Capítulo IX
- Esta viagem toda já valeu a pena só por termos vindo aqui.- replicou Ava. A rapariga tinha adorado visitar a cidade e pelo menos durante aquele dia tinha conseguido tirar Isaac dos seus pensamentos.
- Era exatamente nisso que estava a pensar... Olhas as horas! O autocarro está quase a partir. Já vamos ouvir de Daniel...- disse David.
Os jovens apressaram-se a ir para o autocarro mas para surpresa deles, Daniel não estava lá.
- Vou ligar-lhe.- informou o rapaz.- Nada. O telemóvel dele está desligado.
- Isto não me soa nada bem. O melhor é irmos à procura dele.- sugeriu Ava.
Sendo assim, os dois saíram da camioneta para tentar encontrar o amigo. Tentaram ligar-lhe várias vezes contudo o telemóvel continuava desligado.
- O que é que nós vamos fazer? A camioneta está quase a partir e não temos tempo de procurar pela cidade toda.- disse Ava exasperada.
- Triimm, triimm, triimm.
De repente, a ruiva olhou para a cabine telefónica com mais atenção. O telefone não parava de tocar desde que ali tinham chegado. Entrou na cabine e atendeu.
- Estou?
- Se quiserem voltar a ver o vosso amigo dirijam-se ao café Nova Europa na praça três ruas acima. Têm quinze minutos.
- Quem era?- questionou David.
- Não sei, a voz estava disfarçada, parecia um robô. Apenas disseram para ir ao café Nova Europa.- respondeu Ava.
Os dois olharam para si com um olhar preocupado. E se o assassino tivesse apanhado Daniel?
- De certeza que ele vai ficar bem, vamos ao tal café e damos-lhe o que ele quer.- o nervosismo estava estampado na cara de David, a ruiva nem conseguia imaginar o que seria para ele ter o irmão em perigo.
Ambos começaram a dirigir-se em silêncio para o local combinado até que o telemóvel de David tocou.
- Acho que é uma mensagem de Daniel.
- O que é que diz?
- Matrículas. Pub. Tralha. Perto camioneta. Estrada. Socorro. Daniel.
- Como é que fazemos? Vamos até ao café ou tentamos encontrá-lo?
- O que é que tu achas?
- Nós estamos mais perto da camioneta do que da praça e não sabemos se quem o levou também nos quer fazer mal. Por mim, tentamos encontrá-lo.
Desceram a rua e começaram à procura de qualquer coisa que correspondesse à descrição de Daniel. Pararam por um pouco derrotados.
- O que é que fazemos? Eles têm o meu irmão!
- Nós não podemos ficar desesperados! Vamos continuar a procurar melhor... David... Estás a ouvir-me?
- Ele disse matrículas... E estão ao lado de um pub.
- O quê?- Ava não entendia o que David queria dizer, todavia ao ver o sítio para onde ele estava a olhar percebeu. Ao lado do pub havia uma porta minúscula com matrículas nos degraus.- Será que ele queria dizer escada em vez de estrada?
Entreolharam-se e apressaram-se a entrar. Quando chegaram lá acima viram que era uma loja com todo o tipo de objetos, tal como o rapaz tinha descrito.
- E agora onde é que ele está?
- Eu vou ver se ele está lá dentro.- disse David apontando para a porta atrás do balcão. - E tu procuras por aqui.
O rapaz dirigiu-se para a porta e deparou-se com uma sala pequena e sem janelas, apenas iluminada por uma lâmpada no teto.
«Não encontro nada» - pensou David.
- Humn, humn.
- Daniel, és tu?- podia estar a alucinar, no entanto ele tinha ouvido algo. Continuou a avançar pela sala até que o som se tornou mais audível.
- HUMN! HUMN!
- Finalmente!- exclamou David ao encontrar o irmão com fita-cola na boca entre os artigos da loja.- Tu tens noção do susto que nos pregaste?
Todavia, a cara de Daniel continuava a ser de pânico.
- Porventura terão confundido esta loja com o café da praça para onde vos mandei ir? Tudo bem, assim poupam-me o trabalho.
O homem à frente dos gémeos era alto e estruturado, com uma mosquinha e tatuagens por todo o corpo. Começou a avançar para eles com corda e fita-cola na mão, mas de repente caiu no chão. Atrás dele estava Ava com um candeeiro na mão.
- Uau, esta loja vende mesmo tudo.- exclamou a rapariga.
Ainda atónito David libertou o irmão e destapou-lhe a boca.
- Obrigado Ava! Graças a ti não tive de ficar preso com este aqui. Pelo menos tu fizeste alguma coisa.- agradeceu Daniel.
- Desculpa? Fui eu que te encontrei, se não fosse eu continuavas aqui.
- Eu apenas te vi a ficares petrificado à minha frente enquanto que Ava pôs este urso a dormir. Sem dúvida, estou muito impressionado.
David ia argumentar, contudo a rapariga interrompeu-o:
- Não tens de quê Daniel. Agora vamos embora antes que ele acorde.
O trio apressou-se a sair da loja e a voltar para a estação de camionetas.
- Oh não, isto não aconteceu.
Quando lá chegaram a camioneta já tinha partido.
- E agora? O que fazemos?
De repente ouviu-se um som alto de uma buzina atrás deles.
- Miúda, a mim parece-me que precisas outra vez de uma boleia.- chamou uma senhora com o cabelo pintado, de dentro um Volkswagen Fusca castanho.
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