Capítulo 20 - Outro Día Que Va

POV Mia

Sabe aquele ditado que diz que após a tempestade sempre vem o arco-íris? Ele não poderia ser mais verdadeiro. Os tempos que se seguiram após aqueles dias conturbados serviram apenas para reestabelecer a ordem natural das coisas e colocar tudo no seu devido lugar. Após a minha festa de aniversário surpresa, retomei a minha relação com o meu pai que se fortificava cada dia mais. Mesmo que eu permanecesse na casa de Miguel, voltamos a nos falar diariamente, primeiro por mensagens de texto no whatsapp, que evoluíram para chamadas de voz e posteriormente para vídeo como costumava ser anteriormente.

Em momento algum ele me cobrou sobre voltar para casa ou teceu um comentário sequer sobre eu estar levando uma vida praticamente de casada com o meu namorado. Falávamos sobre os meus sentimentos, sobre a faculdade e planos para o futuro, ele me dava conselhos, deixando bem claro que eram apenas isso: conselhos. Cabia a mim decidir se os seguia ou não, preservando o meu livre arbítrio que eu tanto lutei para conquistar.

Com o passar dos dias e com nossa intimidade reestabelecida, me senti à vontade para aparecer de surpresa na minha casa no sábado à tarde. Miguel e eu íamos a um barzinho com seus colegas de faculdade e eu queria muito uma sandália que havia ficado ali, meu namorado me incentivou a ir buscar e eu pensei: "Por que não?". Foi com esse pensamento em mente que adentrei a sala da minha casa, meses depois de ter pisado naquele lugar pela última vez. Na ocasião eu me sentia destruída, completamente diferente de como eu estava agora, e foi inevitável o sentimento de nostalgia que me tomou e a emoção que invadiu o meu coração ao perceber que eu ainda me sentia em casa naquele lugar que sempre significou tanto para mim.

Fui recebida com surpresa e entusiasmo por todos e tive que conter a emoção ao ver Peter e meu pai com lágrimas nos olhos. Aceitei o convite para ficar para o café da tarde e tivemos um lindo momento em família como nos velhos tempos. Quando a noite foi caindo, me dirigi ao meu quarto sem poder enrolar mais, em busca das roupas em que eu estava atrás, mas assim que abri a porta estagnei em surpresa ao perceber o ambiente ali dentro que sempre me foi tão familiar. Adentrei a passos lentos e toquei o móvel no centro do quarto como se estivesse tendo uma miragem, mas assim que minhas mãos entraram em contato com o edredom macio, percebi que a imagem não era fruto da minha imaginação e que sim, minha antiga cama de solteiro havia sido substituída por outra com o triplo do tamanho.

-Gostou? - Me virei ao ouvir a voz do meu pai atrás de mim, recostado no dossel da porta me olhando em expectativa.

-O que significa isso? - Questionei ainda abismada e, de certa forma, desconfiada. É aquele ditado: quando a oferta é demais o santo desconfia.

-Interprete como uma oferta de paz. - Resumiu.

-Isso quer dizer que você está me dando autorização para transar com o meu namorado? - Questionei rindo, ainda em choque.

-Não é pra tanto. Você pode me poupar dos detalhes. - Respondeu estremecendo e eu tive que segurar a vontade de gargalhar da sua cara de ultraje. - Isso quer dizer que eu entendi Mia. Entendi que você só estará feliz com Miguel e eu quero que essa casa continue sendo o seu lar e, se para isso eu preciso autorizar que vocês durmam juntos, ok. É a sua casa, o seu lar, você deve se sentir à vontade para fazer o que quiser nela. Mesmo que daqui há alguns anos vocês construam a família de vocês, tenham a casa de vocês... Quero que você saiba que o seu lugar sempre vai estar aqui e que poderá voltar quantas vezes quiser. - Completou com a voz embargada e o meu sorriso já se misturava com as lágrimas que nublavam minha visão. Isso era tudo que eu sempre quis ouvir.

-Obrigada daddy. Você não tem noção do quanto significa ouvir isso de você. - Falei me abraçando a ele e enfiando a cabeça no seu peito. Ele afagou meus cabelos como costumava fazer quando eu era criança e isso bastou para que eu liberasse o choro preso na minha garganta. Senhor, como eu havia sentido falta desse abraço!

-Eu amo você Mia. Sei que às vezes me comporto como um velho babaca, mas é sempre com a intenção de fazer o melhor por você, de te proteger. Nunca, em toda a minha vida, tomei alguma atitude sem pensar que estava fazendo o melhor por ti. Tenha paciência com esse seu daddy que ainda tem muito o que aprender na vida.

Eu não voltei de imediato para casa depois disso, mas o recado estava dado e a porta estava aberta para quando eu quisesse. Com o tempo, Miguel e eu nos acostumamos em oscilar entre a minha casa e a sua, alternando os dias esporadicamente, sem regra nenhuma. A única coisa que era certa, é que sempre estávamos juntos. Foram raras as vezes em que dormimos separados depois disso.

Com o passar do tempo, também foi inevitável não reestabelecer o contato com a minha mãe, já que apesar de eu me esforçar absurdamente para arrancá-la do meu coração, não obtive sucesso. Dessa forma, alguns meses depois, me rendi aos seus pedidos de perdão e retomamos os nossos almoços semanais. Ela evitava se meter na minha vida e eu controlava o máximo que conseguia criar expectativas em cima dessa relação e, assim, seguimos sem maiores incidentes.

A faculdade deixou de se tornar um martírio e para o desespero de Miguel que controlava o seu ciúme da melhor forma que conseguia, Ian continuava sendo o meu fiel escudeiro, mas a relação com o resto do pessoal da turma melhorou bastante. Nunca seríamos melhores amigos, pois jamais conseguiria esquecer as ofensas desferidas no começo de tudo, mas já tínhamos uma relação pacífica, o que era muito mais do que eu precisava. Entretanto, como nem tudo nessa vida são flores, foi com certo desespero que eu recebi a nova aluna que veio de transferência de outra universidade na metade do terceiro semestre, nossa velha conhecida, Sol de La Riva. Ela bem que tentou causar, mas eu estava em uma fase tão feliz e realizada da vida, que conseguia ignorar suas provocações com maestria. Por enquanto.

Ainda realizamos shows com o RBD, normalmente algo menor nos finais de semana e feriados, e turnês maiores no nosso período de férias. Contudo, à medida que nossa graduação ia avançando, as responsabilidades aumentando e os horários livres ficando mais escassos, ficou visível que se tornaria impossível manter essa rotina. Dessa forma, realizaríamos uma turnê intitulada "Tour del Adiós" onde faríamos nossa despedida oficial dos palcos. Não era algo definitivo, RBD existiria até que o último coração rebelde parasse de bater e nós sabíamos disso. Planejávamos fazer shows esporádicos em datas comemorativas e eventos especiais, mas sem nenhuma pressão de contrato por novos discos ou turnês grandes que prejudicassem nossas carreiras pessoais que eram o nosso foco agora. RBD salvou a minha vida de todas as formas que uma pessoa pode ser salva, me deu o amor da minha vida, os meus melhores amigos, reconstituiu a minha confiança em mim mesma e o meu amor próprio. A música me salvou e foi a melhor e mais louca experiência que eu pude ter, mas tudo tem o seu início, meio e fim e nós precisamos reconhecer que estava na hora de encerrar esse ciclo glorioso das nossas vidas. Mesmo que não fosse de fato um "Adeus" e sim, um "Até logo".

Quando eu estava na metade da faculdade, me rendi aos apelos do meu pai e aceitei um carro de presente de aniversário, entendendo que aquilo facilitaria muito a minha rotina corrida e, principalmente, aliviaria um pouco a loucura de horários que havia se tornado a vida de Miguel. Meu namorado avançava cada vez mais dentro da empresa e se encaminhava para se tornar o braço direito do meu pai na parte administrativa e de tomada de decisões, eu estava morrendo de orgulho do seu desempenho e não tinha dúvidas que a Colucci não poderia estar melhor representada.

No início do quarto semestre, comecei a estagiar no departamento de moda da empresa, fazendo questão de começar por baixo como os outros estagiários, e me desdobrando para não ser tratada com os privilégios que sabia que tinha. Busquei muito cafezinho e copiei relatórios, até conseguir ir ganhando o meu espaço, dando pitacos de criação aqui e ali aos estilistas da empresa, ia crescendo a passos lentos e conquistando o meu espaço aos poucos, da maneira mais justa que conseguia. Para a tristeza de Miguel, Ian estagiava comigo e juntos criamos nossa primeira coleção solo, uma parceria que rendeu ótimos frutos e foi sucesso de vendas.

Mesmo eu afirmando e reafirmando um milhão de vezes, meu namorado ainda se corroía de ciúmes de Ian, embora ele tentasse controlar da melhor maneira que conseguia. Eu não ficava muito atrás, já que para o meu desespero a sua assistente era nada menos do que a vadia da Nathália que não cansava de se atirar para cima dele. Sim, a Nathália é essa mesma que vocês estão pensando, a aprendiz de vadia que insiste em ser chamada de Nathi e que se revelou nada menos do que a filha do Antônio e enteada da minha mãe! Dessa maneira, eu não apenas tinha que aturar essa insuportável na empresa, como também nos eventos familiares, provando cada vez mais o quão difícil é ser Mia Colucci!

Tirando nossas crises de ciúme esporádicas, minha relação com Miguel nunca esteve tão bem. Nós lidamos perfeitamente com o aumento de carga de trabalho e confusão de horários que o nosso crescimento profissional ocasionou e mesmo que ficássemos sem nos falar ao longo do dia, de noite dormíamos juntos na maioria das vezes e me enrolar nos seus braços era tudo que o meu corpo cansado precisava para recuperar as energias para o dia seguinte. Nossa relação familiar também estava ótima e cada vez mais fazíamos coisas juntos, meu pai comprou uma casa em Acapulco e nós passávamos a maioria dos feriados ali, isso incluía é claro, Helena e Lolly que já eram parte essencial da nossa família. O sítio de Santos se tornou nosso refúgio particular e nós retornamos ali inúmeras vezes. Algumas delas entre amigos, mas na grande maioria sozinhos, onde aproveitamos muito cada momento e nos tornamos cada vez mais próximos do casal de caseiros que já tinha mais intimidade conosco do que com os verdadeiros donos do local.

POV Miguel

Era tarde da noite quando eu adentrei devagar o quarto de Mia em uma tentativa de não a acordar. Eu precisava terminar alguns relatórios com Franco, o que nos motivou a dormir na casa dela essa noite, em uma tentativa de que conseguíssemos nem que fosse alguns minutos a mais de sono. Nossa vida estava uma loucura, final de semestre era uma correria de trabalhos e provas na faculdade somado a muitos relatórios e reuniões na empresa, além disso, Mia estava prestes a lançar sua primeira coleção solo na Colucci e isso estava arrancando toda a sua sanidade. As enormes olheiras em baixo dos seus olhos eram a prova do quanto minha namorada estava sobrecarregada, mas mesmo exausta ela fazia questão de dar o melhor de si e eu não poderia me sentir mais orgulhoso. Deixei um beijo em sua testa, antes de me dirigir ao banheiro para uma ducha rápida, não via a hora de me juntar a ela naquele sono profundo.

Dando o meu melhor para não fazer barulho, revirei o closet de Mia em busca de uma cueca boxer limpa, sorri com o amontoado das nossas peças de roupas misturadas. Já fazia mais de um ano que vivíamos assim, sem morar exatamente em um lugar fixo, minhas coisas se misturavam com as dela na casa de Franco, assim como as dela se embrulhavam com as minhas no apartamento da minha mãe, e de alguma forma ela conseguia ocupar a maior parte do guarda-roupa nos dois lugares me fazendo amontoar as minhas poucas peças em espaços minúsculos e me obrigando a fazer uma bagunça enorme até achá-las o que a levava a gritar comigo depois, me chamando de bagunceiro. Mia Colucci era uma lenda, e eu era completamente apaixonado por ela.

Sorri ao finalmente encontrar a cueca, juntando o bolo de peças de roupa que caíram da prateleira no processo e os socando de qualquer jeito para dentro de novo, amanhã eu lidaria com isso. No momento eu estava exausto e a única coisa que queria era o corpo pequeno da minha namorada junto ao meu, enquanto eu dormia profundamente. Me deitei devagar na cama e Mia se aproximou como se meu corpo fosse um imã que a atraísse, sorri porque era sempre assim que acontecia. Mesmo que ela estivesse exausta, seu corpo procurava o meu instantaneamente durante o sono e dormíamos abraçados um ao outro. Nas poucas vezes em que precisamos dormir separados nos últimos anos, normalmente porque eu viajava para alguma reunião da empresa, o sono não era restaurador o suficiente, como se o nosso corpo se recusasse veementemente a descansar se não fosse nos braços um do outro. Não foi preciso mais do que cinco minutos após nós abraçarmos para que eu entrasse em sono profundo.

Acordei sentindo beijinhos delicados no meu rosto e o meu primeiro pensamento era o de que eu estava atrasado. Mia dormia demais e eu sempre despertava primeiro que ela pela manhã e precisava literalmente implorar até que ela levantasse. Pulei na cama observando o relógio digital rosa neon com purpurina que ficava na sua mesa de cabeceira, franzindo o cenho ao perceber que marcava pouco mais de uma da manhã.

-O que aconteceu? - Perguntei, ainda rouco pelo sono, observando Mia que continha o riso pela minha cara confusa. Os olhos azuis brilhantes com um ar de criança quando é pega aprontando me fizeram ter vontade de rir também.

-Nada. - Respondeu simples, escondendo o rosto na curva do meu pescoço onde deixou um beijinho. Estreitei os braços ao seu entorno, beijando os seus cabelos.

-Nada? - Sorri acariciando o seu braço e observando sua pele arrepiar ao meu toque.

-Você tá muito cansado? - Questionou acariciando levemente o pé do meu cabelo, que agora era mais curto que há alguns anos atrás. Eu havia aderido a um novo corte de cabelo na tentativa de parecer menos adolescente cantor de uma banda pop e mais homem CEO de uma empresa respeitada, visto que eu precisava que os investidores da Colucci me levassem a sério nas reuniões. No começo, Mia reclamou por sentir falta de emaranhar os seus dedos nos meus cachinhos, que ela amava, mas agora já havia acostumado e até admitido que me achava sexy com o novo corte que era pouco mais curto nas laterais e mais comprido no topo, onde ainda havia alguns poucos cachos revoltos para a sua felicidade. Eu também havia aderido a deixar a barba por fazer na tentativa de parecer um pouco mais velho nas reuniões da empresa, mas Mia amava tanto essa nova característica que eu duvidava que voltaria a tirar um dia.

-Amor, você me acordou a uma da manhã pra perguntar se eu tô cansado? - Sorri, tentando desvendar a sua verdadeira intenção por trás dos olhos azuis que me encaravam meio elétricos e meio culpados, enquanto ela assentia corando. - Não, meu anjo. Não tô cansado. O que você quer? - Menti, beijando sua testa.

-Bebê, desculpa, mas eu tô morrendo de tesão. - Confessa corando fortemente e eu gargalho sem acreditar, levando um tapa no ombro por ousar rir dela.

-Você tá me pedindo desculpas por estar com tesão? Eu que deveria me desculpar por deixar a minha namorada passando vontade. - Amenizei, tentando deixá-la menos constrangida e internamente com vergonha por chegarmos ao ponto dela me acordar de madrugada para pedir sexo. Não que nossa vida sexual não fosse super ativa, porque era. Mas as últimas semanas foram realmente tumultuadas e fazia alguns dias que não fazíamos nada.

-Eu tô me sentindo uma ninfomaníaca aqui. - Confessou. - Pelo amor de Deus, não faz nem uma semana e eu já sinto que vou entrar em combustão, isso não pode ser normal. Eu juro que queria deixar você descansar, mas eu sonhei com a gente fazendo amor e não teve jeito de conseguir voltar a dormir. - Choramingou se desculpando por ter me acordado mais uma vez.

-Pare com isso, olha como eu tô só de te ouvir falar. - Forcei o quadril contra ela que ofegou ao sentir minha ereção se formando contra a sua barriga. - Você não sabe o poder que tem sobre mim. Quer dizer que você teve um sonho erótico? - Provoquei mordendo o seu pescoço e enfiando a mão por baixo da sua camisola e sentindo sua boceta molhada ainda por cima da calcinha úmida.

-Hummmm... Tive. - Gemeu abrindo as pernas e me proporcionando mais espaço. Escorreguei a mão para dentro da sua calcinha a ouvindo gemer alto assim que toquei seu clitóris livre de barreira.

-Gostosa. - Ofeguei ao perceber o quanto ela estava melada. Meu pau pulsou em resposta dentro da minha cueca e tive que morder o lábio para não gemer alto ao sentir a mão delicada de Mia se infiltrando ali e acariciando a glande inchada. - Porra! Eu preciso me enterrar dentro de você. - Confessei, enfiando três dedos de uma vez no seu interior em uma demonstração clara do que eu queria fazer.

-Ah, Miguel. Sim, por favor. - Choramingou, puxando a camisola e expondo os seios macios com os mamilos intumescidos gritando em minha direção, implorando para serem sugados, mordidos, torturados. Minha boca ficou seca pela visão e precisei de toda a minha concentração para me livrar da cueca e procurar por um preservativo, desesperado.

Abri a gaveta da mesa de cabeceira, onde sempre tinha uma caixa de preservativos, a encontrando vazia e recordando que Mia tinha ficado de comprar mais. Normalmente, eu era o responsável por cuidar dos preservativos, mas eventualmente ela comprava quando necessário. Essa semana, por exemplo, eu estava completamente sem tempo e ela já iria passar na farmácia para comprar outras coisas, então se disponibilizou a comprar.

-Amor, você chegou a comprar camisinha? - Perguntei, enquanto Mia se remexia em baixo de mim fazendo com que meu pau extremamente ereto massageasse a sua boceta melada, me obrigando a usar toda minha concentração para não jogar tudo para o alto e meter nela até o fundo.

-Comprei, tá dentro da sacola em cima da cômoda. - Avisou choramingando quando meu corpo saiu de cima dela. Corri até o local indicado, remexendo nas sacolas ali em cima em busca dos preservativos. Na pressa, acabei derrubando alguns produtos, havia cremes, maquiagens e até absorventes, mas não achava sequer uma camisinha.

-Não tô achando. Tem certeza que você comprou? - Perguntei.

-Tenho, amor. Pode ter certeza que eu não iria esquecer da situação constrangedora de comprar milhares de camisinhas ao lado de Roberta. Ela me zoou a tarde toda por isso, deve estar aí em cima. - Explicou e eu sorri ao imaginar a cena dela toda envergonhada comprando preservativo.

-Não tô achando. - Revirei mais um pouco o local, sem sucesso. Mia bufou e levantou da cama indo procurar dentre as sacolas.

-Caralho, onde a porra dessas camisinhas foram parar? Eu juro que eu comprei! - Exclamou frustrada depois de revirar o quarto em busca dos preservativos.

Mordi o lábio por vê-la braba, ela ficava ainda mais gostosa quando estava furiosa com alguma coisa. Analisei descaradamente seu corpo nu na minha frente, enquanto ela andava pelo quarto procurando preservativo. Eu sempre fui completamente enlouquecido pelo corpo de Mia, só Deus sabe o desespero que foi namorar três anos com ela sem puder tocá-la, mas os anos só estavam contribuindo para fazê-la mais gostosa. Nós malhávamos juntos diariamente e, embora eu apenas mante-se o meu corpo no lugar, Mia simplesmente havia transformado o dela. A barriga trincada e as coxas bem torneadas me faziam babar, mas o que realmente me tirava completamente do sério era a sua bunda, que havia simplesmente triplicado de tamanho e se tornado o meu ponto franco. Eu estava tão concentrado babando no seu corpo gostoso que não entendi o que ela falou, percebendo-a parada na minha frente aguardando uma resposta.

-O que foi que você disse? - Perguntei enlaçando a sua cintura e a puxando para mais perto de mim. Meu pau ereto bateu na sua barriga e eu ofeguei.

-Eu disse para nós transarmos sem camisinha. - Falou com naturalidade e eu arregalei os olhos sem acreditar no que tinha ouvido.

-Você não precisa fazer isso, eu posso te fazer gozar de um jeito bem gostoso que não envolva necessariamente eu estar dentro de você. - Ofereci, não querendo que ela se submetesse a algo que a deixava desconfortável apenas porque estava morrendo de tesão, mas internamente desesperado para me enterrar nela até o talo sem nenhuma barreira para me impedir de sentir o seu calor. Nós havíamos transado apenas uma vez sem proteção e embora eu estivesse bêbado, recordava da sensação inexplicável de senti-la daquela forma.

-Amor, você não tá entendendo! Eu preciso de você dentro de mim! - Choramingou envolvendo minha nuca com as suas mãos onde arranhou levemente em uma demonstração do quanto ela precisava.

-Você tem certeza? - Achei melhor confirmar mais uma vez, não queria vê-la desesperada de novo por uma suspeita de gravidez como da outra vez.

-Sim... Você não quer? - Questionou desconfiada e eu sorri, beijando a sua testa no exato lugar em que uma ruga se formava por ela franzir o cenho em minha direção.

-Não há nada nesse mundo que eu queira mais do que transar com você sem camisinha. Eu sonho com isso há anos, amor. Só não quero que você faça algo que não se sinta segura. - Explico.

-Eu não tô insegura, é diferente agora. - Sussurra, baixando o olhar como se tivesse vergonha de me encarar. - Eu já tomo anticoncepcional há anos da maneira correta e, bem... Claro que não é o momento ideal, mas se por acaso acontecer uma gravidez inesperada agora, não seria o fim do mundo como naquela época... Estamos prestes a nos formar, não temos mais contrato para cumprir com o RBD, estamos estabilizados dentro da empresa... - Fala como se divagasse sobre aquela possibilidade e eu assinto, concordando com ela. Nós não queríamos um bebê agora, mas tínhamos que ter a consciência de que mesmo ela tomando o remédio da maneira correta, nenhum método funciona cem por cento e, abrindo mão do preservativo, a chance de gravidez existia, mesmo que ela fosse mínima.

-Ok. Então nós vamos mesmo fazer sem camisinha... Nem acredito que isso vai acontecer. - Falo tendo noção do sorriso que tinha na cara e Mia sorri constrangida, dando um tapa no meu ombro.

-Bobo. - Reclama se aproximando de mim.

Não perco tempo, levando minhas mãos a sua bunda extremamente gostosa onde apertei forte e a impulsionei para que enlaçasse as pernas na minha cintura, carregando-a para a cama. Estávamos os dois extremamente excitados e ansiosos, a perspectiva de que iríamos fazer sexo sem camisinha, algo completamente diferente dos últimos anos, nos deixava ainda mais necessitados. Dessa forma, não perdemos tempo com preliminares, visto que já estávamos explodindo de tesão.

Me encaixei sobre ela que abriu as pernas para me acomodar me olhando com expectativa. Apoiei o meu corpo com o braço esquerdo na cama, usando o direito para posicionar o meu pau na sua entrada extremamente quente e apertada, gemi com a sensação inexplicável da glande em contato com sua boceta e eu ainda nem havia a penetrado. Caralho, isso ia ser incrível!

Introduzi lentamente meu pau no seu interior, primeiro a glande, parando um momento onde gememos juntos e, sem aguentar a sensação, penetrei o resto rapidamente e com força ouvindo Mia grunhir alto.

-Puta merda, isso é ainda melhor do que eu lembrava. Melhor do que eu imaginei. - Falei completamente desnorteado pelo prazer metendo nela sem parar. - Eu queria que você pudesse saber o quão gostoso é te sentir quente ao meu redor. Você é lisinha, completamente molhada, melando todo o meu pau. - Confessei por saber o quanto ela gostava de ouvir palavras sujas na hora do sexo.

-Ah... Meu Deus, Miguel! Isso é muito bom... Nossa! - Exclamou, gemendo cada vez mais alto e pedindo para eu ir mais rápido, mesmo que eu já estivesse a fodendo fortemente.

Inclinei meu corpo para beijar sua boca e tentar abafar um pouco os gemidos altos, quase gritos, que ela soltava. Com o tempo eu simplesmente desisti de pedir para que ela fizesse silêncio ou gemesse mais baixo durante a transa, porque era impossível, ela simplesmente não conseguia. Então eu apenas aceitei que todos a nossa volta sabiam da periodicidade da nossa vida sexual porque não havia o que fazer, discrição não era exatamente uma palavra que Mia Colucci conhecesse e no que dependia de mim, estava tudo bem.

É claro que todos tinham a discrição de não comentar nada sobre os nossos barulhos noturnos, com exceção da Roberta que não se continha. A única prova de que eles realmente ouviam, era a cara feia de Franco no café da manhã que nos olhava de maneira fuzilante. Nada que eu não pudesse lidar.

-Caralho, Mia. Você tá me apertando de uma maneira que eu não sei se vou aguentar. - Confessei ao sentir suas contrações aumentarem ao meu entorno, arrancando a minha sanidade.

-Não precisa aguentar, eu tô quase gozando... Porra, que delícia! - Respondeu cravando as unhas nas minhas costas, onde eu tinha certeza que ficariam marcas. - Bem aí, não para... por favor! - Choramingou no momento em que eu atingi o ângulo certo que estimulava seu ponto G, mais três estocadas ali e ela gritou se contraindo toda ao meu redor e melando ainda mais o meu pau que não aguentou, despejando o meu próprio orgasmo no seu interior.

Desabei sobre ela tentando regular a minha respiração depois daquele acontecimento incrível, o corpo de Mia por vezes ainda estremecia sob o meu e nós sorríamos um com o outro. Nos desencaixei e parei um instante ajoelhado entre suas coxas observando a minha porra escorrer de sua boceta por entre suas pernas. Era errado eu me sentir muito satisfeito e excitado em ver isso? Eu sei que soa machista, mas era como seu eu a tivesse marcado, minha e de mais ninguém.

-O que foi? - Mia questionou ao me ver parado em silêncio, erguendo o tronco da cama e corando ao ver o que eu tanto observava.

-Você vai ficar braba comigo se eu confessar que tô com muito tesão de ver a minha porra escorrer de dentro de você? - Questionei e Mia corou ainda mais.

-Não... Porque eu também tô. - Confessou e eu gargalhei em sua direção. Eu era completamente louco por essa mulher.

Óbvio que transamos mais uma vez e óbvio que tive praticamente que implorar para ela levantar no outro dia de manhã, nos fazendo descer atrasados para o café após tomarmos um banho juntos que, infelizmente, foi só banho devido ao horário.

Todo mundo se preparava para sair enquanto eu e Mia comíamos algo rapidamente, até que Franco que recém tinha se despedido de nós dizendo que ia para a empresa, apareceu na porta chamando a atenção de todos.

-Mia, você esqueceu uma sacola no meu carro. - Disse com o tom de voz cortante enquanto entregava a bendita sacola cheia de preservativos nas mãos de Mia que mais parecia um tomate. Eu e Alma tentávamos conter o riso como podíamos, mas Roberta e Josy gargalhavam com a cena. - Faça o favor de ser mais discreta, eu não preciso e não quero saber detalhes desnecessários.

-Não reclama, você não pode se queixar de ela estar se cuidando. - Exclamou Alma e Franco revirou os olhos saindo novamente. Mia me olhou sorrindo travessa e sussurrou no meu ouvido.

-Esse foi o dinheiro mais mal investido na minha vida, uma pena ter gastado em algo que nós não vamos usar... - Escondeu o rosto corado no meu pescoço e eu gargalhei do seu constrangimento. Eu simplesmente amava o quanto ela mesclava os lados safada e menininha o tempo todo. Beijei a sua testa tranquilizando-a e bem, não preciso falar que desde esse dia os preservativos deixaram de fazer parte da nossa realidade, não é?

POV Mia

O tempo seguiu passando rapidamente e nós dois estávamos cada vez mais ganhando destaque na Colucci, o que significava que também estávamos cada vez mais sem tempo. Felizmente, a faculdade se encaminhava para o seu fim e já conseguíamos vislumbrar a formatura chegando, o que nos daria mais tempo para que pudéssemos dedicar a empresa.

Hoje era um dia daqueles em que dá tudo errado, de manhã tive que lidar com uma confusão na Colucci onde uma estagiária incompetente simplesmente perdeu os meus croquis já prontos da próxima coleção. À tarde, minha orientadora achou adequado mudar o tema do meu TCC que já estava praticamente pronto e, agora quando eu finalmente podia ir para casa, resolveu desabar o mundo em uma chuva horrorosa e o trânsito estava horrível.

-Filho da puta! - Exclamo quando um carro corta a minha frente sem dar a seta e meto a mão na buzina para extravasar a raiva do dia.

-Nossa, mas você tá braba? - Brinca Ian que estava sentado no banco do carona e eu sorrio da sua piada sem graça.

Aproveito o engarrafamento e remexo na minha bolsa em busca do meu celular e do carregador o conectando no carro para carregar, já que ele tinha ficado a maior parte da tarde sem bateria. Quando o aparelho liga, quase que instantaneamente começa a tocar pelo sistema de bluetooth do carro, indicando uma ligação de "Gatito Bebé", o que fez Ian debochar de mim por como o nome de Miguel estava salvo no meu celular.

-Oi, amor. - Atendo satisfeita por finalmente poder ouvir a voz dele depois de um dia de merda, mas também sem paciência pelo drama que eu sei que ele faria quando descobrisse que Ian estava comigo. Hoje eu não tinha energia nem para brigar.

-Graças a Deus, eu já estava preocupado com você, amor. Faz horas que não consigo falar contigo. - Reclama e antes que eu pudesse explicar ele continua. - Você já tá vindo pra casa?

-Tô tentando, mas essa chuva deixou o trânsito uma maravilha. - Respondo irônica e Miguel ri.

-Imagino, deve tá uma delícia pra dirigir. - Brinca, também ironizando. - Você tá onde?

-Recém passando em frente ao shopping. - Explico e respiro fundo me preparando para a batalha. - Mas vou desviar o caminho para deixar Ian em casa. - Completo e o silêncio do outro lado da linha é ensurdecedor.

-Hum. - Responde seco e eu reviro os olhos. - Então Ian tá com você? - Questiona em um tom que me deixa irritada.

-Miguel, nem começa! - Corto literalmente sem paciência nenhuma pra lidar com crise de ciúme sem sentido no momento.

-Não fui eu quem comecei nada. - Responde irônico.

-Nem eu, não fiz nada errado. - Rebato no mesmo tom.

-Se você diz. - Fala e desliga a ligação sem me deixar responder, me fazendo grunhir de raiva.

-Deus, dai-me paciência! - Bufo, socando a direção.

-Eu avisei que ele iria ficar brabo, te disse que não precisava me trazer. - Falou Ian e eu revirei os olhos.

-Bem capaz que eu ia deixar o meu amigo pegar ônibus com esse tempo! Miguel que supere! Ele não tem mais idade pra tá fazendo birra. - Reclamo e Ian gargalha.

-Quem vê até pensa que você não deu um ataque semana passada por muito menos. - Provoca ao me lembrar da crise de ciúme que tive da retardada da Nathália.

-É diferente, aquela vadia não é amiga dele. Ela tá interessada em outra coisa. - Rebato. - Hey, você é meu amigo, não deveria me defender? - Reclamo e Ian ri da minha cara.

-Não, minha função como amigo é colocar as coisas em perspectiva pra você não chegar em casa e descontar o dia de merda que teve, brigando com o seu namorado por bobagem. - Explica e eu suspiro. - Faz quatro anos que o Miguel tem essas crises de ciúme, você sabe que logo passa e não tem moral nenhuma pra falar dele, porque faz igual. Então respira fundo antes de arrumar briga por nada. - Fala e eu não respondo porque não quero admitir que ele está certo, sou orgulhosa demais pra isso.

Depois de deixar Ian em casa e enfrentar mais trânsito, estaciono o carro na garagem do prédio de Miguel e subo no elevador esfregando os braços pelo frio. Hoje pela manhã estava bem quente, mas depois da chuva começou a esfriar eu não tinha nenhum casaco para botar, pois não esperava que chegaria tão tarde em casa.

Adentro o apartamento, largando a minha bolsa e as chaves em cima do aparador e me dirijo a sala, onde Helena e Lolly assistem um filme. Ao me ver, Lolly corre em minha direção me abraçando e eu beijo a sua testa, acariciando seus cabelos. Nas últimas semanas eu e Miguel andávamos tão sobrecarregados que não conseguimos dar tanta atenção a ela e eu sei que ela sentia falta.

-Hey, princesa. O que você acha de nós convidarmos o chato do seu irmão pra ir no cinema amanhã? - Sugiro e seus olhos brilham de felicidade, fazendo valer a noite em claro que eu teria que passar para compensar a tarde de trabalho perdida e poder dar um pouco de atenção a ela.

-Oba! Acho uma ótima ideia! Mas vamos falar com ele amanhã de manhã, porque hoje ele tá de mal humor. - Dedura o irmão e Helena ri.

-Não me diga? - Bufo e reviro os olhos enquanto ela assente.

-Boa noite, querida. - Fala Helena quando eu me aproximo do sofá para abraçá-la.

-Boa noite. - Respondo me inclinando para roubar algumas pipocas da tigela que elas dividiam. Meu estômago protesta pelo tempo que está sem receber comida.

-Tem janta pronta em cima da mesa. - Helena comenta e me analisa com um olhar de repreensão ao perceber que eu não como há horas.

-Obrigada, vou tomar um banho e enfrentar a fera primeiro. Tô muito encrencada? - Questiono e Helena ri.

-Nada que você não tire de letra. - Responde e eu reviro os olhos sorrindo, me dirigindo ao quarto e ouvindo ela e Lolly me desejarem boa sorte.

Respiro fundo antes de entrar no quarto, mas ele está vazio. A porta do banheiro entreaberta, o barulho do chuveiro e o vapor que vem de lá denunciam o paradeiro de Miguel. Suspiro retirando a minha roupa, eu estava desesperada por um banho quente para aquecer a minha pele e relaxar a musculatura das minhas costas que ardiam.

Depois de tirar a roupa, entro devagar no banheiro observando Miguel de costas para mim com a cabeça apoiada na parede e com a água do chuveiro batendo direto nas suas costas bem definidas. Eu estou desesperada para me juntar a ele e decido arriscar, entrando no box devagar, me posicionando atrás dele e rodeando a sua cintura com os braços. Miguel estava tão distraído que se assusta quando eu o toco.

-Nossa, que susto! - Exclama, voltando a encostar a cabeça na parede e fechando os olhos, deixando claro que estava me ignorando. Tenho vontade de bater nele, mas lembro do que Ian disse e a verdade é que o dia de hoje foi tão desastroso que eu só quero um carinho, mesmo que eu tenha que implorar. Descanso a cabeça nas suas costas e beijo levemente o local me apertando mais ao seu corpo e ignorando o fato de que ele me olha torto.

-Eu tô com frio, me aquece. - Peço baixinho.

-Se não tivesse ficado na rua até essa hora não estaria com frio. - Responde grosso e eu estagno no lugar devido ao seu tom de voz, mas logo ele parece se arrepender e acaricia levemente a minha mão que repousa em sua cintura, voltando a falar com o tom de voz mais suave. - Me dá um tempo Mia, vamos conversar depois, eu tô muito puto contigo e não quero brigar. - Diz em uma súplica e eu posso ver que ele está tentando se conter. Permaneço quieta, mas volto a beijar as suas costas e acariciar levemente o seu abdome. - Não adianta querer me seduzir, eu realmente tô com muita raiva. - Avisa e eu sorrio.

-Tô conseguindo? - Pergunto sorrindo contra a sua pele.

-O que? - Rebate.

-Te seduzir. - Explico e ele ofega quando eu desço mais os beijos pela sua coluna.

-Eu tô tão puto contigo que nem essa tua boca gostosa tá conseguindo me acalmar.

-Amor, foi só uma carona! - Suspiro derrotada praticamente implorando.

-Você sabe que não foi só isso! Mia, você não fala comigo desde o meio da tarde, não visualiza o whats app desde as 17h, atrasou mais de duas horas o horário que costuma chegar, não avisou e quando eu liguei só fui conseguir falar contigo depois da terceira tentativa! Eu estava morrendo de preocupação, pensando mil coisas e aí você atende à ligação e diz que estava com Ian, simples assim! Tenha bom senso e se coloque no meu lugar, você armaria um escândalo por muito menos. - Explodiu raivoso, quase gritando e eu me retraio.

-Não precisa gritar! - Reclamo, pois mesmo que eu compreendesse o seu lado depois que ele enumerou todos os motivos que o deixaram chateado, me fazendo perceber que a carona foi só a gota que fez o copo transbordar, estava muito sensível para lidar com gritos.

-Desculpa. - Pede mais calmo. - Eu avisei que estava nervoso, que não queria conversar agora, estava tentando me acalmar... Você que insistiu. - Explica se defendendo.

-Ok, desculpa! Eu deveria ter avisado, não achei que fosse demorar tanto... Tinha um trânsito absurdo e meu celular ficou sem bateria no meio do dia, por isso não respondi o whats, só atendi a ligação depois que coloquei pra carregar no carro. Mas você está certo, eu deveria ter pego o celular de Ian emprestado e te avisado que estava tudo bem e que eu iria atrasar. - Me rendo querendo paz.

-Ok. - Ele diz monossilábico, porém com o tom de voz suave e é o suficiente para me encorajar a voltar a abraçá-lo. - Eu ainda tô brabo. - Completa e eu choramingo.

-Por favor, amor! Meu dia foi um caos, tudo deu errado, perderam meus croquis prontos da próxima coleção na empresa, a minha orientadora resolveu mudar do nada o tema do TCC que já estava quase pronto... Eu tô morta, completamente exausta! Passei o dia inteiro querendo chegar em casa e te abraçar. - Imploro e o ouço suspirar derrotado finalmente se voltando de frente para mim e me envolvendo entre os seus braços. Suspiro aliviada e enterro a cabeça no seu peito.

-Obrigada. - Sussurro contra a sua pele e ele beija a minha testa.

-Deus me ajude! Você sempre consegue o que quer de mim com essa carinha de anjo. - Reclama e eu rio.

-Nem tudo. - Respondo ainda agarrada a ele, recebendo um carinho gostoso.

-Nem tudo? - Diz gargalhando como se eu tivesse contato a maior piada do mundo. - Me diz algo que você quis e não teve nos últimos sete anos? - Questiona e eu ergo a cabeça o olhando maliciosa.

-Bom... Agora por exemplo, eu queria chegar em casa e matar o estresse do dia com uma transa maravilhosa no chuveiro, mas ao contrário disso, você gritou comigo! - Acuso com voz de bebê, fazendo drama.

-Gritei com você, é? - Pergunta rindo da minha cara de pau e entrando na brincadeira e eu assinto fazendo beicinho.

-Acho que mereço uma compensação. - Digo e Miguel gargalha.

-Mas não tem nem vergonha na cara! Você que apronta e ainda quer compensação? Se tem alguém aqui que merece algo sou eu. - Fala brincando e mordendo o meu pescoço.

-Pode ser também, desde que você me coma no final, tá tudo certo. - Digo sorrindo com carinha de inocente contradizendo as minhas palavras.

-Cristo! - Exclama olhando para o alto como se pedisse ajuda divina, mas logo me encara e fala sério. - Eu realmente fiquei muito puto contigo e você não deixou eu me acalmar... - Diz agarrando a raiz dos meus cabelos e me forçando a olhar para cima o encarando. - Esteja ciente disso. - Ameaça e eu sei que essa é a sua forma de me dizer que ele não está no clima de fazer amor e sim de foder. Sorrio, porque era exatamente isso que o meu corpo precisava.

-Eu estou. - Respondo baixinho e ele logo me repreende erguendo as sobrancelhas em minha direção.

-Quieta! - Ordena. - Ajoelha e me chupa!

Obedeço no mesmo instante e ele segura firme a raiz dos meus cabelos em um rabo de cavalo e fode a minha boca sem deixar muito espaço para que eu participasse. Sinto seu pau batendo na minha garganta e faço o meu máximo para relaxar o maxilar e respirar pelo nariz como ele havia me ensinado. Quando sente que vai gozar ele afasta a minha cabeça e eu choramingo frustrada, tentando voltar a chupá-lo, mas ele não deixa.

-Por favor, me deixe terminar. - Imploro.

-Não, hoje você não tá merecendo. - Diz sério me levantando do chão e me beijando com raiva, sugando a minha língua e mordendo os meus lábios.

Ele desce a boca pelo meu pescoço, indo até os seios, mordendo todo o caminho, enquanto esmaga a minha bunda com força me arrancando um gemido sôfrego. Miguel me vira de costas e desce uma mão pelo meu corpo, primeiro apertando os meus seios e beliscando meus mamilos intumescidos, a pontada de dor que me atinge parece ter ligação direta com o meio das minhas pernas que ficam mais molhadas instantaneamente. Esfrego as coxas e ele desce uma das mãos me masturbando forte, esfrega meu clitóris e enfia três dedos dentro de mim me fodendo com eles de uma maneira bruta.

-Você tá molhadinha, bebê. Você gosta que eu coma a tua boca? - Questiona com a voz rouca pelo tesão.

-Você sabe que sim. - Respondo em meio a gemidos.

O orgasmo se aproxima muito rápido e as minhas mãos deslizam pela parede de azulejo tentando achar algo em que segurar para descontar o meu desejo. Quando ele sente que vou gozar, para os movimentos abruptamente e eu tenho vontade literalmente de chorar.

-Por favor, você já provou o seu ponto antes! - Choramingo desesperada para gozar.

-Shiu, quieta! Apoia as mãos na parede e empina pra mim! - Ordenou desferindo um tapa na minha bunda quando eu assumi a posição que ele orientou. - Não que você merecesse, mas eu não resisto a você, meu anjo... Então, como o cachorrinho de Mia Colucci assumido que sou, vou terminar a noite realizando o teu desejo e te fodendo bem gostoso. - Diz entrando forte e me arrancando um gemido alto.

O vai e vem é bruto, forte, rápido. Era sexo vingativo, raivoso, punitivo. Exatamente o que eu estava precisando, afinal, quem não gostaria de ser castigada por Miguel Arango? Eu amava. Ele acariciou o meu clitóris que estava sensível pela masturbação de antes e pelo orgasmo próximo e eu quase gritei. Miguel tapou a minha boca com a mão, tentando abafar o som.

-Quieta! Todo o prédio vai te ouvir. - Alertou.

-Porra, não consigo... - Choramingo. - Quem manda você me foder tão bem assim?! - Exclamo.

Miguel solta um grunhido nesse momento, aumentando ainda mais os movimentos, apertando forte a mão contra a minha boca tentando abafar os gritos que aumentam exponencialmente até alcançarmos o ápice ofegantes.

............... 

O tempo segue passando rapidamente e logo a formatura chegou levando Santos, Théo e Roberta a também trabalhar na Colucci na parte jurídico-administrativa, o que nos deixou ainda mais próximos. Miguel se auto presenteou com uma moto, algo que ele tanto sonhava depois que teve que abrir mão da sua para vir estudar na capital e, de repente, nossos passeios de final de semana até o sítio ganharam uma dose extra de adrenalina. Por vezes, esticávamos até alguma cidade vizinha para o desespero do meu pai e Helena que morriam de medo de algum acidente.

Nas nossas primeiras férias após formados, Miguel insistiu que nós viajássemos novamente para Cancún, argumentando que aquele lugar era especial para a nossa história e que agora ele queria refazer todos os passeios direito. Por refazer os passeios direito, leia-se: transar em todos os lugares que ele teve vontade da primeira vez e não pode. Como eu poderia ser contra a um argumento desses? Então, foi assim que aconteceu. Viemos para Cancún, nos hospedamos no mesmo hotel e fizemos os mesmos passeios, incluindo a ilha do amor eterno onde nos encontrávamos agora, com a única diferença que um iate milionário nos esperava na areia e não corríamos o risco de ficarmos presos na ilha.

-Você se lembra desse lugar? - Questiono enquanto nós andávamos pela ilha de mãos dadas na tentativa de achar a árvore que tinha nossos nomes entalhados.

-Lembro. Como esquecer de mais um lugar que eu tive minhas expectativas frustradas? - Brinca sorrindo, enquanto passávamos por entre as pedras onde ele tinha tentado tirar o meu biquíni. - Você foi muita má, nós tínhamos passados semanas em Monte Rey com a minha mãe grudada em você como se eu fosse o bicho papão, eu só queria aproveitar um pouquinho... - Brinca fazendo beicinho e eu gargalho.

-Você queria era ver os meus peitos. - Rebato sorrindo.

-Isso também. - Me olha com cara de safado e eu mordo o meu lábio inferior.

-Se você quiser eu deixo você tirar o meu biquíni e ver eles agora. - Provoco e Miguel gargalha.

-Ah, você deixa? - Sorri me encarando de maneira ameaçadora.

-Uhum. - Assinto em concordância. - Mas antes, você vai ter que me pegar! - Falo e saio correndo em direção a areia com Miguel ao meu encalço gargalhando. 

De repente, reconheço a árvore que tanto procuramos e paro a minha corrida abruptamente, observando as nossas iniciais entalhadas dentro de um coração. Um sorriso emocionado brota nos meus lábios ao reconhecer aquele local e lembrar dos jovens tão cheios de sonhos e inseguranças que éramos.

-Já cansou? - Questiona Miguel me alcançando e notando o lugar que eu olhava. - Uau, nós mudamos tanto desde a primeira vez que tivemos aqui. Naquela época eu era tão imaturo, orgulhoso, inseguro... cheio de defeitos que comprometiam a nossa relação. Fico feliz que tudo isso tenha mudado. - Reflete. - A única coisa que não mudou nesse tempo foi o tanto que eu sou apaixonado por você e o fato de querer ficar ao teu lado pelo resto da minha vida. - Declara e meus olhos marejam, mas quando eu vou responder ele solta a minha cintura e se afasta uns passos se ajoelhando a minha frente.

-O que você tá fazendo? - Questiono incrédula ao vê-lo pegar uma caixinha dentro do bolso daquela bermuda laranja ridícula que ele amava e se recusava a trocar. Meu coração dispara e mais parece que vai saltar do peito ao vê-lo abrir a caixinha que continha um par de alianças que pareciam ser feitas de ouro.

-Eu sei que nós já passamos por isso, eu já te dei um anel e você aceitou ser minha para sempre. - Começou. - Mas naquela época nós éramos duas crianças e não podíamos fazer mais do que prometer amor eterno um ao outro... - Continua gaguejando e se perdendo entre as palavras. - Deus, eu tô nervoso! Oito anos de relação e você ainda me deixa nervoso, Mia! - Brinca sorrindo e eu solto um sorriso em meio a um soluço de emoção. - O que eu estou querendo dizer é que eu quero te ver usar um vestido branco vindo em minha direção, quero uma casa só nossa onde eu possa fazer amor contigo em todos os locais e te fazer gemer sem me preocupar se alguém vai ver ou ouvir, quero que você tenha o mesmo sobrenome que eu e que eu possa dizer para todo mundo que você é minha mulher. - Confessa suspirando e nesse momento eu já choro abertamente. - E eu não quero esperar mais, eu quero isso agora. Mia Colucci, amor da minha vida, você aceita casar comigo?

-Meu Deus, amor! Aceito, é claro que eu aceito! - Respondo com a voz embargada e Miguel luta ao tentar colocar a aliança na minha mão trêmula, nos fazendo sorrir. Quando ele finalmente consegue, repito o processo com ele, sentindo uma alegria inigualável ao ver que agora todo mundo ia saber que ele tem dona. Miguel me enlaça pela cintura e me gira no ar, enquanto nos beijamos e prometemos amor eterno mais uma vez em frente a árvore onde tudo começou.

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Olá traumadinhxs, como estão? Capítulo de transição para a nossa segunda fase com o nosso mym todo casalzinho empresário, estou ansiosa p saber oq vcs vão achar. 

Eu expliquei no twitter, mas sei que nem todo mundo me acompanha por lá, então vou explicar aqui também. Passei por uns problemas de saúde, precisei fazer uma cirurgia de urgência que complicou e eu precisei operar de novo, mas agora já tá tudo bem, não se preocupem! 🙏🙏🙌  Mas devido a isso, atrasei ainda mais pra escrever esse capítulo e como não queria deixar vcs esperando mais, ainda não respondi os comentários do último capítulo, mas eu li todos e amei muito. Sigam comentando e deixando estrelinhas por favor. ❤

Beijinhos, volto quando conseguir 💙💙💙

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