Cap. 8

Malhador, você me deixa entediada
Eu estou indo para o circo
Vou sentar ali e assistir o espetáculo
Vai ser um dia terrível 

Amanda Jenssen - The Carnival

    ◈◇◈    

Larguei o celular no chão e fechei os olhos, jogando-me no sofá depois de um longo suspiro.

Minha mãe havia acabado de me ligar e, bom, ela iria passar mais uma semana na casa de minha avó e eu juro que não teria me importado tanto se demônios não estivessem tentando me matar.

– Ai meu Senhor, me ajude a sobreviver durante essas duas semanas no inferno – murmurei e respirei fundo, passando as mãos no rosto enquanto tentava não pensar nas chances que tinha de acabar assassinada por bonecas bizarras.

E depois do medo ainda tinha o tédio. Fora o fato de que não tinha nada para fazer, eu estava sem créditos no celular, sem internet e cansada de ver os mesmos programas na TV. Ótima vida.

Pelo menos eu poderia passar o dia de pijama, comendo besteiras nada saudáveis e com o cabelo parecendo um ninho de pássaros que ninguém iria reclamar.

– Lis! Lis! – Eliel gritou descendo as escadas correndo e pulando em cima de mim.

– Não faz isso, seu idiota – eu disse com a voz mais do que rouca, completamente sem ar. – O que você quer?

– Vamos brincar de cobra-cega? – Pediu parecendo realmente animado e comprimi os lábios com dúvida e desconfiança.

– Sério? Quer mesmo brincar disso? Certeza de que não tem nada mais assustador? – Perguntei com ironia, imaginando o tanto de coisas ruins que poderiam acontecer enquanto brincávamos em uma casa esquisita como aquela, principalmente coisas relacionadas ao sobrenatural.

Até mesmo porque já haviam acontecido uma vez enquanto eu brincava com Izzy, e aquilo havia sido muito mais que o suficiente para me deixar traumatizada.

– Sim! Anda, não tem nada pra fazer e você também já percebeu isso – Eliel disse em tom entediado e revirei os olhos, suspirando.

– Tá ok, vamos, agora sai de cima de mim!

Marliss, Marliss... Algum dia você vai se arrepender por ser tão trouxa e concordar com tudo, e provavelmente será da pior forma.

– Ainda não entendo porque sou eu que tenho que ficar vendada – reclamei quando Eliel amarrou a venda sobre meus olhos de modo que eu só visse um monte de nada preto, e eu mal conhecia a casa, era bem provável que eu fosse bater o joelho ou a cara em algum lugar. Ah, sim, e eu estava com medo.

– Consegue ver algo? – Meu irmão perguntou me ignorando completamente e eu assenti.

– Consigo ver o mesmo que os cegos – respondi e Eliel deu uma risadinha.

– Se a mamãe estivesse aqui já teria te dado uma bronca daquelas por essa piadinha.

Dei de ombros e suspirei. Contando com todas as merdas que já fiz e falei na vida sabia que mais uma não faria diferença, eu iria para o forninho de qualquer jeito mesmo.

– Vou começar a contar – avisei e ouvi os passos de meu irmão se afastando. – Um, dois, três, quatro...

– Você não tá girando – ele gritou de algum lugar e eu bufei, batendo as mãos nas pernas com irritação.

–Você sabe muito bem que tenho labirintite, então não enche e pode começar a se esconder porque terminei minha contagem mentalmente.

Estendi as mãos para a frente, completamente desnorteada. Eu me lembrava de estar de costas para a porta principal e de frente para a escada, mas não era certeza.

Comecei a andar para a frente meio hesitante, tateando pelo ar aleatoriamente até encontrar uma parede. Segui à direita ainda encostada e encontrei a escada graças ao encontro nada doloroso do meu dedão com a quina do degrau mais próximo.

Sabia que Eliel estava no andar de cima e isso me dava vontade de xingá-lo com palavras que eu nem sabia conhecer. Seria horrível subir aquilo vendada, ainda mais para uma pessoa desastrada que não presta atenção em nada como eu.

Ok Lis, você já fez isso antes na casa da vovó, lembra? É só subir de joelhos, apoiando as mãos nos degraus, um de cada vez... Você consegue.

É, só que na casa da vovó eu tinha escorregado e tomado um belo tombo onde consegui a proeza de partir minha língua em duas. Digamos que tenha sido uma missão com 25% de sucesso.

Tudo bem Marliss, pare de discutir consigo mesma. A escada na casa da vovó era de mármore e estava úmida, você teria que ser muito burra para escorregar em madeira seca.

Suspirei, parcialmente convencida de que tudo daria certo, e me abaixei, colocando as mãos no terceiro degrau e começando a subir. Isso era patético, eu devia estar parecendo alguma atriz estranha de um filme pornô qualquer, ou até mesmo uma garota possuída de filmes de terror que sobe as escadas de quatro, parecendo um cachorro deformado que nasceu em uma cidade onde aconteceu algum acidente nuclear.

Apoiei a mão para subir o próximo degrau, mas segurei no ar e acabei perdendo o equilíbrio e batendo o queixo no chão, o que causou uma dor horrível que fez minha cabeça chacoalhar.

Parabéns Lis, você passou dezesseis degraus pensando em atrizes pornô e garotas possuídas.

Me levantei ainda resmungando e passei a mão onde havia batido. Estava doendo e provavelmente ficaria roxo depois. Mais um hematoma para minha coleção.

Comecei a tatear pelo nada até encontrar a parede que deduzi ser a da esquerda, onde estavam o banheiro e o quarto de Eliel. Era horrível ter que andar às cegas daquela forma, cada segundo parecia uma eternidade e eu já estava ficando tonta.

Suspirei, pronta para gritar para meu irmão que desistia quando ouvi uma porta se abrir, e não era do andar de cima. Meu coração acelerou um pouco, admito, mas ainda assim pensei na mínima possibilidade de meu irmão não ter subido e estar tirando onda com a minha cara.

Até eu ouvir passos nos degraus logo atrás de mim.

– Eliel, se você está de brincadeira acho melhor parar senão eu vou tirar essa venda e te dar um soco no meio da cara – eu disse respirando fundo e ouvi algo que parecia ser alguém segurando a risada.

Levantei a mão para puxar o pano que estava sob os meus olhos e, pouco antes que pudesse fazer isso, uma respiração quente bateu contra o meu pescoço e uma mão apertou meu ombro esquerdo, o suficiente para me causar um mini-ataque-cardíaco.

– Bu.

Eu não sabia que minha garganta já estava boa para gritar tão alto daquele jeito, pelo menos não até aquele momento. Meu coração parecia que ia parar e eu estava respirando como se fosse uma asmática, mas simplesmente não conseguia me mover – até mesmo porque meus joelhos estavam tão trêmulos e fracos que se eu tentasse andar muito provavelmente eu cairia.

– Ei, calma, calma... – disse a voz de alguém que parecia estar se segurando muito para não rir, e logo a mesma mão que havia apertado meu ombro puxou a venda para baixo. – Desculpa, eu não sabia que ia te assustar tanto.

Eu ainda estava parcialmente em estado de choque, mas ainda assim a vontade de bater no ser à minha frente foi maior.

– Você é doente? Como não sabia que ia me assustar tanto, Henri? Eu estava vendada brincando de cobra-cega nessa casa enorme! Você não assiste filmes de terror? – Gritei enquanto dei um soco em seu braço com toda a força que tinha, a qual não era muito diferente de zero já que depois daquele susto era como se meus músculos estivessem derretendo.

– Meu Deus, desculpa mulher, prometo que não faço mais – ele disse já sem qualquer sinal de que queria rir e me puxou para um abraço.

Como uma boa otária, fiquei sem saber o que fazer, então comecei a chorar. Por quê? Bem, primeiro por quase ter morrido do coração e ainda não ter me recuperado nem um pouco daquilo, e segundo porque desde que havia chegado ali eu esperava por isso: alguém que pudesse me abraçar enquanto eu chorava.

– Lis? Você tá chorando? – Henri perguntou afastando meu rosto para me olhar nos olhos, mas eu apenas abaixei o rosto e dei uma risadinha nervosa.

– Sim, isso é bem idiota eu sei, mas sei lá, eu toda sou idiota e sim, pareço uma criança, desculpe – eu disse meio sem pensar e novamente Henri me abraçou.

– Não diga isso, mal te conheço e já sinto como se fosse minha melhor amiga, você não é idiota, só é chorona.

– É, pior que sou... – concordei rindo e rapidamente limpei as lágrimas com o dorso da mão e me afastei, cruzando os braços sobre o peito sem querer dar sinais das sequelas que aquilo iria me causar. – Então, o que está fazendo aqui e por que entrou sem me chamar?

Ele suspirou e deu um sorriso. Tive que olhar para o chão para não sorrir de volta igual uma boba alegre.

– Minha avó achou que seria legal eu te mostrar algumas coisas aqui na cidade já que você e seu irmão acabaram de chegar e mal sabem ir até a padaria sem ter que pedir informação – explicou e me senti particularmente ofendida mas preferi não dizer. – E eu não entrei sem te chamar, você quem não ouviu, porque eu chamei umas três vezes antes de entrar.

– Hum... Eu sou meio distraída mesmo mas isso não vem ao caso, me dê alguns minutos para eu e meu irmão nos arrumarmos e então poderemos ir.

– Ok, vou esperar na sala – ele disse ainda sorrindo e desceu as escadas.

Depois de achar meu irmão escondido em meu guarda-roupas e quase morrer do coração pela segunda vez, mandei ele ir se trocar e fiquei pelo menos uns dez minutos sentada na cama, tentando decidir qual roupa usar.

Ah Lis, pelo amor dos Deuses do Sorvete, você nunca se importou com essas coisas, pegue qualquer roupa que achar e tá ótimo.

Depois de muita relutância dei de ombros e abri o armário. Peguei uma calça jeans qualquer, uma camiseta de anime que tinha desde os doze anos e meu moletom com estampa de gatinhos – sem dúvidas de que eu iria ficar parecendo uma criança nerd e doida.

Me troquei em pouco mais que cinco minutos e calcei os tênis, meu arrumar de cabelos se resumiu a desembaraçar os fios com os dedos e passar uma gota de creme de pentear para tentar alinhá-los.

Desci para a sala assim que terminei e encontrei Henri sentado no sofá conversando com o meu irmão. Isso não era nada bom, Eliel poderia ter dito tantas besteiras para ele que eu mal conseguia ter uma ideia...

– Lis! Você sabia que o Henri também gosta de jogos? E Sonic é um dos favoritos dele – Meu irmão disse com um sorriso animado como se aquilo fosse um fato mais do que importante e suspirei de alívio por saber que estavam tendo uma conversa normal.

– Legal – respondi sorrindo de volta de forma tranquila e os dois se levantaram.

– Podemos ir? – Henri perguntou e assenti, encarando seus olhos por alguns segundos.

Se continuasse desse jeito eu acabaria ficando vermelha, o que não seria nada bom, então assenti e me voltei para a porta antes que qualquer incidente indesejado ocorresse.

Mais uma vez o dia estava frio, úmido e cinza, as nuvens carregadas anunciando que logo uma tempestade cairia, era até meio triste e por algum motivo desconhecido me lembrei da Aldeia da Chuva, uma das várias vilas de Naruto, um dos meus animes favoritos.

Quando olhei para o lado vi que meu irmão e Henri conversavam novamente. Eu andava muito distraída ultimamente, quero dizer, mais do que o normal.

Mas não havia um normal, havia?

Comecei a pensar novamente nas coisas que estavam acontecendo. Era horrível e me dava calafrios só de lembrar, mas ao mesmo tempo eu estava curiosa e excitada para saber o porquê de tudo aquilo.

Simplesmente não podia ser algo aleatório, tinha que ter um motivo por trás de tudo, algo traumático do passado que acabou prendendo aqueles espíritos ali. É sempre assim que acontece, não é?

E quem era Abby? Eu queria muito saber...

– Ei, Lis, onde você vai? – Henri perguntou e quando reparei ele e Eliel já estavam do outro lado da rua. Droga.

Ele deu uma risadinha quando parei ao seu lado, completamente vermelha, minhas bochechas até formigavam de tanta vergonha. Eu definitivamente precisava prestar mais atenção na vida.

– Então, para onde vamos? – Perguntei assim que nos sentamos no banco de um ponto de ônibus e Henri sorriu.

Ele não sabia parar de sorrir, não? Eu já estava começando a me perguntar se ele não sentia dor nas bochechas.

– Gosta de parques de diversão? – Ele perguntou e me senti travada e fria por um momento, pelo menos até meu irmão começar a gargalhar loucamente como se fosse a última coisa que faria na vida.

– A Lis tem m...

Puxei Eliel para trás e tampei sua boca enquanto ele tentava se soltar e morder a palma da minha mão, sem sucesso algum.

– Eu não tenho nada – eu disse nervosa dando uma de minhas risadinhas completamente falsas, mais preocupada sobre Henri descobrir meu medo ridículo do que com o fato de estar parecendo uma assassina de irmãos.

– O quê? – Henri murmurou confuso, apenas observando a cena e, provavelmente, chegando à conclusão de que eu era louca sim.

Senti meu irmão lamber minha mão e rapidamente o soltei, passando a parte molhada em sua camiseta. Céus, como ele era nojento.

– A Lis tem medo de parques – Eliel disse assim que se soltou, lançando-me um olhar e um sorriso provocativo.

– Você é muito ridículo e eu vou matar você – sussurrei para que somente ele ouvisse e Eliel riu.

– Se ela andar em um carrossel já é uma vitória.

Henri encarou o chão por um momento, mordendo o lábio inferior. Certamente estava tentando não rir do ponto até o qual eu era patética.

– Sabe... – ele disse depois de uns dez segundos, levantando o rosto novamente. – Podemos ir para outro lugar se você quiser.

Suspirei e estalei os dedos das mãos, realmente considerando aceitar a sugestão. Mas isso só me faria parecer mais ridícula, não? E não queria acabar com a diversão dos dois somente por conta das minhas esquisitices.

– Não, tudo bem, é só eu evitar ir em brinquedos um pouco... Hã... Duvidosos com a segurança e com grandes chances de quebrar e matar alguém – respondi dando um sorriso nervoso e sem graça e Henri concordou silenciosamente, ajeitando os óculos.

– Tudo bem, podemos ir então? O ônibus já está vindo – ele disse e eu assenti, olhando para a esquina e avistando o ônibus azul que se aproximava cada vez mais rápido.

◈◇◈

– Eu quero ir na roda gigante! – Meu irmão exclamou e revirei os olhos, já irritada e até um pouco nervosa pelo barulho e pela quantidade de gente que havia ali.

Céus! Era uma cidade pequena e era inverno, todo esse povo deveria estar pela metade e trancado em casa, comendo doces e assistindo algum desenho aleatório. Exatamente como eu queria estar.

Eu sentia que não deveria estar ali. Não sabia como, apenas sabia. Acho que como aqueles instintos estranhos que as mães têm.

Meu Deus, Marliss! Para de ser tão paranoica, tente se divertir um pouco, ficar trancada numa casa velha cheia de espíritos não vai te ajudar em nada.

Ok. Realmente não deveria ser tão ruim quanto ficar em casa.

– Lis? Tá tudo bem? – Henri perguntou com uma expressão preocupada e dei minha melhor tentativa de um sorriso tranquilo.

– Sim, só... Onde tem um banheiro por aqui? – Perguntei tentando desviar o foco da conversa de mim e minhas estranhezas que nem eu entendia.

Henri apontou com a cabeça para duas portas improvisadas em algo que parecia um vagão de trem sem rodas pintado de vermelho com listras amarelas mais do que chamativas.

Bom, eu mesma havia me metido naquela situação então teria que ser aquilo mesmo, não é?

– Tudo bem, obrigada – respondi e dei dois passos para trás em direção àquela espécie de banheiro até então desconhecida para mim. – Me esperem aqui ou mato vocês.

Os dois riram e consentiram, logo se envolvendo em uma conversa que eu não fazia a menor ideia sobre o que era, aqueles dois pareciam ter assunto em excesso, chegava a ser até meio chato porque era como se eu estivesse sendo excluída de "coisas de garotos".

Suspirei e esfreguei as mãos uma na outra para esquentá-las, andando em direção ao banheiro. Logo precisaria beber algo quente, havia esquecido de colocar as luvas – como sempre – e as pontas dos meus dedos estavam começando a ficar azuis.

Se eu estivesse vivendo uma história de ficção científica poderia estar virando um alien por motivos de sei lá. Seria divertido e estranho.

Segurei uma risadinha, pensando que talvez pudesse começar uma história nova quando chegasse em casa, de preferência uma infantil e bem boba. Seria bom, iria me distrair e me empolgar, com toda a certeza.

Assim que cheguei na porta fechada do que uma placa improvisada indicava ser o banheiro feminino, precisei esperar uma eternidade do lado de fora porque alguma madame não queria sair de lá de forma alguma.

Senhor! Por que essas mulheres demoravam tanto no banheiro? Qual era a dificuldade de fazer xixi, lavar as mãos e sair?

Enquanto esperava, puxei o celular do bolso e desenrolei o fio do fone que se enroscava em volta dele, desbloqueando a tela trincada em seguida.

Droga, haviam quatro mensagens de Izzy, ela devia estar querendo me degolar e me cozinhar viva.

"Bom, vc pode até ñ ter quebrado as paredes para ver se corpos cairiam dela mas tenho ctz que pensou nessa hipótese kkk"

"Lis? Para de demorar pra responder sua vaca! Ñ importa o que esteja fzndo, sou sua melhor amiga e prioridade no momento!"

"Sua mãe chegou aqui hoje de manhã, oq significa que vc e Eliel estão sozinhos nessa casa que vc disse ser bizarra, isso é muito filme de terror... Enfim, responde logo"

"Lis? Tô começando a ficar preocupada, juro... Responde assim que ver essa msg ok? Bjs"

Meu peito se apertou por um momento e me senti extremamente mal por Izzy. Não que ela não tivesse motivo para se preocupar, porque né... Mas eu odiava deixar as pessoas preocupadas, ainda mais pessoas que amava.

A porta finalmente se abriu e uma mulher alta e extremamente magra saiu de dentro do banheiro parecendo uma modelo, esbarrando em mim ao passar ao meu lado. Xinguei baixinho e distraidamente entrei no quadrado apertado e frio à minha frente, trancando a porta em seguida.

Apoiei-me em uma parede qualquer ali e comecei a digitar uma resposta rápida para Izzy.

"Ai Izzy, mds, me desculpa mesmo! Eu realmente esqueci que tinha um celular, mas foi só isso, não precisa se preocupar, de verdade. Eu tô bem, até fiz um amigo apesar de estar aqui há pouco tempo e ser quase uma ameba quando o assunto é socializar, vc sabe bem disso. Mas e você? Como está?"

Apertei para enviar e falhou. Estava fora de área. Xinguei novamente e tentei mais três vezes antes de desistir.

Que dia mais bosta estava sendo aquele, Deus que me perdoe. Só o Henri mesmo para me tirar de casa num frio como aquele para vir para um lugar do qual eu morria de medo.

Terminei de desenrolar os fones e os encaixei nos meus ouvidos, dando play em alguma música aleatória. Logo reconheci o som da bateria no início e sorri. Adorava Imagine Dragons, e não teria música melhor para um dia como aquele: frio, preocupante e que me deixava mais do que nervosa.

Dei uma olhada no meu reflexo em um pequeno espelho oval e desgastado pendurado à parede e passei os dedos pelos meus cabelos castanhos desgrenhados. Pelo menos eram relativamente curtos, o que ajudava muito a diminuir a quantidade de nós.

Suspirei uma última vez e saí, já vasculhando o parque com os olhos em busca de Henri e Eliel, logo sentindo um desespero tomar conta de mim, fazendo meu rosto esquentar e minhas pernas tremularem. Naquele momento eu tive certeza que, definitivamente, eu mataria aqueles dois.

Merda. Porcaria. Filhos de uma vaca manca! Xinguei mentalmente sem ao menos me dar conta das palavras horríveis que estava usando, pois tinha algo muito mais horrível acontecendo ali.

Apertei as unhas contra as palmas das mãos e respirei fundo para tentar me acalmar e resolver tudo de uma maneira lógica e nada biruta – como eu sempre acabava fazendo.

Mas a situação em que me encontrava realmente não mudaria: aqueles dois animais haviam mesmo sumido.

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