethiena amaciou sua expressão.
— Você está bem, garoto? — perguntou, abaixando-se. — Quando é o seu nome?
O menino começou a chorar, seus amigos sendo seguros pelos guardas, estavam preocupados.
— C-chamo-me Lauro...
Um guarda tossiu com a garganta.
— Ma-Majestade — Lauro completou.
Ethiena sorriu, observando como falava em uma linda entonação musical. Saiu algo como "maxestade". Passou a mão em seus cabelos sujos, inspirando seu cheiro forte de quem não toma banho.
— Está com fome, Lauro? — ela perguntou, gentilmente.
— S-sim, Majestade — o garoto respondeu, temeroso.
— Não precisa ficar com medo de mim, querido — Ethiena riu. — Quer se divertir comigo e minha amigas no festival?
Olhou para os garotos, seus amigos, pedindo-os para se aproximar.
— Por que vocês também não vêm? — pediu, e o guarda grande, forte e estúpido os deixou aproximar-se.
— Majestade! — os meninos a abraçaram quando puderam se aproximar. — Tu és tão linda!
Ethiena se emocionou. Eles eram tão inocentes, e a última coisa que viram ou perceberam fora sua pele. Ou seus cabelos que deixou volumosos, de proposito, para que todos lembrassem de suas origens. Estavam famintas, mas ainda com a inocência de crianças.
Os outros dois meninos chamavam-se Mariano e Elmo, sendo o último muitíssimo divertido. Ele adorou Ethiena, segurando sua mão sem soltar nem por um momento. Darcy conseguiu uma confissão de Mariano, quando se divertiam no festival escoltadas, que os três eram irmãos que foram abandonados. Não disseram por quem, mas foram jogados na rua por serem indesejados.
Ethiena precisou de um momento para parar de chorar quando ouviu aquilo. Seu filho fora assassinado, e haviam pessoas que... Aquele mundo era mesmo um inferno.
Assim, Lauro disse de uma forma tão linda para ela não chorar, e beijou sua bochecha, que seu coração se aqueceu. Ethiena, mesmo com os mimos de Linden, ou o abraço caloroso de Darcy, não se sentiu tão consolada quanto um pedido lindo de um menino abandonado.
Então, bem no meio de seu coração se aquecendo de ternura, um fluxo sentimental sombrio desceu como a ponta de uma faca nas costas de Ethiena.
Ela se ergueu de onde estava ajoelhada, sendo abraçada por Lauro, segurando-o em seu colo, apertando-o com força para protegê-lo.
Percebeu, procurando pela fonte de seus calafrios, a presença inconfundível de Rainha Helena Teodoro.
Os pelos em seus braços eriçaram.
— Minha querida nora — a Rainha disse, aproximando-se quando um corredor de pessoas era aperto, fugindo dela com medo.
Lauro agarrou o pescoço de Ethiena, com medo. O fluxo sentimental sombrio dela era tão intenso, que pessoas comuns se curvava pelo medo.
— Estimo por tua saúde — Helena riu falsamente, aproveitando-se dos muitos olhares para contornar sua fama de perversa. — Como tem estado?
— Bem — Ethiena respondeu, apertando o lábio.
Os olhos de uma crueldade insoldável da mulher, escorregaram no corpo de Laura, vestido em roupas sujas. Sentiu o cheiro de rua do menino, e não se aproximou mais. Curvou-se erguendo as saias, sua barriga de seis meses agigantando nos tecidos leves de verão.
— Ouvi, minha nora, que perdeste um bebê — houve um uníssono "ohh" ao redor, pois o povo soubera apenas que a Imperatriz foi envenenada. — Minhas sinceras condolências.
Ethiena apertou o tecido da camisa de Lauro, apertando o lábio com força até cortar em seus dentes. Deixou que sentissem seu fluxo sentimental explodir por todos os lados. Que sentissem o ódio e a frustração que experimentava desde sua alma Ágata a seu corpo Ethiena.
— Muito obrigada pelas considerações — respondeu friamente, segurando-se para não soltar Lauro, puxar o grimório no cinto de seu vestido, para rasgar um papel e queimar a Rainha dos pés à cabeça.
Não se compararia a ela. Jamais faria igual. Mas um dia, a pegaria em uma armadilha que não poderia escapar.
O sorriso maldoso dela inclinou no canto de sua boca, espiando os menininhos, como se soubesse algo que Ethiena não sabia. E ela entendeu, que via como se a Imperatriz estivesse confortando-se nos meninos, pelo que havia perdido. Talvez parte fosse o real motivo.
Seu olhar significava muito, passando até ela pelo fluxo sentimental. Como Santa da Vida, conseguia compreender. O sorriso cruel, dizia a Ethiena que não importava o que fizesse, nada iria confortar a dor em perder seu bebê. Nem ninguém.
E se concebesse outra vez, novamente teria seu filho assassinado.
— Bem — a Rainha riu, percebendo que Ethiena entendeu o recado. Quem sabe, soubesse usar o fluxo sentimental para se comunicar como ninguém faria. — Hei em deixá-la se divertir. Penso que é um conforto, após um trauma tão intenso. Tenha umas boas festas, minha nora.
Virou-se, caminhando pelo gramado verde-esmeralda dos jardins do Palácio. Deixou o seu perfume pujante no ar, mesclando-se com as flores das árvores ao redor.
Darcy sussurrou alguma coisa, um palavrão feio, e Lauro lufou de alívio.
— Eu estive com medo — disse ele, se apertando nos ombros da Imperatriz.
— Thiena — Ângela finalmente a voltara chamar por seu apelido. — Estás bem?
Espiando para a amiga, não respondeu, nem fez nenhum gesto que indicasse. Ainda mantinha seu fluxo sentimental explodindo por todos os lados. Qiteria até sorriu para ela, orgulhosa daquela imensidão de poder.
— Quer saber a primeira lição, Darcy? — conseguiu finalmente falar.
— Qual, querida cunhada? — Darcy olhou confusamente para ela.
— Se quiser ser como eu, prepare-se para ser odiada pelos políticos.
Helena apareceu apenas para provocá-la. Não morder a armadilha, custava muito. Porque ela matou seu filho, e era muito descarada por ousar aparecer em sua frente. Escolheu um dia especifico, onde Ethiena precisou se segurar para não explodir.
Pela primeira vez, acreditou que fosse realmente uma santa ou uma idiota.
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