Por todos os arcanjos como isso é estranho.

Mais uma vez andando entre esses mortais espalhando amor, será que eles não conseguem viver sem alguém do lado? Bom se bem que eu já devia ter me conformado com a minha vida, até porque já faz mais de mil anos que trabalho espalhando o que chamam de amor. Como se já não fosse o bastante não sentir nada disso ainda me ridicularizam com o nome de cupido. Pois meu nome é Matheus e eu já cansei de falar isso, tanto que agora nem importa mais. Continuo vagando pelas ruas a procura de algum infeliz que esteja tão desesperado por amor, que vai me tirar do tedio. Ver a pessoa que tanto esperava ali no seu lugar favorito, acho que e a parte mais divertida e quando eles começam a fazer planos mentais, talvez nem dure o suficiente e eu cruze com essa pessoa mais algumas vez durante sua insignificante vida mortal, mais ainda assim e divertido ver eles achando que todo amor vai ser eterno. E realmente nunca senti nenhum tipo de emoção mortal, deve ser por isso que acho esse trabalho tão entediante. Porém posso andar por aí o dia todo jogando pó mágico nas pessoas. Brincadeira eu não jogo pó mágico em ninguém, nem acerto as pessoas com flechas encantadas, eu só faço elas olharem melhor para o que está ao seu redor e se identificar com aquilo.

Paro em um lanchonete, elas são ótimas trabalho fácil porque ninguém presta atenção em ninguém em uma lanchonete, milhares de histórias começaram aqui.

E ali já estou vendo que vai começar outra, o sinais são sempre os mesmos, ela esbarrou nele, ele ficou bravinho, agora eles vão se identificar e tudo vai começar, o mesmo clichê de sempre, mais tedio.

- Aí me desculpa moço eu sou muito distraída.

- Eu percebi minha senhora, porém estou atrasado pra uma reunião não tenho tempo pra isso agora, ainda mais agora que você me sujou todo com essa geleia.

- Se o senhor quiser eu te ajudo a limpar.

- Não chegue perto de mim sua louca.

- Então limpe-se sozinho seu grosso.

Chego mais perto, pra que a mágica aconteça. Mais nada acontece, parece que esse dia vai ser divertido. Começo a segui-la, porque homens em geral são mais fáceis de encontrar. Ela é meio diferente das garotas do geral. Conheci milhões de mulheres e elas seguem sempre o mesmo padrão, mais essa garota não fala futilidade e tá sempre falando sozinha, o que é muito engraçado, não preciso fazer muito esforço pra não ser visto ela é tão distraída que pra me notar eu teria que seguir ela com uma sirene ligada.

Ela para em outro café e descubro que sei nome e Ana, parece que ela vem aqui com uma certa frequência, já que a balconista já estava com seu pedido pronto, ao sair do café vamos em uma praça, onde ela termina de tomar seu café enquanto conversa com as plantas e os pássaros so então entra na biblioteca. Parece que ela trabalha aqui.

Bom vamos ver o que a Senhorita Ana tem que não consegue se render ao encanto de Matheus, o deus do amor, outra brincadeira não sou Deus do amor estou mais pra um ajudante do que Deus.

Bom eu já sei que o coração de Ana não está ocupado, paro e fico olhando pra ver se consigo entender mais alguma coisa dela. A questão e que so presto atenção em como ela ri de qualquer coisa, e meio engraçado, é me faz sorrir também.

De repente ela começa a juntar suas coisas pra sair, mais antes para onde estou sentado olha pra mim e começa a falar:

- Oi, eu sou a Ana, trabalho aqui como você já pode perceber, se bem que todos esse tempo que trabalho aqui já apareceu várias pessoas só pra me ajudar a arrumar os livros então não seria tão óbvio assim, mas a questão e: quem é você? é porque não para de me olhar e rir?

Fico surpreso como pude ser tão disperso, faz mais de séculos que não percebem minha presença e a última só percebeu porque era uma fada. Olho pra ela sem saber o que falar e como falar enquanto ela me olha e sorri esperando uma resposta. Pensa, pensa, pensa... desculpa padrão.

- Oi sou Matheus, e sou novo na cidade, e desculpa não queria te assustar, só me distrair olhando pra vc.

Droga espero que essa tenha colado, vou ter que ficar fora da cidade por algum tempo, logo agora que estava começando a me acostumar com esse lugar.

- Então Matheus, você quer sair e comer algo?

Nunca me interessei por mortais, talvez seja por isso que nunca me aproximei mais do que o necessário de nenhum deles, mas não quero deixa-la ir ainda. Ela ainda me olha esperando uma resposta.

- Claro. - E tudo que sai de mim, mais já é mais que suficiente pra ela abrir um sorriso enorme e começar a falar sem parar coisas que eu não consigo entender, mais não quero que ela pare, por mais que eu não consiga acompanhar.

Andamos até uma lanchonete onde ela pede um monte de comida e eu só peço uma água e fritas.

Nunca fui em um encontro mais sei que isso é um encontro já causei vários e sinceramente acho isso um saco todo aquele jogo de sedução me deixa de porre, porque as pessoas não podem simplesmente falar que estão interessados uns nos outros facilitaria em muito minha vida, mais não, essa incessante obsessão de querer seduzir o outro.

- Isso não é um encontro você sabe disso né. – Ela fala, olho pra ela intrigado porque se isso não é um encontro então estou fazendo meu trabalho errado a séculos.

- Ah claro que não isso é só uma estranha saindo um com um estranho pra comer algo e falar sobre coisas.

Ela começa a rir, e eu estou me acostumando com o som da risada dela, por todos os arcanjos como isso é estranho.

- Olha não sei se de onde você vem sarcasmo e a língua regional mais aqui ainda bem grosseiro. - Ela fala enquanto sorri.

- Pela deusa mulher, não sabia que você falava mais de um idioma.

Ela começa a abrir a boca pra falar mais alguma coisa, mais a comida chega e os olhos dela brilham tanto que acho que ela e apaixonada por comida.

Ela começa a comer tudo como se fosse a refeição mais incrível que alguém já poderia provar.

Enquanto ela comia tentei descobrir mais sobre ela, por que parecia muito mais divertido quando ela falava, do que quando eu usava de outras formas pra descobrir.

- Então, Ana você trabalha em um biblioteca, come pra um batalhão, tem um gato chamado Sr. Gato e sai com pessoas que você nunca viu na vida, tem mais alguma coisa que eu precise saber? – Talvez funcione, porem espero que não. Não sei o que deu em mim, sempre achei essa pergunta ai mais patética de todas, tirando pra aquela: - Você vem sempre aqui?.

Ela faz uma pausa pra me responder. Parece uma eternidade esse tempo que ela para de sorrir ou de falar.

- Não sabia que tinha falado tanto de mim. Não sei nada sobre você, além de ser novo na cidade, comer pouco, e espionar garotas na biblioteca.

Olho pra fora e vejo que o dia já acabou e a noite tomou conta de tudo. Talvez já seja hora de ir, passei tempo demais com essa mortal, tudo fica muito estanho quando ela está por perto.

- Acho que é melhor ir embora, já está ficando bem tarde. – E ela se surpreende quando olha pra fora e vê a noite.

- Você tem razão, não podia ter ficado tanto tempo fora assim.

- Você quer que eu te acompanhe até sua casa?

- Acho melhor não, provavelmente você ficaria mais perdido.

Droga a mentira de que sou novo na cidade.

- Tudo bem se eu achei você eu posso me achar também. – Quando foi que fiquei tão ridículo assim?

Depois da conta paga saímos para noite lado a lado, mas quero ela mais perto. Olho pra ela procurando uma forma de ficar mais perto quando ela me beija. Logo após o susto eu a beijo de volta e sinto todos os nervos do meu corpo se juntando ao dela. Eu sei, eu sei, voceis mortais são frágeis e podem se quebra ou ate morrer sem ar, e isso que faz solta-la porque já estou a sentindo ofegante.

- Preciso ir. – E tudo que ela fala, quando percebo ela já sumiu.

E eu nunca mais a vi.

Teria sido ótimo se tivesse terminado assim, mais meus caros não terminou

Ela foi embora era tudo que eu pensava enquanto seguia meu caminho.

Segui por semanas andando, eu queria volta e procurar por ela, mais eu sabia que nada daquilo que eu senti perto dela era normal. Se eu acreditasse em amor ate poderia dizer que estava me apaixonando, mais isso e ridículo demais, ainda mais pra mim. Até por que acho que não tem nada mais ridículo do que alguém que fica fazendo e falando coisas pelos simples fato de estar com determinada pessoas. Foram dias longos e noites cansativas, fugindo exaustivamente de tudo que me lembra ela. Mas todas as lanchonetes e cafés me leva ate Ana, coisas como garotas rindo me faziam pensar que nada no mundo seria tão encantador quanto o sorriso dela. Eu sei que isso e tolice, ela e só uma garota que eu passei um tempo, devo sair mais com meus amigos e ausência de contato está me deixando meio estranho, talvez eu precise de férias ir pra um lugar deserto onde não tenha que ver pessoas tolas achando que vão ser felizes para sempre, quando nem nos imortais seremos para sempre.

Eu decido ir vê-la, na verdade eu já estou indo vê-la, quem sabe desfaça essa ilusão que eu criei na minha cabeça .

Estou andando em direção ao trabalho dela, ela ainda deve estar lá rindo à toa. Entro e me sento no mesmo lugar onde ela veio falar comigo, espero que ela apareça. Mais ela não está lá.

Saio e vou em direção ao café que a vi a primeira vez mais ela não está. Começo a ficar nervoso e isso é meio estranho corro até a lanchonete essa vai ser minha última esperança, talvez eu a encontre comendo montanhas de comida de novo ou só lá rindo como ela faz, entro olho pra garçonete que me olha de volta.

E isso imediatamente me enche de esperança.

Mais não ela não está lá.

Nunca entendi o que era um coração partido porque como vocês sabem eu sou responsável pela paixão, mais estranhamente ouço meu coração se partindo metodicamente conforme saio de lá sem vê-la, sigo caminhando. Não sei mais onde procurar por ela, se eu simplesmente tivesse usado meus poderes pra descobrir tudo, não estaria sem rumo agora. Não sei o que fazer nem pra onde ir, então si sigo caminhando na esperança de encontra ela por ai. Eu nutria uma esperança tola de que ela esperava por mim. Paro pra organizar o pensamento quando me dou conta que estou apaixonado. Começo a rir sozinho.

- Matheus, achei quem nunca mais iria ver você.

Me viro e ela está sorrindo e eu ouço os pedaços do meu coração se juntando e se partindo milhares de vezes só de vê-la tão perto. Ela espera uma resposta e eu ainda não sei o que dizer, queria poder dizer tudo, mais não consigo dizer nada. Meus pensamentos estão muito confusos, começo a andar em sua direção, não controlo mais meu corpo, o que e ridículo já que não paro de sorrir. Ainda não sei o que dizer é ela ainda espera uma resposta mais agora ela está perto, bem perto, pela deusa porque ela tá sorrindo assim, eu a pego em meus braços e a beijo, ela retribuiu.

- Não sei o que você fez comigo, mais por favor nunca mais me deixe, estou completamente apaixonado por você Ana.

Ela sorri com as minhas palavras e fala algo que eu nunca pude imaginar.

- Parece que o cupido nos juntou.

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