Capítulo 29 - Laura - Parte 1
POV Mia
A oscilação hormonal gigantesca do puerpério associada a torrente de emoções e medo que estávamos vivendo, vinha cobrando seu preço sobre o meu corpo que não aguentava mais chorar. Mesmo exausta da noite em claro e do trabalho de parto, eu não consegui descansar. Toda a vez que eu fechava os olhos, imagens da minha filha vinham a mente e o vazio no meu ventre fazia o meu coração apertar, inundando os olhos de lágrimas mais uma vez. Miguel permaneceu acordado um bom tempo, mas em dado momento o cansaço o venceu e ele ressonava baixinho sentado no sofá. Alma, Helena e meu pai tinham ido em casa descansar um pouco, voltariam pela manhã.
Eu tinha analisado tantas vezes a única foto que tinha de Laura que poderia dizer com detalhes até mesmo o logotipo do hospital estampado na camisola que eu usava. Sorria sozinha olhando seu rostinho tão perfeito, uma mistura minha e de Miguel. A boquinha pequena entreaberta, como se fizesse um beicinho em reclamação por sair do seu local seguro. Os olhinhos brilhando, os cabelinhos escuros cheios de gosma grudados na sua cabecinha. Ela era simplesmente perfeita.
Quando o café da manhã chegou, me obriguei a comer com a promessa que depois que comesse e tomasse banho, poderia ir visitá-la na UTI. Engoli rapidamente a salada de frutas e uma fatia de pão com manteiga, sem ao menos sentir o gosto do que comia, eu não tinha apetite nenhum. Miguel negou o café dele e eu lhe joguei um olhar enviesado, o fazendo mudar de ideia e tomar ao menos um café preto. Depois disso, ele me ajudou com o banho, mais por medo dele do que por qualquer outro motivo, visto que eu não sentia absolutamente nenhuma dor e caminhava sem nenhuma dificuldade. Como eu não havia precisado levar nenhum ponto, não sentia desconforto algum. O sangramento vaginal ainda permanecia, mas menos intenso que ontem como o esperado.
Coloquei uma camisola com botões na frente escolhida por mim para levar para o hospital com o intuito de facilitar a amamentação, meu coração apertou ao pensar que eu não amamentaria minha filha nesse momento. Coloquei um hobby por cima amarrando na cintura e calcei um chinelo. A enfermeira acompanhou a mim e a Miguel pelo hospital até a UTI neonatal que ficava dois andares acima da maternidade. Assim que chegamos lá, Lupita nos aguardava na porta.
-Oi minha amiga, como você está? - me perguntou Lupita com um abraço apertado. Cumprimentando Miguel logo após.
-Dando o melhor de mim pra ser forte pela Laurinha. - Respondi com os olhos marejados.
-Eu sei disso. Vai dar tudo certo Mia, Laurinha já é uma guerreira. - respondeu Lupita. - Eu não vou dizer pra vocês que será fácil, porque eu estaria mentindo. Bebês de UTI enfrentam muitas batalhas logo no início de suas vidas, mas eles são mais fortes do que a gente pode imaginar e lutam com forças que nós nãos sabemos de onde tiram. Foi isso que fez com que eu me apaixonasse por essa especialidade. - completou minha amiga enquanto eu secava uma lágrima solitária que escorria pelo canto de meu olho.
-Eu sei, é isso que faz eu manter as minhas esperanças. - Respondo enquanto Miguel me abraça beijando a minha cabeça como se tentasse me transmitir forças.
Adentramos a UTI por uma antesala, onde nos entregam uma roupa especial estéril que precisamos vestir por cima das nossas, assim como touca, máscara e luvas. Lupita explica que todo o cuidado é para a segurança dos bebês que ainda não possuem imunidade nenhuma e que qualquer vírus ou bactéria que para nós são inofensivos, para eles podem ser fatal.
Depois que estamos preparados, Lupita nos conduz por dentro do salão principal da UTI que é composto por inúmeras incubadoras com bebês dos mais variados tamanhos em seu interior, alguns maiorzinhos com menos fios ligados e outros com tantos tubos que era difícil distinguir o que havia ali dentro. Meu coração aperta, tentando adivinhar em qual daquelas incubadoras estava a minha filha.
Escaneio o salão em procura de algo, e antes mesmo que Lupita pudesse me mostrar onde estava Laura, meu coração deu um pulo e eu tinha certeza absoluta que estava diante dela. Me aproximei da incubadora, tentando ver melhor, e tive minhas suspeitas confirmadas ao ler a pequena placa cor de rosa colocada na frente da incubadora que trazia a inscrição "Laura Arango Colucci - Recém nascido de Mia e Miguel Arango".
Desesperada, busco o seu pequeno rostinho e não consigo segurar um soluço que reverbera pela minha garganta. Era quase impossível reconhecer a minha filha, escondida por trás de tantos tubos e fios, seu rostinho ficava quase invisível. Um tubo que parecia grande demais para o seu tamanho saia de sua boquinha ligado a um ventilador mecânico que a ajudava a respirar, um esparadrapo que parecia machucar a sua pele fina e delicada, segurava o tubo no lugar. Outro pequeno tubo estava inserido na sua boquinha, por onde pingava um líquido branco lentamente, o que eu compreendi ser o leite que ela recebia. Mais um solavanco no meu coração, pois Laura não receberia exclusivamente o meu leite até os 6 meses de idade como eu sonhei. Muito cedo eu já descobri que ser mãe é quebrar paradigmas e aprender que nada sai como a gente planejou e idealizou, por mais que doesse, eu aceitava as circunstâncias desde que a minha filha ficasse bem.
Seu pequeno bracinho estava ligado à um acesso venoso onde ela recebia as medicações, mais uma vez imaginei a dor que ela sentira ao ser furada com uma agulha para obter aquele acesso, me culpei por não estar ao lado dela dizendo que tudo ficaria bem. No seu peito, diversos eletrodos estavam conectados a um aparelho que mostrava seu ritmo cardíaco, rápido e forte para minha tranquilidade. E no seu pezinho estava conectado outro monitor que mostrava a saturação, olhei rapidamente e vi que sua frequência cardíaca estava em 144 bpm e sua saturação em 98%, respirei fundo mais uma vez por saber que eram bons sinais vitais.
Laura estava com uma pequena fralda que ainda assim ficava enorme nela. O que a fazia parecer ainda mais minúscula e frágil. Ela era tão pequena, era muito injusto que já precisasse passar por tanta coisa e lutar pela sua vida dessa maneira. Desabei chorando, sendo amparada por Miguel que derrubava lágrimas silenciosas tentando ser forte por mim. Tentando ser forte por Laura. Tentando nos manter em pé. Agradeci a Deus por tê-lo na minha vida, eu jamais conseguiria passar por isso sem a sua ajuda.
Quando eu consegui me acalmar um pouco, Lupita me apontou uma poltrona ao lado da incubadora e me disse que eu poderia ficar na UTI com Laura o tempo que quisesse entre às 10h da manhã e às 17h da tarde todos os dias. Suspirei aliviada por saber disso.
-Você quer tocar nela? - Questionou Lupita.
-Eu posso? - Devolvi surpresa.
-Com os devidos cuidados, sim. - Concordou minha amiga e eu sorri agradecida.
Higienizei as minhas mãos com álcool gel e substitui as luvas simples, por luvas estéreis. Lupita abriu uma pequena janelinha ao lado da incubadora e me orientou a colocar a mão ali dentro para tocar em Laura. Lentamente eu me aproximei, Laura era tão pequena que eu temia machucá-la com o toque. Levei minha mão ao encontro da sua e quando eu escostei, ela abriu a pequena mãozinha segurando forte o meu dedo recoberto pela luva, como se dissesse: "Mamãe, por favor, não me deixe sozinha de novo." Mais uma vez perdi o controle das minhas emoções chorando alto, algo tão simples para qualquer mãe, segurar a mãozinha do seu filho, mesmo que não pudesse sentir a sua pele devido ao uso da luva, era um grande acontecimento para mim, uma grande vitória. Permaneci ali o tempo que consegui, cantarolei para ela as músicas que cantava quando ela estava em meu ventre e seu coração acelerou no monitor cardíaco, provando o que eu já sabia, ela nos reconhecia, sabia que estávamos ali.
-Filha, a mamãe promete ficar todos os dias aqui contigo. Eu sei que você sente medo, sente saudades... A mamãe também sente. Mas eu prometo que logo logo vamos estar juntas na nossa casa e não vamos desgrudar jamais. - Prometi com a voz rouca pelo choro que eu tentava conter em respeito às diversas outras mães que estavam ao lado das outras incubadoras com seus filhos.
Depois de um tempo, me afastei de Laura permitindo que Miguel trocasse de lugar comigo. Chorei mais uma vez ao vê -lo sentir a mesma emoção que eu ao tocar a mãozinha de Laura pela primeira vez.
-Oh meu Deus! Laura, você é tão linda e tão forte! O papai tem muito orgulho de você, meu amor. Você é tão corajosa! - Disse Miguel com a voz embargada. - Papai e mamãe não vêem a hora de te pegar no colo, de te embalar. Papai promete que nunca vai te faltar colo nessa vida, que você vai ser a menina mais mimada desse mundo e vai receber colo toda vez que quiser até a idade que pedir. - Prometeu Miguel e eu sorri em meio as lágrimas.
Ficamos a tarde toda ali ao seu lado, contando todos os detalhes da nossa casa, do seu quarto, contando que seus avós e tias estavam ansiosos para conhecê-la e que ela era uma menina abençoada por ter tanta gente que a amava tanto. Em certo momento a enfermeira veio mudar a fralda dela. Chorei por não poder fazer eu mesma. Ela era a minha filha, deveria ser a minha função. Laura se agitou como se percebesse a minha inquietação, e eu tratei de me acalmar e a cantarolar para ela se sentir melhor. Funcionou, pois alguns minutos depois ela estava dormindo tranquila.
Quando deu 17h, Lupita veio nos avisar que precisávamos ir embora. Meu coração se destroçou, eu não queria deixá-la sozinha ali.
-Meu amor, a mamãe queria ficar a noite toda com você. Mas eu não posso. Prometo que amanhã cedinho a mamãe vai estar aqui de novo, você vai nanar agora e nem vai perceber a ausência da mamãe, quando acordar, eu já vou estar aqui do teu lado. - Falei, não sei se tentando convencer a ela ou a mim. - Eu te amo muito, meu amor! Dorme bem e tenha bons sonhos.
- Boa noite, filha. Papai vai estar com o coração e o pensamento aqui contigo a noite toda. Amanhã de manhã vamos estar juntos de novo. Você é a razão da vida do papai. Te amo demais. - Disse Miguel me abraçando enquanto Lupita nos guiava para fora da UTI após eu conversar com a enfermeira responsável por Laura e fazê-la prometer que não iria deixá-la sozinha nenhum segundo.
-Mia, sei que agora não é um bom momento, mas queria te mostrar o nosso banco de leite onde você pode fazer a extração para darmos o seu leite pra Laurinha. - Comentou Lupita chamando a minha atenção.
-Claro, eu quero muito que ela receba o meu leite! - falei interessada.
Lupita me guiou para uma sala onde tinha diversas cadeiras de amamentação separadas por cortinas, várias enfermeiras auxiliavam as mamães a retirar o leite. Miguel precisou aguardar do lado de fora, para dar privacidade as outras mulheres. Sentei em uma das cadeiras e logo uma das enfermeiras simpática veio conversar comigo.
-Olá, meu nome é Daniela e vou te axiliar no processo. - Disse simpática - Você é a Mia não é? Mamãe da Laura.
- Isso, sou eu mesma. - Respondi orgulhosa e com um sorriso por se referirem a mim como "mãe da Laura". Esse é um título que eu gostava de ter.
-Mia, normalmente o leite começa a descer alguns dias depois do parto estimulado pela sucção do bebê. Como Laura é prematura e ainda não é capaz de sugar, o que vamos fazer aqui inicialmente é estimular os seus seios com as bombas de sucção para que o seu corpo entenda que precisa produzir leite. - Explicou. - inicialmente você vai perceber que vai sair pouco leite, não tem problema, é normal e você pode ficar tranquila porque Laura vai se alimentar nesse início com leite do nosso banco de leite. Muitas mamães aqui já conseguem retirar mais leite do que os seus bebês precisam e doam o restante para que nós possamos tratar e oferecer aos bebês que ainda não tem leite o suficiente. - Daniela seguiu explicando detalhadamente todos os detalhes do processo de captação do leite e preparação, me garantindo a segurança do leite que Laura iria receber. Ela me orientou que normalmente mamães de bebês na UTI tinham mais dificuldade em produzir leite devido ao estresse e preocupação gerados pela situação e me orientou a beber bastante água.
Depois disso, ela me ensinou a massagear as mamas da maneira correta e posicionou as bombas de sucção. Era um processo doloroso, as mamas sensíveis pela oscilação hormonal, sendo sugadas pela máquina que fazia um vácuo na mama, doía bastante. Mas o que uma mãe não seria capaz de fazer pelo seu filho? Então aceitei a dor e fiquei feliz com os 20ml de colostro captados. Eram 20ml meus que Laura receberia na janta. Considerei uma vitória.
Quando sai da sala, Miguel me esperava pacientemente em frente a porta e se preocupou ao ver minha expressão de dor. Expliquei o processo e ele se tranquilizou. Voltei para o meu quarto no hospital onde mais uma vez tomei banho e comi, conseguindo, finalmente dormir. Acredito que pela exaustão física e mental, tive uma noite sem sonhos, o que foi um alento visto que quando eu sonhava, tinha apenas pesadelos que arrancanvam a minha filha de mim.
A manhã seguinte foi muito difícil, eu recebi alta e ir para casa sozinha, deixando Laura no hospital foi a coisa mais difícil que já passei na vida. Entrar no carro e ver o bebê conforto alojado no banco de trás, vazio, doeu na alma. Não comentei nada, mas sei que Miguel sentiu o mesmo, pois cada vez que paravamos em um sinal, ele vislumbrava o bebê conforto pelo retrovisor, suspirava e seus olhos marejavam.
Ao chegar em casa, mais um aperto no peito ao ver seu quartinho pronto vazio. Tomei um banho e me sentei na cadeira de amamentação do seu quarto esperando para retornar ao hospital na visita da UTI. E assim, os dias foram se passando, todos praticamente iguais.
No início foi tudo muito difícil, eu chorava o tempo todo. Não conseguia comer ou dormir. Miguel estava muito preocupado comigo, assim como toda a minha família. Cada ligação do hospital era um aperto no peito por pensar no que poderia ter acontecido. Um dia eles ligaram para pedir autorização para passar uma PICC em Laura (um acesso venoso periférico que o cateter vai até a veia cava como se fosse um acesso central), precisava de autorização porque era um processo invasivo, mas eu realmente não tinha muita opção. Laura precisava daquilo. Até eu entender que estava tudo bem com Laura e que eu só precisava assinar um papel autorizando o procedimento, meu coração quase parou de medo.
Com o passar dos dias, eu fui lutando para me manter bem, para ficar bem pela minha filha que precisava de mim. Me concentrei em conseguir vencer a minha rotina. Tentando não pensar no amanhã, vivendo um dia de cada vez.
Eu acordava de manhã, tomava banho, comia algo e ia para o hospital. Lá eu ficava das 10h às 17h ao lado de Laura incansavelmente. No começo, Miguel ficava o tempo todo comigo, mas com o passar dos dias ele precisou assumir alguns compromissos na Colucci para que eu pudesse me dedicar exclusivamente a Laura, então meu pai, Alma e Helena se revezavam em me fazer companhia. Foi lindo ver os avós conhecendo Laura pela primeira vez.
Quando terminava o horário de visita, eu ia direto para o banco de leite onde sofria com a extração. Minhas mamas ficaram machucadas e fizeram fissuras que por vezes sangravam, o sangue se misturava ao leite coletado e ele precisava ser descartado, fazendo com que todo o sofrimento fosse em vão. Em alguns momentos eu pensava em desistir, mas daí lembrava que Laura estava fazendo a parte dela e eu precisava fazer a minha. O meu sofrimento não poderia ser comparado ao dela, então eu engolia o choro e tentava de novo. Cerca de duas semanas depois as fissuras cicatrizaram e eu pude finalmente coletar leite sem tanta dor. Meu leite desceu em abundância e agora eu produzia o suficiente para Laura e para doação também. Foi a primeira vitória que conquistamos.
Eu passava pelo menos duas horas por dia na extração de leite, lá eu tive tempo de conhecer melhor as outras mães que também estavam extraindo leite para os seus recém nascidos internados na mesma UTI de Laura. Conversar com elas, conhecer as suas histórias, as suas lutas, fez muito bem para mim. Eu pude ver muitas histórias de recém nascidos que evoluíram muito bem e tinha esperanças que o mesmo acontecesse com Laura. Claro que tinham histórias com desfechos ruins e essas doíam em mim de uma maneira desesperada. Eu me tornei amiga daquelas mães, a luta delas, era a minha luta e eu sentia que elas entendiam os meus sentimentos verdadeiramente.
Lá nós criamos uma rede de apoio, montamos um grupo de whatsapp onde trocávamos experiências e comemorávamos cada pequena vitória. Uma mãe compartilhava que seu bebê tinha ganhado 30 gramas de um dia para o outro e nós vibravávamos, por saber a importância daquilo. Fomos nos adaptando com termos técnicos, e sabíamos direitinho o que significava cada sigla médica.
Certa manhã eu cheguei na UTI, caminhando quase as cegas até a incubadora de Laura, pois sabia o caminho decor de tanto que o percorria. Sua incubadora agora era decorada, tinha uma foto minha e de Miguel no ensaio da gravidez dela envolta em um plástico estéril e colada no bercinho. Mas não foi isso que me chamou atenção, e sim o fato de faltar um tubo em Laura.
Eu estanquei no lugar em susto, primeiro me desesperei achando que tinha caído e olhei rápido para o monitor, mas sua saturação estava boa. Olhei em volta e vi Lupita sorrindo para mim no canto da UTI, lágrimas pesadas caiam pelo meu rosto quando percebi o que estava acontecendo. Laura foi extubada!
No lugar do cano grosso que entrava pela sua boquinha e a ajudava a respirar, agora ela tinha dois pequenos caninhos alocados em seu nariz, o famoso CPAP, que fazia a função de soprar oxigênio para o seu pulmãozinho. Era o primeiro passo para a melhora.
Chorei alto e compulsivamente agradecendo a Deus por essa vitória. Helena estava comigo hoje e me abraçava sorrindo feliz, as mães dos bebês em volta, que agora eram minhas amigas, sorriam em minha direção compartilhando a minha felicidade.
Me aproximei lentamente com medo que a cena a minha frente mudasse e que de repente quando eu piscasse, Laura estivesse entubada novamente. Mas isso não aconteceu, ela continuava lá, linda e feliz respirando pelo seu CPAP. Lupita se aproximou e contou a novidade, disse que ontem a noite Laura tinha começado a "brigar" com o tubo, tentando respirar por si só e não no ritmo que o aparelho determinava, eles resolveram tentar tirar o tubo e deu certo. Ela já estava há 12h com o CPAP e tudo ia bem.
Retirei um caderninho que eu tinha na bolsa onde anotava todos os detalhes da evolução de Laura e anotei:
15/08
- Fui extubada e agora respiro com ajuda do CPAP. Não aguentava mais aquele cano me incomodando!
- Somamos mais 26g na conta - agora meu peso total é 2,090kg. Estou ficando gordinha, amo o mama que a mamãe traz pra mim.
- Todos os meus amiguinhos da UTI ficaram felizes em ver a minha evolução.
Como Laura era um bebê de UTI, todos os dias tinham muitas informações que eram muito importantes para nós e para o seu histórico. Então eu fazia questão de manter tudo anotado. Todos os dias eu anotava a sua evolução, quantas gramas tinha ganhado, se tinha mudado de acesso venoso, se tinha mudado alguma medicação, se tinha feito algum exame, fisioterapia, fono... Tudo anotado no caderno para não deixar passar nenhum detalhe.
Ainda chorando de emoção perguntei para Lupita se poderia ligar para o Miguel ganhando a autorização.
-Aconteceu alguma coisa? - atendeu meu marido nervoso com a minha ligação. Ele sabia que eu estava com Laura nesse horário e se assustou.
-Sim, amor. Mas é algo maravilhoso! - Falei chorando. - Laura foi extubada! - contei emocionada.
-Não acredito, graças a Deus! - Chorou Miguel - Eu estou indo praí agora. - Concluiu ignorando o fato que ele tinha uma reunião importante hoje pela manhã.
Alguns minutos depois, Miguel entrou na UTI correndo e chorou ao ver nossa filha sem o tubo. Se eu não estivesse tão feliz por Laura estar melhorando, eu teria tido um surto pelo tempo que ele levou da empresa até aqui, me fazendo acreditar que ele veio no dobro da velocidade permitida e furou todos os sinais de trânsito.
Agora que Laura não estava mais com o tubo, Lupita disse que eu poderia pegá-la no colo. Chorei mais uma vez de emoção. A enfermeira me explicou que faríamos o método canguru, e me auxiliou a tirar a blusa e ficar apenas com o top para que Laura pudesse sentir o calor da minha pele. Sentei na cadeira e delicadamente Lupita retirou Laura da incubadora a colocando deitada no meu colo com a barriguinha dela em contato com o meu peito. Naquele instante, senti como se eu pudesse voltar a respirar novamente, minha vida encontrou um novo sentido.
Sentir a pele de Laura em contato com a minha, tocar seu corpinho sem luvas pela primeira vez, beijar a sua cabecinha, sentir o seu cheirinho... Eram coisas inexplicáveis. Pode parecer bobagem falar isso, é algo tão comum, mas para uma mãe de UTI poder pegar o seu bebê no colo não tem explicação.
Chorei abraçada a minha filha, Miguel tinha lágrimas nos olhos e filmava o momento em seu celular. Por um segundo eu ignorei os inúmeros fios presos a ela, era apenas eu e a minha bebê e nada no mundo poderia nos perturbar.
A partir daquele dia eu e Miguel revezávamos o tempo com Laura no colo, eu passei a ansiar ainda mais pelo momento em que eu poderia ficar com ela. Alguns dias depois, conseguimos mais uma vitória, Laura conseguia respirar sozinha sem ajuda do CPAP, era algo extremamente importante para nós, pois agora finalmente poderíamos tentar com que ela mamasse no meu peito e não dependesse mais da sonda.
Naquela manhã cheguei ansiosa no hospital, desesperada para poder tentar amamentar a minha filha pela primeira vez. Miguel tagarelava falando que iria filmar esse momento para que a gente pudesse assistir inúmeras vezes depois e eu sorria em pensar. Imaginem a minha decepção quando chegou na incubadora da minha filha e a vejo conectada no CPAP mais uma vez.
-O que aconteceu?! Eu achei que ela estava bem! - Questionei já sentindo as lágrimas molharem o meu rosto.
-Ela estava, mas infelizmente ela começou a ter dificuldade pra respirar ontem a noite, fizemos exames e vimos que ela está com pneumonia bacteriana. Precisamos voltar com o CPAP e iniciar antibiótico na veia. - Explicou Lupita enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto. - Sinto muito, Mia. É como eu falei pra vocês, não vai ser fácil, mas ela vai conseguir.
Depois disso, mais uma vez eu voltei a perder o sono e a chorar durante a noite. Passava horas no quarto de Laura, imaginando quando eu poderia tê-la em casa.
-O que tanto passa por essa sua cabecinha? - Questionou Miguel carinhoso, me abraçando por trás enquanto eu estava escorada no batente da porta do quarto de Laura encarando o seu bercinho.
-Tô pensando que Laura é tão pequenininha, que passamos tanto tempo longe dela, que quando ela vier pra casa eu não vou ter coragem de deixar ela sozinha nesse quarto.... - Falei pensando que gastei milhares de reais em um quarto que pouco seria usado, e não podendo me importar menos com isso.
-Você não vai acreditar. - Disse Miguel rindo e me guiando para o nosso quarto. - Eu pensei a mesma coisa e por isso comprei algo.
Entrei no nosso quarto me deparando com um pequeno berço, bem menor do que tinha no quarto dela, mas mil vezes mais prático. As grades eram móveis dos dois lados, podendo baixar uma delas para encaixar ao lado da nossa cama e ter Laura pertinho da gente.
-Você é incrível amor! - Sorri me inclinando para selar os seu lábios. Miguel realmente pensava em tudo.
No terceiro dia de antibiótico, Laura voltou a apresentar melhora e pode ficar novamente sem o CPAP. Comemoramos a vitória mais uma vez. Também comemoramos a avaliação com a oftalmo, que examinou os olhinhos de Laura e disse que a princípio ela não teria sequelas oculares da prematuridade. Comemorei muito essa notícia, a avaliação com a oftalmo tirava o meu sono há dias. No dia do seu primeiro mesversário, chorei de emoção ao chegar na UTI e ver um grande balão rosa preso na incubadora de Laura escrito: "Parabéns Laurinha - 1° mês". Sorri para as minhas amigas e mães de UTI que cantaram parabéns para a Laura que comemorou o dia dela todo no meu colo.
No dia seguinte ela passou pela avaliação da fonoaudióloga que deu parecer favorável para que eu tentasse amanentá-la. Tremendo de ansiedade, recebi a minha filha no colo me preparando para amamentá-la pela primeira vez. Laura acomodou a cabecinha no meu braço, a boquinha abrindo e fechando, estranhando aquela novidade. Segurei o meu seio, encaixando o mamilo na sua boquinha como a enfermeira tinha me orientado. Inicialmente ela estranhou, tentou virar a cabecinha, mas daí eu dei uma leve apertada no meu seio, fazendo com que uma gota de leite caísse na sua boquinha e ela estagnou interessada com aquela possibilidade.
Abriu e fechou a boquinha, provando o leite e gostando da sensação, procurando por mais. Tentei encaixar novamente o meu mamilo na sua boca, conseguindo dessa vez. Laura sugou, uma, duas vezes, me fazendo ofegar em emoção. Ela tinha os olhos bem abertos, me encarando, como se tentasse compartilhar comigo aquele momento, me contar o que estava sentindo.
-Tá gostoso, filha? Você tá gostando do mama da mamãe? - Perguntei com voz de bebê e ela me e encarou mais ainda, voltando a sugar e colocando uma de suas mãozinhas sobre o meu peito como se dissesse que tava muito bom.
Uma lágrima escorreu pelo meu rosto, ao mesmo tempo que Laura começava a sugar com vontade, ávida por mais, encantada com aquela descoberta. Ergui o rosto para olhar Miguel que nos olhava chorando de emoção e filmando o momento.
Voltei a olhar o rostinho da minha filha que estava deliciada, leite em excesso escorrendo pelo canto da sua boquinha, enquanto ela sugava como se sua vida dependesse disso. Laura sugou e sugou, até os olhinhos começarem a tremer de sono, ela fechava os olhos por alguns instantes parando de sugar e quando eu fazia menção de me afastar, ela voltava a sugar com tudo, como se tentasse me me dizer que eu não ousasse a tirar dali.
Foi muito difícil ir para casa aquele dia e a deixar, especialmente porque Laura chorou inconsolável quando saiu do meu colo e teve que voltar para a incubadora. Eu chorava junto com ela e dizia que não iria a deixar assim, a enfermeira precisou fazer um bico improvisado com uma luva e gaze, para acalmá-la antes da gente sair. Fui o caminho todo soluçando até em casa.
-Ela vai achar que eu estou abandonando ela, Miguel. Ela vai sentir raiva de mim. - Chorei.
-Não vai amor, ela te ama! Ela sabe que você faria qualquer coisa por ela. - Tentou me tranquilizar, mesmo que ele mesmo estivesse com o coração apertado e tivesse chorado junto com a nossa filha.
Eu tentava me forçar a dormir aquela noite, mas a única coisa que passava na minha cabeça era Laura chorando. Miguel só afagava as minhas costas quando me ouvia soluçar, sabia que não existiam palavras que me acalentassem. Por volta da meia noite meu telefone tocou e eu gelei ao ver o número do hospital.
-Alô. - Atendi nervosa.
-Mia, é a Lupita, estou de plantão hoje a noite. Pode respirar tranquila, porque tenho uma notícia boa.
-Nossa, amiga! Que susto! O que aconteceu? - Questionei sentando na cama e cochichando para Miguel que estava tudo bem enquanto ele me olhava desesperado por notícias.
- Laura tá provando que é leonina e tá dando um show aqui na UTI, não tem nada que a gente faça que consiga acalmá-la. - Minha amiga falou e meu coração deu um nó ao reconhecer o choro da minha filha estridente ao fundo. - Ela quer você, Mia. Eu consegui convencer a chefia da UTI e abrir uma exceção, liberar ela pro quarto hoje a noite. Ela teria alta para o quarto amanhã de manhã, visto que ela está super bem, mamando, respirando direitinho... Não precisa mais da incubadora. Mas como ela tá acordando todos os outros bebês com o choro, a chefia permitiu que adiantássemos a alta para agora a noite.
-Meu Deus, que notícia maravilhosa! - Chorei e ri ao mesmo tempo já pulando da cama. - Obrigada amiga, obrigada pela médica incrível que você é! Obrigada meu Deus por essa vitória! - Agradeci chorando.
- Não precisa agradecer, amiga. Só venha e seja feliz. - Completou Lupita.
Eu e Miguel nos abraçamos e choramos juntos. Só nós sabíamos a dor e o medo que sentimos, o desespero, o desamparo. Só Deus sabia o quanto nós imploramos pela vida e saúde de Laura. Receber alta da UTI, mesmo que fôssemos ainda ficar no hospital, era algo maravilhoso.
Rapidamente Miguel montou uma pequena mala com uma muda de roupa, carregador e produtos de higiene para nós dois, enquanto eu montava a bolsa de Laura com coisas que eu pensava ser essenciais. Peguei roupas, fraldas, pomada, lenços umedecidos, toalha e cobertor. Corremos em direção ao hospital, deixamos as coisas no carro e subimos para a UTI, antes mesmo de adentrar o salão eu já ouvia o choro estridente e sentido de Laura. Minhas lágrimas correram pelo rosto incontrolávelmente, enquanto eu quase que corria em direção a sua incubadora onde uma enfermeira a ninava no colo na tentativa falha de acalmá-la. Um copinho com leite intacto em uma de suas mãos me faziam acreditar que ela se negava a mamar.
-Pronto, meu amor, shiuu, pronto! Mamãe chegou, mamãe está aqui contigo e nunca mais vamos nos separar! Eu prometo, filha! Prometo com todo o meu coração! - Acalentei a minha filha a segurando contra o peito, ouvindo seu choro estridente diminuir de volume, se tornando apenas um resmungo sentido por ter chorado por tanto tempo. Beijei a sua cabecinha, sentindo o seu cheirinho de bebê.
-Eu sempre me impressiono com o poder que uma mãe tem de acalmar o seu bebê. Ela chorou por quase uma hora seguida e se negava a tomar o leite. - Contou a enfermeira.
-Mamãe tá aqui agora! - Falei para Laura, deixando uma lágrima escorrer ao pensar que ela chorou inconsolável por mais de uma hora e que estava com fome.
Sentei na cadeira, ignorando tudo ao meu redor, coloquei meu seio para fora e amamentei Laura que sugou desesperada com um suspiro de alívio ao sentir o leite escorrer pela sua boca. Sugou tão rápido que quase se afogou, tossindo em meio a mamada.
-Calma, meu amor. Não precisa ter pressa, mamãe não vai em lugar nenhum. Desculpa a mamãe por ter te deixado com fome, ok? - Falei enquanto ela se acalmava, como se me entendesse de verdade. Ela ergueu a mãozinha e eu a segurei, sentindo ela fechar os dedinhos em torno do meu, como se me segurasse por perto.
Enquanto eu amamentava Laura, Lupita instruiu Miguel a fazer a parte burocrática da alta da UTI e internação na enfermaria neonatal. Depois ele buscaria as nossas coisas no carro e nos encontraríamos direto no quarto.
Quando Laura se deu por satisfeita, a coloquei em pé no meu colo para que arrotasse e Lupita trouxe um cobertor para cobri-lá, visto que na UTI os bebês ficam só com a fralda. Caminhamos até a enfermaria neonatal e nos mostraram onde era o quarto que ficaríamos, composto por uma cama hospitalar, um berço e um sofá cama. No canto do quarto tinha uma banheira de bebê, além de um frigobar e uma pequena televisão.
A enfermeira me ajudou a dar o meu primeiro banho em Laura, visto que na UTI eu não podia participar desse momento. Não preciso dizer que me emocionei, não é?
Miguel olhava tudo com atenção, comentando que o segundo banho ele quem iria dar e registrando todos os momentos com a câmera do celular. Quando terminamos, prendi a fralda e escolhi a primeira roupinha que colocaria na minha filha. Um pequeno macacão rosa claro tamanho RN e que mesmo assim ficava enorme nela. Ver Laura vestida pela primeira vez, fez meu coração errar uma batida no peito de tanta felicidade. A segurei contra o peito com a certeza de que ela nunca mais sairia dali.
Passei a noite inteira com ela no colo, ela ressonava em sono profundo, mas a qualquer menção de eu me mexer, ela resmungava preparada para chorar a plenos pulmões caso eu ousasse colocá-la no berço. Sorri boba por ela querer ficar perto de mim assim como eu queria ficar perto dela. Pela manhã seus olhinhos tremeram e ela acordou olhando ao redor, vendo onde estava. Os olhinhos que ficavam cada dia mais claros, tendendo cada vez mais para o azul do que para o verde, para a alegria de Miguel que torcia para que ela puxasse os meus olhos, ele dizia que eram "os faróis que o guiavam". O queixo e o nariz pequenos eram meus, a boquinha era idêntica a de Miguel, assim como os cabelos escuros.
Durante a manhã recebemos visita das avós e das minhas irmãs, que babaram demais em poder pegar Laura no colo. Tiramos várias fotos, as primeiras com o resto da família juntos. Até então tínhamos registros da UTI comigo e com Miguel apenas. Claro, que todos tomaram os devidos cuidados, higienizando as mãos com álcool gel e utilizando máscara nas visitas.
À partir daquele dia, a nossa luta foi para que Laura ganhasse peso. Cada grama ganhada contava, e comemorávamos muito todos os dias na hora da pesagem quando víamos que o peso havia subido. Quando ela completou 45 dias de vida e atingiu a incrível marca de 2,535kg, recebemos a melhor notícia de nossas vidas: finalmente Laura iria para casa!
Cai de joelhos agradecendo a Deus por essa benção. Miguel e eu chorávamos e riamos ao mesmo tempo. Quando entramos no carro, finalmente olhamos para trás e vimos nossa filha ocupando o seu bebê conforto, toda linda com sua saída de maternidade vermelha escolhida criteriosamente por mim. Quando chegamos em casa, nossa família inteira nos esperava usando máscaras com balões escritos "Bem vinda, Laura!", me arrancando mais lágrimas.
Quando a noite chegou e eu a vi deitada no seu berço ao lado da nossa cama, sorri agradecendo a Deus por tudo que eu tinha, não precisava de mais nada.
-Amor? - Chamou Miguel e eu virei para olhá-lo. - Quando Laura estava no hospital, eu terminei a música que fizemos pra ela... Compilei alguns vídeos e fotos, terminei de editar a pouco. Quero que você veja. - Me disse entregando o seu iPhone.
Peguei o celular e cliquei no "play", respirando fundo pela emoção.
Ha pasado todo tan deprisa
Día a día vi correr la vida
Tú llegaste y me enseñaste a respirar
Os primeiros acordes da canção tocaram enquanto fotos minhas grávida e vídeos da Laura mexendo sob a minha barriga, assim como imagens de ecografias passavam na tela. A voz doce de Miguel preenchia o quarto, meu olhos marejaram.
Tu sonrisa no conoce el miedo
Yo he llenado de algodón el suelo
Que no haría para no verte llorar
A única foto do seu nascimento cruzou a tela, seguida do vídeo onde eu a pegava pela primeira vez na UTI ainda cheia de fios e tubos e logo depois eu a nanando e amamentando pela primeira vez enquanto ela choramingava no meu colo.
Eres la raíz que me enseñó a aterrizar
Mi fragilidad y mi fuego
Um vídeo que eu nem sabia que existia, meu segurando a mãozinha de Laura enquanto chorava e rezava baixinho apareceu.
Tuve que ver tus ojos para entenderlo todo
Y en todos mis deseos habitan tus latidos
Pude tomar tu mano y todo fue tan claro
Puedo cruzar desiertos siguiendo tus latidos
Imagens minhas segurando a mãozinha de Laura pelo buraco da incubadora e o monitor cardíaco monitorando seus batimentos passavam. Logo depois, uma imagem dos seus olhinhos claros observando atenta aos meus movimentos.
le robaste la rutina el tiempo
Cada paso es un nuevo comienzo
Has despertado lo mejor de mí
Outra imagem de Laura sendo pesada e eu e Miguel pulando e comerando as 20 gramas que ela ganhara no dia. Sorri com a lembrança.
Yo quisiera regalarte el cielo
Que viajamos por el universo
Y se enciendan las estrellas para ti
Eres la raíz que me enseñó a aterrizar
Mi fragilidad y mi fuego
A música tinha partes cantadas por mim, que já havíamos gravado anteriormente, antes mesmo de Laura nascer, com a intenção de tocar no dia do seu nascimento. Com tudo que veio a acontecer, ela ficou parada até agora, quando Miguel terminou e gravou as partes faltantes. Resultando em um lindo dueto de nós dois para a nossa filha.
Tuve que ver tus ojos para entenderlo todo
Y en todos mis deseos habitan tus latidos
Pude tomar tu mano y todo fue tan claro
Puedo cruzar desiertos siguiendo tus latidos
Si me voy nunca estaré tan lejos
Te prometo visitar tus sueños
Recuerda que yo soy parte de ti
Latiendo en tus latidos
O video termina com nós três saindo do hospital com Laura nos braços e um sorriso absurdo nos rostos.
Tento limpar as lágrimas que escorrem pelo meu rosto, enquanto meio choro, meio sorrio. Era isso, por aquele pequeno ser, seríamos capaz de qualquer coisa. Encerramos aquele dia mágico postando o vídeo no Instagram com a legenda "Enfim em casa. Laurinha lutou bravamente e já está em casa com o papai e com a mamãe, sabemos que a batalha continua, mas gostaríamos de agradecer imensamente às orações e pensamentos positivos enviados até aqui. Somos muito gratos por tudo!"
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Olá traumadinhxs, estou aproveitando meus últimos dias de férias pra deixar mais presentinho pra vcs que esperaram pacientemente mais de um ano por esse momento! Obrigada pelas estrelinhas e comentários ❤️
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