Parte 4
00:20 AM
Depois de chorar nos braços de Nicollas e Lexy, de ter finalmente comido o que Dalvinha fez para mim - após tanta chantagem emocional - ouço uma voz desconhecida vindo da sala, a falar com minha mãe.
- Quem está aí? - pergunto a Dalva.
- Um policial, minha filha.
- Policial?!
Tento ao máximo ouvir o que eles estão a falar, mesmo em meio à praticamente cochichos.
- Onde está?! - Ele pergunta.
- No escritório dele, me acompanhe. - Minha mãe responde. - Você sabe para que hospital encaminharam ele? - continua falando, enquanto ainda está à andar.
- Infelizmente não, mas muito provável que, não demorem muito a receber uma ligação os informando.
Depois de não me contentar a só ouvir os murmúrios, os sigo até o escritório do meu pai.
- O que ele está fazendo aqui? - pergunto assim que chego.
- Precisam do notebook do seu pai. - Minha mãe responde.
- Para quê?!
No mesmo momento, Dalva grita da sala a nos chamar, tirando totalmente a minha concentração do que está acontecendo à minha frente.
- Dalva, o que aconteceu? - pergunto confusa.
- Ele está bem! Ele está vivo! - vejo sua reação em um misto de surpresa e felicidade.
- Meu pai... Ele está vivo??! - pergunto e assim que recebo mais uma vez a confirmação grito de alivio e choro ao mesmo tempo, mas dessa vez... ah dessa vez! É de pura felicidade. Ele está vivo... meu pai está vivo!
- Ah meu Deus! Onde ele está? - minha mãe é a primeira a perguntar.
- Hospital São Carlos. - Dalva responde.
- O que estamos esperando então?! Vamos logo! - falo correndo em direção à porta.
Estou no carro indo em direção ao hospital, todos estão nele, exceto minha mãe e Thomas que foram em outro carro.
Nesse momento imagino tudo o que falarei para ele, assim que o ver. Talvez, ele possa estar deitado a dormir, porém, assim que abrir os olhos, estarei lá ao seu lado, segurando à sua mão e falando do susto filha da puta que ele me deu. Quem sabe eu brinque o repreendendo? "Quer se livrar de mim tão cedo? Não foi dessa vez, papai!" e logo depois o diga o quanto eu o amo. Quero abraça-lo, para assim me sentir em casa novamente.
00:44 AM
Assim que chego no hospital, corro em direção à recepção, perguntando onde é seu quarto.
- Filha? - ouço a voz de minha mãe.
- Mãe! Onde o papai está?! - pergunto animada.
- Ele não está mais aqui...
- Como assim, o transferiram? Para onde?!
- Filha... - ela chora.
O ânimo que antes eu sentia, se desfaz e dá lugar ao desespero.
- Mãe! Aonde meu pai está?!
- Megan? - ouço alguém me chamar por trás de mim e, então me viro em direção ao seu sentido.
- Ricardo? - Ricardo é um amigo de anos do meu pai, já fazia um bom tempo que eu não o via. Me surpreendi ao vê-lo fardado de policial. - Você pode me responder o que está acontecendo e aonde está o meu pai?
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