16 - Aquele da aposta de novo

— Sai de perto do MEU Victor agora, sua pistoleira!

Ashley gritava como uma leoa enfurecida ao ver um predador perto de sua presa, enquanto balançava um celular em suas mãos.

Seu Victor, Ashley? Há muito tempo não temos nada — meu namorado disse e, apesar de estar se defendendo, doeu saber que ele já havia tido alguma coisa com aquela pessoa estranha.

— Com licença, lindinha — Ashley ignorou o que ele dizia e se dirigiu a mim, com o dedo levantado. — Victor está te enganando. Vocês nunca tiveram nada e ele se aproximou de você por causa de uma aposta feita com os amigos.

Senti meu mundo girar, porém, não tive tempo de reagir. A garota loira com o corpo esculpido enfiou um celular na minha frente, mostrando uma gravação de vídeo.

Vídeo on

— Então, qual a próxima aposta? — Victor perguntou parecendo achar graça.

— Duvido que você consegue fazer a santinha se apaixonar por você! — Um dos garotos idiotas, amigo dele do futebol dizia rindo.

— Não, não só se apaixonar, porque isso é fácil! Ela não é tão feia assim, dá para tirar umas casquinhas — outro disse e eu senti meu coração se comprimir.

— Leve-a ao baile de formatura como sua acompanhante, beije-a na frente de todos e depois a dispense! Apostamos nossas mesadas juntos se você fizer isso.

—Isso é fichinha para um popular como eu — teria dito Victor.

Vídeo off

Senti meu mundo girar e as minhas pernas não tinham mais forças. Olhei para Victor e a culpa estava estampada em sua expressão.

— Isso... é... verdade, Victor? — perguntei com medo de ouvir a resposta, muito embora o vídeo fosse claro para mim.

—Sim, porém, as coisas mudaram! Deixe-me te explicar, Soph.

— Não me chama assim! —esbravejei, empurrando-o para longe. — Nunca mais se aproxime de mim!

Saí correndo sem olhar para trás, sentindo lágrimas grossas escorrerem sobre minha face. Ouvi de longe Victor me chamando e a risada estridente e maldosa de Ashley. Corri sem saber para onde ir até que trombei com algo sólido. Levantei os olhos ainda úmidos e dei de cara com um homem loiro encantador.

— Você está bem, duende?

Eu não sabia quem era ele, mas a palavra "duende" pressionou meu cérebro. Eu quase caí, enquanto tudo girava ao meu redor. O rapaz me segurou, evitando a minha queda. Fechei os olhos com força e de repente.

Pluft.

Eu me lembrava de tudo. Era isso, Victor havia me maltratado sim, mas lembrei também que ele havia me pedido perdão e me convidado para conversar. Ele devia ter mudado! Sim, o Senhor havia ouvido minhas orações e o feito mudar com o acidente.

— Soph, meu amor! — Ouvi a voz dele logo atrás.

Abri os olhos a tempo de ver ele dar um soco no rosto do rapaz desavisado, mandando ele retirar as mãos da namorada dele, para em seguir me pegar no colo e sair comigo daquele lugar. Eu enlacei seu pescoço e senti que algo estava prestes a acontecer.

Deus queria fazer algo com a gente! Ele iria usar meu amor para mudar Victor.

Quando estávamos afastados, ele me colocou sobre um banco de madeira romântico em baixo de uma árvore cheia de pequenas flores rosadas e se sentou ao meu lado.

— Eu me lembro de tudo!

— Se lembra? De tudo?

— De tudo!

Fizemos um silêncio e ele começou a explicar.

— É verdade. Eu apostei com meus amigos e isso me leva a outro assunto a abordar com você, agora que sabe de toda a verdade.

—Sim, Victor! Eu te perdoo e estou disposta a esquecer tudo para ficar com você! Nada aconteceu por acaso! Nosso amor vencerá todas as barreiras, eu sinto, bem aqui no meu coração.

Ele me olhou com a testa franzida e eu entendi que não era sobre isso que ele desejava falar.

— A não ser é claro, que você não queira...

— Sophia, você esta prestes a ser deportada do país e eu estou quebrado financeiramente.

— Deportada? Como assim?

— John fugiu e descobriram que você está aqui ilegalmente. Aparentemente, para se morar nos Estados Unidos, é necessário um visto e não é fácil de conseguir. Nem mesmo visto de trabalho... Bem, isso não importa. Você precisa se casar se não quiser ser deportada ao Brasil, onde não haverá dinheiro, família nem amigos, já que sua amiga era uma traidora e estava pegando seu crush.

— Oh, Deus! O que será de mim agora? Tudo na minha vida é horrível! Eu sabia, hoje, quando não conseguia escolher o melhor vestido para vir no meu closet que quase não tem roupas... Tudo na minha vida parece só dar errado.

Senti cortinas de lágrimas na minha face, e eu chorava soluçando. Não conseguia entender como tudo podia dar errado! Onde estava a solução? O amor?

Como se fosse uma resposta, Victor segurou meu queixo, limpou meu rosto com um lenço que ele retirou do bolso e sorriu.

— Eu tenho uma proposta. Casse-se comigo e resolvemos nossos problemas. Você não precisa ser deportada, eu terei seu dinheiro e poderei salvar a empresa de minha família. Eu cuidarei de sua herança e você terá alguém para administrar tudo.

— Casar com você, Victor? — perguntei fingindo estar perplexa, mas meu coração disparava no peito.

— Esse tempo foi suficiente para eu ver que você é uma garota diferente, Soph. Nós nos daremos bem. Fazemos um contrato de casamento por cinco anos. Nesse tempo, eu cuido de você e você me ajuda. O que acha?

Eu ansiava por dizer logo sim, mas, como boa cristã que era, dei um fraco sorriso e disse:

— Vou orar sobre isso!

......

Ai, meu coração! A Soph lembrou de tudo! E agora? 

Preciso confessar, minha torcida é #Sovictor! 

Vocês também estão rolando de rir, como a gente?  

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