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Dia 135
Depois do fim


A maioria das pessoas detesta silêncio, mas não Erick.

Em sua perspectiva, o silêncio era a única maneira de conseguir focar no que realmente importava, e ainda assim conseguir absorver os detalhes de qualquer situação.

O único barulho que podia escutar enquanto estava parado em frente ao Dot's era o som das folhas das árvores sendo balançadas pelo vento leve.

Erick adorava isso.

Se aproximou e procurou sinais de vida dentro do estabelecimento, mas não pode ver nenhum já que o vidro estava em um estado deplorável. A única maneira de ter certeza era realmente entrando.

O problema era que, a primeira regra das invasões era: não entre em um lugar no qual não há um ponto de fuga.

Dot's era uma loja de tamanho médio, na beira da pista e acoplado a um posto de gasolina. Suas paredes já foram verdes no passado, mas agora estavam com manchas de terra, água parada, sangue e muitas outras coisas não identificaveis. A única porta ficava na parede frontal, assim como duas janelas enormes e imundas. A placa com o nome estava pendurada somente por um pedaço de arame fino em um dos lados, e Erick sabiamente decidiu não ficar abaixo dela.

Sua mão tocou a maçaneta e a girou. Não estava trancada. Será que realmente haveria alguém ali?

A escuridão o pegou de surpresa. Conseguia ver algumas araras de roupas e muita sujeira no chão, mas não tinha rastro algum de que alguém havia estado ali recentemente. Continuou procurando.

Se a pessoa não estava ali agora, com certeza havia estado num passado próximo. Talvez algumas horas atrás? Não é possível que tivesse se enganado, tinha calculado tão b..

Algo caiu no chão. Erick olhou pros lados e tentou seguir a direção de onde tinha vindo o barulho, e chegou na parte onde estava a drogaria. E se fosse algum rato? Ratos fazem...

Antes que tivesse tempo de se esquivar algo se jogou contra ele e o derrubou no chão. Tudo estava escuro e o ar tinha um cheiro estranho de podridão. Algo -alguém- estava segurando sua cabeça com força no chão, de modo que sua bochecha estava grudada nos ladrilhos grudentos.

Sua mochila e a arma estavam caídas fora do alcance de sua mão e ele..

Ele estava certo. Realmente havia alguém ali. Erick sorriu.

__ quem é você? __ perguntou ele, em italiano.

Não houve resposta alguma. De repente a pressão em sua nuca desapareceu e ele se virou rapidamente, dando de cara com uma pessoa de tamanho médio inteiramente vestida de preto e coberta por uma capa.

Somente os olhos, tão claros como o oceano eram visíveis para Erick.

__ quem é você? __ perguntou de novo.

O estranho estreitou os olhos e balançou a cabeça em negação.

Quando tirou a cobertura da cabeça, Erick percebeu que era um menino. Não um homem. Não um soldado. Não um policial. Um menino que parecia não ter nem 15 anos.

Ele estava sozinho por todo esse tempo?

__ não falo italiano. __ disse ele em inglês, com aquela voz característica de adolescente na puberdade.

__ humm... Então... __ erick procurou no fundo de sua mente palavras em inglês para completar a frase que queria fazer. É claro que havia estudado inglês mas já fazia tanto tempo que não falava com ninguém ...

__ você está sozinho?__ perguntou, meio enferrujado no idioma.

__ sim.

Erick respirou fundo. O que fazer agora?

__ eu .. eu estou procurando minha irmã. Na verdade.

Erick massageou a nuca, levantando do chão e se aproximando do garoto. O desconhecido deu um passo para trás, um sinal para que o outro não se aproximasse, e Erick respeitou.

__ desculpe por ter te batido. Eu... Eu não sabia se você era um deles então...

__ calma. __ disse Erick. __ meu nome é Erick Benedetti. Sinto muito se te assustei, eu estava procurando por outros, como nós.

Ele estendeu a mão e os dois se cumprimentaram.

__ Matthew. __ disse o garoto. __ Matthew Hughes.

__ americano?

__ inglês. __ sorriu ao dizer. 

__ muito bom. Você disse que estava procurando sua irmã, certo? Eu vou te ajudar. Me conte como...

__ por que? __ Matthew o interrompeu.

__ por que o que?

__ por que quer me ajudar? Por que você tava procurando pessoas, primeiramente? Você nem me conhece.

Erick encostou na parede. O piso estava gelado e foi uma boa recompensa pro calor que estava fazendo.

__ bem... Eu sei como é estar sozinho. Demorei muito tempo pra criar coragem e finalmente sair do meu abrigo... E então encontrei você. Não vou te deixar sozinho. É uma coisa que não desejo pra ninguém.

Matthew, que até esse momento se mostrava muito maduro pra sua idade finalmente demonstrou o adolescente que havia dentro de si e balançou a cabeça afirmativamente várias vezes, com os olhos marejados.

__ tudo bem. Tudo bem. __ ele se sentou no chão todo desajeitado, e Erick copiou seu movimento.

__ então... Comece do início Matt. __ disse ele.

O garoto sorriu com o apelido, puxou uma sacola para perto e jogou um dos pacotes de salgadinho que estavam dentro para Erick, então começou a falar.

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